Bugio-preto

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaBugio-preto[1]
Macho adulto
Macho adulto
Fêmea adulta
Fêmea adulta
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [2]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Primates
Família: Atelidae
Género: Alouatta
Espécie: A. caraya
Nome binomial
Alouatta caraya
(Humboldt, 1812)
Distribuição geográfica
Distribuição geográfica do bugio-preto
Distribuição geográfica do bugio-preto
Sinónimos[3]
  • straminea Humboldt, 1812
  • niger Saint-Hillaire, 1812
  • faunus Illiger, 1815
  • barbatus Spix, 1823
  • ater Desmarest, 1827
  • chrysurus Saint-Hillaire, 1851
  • nigra Slack, 1862
  • belzebul Cope, 1889

O bugio-preto, guariba-preto,[4] bugio-do-pantanal[5] ou carajá[6] (nome científico: Alouatta caraya) é uma espécie de primata do gênero bugio (Alouatta) que habita florestas tropicais e savanas do sudoeste e centro do Brasil, nordeste da Argentina, leste da Bolívia e do Paraguai e, provavelmente, do extremo noroeste do Uruguai.[7] É a espécie do gênero que possui maior área de distribuição geográfica, sendo típico dos biomas do Pantanal e Cerrado, mas também é encontrado em áreas de floresta estacional semidecidual e até nos pampas gaúchos.[3][8]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Seu nome popular bugio deriva do topônimo Bugia,[9] uma cidade da Argélia para a qual se exportavam velas e, provavelmente macacos. O topônimo, por sua vez, originou-se no árabe vulgar Budjîa.[10] Já seus demais nomes populares, guariba e carajá, derivam do tupi-guarani: o primeiro de waríwa[11] ou gwa'riwa;[12] o segundo de karaiá.[13]

Descrição[editar | editar código-fonte]

O macho adulto é preto, enquanto que as fêmeas e os juvenis são castanho-amarelados.[3] O dimorfismo sexual é extremo, com os machos totalmente pretos, pesando em média 6,7 quilos e as fêmeas possuem uma coloração castanho-claro, pesando em média 4,5 quilos. Os juvenis possuem a mesma coloração que as fêmeas, sendo que os machos passam a ser pretos quando atingem cerca de 5 quilos de peso.[14]

Como as outras espécies do gênero bugio (Alouatta), os animais emitem vocalizações, muitas vezes de forma espontânea, que parece ter mais uma função na regulação do uso do território, sinalizando a outros grupos a posse de um determinado espaço. Caso ocorra vocalizações de grupos estranhos no território de um determinado bando, o macho alpha apresenta vocalizações e inicia buscas na região em que tais vocalizações têm origem.[15]

Alimentação[editar | editar código-fonte]

Os bugios são animais com uma dieta predominantemente folívora, embora, ela possa variar para dietas mais onívoras.[16] Tal regime alimentar dá boas perspectivas na conservação da espécie, que acaba precisando de uma área de vida menor do que espécies essencialmente frugívoras.[17]

Conservação[editar | editar código-fonte]

Seu status de conservação é considerado "pouco preocupante", segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), pois possui uma ampla distribuição geográfica e ocorrência em muitas unidades de conservação do Brasil, Paraguai, Argentina e Bolívia, mas as populações estão decaindo.[2] A espécie não é considerada em risco de extinção no Brasil, de acordo com o IBAMA, entretanto, está incluído em categorias de ameaça em três listas regionais como "vulnerável" (Rio Grande do Sul e São Paulo[18]) e como "em perigo" (no Paraná).[19][20] No estado de São Paulo está restrito a pequenos fragmentos de cerrado e floresta estacional semidecidual.[18]

