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Almir Garnier Santos

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Almir Garnier Santos
Dados pessoais
Nascimento22 de setembro de 1960 (65 anos)
Rio de Janeiro, RJ
Nacionalidadebrasileiro
Alma materEscola Naval
UFRJ
Naval Postgraduate School
Carreira militar
ForçaBrasão da Marinha Marinha do Brasil
Anos de serviço1978-presente
Hierarquia Almirante de esquadra

Almir Garnier Santos (Rio de Janeiro,[1] 22 de setembro de 1960) é um militar e almirante de esquadra brasileiro que foi comandante da Marinha de 9 de abril de 2021 a 30 de dezembro de 2022.[2][3][4]

Em 11 de setembro de 2025, foi condenado a 24 anos de prisão em regime inicial fechado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e ameaça grave e deterioração de patrimônio tombado.[5]

Foi preso em 25 de novembro do mesmo ano, após o trânsito em julgado dos recursos, no qual determinou-se o início do cumprimento de sua pena.[6]

Primeiros anos

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Nascido no município brasileiro do Rio de Janeiro, no dia 22 de setembro de 1960, Almir Garnier Santos ingressou cedo na carreira militar.[7]

Carreira militar

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Iniciou sua relação com a Marinha do Brasil aos dez anos de idade, como aluno do curso de formação de operários, na extinta Escola Industrial Comandante Zenethilde Magno de Carvalho. Graduou-se Técnico em Estruturas Navais, na Escola Técnica do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), em 1977.[8]

Estagiou nas Fragatas Independência e União, à época em construção na carreira do AMRJ. No mesmo ano iniciou o Curso de Formação de Oficiais da Reserva da Marinha.[8]

Em 1978, ingressou na Escola Naval e concluiu o curso de formação de oficial em 1981 como primeiro colocado no Corpo da Armada. No regresso da viagem de instrução, a bordo do Navio-Escola Custódio de Mello, em 1982, foi nomeado Segundo-Tenente, vindo a servir na Fragata Independência, como Ajudante da Divisão de Operações.[8]

Foi promovido ao posto de Primeiro-Tenente em 31 de agosto de 1984. Em seguida iniciou o Curso de Aperfeiçoamento em Eletrônica para Oficiais, no Centro de Instrução Almirante Wandenkolk, localizado no Rio de Janeiro, que concluiu em primeiro lugar no ano de 1985.[8]

Em seguida, desenvolveu suas habilidades operativas servindo a bordo dos navios mais modernos da Esquadra brasileira à época: a Fragata União, a Fragata Independência e o Navio-Escola Brasil, onde ocupou os cargos de Chefe do Departamento e de Encarregado da Divisão de Operações, de Encarregado da Manutenção do Material Eletrônico, de Oficial de Defesa Aérea e Guerra Eletrônica e de Instrutor de Operações de Guardas-Marinhas.[8]

Em 1991, como Capitão-Tenente, foi designado para realizar o Curso de Mestrado em Pesquisa Operacional e Análise de Sistemas na Naval Postgraduate School, em Monterey, Estados Unidos da América. Após a conclusão do Mestrado, serviu em funções técnicas por cerca de dez anos, quando gerenciou equipes de elevado padrão técnico, desenvolvendo projetos de otimização de recursos, de emprego de Poder Naval, de jogos para treinamento de Guerra Naval e de implantação de sistemas de tecnologia da informação e comunicações.[8]

Como Capitão de Corveta, concluiu o Curso de Estado-Maior para Oficiais Superiores em 1998, obtendo novamente a primeira colocação de sua turma. Possui ainda o curso de Master of Business Administration (MBA) em Gestão Internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Curso de Política e Estratégia Marítima da Escola de Guerra Naval, concluído com menção honrosa, em 2008.[8]

Comandou o navio tanque "Almirante Gastão Motta", o Centro de Apoio a Sistemas Operativos, o Centro de Análises de Sistemas Navais, a Escola de Guerra Naval e o 2º Distrito Naval, em Salvador.[8]

