Alison Bechdel

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Alison Bechdel
Alison Bechdel em 2012
Nascimento 10 de setembro de 1960 (57 anos)
Lock Haven, Pennsylvania, EUA
Nacionalidade norte-americana
Influenciados
Principais trabalhos Fun Home, Dykes to Watch Out For, Are You My Mother?
Prémios MacArthur "Genius" Award[1]
Área Quadrinhos
Movimento(s) Underground, Feminista
Página oficial
http://dykestowatchoutfor.com

Alison Bechdel (Lock Haven, 10 de Setembro de 1960) é uma cartunista americana. Seu primeiro trabalho a chamar a atenção da crítica foi a série de tirinhas Dykes to Watch Out For (produzidas ao longo de 25 anos, entre 1983 e 2008[2]), disrusptiva por tratar ainda nos anos 1980 de relacionamentos lésbicos. Mas foi em 2006 que Bechdel obteve mais reconhecimento, com a publicação de Fun Home - Uma tragicomédia em família (no original, Fun Home: A family tragicomic), uma obra autobiográfica em quadrinhos, apontado pela revista Time como o melhor livro do ano (única HQ a receber essa distinção) e finalista do National Book Critics Circle Award. Em 2007, o livro recebeu o Eisner Award, considerado o oscar dos quadrinhos. Fun Home ainda ganhou uma adaptação musical na Brodway, feita pela dramaturga Lisa Kron e pela compositora Jeanine Tesori, que recebeu cinco prêmios Tony Awards, inclusive o de Melhor Musical de 2015.[3]

Seis anos depois de Fun Home, em 2012, a cartunista lançou uma nova graphic novel, Você é minha mãe? Um drama em quadrinhos (no original, Are you my mother? A Comic Drama) também de teor autobiográfico, que trata de sua relação com a mãe. No Brasil, o livro foi lançado em 2013 com edição da Companhia das Letras.

Bechdel também é a criadora do Teste de Bechdel, que avalia preconceitos e estereótipos femininos em produções cinematográficas.

Em 2014, a autora foi agraciada com uma bolsa pelo MacArthur "Genius" Award.[4]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Alison J. Bechdel nasceu em Lock Haven, Pensilvânia, filha de Helen Augusta (1933-2013)[5] e Bruce Allen Bechdel 1936-1980).[6]Seu pai era um veterano de guerra que dava aulas em uma escola de Ensino Médio e, simultaneamente, administrava a casa funerária da família. A mãe era atriz e professora. Alison frequentou o Simon's Rock College e, depois, o Oberlin College, graduando-se em 1981.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Bechdel se mudou para Manhatann e tentou ingressar em escolas de arte, mas não foi aceita e trabalhou em diferentes empresas ligadas à edição. Sua primeira tira foi publicado em junho de 1983, no jornal feminista Womannews. As tiras daquela época, mais tarde, originaram a série Dykes to Watch Out For, onde as personagens discutiram pela primeira vez os critérios do Teste de Bechdel. Ela também trabalhou fazendo ilustrações para revistas e sites antes de se dedicar aos quadrinhos em tempo integral, em 1990, e se mudar para Vermont, nos Estados Unidos, onde vive até hoje.[7]

Fun Home (2006)[editar | editar código-fonte]

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Em 2006, Bechdel publicou Fun Home, uma biografia "tragicômica", em que narra sua infância e anos que antecederam e sucederem o suicídio de seu pai. A obra recebeu mais atenção da crítica que seus trabalhos anteriores, com resenhas em veículos importantes como Entertainment Weekly,[8] The Guardian[9] e The New York Times.[10] Além disso, o título esteve por duas semanas na lista de best-sellers de não-ficção do New York Times.

Publicado no Brasil pela Conrad, em Fun Home Alison recorre a diferentes referências da literatura universal, como o mito de Ícaro e Dédalo, para rememorar a conturbada relação que a autora mantinha com seu pai, Bruce Bechdel. Professor de literatura, Bruce era bissexual e dedicava seus dias mais à reforma e aos reparos do casarão vitoriano onde vivia que aos filhos. A mãe, por sua vez, esforçava-se para manter as aparências e, nesse contexto, administrar as relações familiares a fim de atender a convenções sociais. Na narrativa, Alison revela o amadurecimento de sua própria sexualidade em uma obra que, pela complexidade e inovação, junta-se a outros clássicos dos quadrinhos, como Maus, de Art Spiegelman.

Você é minha mãe? (2012)[editar | editar código-fonte]

Depois de escrutinar sua relação com o pai, Alison tem como foco as relações com a mãe em Você é minha mãe? Um drama em quadrinhos No livro, Bechdel organiza a história em sete capítulos, que dialogam com a teoria psicanalítica por meio da referência a uma série de textos de Freud (e também da escritora Virgínia Wolf, da poeta Alice Miller e do psicólogo Donald Winnicott), da análise de sonhos e da representação de cenas de sessões com suas diferentes terapeutas. Chamada de "uma espécie de Woody Allen lésbica" pelo The Guardian,[11][12] Bechdel não teme expor as dificuldades que a mãe tinha para aceitar sua orientação sexual bem como a relação pouco afetiva que ela mantinha com os filhos.

Em 2013, a obra recebeu o Judy Grahn Award para não-ficção lésbica e foi finalista do Lambda Literary Award na categoria memória ou biografia lésbica.

Referências

  1. Lee, Felicia R. (17 de setembro de 2014). «MacArthur Awards Go to 21 Diverse Fellows». The New York Times 
  2. «dykestowatchoutfor.com  » About». dykestowatchoutfor.com. Consultado em 31 de outubro de 2015 
  3. Paulson, Michael; Patrick (8 de junho de 2015). «Tony Awards: 'Fun Home' Wins Best Musical and 'Curious Incident of the Dog in the Night-Time' Best Play». The New York Times. ISSN 0362-4331 
  4. McDonald, Soraya Nadia (17 de setembro de 2014). «Alison Bechdel just won a MacArthur Foundation 'genius' grant. She's already changed the way we talk about film.». The Washington Post (em inglês). ISSN 0190-8286 
  5. «Helen Bechdel - 2013-05-14». wetzlerfuneralhome.com. Consultado em 31 de outubro de 2015 
  6. «Bruce Allen Bechdel (1936 - 1980) - Find A Grave Memorial». www.findagrave.com. Consultado em 31 de outubro de 2015 
  7. «Fun Home is only a small part of Alison Bechdel's genius». Vox. Consultado em 31 de outubro de 2015 
  8. «Fun Home | EW.com». Entertainment Weekly's EW.com. Consultado em 31 de outubro de 2015 
  9. Sutcliffe, Jess. «Fun Home, by Alison Bechdel: tragic scenes from a comic family». the Guardian. Consultado em 31 de outubro de 2015 
  10. Wilsey, Review By Sean (18 de junho de 2006). «The Things They Buried». The New York Times. ISSN 0362-4331 
  11. Miller, Laura. «Are You My Mother? by Alison Bechdel – review». the Guardian. Consultado em 31 de outubro de 2015 
  12. «Lembranças tragicômicas - Cultura - Estadão». Estadão. Consultado em 31 de outubro de 2015