Alimento funcional

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Alimento funcional é todo alimento que produz efeitos metabólicos e/ou fisiológicos e/ou efeitos benéficos à saúde, quando consumidos usualmente e acompanhados por hábitos saudáveis.

A cenoura, por ser rica em beta-caroteno e fibras insolúveis, é considerada um alimento funcional.

Alimento funcional é todo alimento que além das propriedades nutricionais básicas produz efeitos metabólicos e/ou fisiológicos e/ou efeitos benéficos à saúde, quando consumidos usualmente, devendo ser seguro para o consumo. [1] Pode ser um alimento natural ou processado apresentando características que podem proporcionar benefícios para prevenção ou promoção da saúde. [2] Os alimentos e ingredientes funcionais podem ser classificados de dois modos: quanto à fonte, (de origem vegetal ou animal), ou quanto aos benefícios que oferecem, atuando em seis áreas do organismo: no sistema gastrointestinal; no sistema cardiovascular; no metabolismo de substratos; no crescimento; no desenvolvimento; diferenciação celular no comportamento das funções fisiológicas;e comoAntioxidante|antioxidantes. [3]

Histórico[editar | editar código-fonte]

O conceito de alimentos funcionais foi inicialmente introduzido no Japão, em referência aos alimentos usados na dieta normal que apresentavam benefícios fisiológicos ou contribuíam para a redução de doenças crônicas. Esses alimentos de uso específico para saúde são amplamente adotados no mundo, porém a sua regulamentação acontece a critério da região em que está inserido. [4]

Conceitos[editar | editar código-fonte]

Os alimentos funcionais podem ser divididos de acordo com quatro conceitos entre as definições apresentadas [5]:

1) Benefícios à saúde. Alimentos ou seus componentes que podem trazer benefícios

específicos para tratar ou prevenir determinada doença.

2) Natureza do alimento. A maior parte das definições apontam que alimentos funcionais devem ser ou parecer alimentos naturais. Porém algumas estipulam que podem ser fortificados, enriquecidos ou ter algum ingrediente adicional ou a remoção de algum

componente que pode trazer algum dano à saúde se consumido em excesso.

3) Nível de função. Todos os alimentos apresentam propriedades nutricionais, no entanto, o que faz um alimento ser funcional são as características e as funções nutricionais básicas.

4) Padrão de consumo. Esse conceito estabelece que um alimento funcional pode ser parte da dieta ou se ajustar a um padrão de consumo em determinada localização geográfica ou contexto cultural. Portanto, um alimento pode ser considerado funcional em um local e em outro não.

Componentes funcionais nos alimentos[editar | editar código-fonte]

  • Carotenóides:

o Alfa-caroteno e beta-caroteno estão presentes em alimentos vegetais de coloração alaranjada e auxiliam no combate aos radicais livres

As Luteínas e a zeastaxantina são encontradss em vegetais verdes, ovos e milho, respectivamente, e beneficiam a visão.

o Licopeno é encontrado em tomate e derivados reduzem o risco de câncer de próstata.

As Fibras solúveis, como a beta glucana encontradas na aveia, contribuem para a redução do risco de doenças cardiovasculares

As Fibras insolúveis, encontradas no trigo, podem contribuir para a redução do  risco de câncer de cólon e mama

o Ômega 3 é encontrado em peixes contribuem para reduzir o risco de doenças cardiovasculares e melhora das funções visuais e mentais

o Ômega 6 é encontrado em queijo e carne auxilia na redução do risco de alguns tipos de câncer

As Antocianidinas, catequinas, flavononas e flavonas, encontradas em frutas e chá verde, contribuem no combate aos radicais livres e redução do risco de câncer.

As Lactobacilos contribuem para a melhora das funções gastrointestinal

As Isoflavonas são encontradas em soja e derivados e auxiliam na redução dos sintomas da menopausa

AS Lignanas, encontrada em vegetais, têm efeitos protetores contra o câncer de mama, ovário e útero

Hábito alimentar[editar | editar código-fonte]

Com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros e ao mesmo tempo o crescente aparecimento de doenças crônicas como obesidade, aterosclerose, hipertensão, osteoporose, diabetes e câncer, está havendo uma preocupação maior, por parte da população e dos órgãos públicos de saúde, com a alimentação.

Hábitos alimentares adequados como o consumo de alimentos pobres em gorduras saturadas e ricos em fibras presentes em frutas, legumes, verduras e cereais integrais, juntamente com um estilo de vida saudável (exercícios físicos regulares, ausência de fumo e moderação no álcool) passam a ser peça chave na diminuição do risco de doenças e na promoção de qualidade de vida, desde a infância até o envelhecimento.

Um ponto que vale a pena ser comentado, é o fato de que alguns alimentos industrializados possuem concentrações muito baixas dos componentes funcionais, sendo necessário o consumo de uma grande quantidade para a obtenção do efeito positivo mencionado no rótulo. No caso do leite enriquecido com ômega 3, por exemplo, seria mais fácil e vantajoso, o consumidor continuar ingerindo o leite convencional e optar pela fonte natural de ômega 3 que é o peixe. Primeiro, porque normalmente os produtos industrializados com ação funcional são mais caros, segundo pois o peixe tem outros nutrientes importantes a oferecer como proteínas de boa qualidade, vitaminas e minerais. Portanto, o produto contendo a substância funcional não substitui por completo, o alimento de onde foi retirado tal composto, uma vez que apresenta apenas uma característica deste

Ainda em relação aos produtos industrializados com caráter funcional, é importante esclarecer que o simples consumo desse tipo de alimento, com a finalidade de obter um menor risco para o desenvolvimento de doenças, não atingirá o objetivo proposto se não for associado a um estilo de vida saudável levando em consideração principalmente, a alimentação e a atividade física.

Por fim, uma alimentação equilibrada e variada incluindo, diariamente, alimentos de todos os grupos na proporção correta já fornece alimentos com propriedades funcionais naturais, sendo desnecessária a aquisição de produtos funcionais industrializados normalmente com custo mais elevado para obter os nutrientes essenciais e os benefícios à saúde.

Referências

  1. Craveiro, Lurdes (2003). «Elsden, William». Oxford University Press. Oxford Art Online 
  2. Hasler, Clare M. (2000-10). «The Changing Face of Functional Foods». Journal of the American College of Nutrition. 19 (sup5): 499S–506S. ISSN 0731-5724. doi:10.1080/07315724.2000.10718972  Verifique data em: |data= (ajuda)
  3. Sousa, Paulo Henrique Machado de; Maia, Geraldo Arraes; Souza Filho, Men de Sá Moreira de; Figueiredo, Raimundo Wilane de; Nassu, Renata Tieko; Souza Neto, Manoel Alves de (2003-12). «Influência da concentração e da proporção fruto: xarope na desidratação osmótica de bananas processadas». Ciência e Tecnologia de Alimentos. 23: 126–130. ISSN 0101-2061. doi:10.1590/s0101-20612003000400024  Verifique data em: |data= (ajuda)
  4. Costa, L.C.; Ribeiro, W.S.; Barbosa, J.A. (30 de setembro de 2014). «COMPOSTOS BIOATIVOS E ALEGAÇÕES DE POTENCIAL ANTIOXIDANTE DE FLORES DE MARACUJÁ, CRAVO AMARELO, ROSA E CAPUCHINHA». Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais. 16 (3): 279–289. ISSN 1517-8595. doi:10.15871/1517-8595/rbpa.v16n3p279-289 
  5. DeFelice, Stephen L. «The Nutraceutical Health Sector: A Point of View». Oxford, UK: Blackwell Publishing Ltd: 201–212. ISBN 9780470277676