Referências

  1. Groves, C. P. (2005). «Alouatta caraya». In: Wilson, D. E.; Reeder, D. M. Mammal Species of the World: A Taxonomic and Geographic Reference 3.ª ed. Baltimore, Marilândia: Imprensa da Universidade Johns Hopkins. p. 148. ISBN 0-801-88221-4. OCLC 62265494 
  2. a b Bicca-Marques, J. C.; Rumiz, D. I.; Ludwig, G.; Rímoli, J.; Martins, V.; da Cunha, R. G. T.; Alves, S. L.; Valle, R. R.; Miranda, J. M. D.; Jerusalinsky, L.; Messias, M. R.; Cornejo, F. M.; Boubli, J. P.; Cortes-Ortíz, L.; Wallace, R. B.; Talebi, M.; de Melo, F. R. (2021). «Black-and-gold Howler Monkey - Alouatta caraya». Lista Vermelha da IUCN. União Internacional para Conservação da Natureza (UICN). p. e.T41545A190414715. doi:10.2305/IUCN.UK.2021-1.RLTS.T41545A190414715.en. Consultado em 17 de julho de 2021 
  3. a b c Gredorin, R. (2006). «Taxonomia e variação geográfica das espécies do gênero Alouatta Lacépède (Primates, Atelidae) no Brasil» (PDF). Revista Brasileira de Zoologia. 23 (1): 64-144 
  4. «Mamíferos - Alouatta caraya -Bugio preto - Avaliação do Risco de Extinção de Alouatta caraya (Humboldt,1812) no Brasil». Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente 
  5. «Bugio-preto vive no alto das árvores à procura de flores e frutos para comer - Espécie também é chamada de bugio-do-pantanal. As fêmeas, castanho-claras, dão cria a um filhote por vez». G1. 2016. Consultado em 16 de julho de 2021 
  6. «Bugio». Michaelis. Consultado em 16 de julho de 2021 
  7. Villalba, J. S.; Prigioni, C. M.; Sappa, A. C. (1995). «Sobre la posible preséncia de Alouatta caraya en Uruguay» (PDF). Neotropical Primates. 3 (4): 173-174 
  8. Paglia, A.P.; Fonseca, G. A. B. da; Rylands, A. B.; Herrman, G.; Aguiar, L. M. S.; Chiarello, A. G.; Leite, Y. L. R.; Costa, L. P.; Siciliano, S.; Kierulff, M. C. M.; Mendes, S. L.; Tavares, V. C.; Mittermeier, R. A.; Patton, J. L. (2012). «Lista Anotada dos Mamíferos do Brasil 2.ª edição» (PDF). Occasional Paper (6): 1-82. Consultado em 9 de novembro de 2013. Arquivado do original (PDF) em 9 de novembro de 2013 
  9. «Bugio». Michaelis. Consultado em 16 de julho de 2021 
  10. Houaiss, verbete bugio
  11. «Guariba». Michaelis. Consultado em 16 de julho de 2021 
  12. Houaiss, verbete Guariba
  13. «Carajá». Michaelis. Consultado em 16 de julho de 2021 
  14. Thoring Jr., R. W. (1984). «A study of a black howling monkey (Alouatta caraya) population in northern Argentina». 6 (4): 357-366. doi:10.1002/ajp.1350060405 
  15. Cunha, R. G. T. de; Byrne, R. W. (2006). «Roars of black howler monkeys (Alouatta caraya): evidence for a function in inter-group spacing». 143 (10): 1169-1199. doi:10.1163/156853906778691568 
  16. LUDWIG, G.;; et al. (2008). «Comparison of the diet of Alouatta caraya (Primates: Atelidae) between a riparian island and mainland on the Upper Parana River, southern Brazil» (PDF). Revista Brasileira de Zoologia. 25 (3): 419-426 
  17. Crockett, C. M. (1998). «Conservation Biology of Genus Alouatta». International Journal of Primatology. 19 (3): 549-578. doi:10.1023/A:1020316607284 
  18. a b Percequillo, A. R.; Kierulff, M.C.M. (2009). «Mamíferos». In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C.M.; Sugieda, A.M. Livro Vermelho da Fauna Ameaçada de Extinção no Estado de São Paulo (PDF). São Paulo, SP: Fundação Parque Zoológico de São Paulo: Secretaria do Meio Ambiente. pp. 31–87. ISBN 978-85-63001-00-9. Consultado em 9 de novembro de 2013. Arquivado do original (PDF) em 9 de novembro de 2013 
  19. Chiarello, A.G.; Aguiar, L. M. S., Cerqueira, R.; de Melo, F. R.; Rodrigues, F. H. G.; Silva, V. M. da (2008). «Mamíferos». In: Machado, A. B. M.; Drummond, G. M.; Paglia, A. P. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção - Volume 2 (PDF). Brasília: Ministério do Meio Ambiente. pp. 680–883. ISBN 978-85-7738-102-9 
  20. Costa, L. P.; et al. (2005). «Conservação de Mamíferos no Brasil» (PDF). Conservação Internacional. Megadiversidade. 1 (1): 103-112. Consultado em 9 de setembro de 2012. Arquivado do original (PDF) em 9 de novembro de 2013 
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