Em 31 de março de 2010 foi promovido ao posto de Contra-Almirante, em 31 de março de 2014 ao posto de Vice-Almirante e em 25 de novembro de 2018 ao posto de Almirante de Esquadra.[8] Trabalhou no Ministério da Defesa entre junho de 2014 e janeiro de 2017 como Assessor Especial Militar do Ministro, tendo servido aos Ministros Celso Amorim, Jaques Wagner, Aldo Rebelo e Raul Jungmann.[8] Como Almirante de Esquadra, foi Secretário-Geral do Ministério da Defesa, na gestão do Ministro Fernando Azevedo e Silva, até 9 de abril de 2021, quando assumiu o cargo de Comandante da Marinha do Brasil.[9]

Envolvimento na tentativa de golpe de Estado

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Delação de Mauro Cid e Operação Tempus Veritatis

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Segundo delação de Mauro Cid, ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, Almir Garnier teria aceito participar de um golpe de estado para destituir o presidente e vice eleitos, no pleito em que Bolsonaro foi derrotado, o Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal, o que configura como crime de abolição violenta ao Estado democratico de direito.[10]

A Polícia Federal deflagrou no dia 8 de fevereiro de 2024 a Operação Tempus Veritatis para apurar organização criminosa que atuou na tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito, para obter vantagem de natureza política com a manutenção do então presidente da República no poder. Garnier Santos foi um dos 33 alvos de busca e apreensão.[11][12][13]

Ação Penal n.º 2 668/2025

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Em 21 de novembro de 2024, foi indiciado no inquérito que investiga a tentativa de golpe de estado para manter Bolsonaro no poder mesmo após a derrota para Lula nas eleições de 2022.[14] No dia 26 de março de 2025, o antigo Comandante da Marinha do Brasil tornou-se réu.[15] Durante todo o processo penal, denominado como Ação Penal 2668, Garnier foi representado pelo jurista, advogado, ex-senador cassado e ex-procurador do Ministério Público do Estado de Goiás, Demóstenes Torres.[16]

No dia 10 de junho de 2025, Garnier prestou pela primeira vez depoimento sobre os encontros com Jair Bolsonaro em meio às suspeitas de articulação de um golpe de estado no fim de 2022. No depoimento ao Supremo, o almirante negou ter oferecido tropas a Bolsonaro ou recebido minuta do golpe. Ele confirmou reuniões com chefes militares e citou preocupações gerais, sem ordens ilegais.[17]

Condenação e prisão

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Em 11 de setembro do mesmo ano, foi condenado a 24 anos de prisão em regime inicial fechado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e ameaça grave e deterioração de patrimônio tombado.[5] Foi a primeira vez na história em que o Brasil condena generais e almirantes por golpe de Estado.[18]

Dois meses depois, em 25 de novembro, com o trânsito em julgado e esgotamento dos recursos, o almirante Almir Garnier Santos foi preso pela Polícia Federal e conduzido para o Estação Rádio da Marinha para cumprimento da pena.[5][19]

Condecorações

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Precedido por
Ilques Barbosa

