Almanach Bertrand

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Almanach Bertrand
Almanach Bertrand de 1926
Idioma português
País  Portugal
Assunto almanaque, Portugal
Editora Irmãos Bertrand
Lançamento 1899

Almanach Bertrand é um almanaque editado pela Livraria Bertrand, de Portugal, fundada na primeira metade do século XVIII pelos irmãos Bertrand. O Almanaque Bertrand, de tiragem anual, foi publicado de 1899 até 1969, regressando quarenta anos depois em 2011,[1] continuando até aos nossos dias contendo calendários, artigos, poemas, provérbios, anedotas, caricaturas e as famosas adivinhações.

Muitas adivinhações demandavam interpretação cuidadosa do textos, além de minuciosos cálculos, como este, publicado no Almanach para 1901, mantido na grafia original:

Problemas de Caramuel[editar | editar código-fonte]

'Os tres problemas, que em seguida publicâmos, traduzidos pelo coordenador d'este Almanach, foram inventados pelo celebre bispo hespanhol João Lobckowitz Caramuel, o qual floresceu no século XVII, entre os annos de 1606 e 1682. Caramuel era altamente versado em mathematicas, e tão predilectos lhe foram sempre estes estudos, que as proprias questões theologicas era pelas mathematicas, que intentava demonstral-as e resolvel-as. Foram elles propostos pelo seu auctor n'um certamen mathematico.

  • 1º problema

Um dia, perguntava Diodóro

Embaixador do principe do Egypto,
Que edade tinha o Macedonio invicto?
E logo, Artemidóro
Lhe responde engenhoso:
Tem só dois annos mais o bellicoso
Rei, que o seu predilecto Ephestião,
Cujo pae, quatro mais que os dos contava.
Quando o pae d'Alexandra ennumerava,
(Elle, o Nestor dos reis),
-No percurso d'Apollo fugitivo,-
Gyros noventa e seis.
Tinha a somma dos tres, e estava vivo!

  • 2º problema

Hercules, um dia, visitou Augeu,
Rei opulento, como mais ninguem,
E a si proprio, na mente, prometteu
De lhe roubar as vaccas, cem a cem.
Começa a perguntar-lhe, com cuidado,
O número, e as pastagens do seu gado:

Eu cá, responde o velho á boa fé,
Não tenho a conta certa aqui presente,
Mas já vou responder, e brevemente:
Do Alfeu pelas campinas, mesmo ao pé,
Orladas d'ouro, em fundos d'esmeralda,
Do meu gado, metade anda pastando.
Anda, d'elle um oitavo, junto á falda
do monte de Saturno, o velho deus
Com seus longos bramidos atroando.
E na linha, onde a terra une aos ceus,
Descubro a parte decima-segunda,
Que, por sua braveza desusada,
Nos campos, que o Alfeu já não fecunda,
Precisa andar das outras apartada.
A vigesima parte, mansa e lenta,
Na Elida segura se apascenta;
E na Arcadia a trigesima demora.
Cinquenta, feita a conta, inda me ficam.
Quem fizer o que os calculos lhe indicam,
Póde a conta total saber agora.

Mover a clava, porém não a penna,
Era o saber do filho d'alcmena.
Hercules ficou sem perceber, portanto,
O que ao principio desejava tanto.
Mas o leitor, que é muito mais esperto,
Descubra o que deixâmos encoberto.

  • 3º problema

Entre liquida prata,
Descobri não sei quantas Galatheas,
E, mais longe, no ponto onde remata
A selva escura, um côro de Napêas:
Thétis a todas com amor retrata;
Mas formosas aquellas, estas feias,
Na especie deseguaes, ou tanto monta,
Eram, também, deseguaes na conta.

Não podendo contal-as,
Apóllo consultei, que ali vivia,
E c'rôas e collares, para ornal-as,
De perlas desatadas lhes tecia.
E o deus intonso, para mais honral-as,
Não me quis ensinar o que sabia.
Porém, ao som das vagas indiferentes,
Estas palavras disse, tão sómente:

Se deixam seus crystaes,
Tres nymphas bellas, que á floresta chama
Uma filha dos deuses immortaes
De rosas adornada e não de escama,
Todas, na conta, ficarão eguaes;
Porém, se vendo que Tritão as ama,
Para as ondas partirem tres Napêas,
O dobro ficará de Galathêas.

Estes problemas matemáticos foram publicados na Edição para 1901, mantidos aqui na grafia original.

Aspiração[editar | editar código-fonte]

Capa do Almanach Bertrand de 1926

Quando se ama, um desejo nos invade
De encontrar a expressão, o verbo, o grito
Com que tudo que ha na alma seja dito
Num clamor que transponha a imensidade

O coração, num vôo de anciedade,
Para exprimir o que tem dentro escripto
Busca o sentido exacto do Infinito
E moldes em que attinja a Eternidade.

Porém a voz, exangue e amortecida,
Em silencios que vão além da Vida,
Queda-se inerte no seu próprio sêr.

E, murmurando apenas sons banais,
Nós sentimos que é sempre muito mais
Aquillo que nos fica por dizer.

Oliva Guerra

Este poema romântico está na Edição para 1929, mantida aqui a grafia original

Forma original de saber as horas certas[editar | editar código-fonte]

Os índios das florestas do Brasil que, na sua grande maioria, desconhecem absolutamente o que seja um relógio, podem, no entanto, a qualquer momento do dia, saber as horas que são.

Às 6 horas precisas da manhã o omupac, inseto gigante do Amazonas, produz, batendo com as asas contra o tronco das árvores, um ruído como de castanholas e que dura exatamente três minutos, emudecendo depois até às 6 horas do dia seguinte.

Às 10 horas, pontualmente, os macacos gritam e ao meio-dia exato o tucano intervém no concerto, com a sua voz grave.

O tapir sai todos os dias para a caça às 15 horas precisas e o urso formigueiro não procura os ninhos das térmitas enquanto não são 17 horas.

A ave viuvinha solta, todas as tardes, sete gritos angustiosos, os únicos que solta em todo o dia, pontualissimamente às 19 horas.

Mas, segundo dizem os índios, ainda o mais prático é domesticar o camaleão. Nos olhos deste, uma mancha de cor acastanhada muda, de hora em hora, de lugar, como o ponteiro de um mostrador de relógio.

Estas curiosidades estavam na edição para 1955.

Referências

  1. Almanaque Bertrand 2011-2012 - ISBN 9910000065651


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