6° Comandante da Marinha do Brasil

2021–2022
Sucedido por
Marcos Sampaio Olsen

Referências

  1. «Novo Comandante da Marinha nasceu e viveu em RP». Marinha do Brasil. 24 de dezembro de 2018. Consultado em 25 de novembro de 2025 
  2. Nunes, Vicente (31 de março de 2021). «Almirante Garnier comandará a Marinha e o Brigadeiro Baptista Junior, a Aeronáutica». Correio Braziliense. Consultado em 1 de abril de 2021 
  3. Gabino, Anderson (31 de março de 2021). «Conheça o novo comandante da Marinha do Brasil - DEFESA TV». www.defesa.tv.br. Consultado em 28 de setembro de 2021 
  4. «Decretos oficializam trocas de comando na Marinha e na Aeronáutica». Agência Brasil. 30 de dezembro de 2022. Consultado em 7 de janeiro de 2023 
  5. a b c «Ex-comandante da Marinha, Garnier é condenado a 24 anos de prisão pelo STF». CNN Brasil. 11 de setembro de 2025. Consultado em 12 de setembro de 2025 
  6. Nunes, Vinícius (25 de novembro de 2025). «Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, é preso em Brasília». CartaCapital. Consultado em 25 de novembro de 2025 
  7. «BIOGRAFIA: VICE-ALMIRANTE ALMIR GARNIER SANTOS (1960); COMANDANTE DO 2° DISTRITO NAVAL (2° DN)» (PDF). Marinha do Brasil. Consultado em 25 de novembro de 2025 
  8. a b c d e f g h i j «Comandante da Marinha». Consultado em 25 de julho de 2021 
  9. Melo, Karine (9 de abril de 2021). «Almirante Almir Garnier assume o comando da Marinha». Agência Brasil. Consultado em 10 de abril de 2021 
  10. «Quem é Almir Garnier, que comandou a Marinha durante o governo Bolsonaro». G1. 22 de setembro de 2023. Consultado em 22 de setembro de 2023 
  11. «Polícia Federal apura tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito». Polícia Federal. 8 de fevereiro de 2024. Consultado em 8 de fevereiro de 2024 
  12. Lopes, Léo (21 de setembro de 2023). «Saiba quem é Almir Garnier, comandante da Marinha no governo Bolsonaro que teria aceitado dar golpe». CNN Brasil. Consultado em 13 de fevereiro de 2024 
  13. Sadi, Andréia (8 de fevereiro de 2024). «Moraes manda Bolsonaro entregar passaporte em investigação sobre tentativa de golpe para mantê-lo no poder». G1. Consultado em 8 de fevereiro de 2024 
  14. Tralli, César (21 de novembro de 2024). «PF indicia Bolsonaro, Braga Netto, Heleno, Ramagem, Valdemar e mais 32 em inquérito sobre tentativa de golpe». G1. Consultado em 21 de novembro de 2024 
  15. Curcino, Sara; Falcão, Márcio (26 de março de 2025). «Pela 1ª vez, um ex-presidente e militares são julgados por tentativa de golpe; entenda». G1. Consultado em 26 de março de 2025 
  16. Alvim, Mariana (2 de setembro de 2025). «Quem é Demóstenes Torres, advogado que prometeu no STF 'levar cigarro' para Bolsonaro». BBC News Brasil. Consultado em 25 de novembro de 2025 
  17. Motta, Rayssa; Galzo, Weslley (10 de junho de 2025). «Almirante Garnier nega ter colocado tropas à disposição de Bolsonaro para o golpe: 'ilações'». Estadão. Consultado em 10 de junho de 2025. Cópia arquivada em 10 de junho de 2025. (pede subscrição (ajuda)) 
  18. Prazeres, Leandro; Schreiber, Mariana; Pina, Rute (10 de setembro de 2025). «Militares condenados no STF: Brasil condena generais por golpe de Estado pela primeira vez na história». BBC News Brasil. Consultado em 12 de setembro de 2025 
  19. Marques, José; Pompeu, Ana (25 de novembro de 2025). «Heleno e Paulo Sérgio, ex-ministros de Bolsonaro, e Garnier, ex-chefe da Marina, são presos em Brasília». Folha de S.Paulo. Consultado em 25 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 25 de novembro de 2025. (pede subscrição (ajuda)) 
  20. «ALMIR GARNIER SANTOS» (PDF) 
  21. «DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO - Seção 1 | Edição Extra | Nº 82-B, terça-feira, 30 de abril de 2019». Imprensa Nacional. 30 de abril de 2019. p. 8. Consultado em 15 de fevereiro de 2024