Alpamayo
Alpamayo Shuytu Rahu | |
|---|---|
| Vista da face sudeste. | |
| Ponto mais alto | |
| Coordenadas | 8° 52′ 45″ S, 77° 39′ 12″ O |
| Altitude | 5 947 m a.n.m. m |
| Proeminência | 447 metros[1] m |
| Geografia | |
| Localização | Ancash |
| País | |
| Geologia | |
| Cordilheira | Cordilheira Branca (Andes) |
| editar - editar código-fonte - editar Wikidata | |
O Alpamayo (em quíchua I: Allpa mayu), também conhecido localmente como Shuytu rahu (do quíchua ancaquino: 'nevado oblongo'), é uma montanha da Cordilheira dos Andes, situada na parte norte do ramal ocidental da Cordilheira Branca, dentro do Parque Nacional Huascarán no Peru.[2] Alcança uma altitude de 5947 m a.n.m. e, desde 1966, tem sido apreciado pela beleza de seu perfil e considerado por diversas publicações como uma das montanhas mais belas do mundo.[2][3][4][5][6]
Localizada perto do povoado de Alpamayo, entre as quebradas Los Cedros e Arhuaycocha, no distrito de Santa Cruz, província de Huaylas, departamento de Ancash, tem uma área glacial de 4,69 km², com uma altitude mínima de 4745 e uma máxima de 6005 m a.n.m.[2][7]
Seu acesso ocorre a partir da cidade de Caraz, a 2250 m a.n.m. (467 km de Lima), no extremo norte do Callejón de Huaylas, por uma estrada de terra de 28 km, até o povoado de Cashapampa a 2900 m a.n.m. A partir daqui, são 22 km de caminhada ao longo da quebrada Santa Cruz, até o setor de Quisuarpampa, a 4000 m a.n.m., onde se toma o desvio ao norte, subindo pela quebrada Arhuaycocha, até o Acampamento Base, a 4300 m a.n.m.
O Alpamayo possui 13 rotas; entre as mais conhecidas destacam-se a Basco-Francesa, a Ferrari e a Japonesa. O acesso ao Alpamayo dura aproximadamente de 5 a 7 dias. Atualmente as expedições sobem pela quebrada Arhuaycocha, escalando pela face sudoeste (rota Ferrari), que foi escalada em 1975, com um grau de ascensão D (difícil).
Oronímia
[editar | editar código]O nevado obteve seu nome atual a partir do povoado de Alpamayo (em quíchua I Allpamayu: allpa = terra; mayu = rio), enquanto seu nome local em quíchua ancaquino é Shuytu rahu (shuytu = magro e longo, oblongo para cima; rahu = nevado).[8][9]
Morfologia
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Constitui um dos vários picos do maciço de Santa Cruz, o mais setentrional da Cordilheira Branca. Com uma escalada final de 450 m e inclinação média de 60 graus, forma uma pirâmide de gelo quase perfeita (vista a partir da quebrada Alpamayo). Apesar de ser consideravelmente menor que as montanhas vizinhas, distingue-se por sua simetria e aspecto. Sua face SO apresenta numerosas canaletas; duas delas formam a Rota Ferrari e a Rota Franco-Canadense (também chamada de Direitíssima). A partir da lagoa Pucacocha aprecia-se a face N.
Possui quatro faces que podem ser apreciadas de acordo com a localização em uma das quebradas:[10]
- A face norte, onde se aprecia sua forma piramidal a partir das quebradas Los Cedros e Alpamayo.
- A face leste, pela quebrada Tayapampa até a lagoa Pucacocha.
- A face sul é avistada das quebradas Santa Cruz e Arhuaycocha (rota Ferrari), sendo a mais bela, da qual foi tirada a foto pela qual foi considerada a montanha mais bela em 1966, segundo a revista Alpinismus.
- A face oeste, de onde se vê sua forma trapezoidal esticada. É preciso escalar até o colo (passo) pela rota normal, seguindo a quebrada de Arhuaycocha.
História
[editar | editar código]Em 1862, o sábio Antonio Raimondi descreveu a Cordilheira Branca e publicou seu primeiro livro, Las riquezas minerales del departamento de Ancash, incluindo o primeiro mapa de Ancash.
Desde 1932 chegaram à Cordilheira Branca as expedições do Clube Alpino Alemão (Deutscher Alpenverein) dirigidas pelos professores Philip Borchers, Hermann Kinzl e Erwin Schneider das universidades de Munique na Alemanha e Innsbruck na Áustria. Eles publicaram os melhores mapas das cordilheiras de Ancash e o livro Cordillera Blanca, Perú em 1950. Além disso, nesse ano apareceram pela primeira vez duas fotografias do nevado Alpamayo, que sempre chamara a atenção por sua beleza.
Na Europa, o livro de Kinzl e Schneider chamou a atenção e motivou a chegada a Ancash da expedição alpinista franco-belga dirigida por George Kogan e Raymund Leininger. Após várias escaladas, exploraram detalhadamente as terras da família Romero Romaña, a Fazenda Colcas, e chegaram a subir a encosta do nevado Hualcayan sobre o cânion do Pato, cruzaram a lagoa Culicocha, até chegar à lagoa Jancarurish, aos pés do Alpamayo. Cruzaram o glaciar rachado e subiram pela crista Norte até chegar ao cume Norte do Alpamayo, que eles pensaram ser o cume máximo; tomaram cuidado para não pisar nas cornijas, pois, na expedição do grupo suíço de Zurique em 1948, pisar nestas ocasionou o fracasso da expedição.
Em 1965, o andinista peruano César Morales Arnao recebeu uma carta do diretor da revista alemã Alpinismus, convidando-o a enviar, representando o Peru, fotografias de montanhas peruanas para um concurso de fotografia de paisagens que elegeria as dez montanhas mais belas do mundo.[3][11][12][13] O concurso foi realizado em maio de 1966 em Munique (Alemanha), onde foram avaliadas fotografias de 47 montanhas. O Alpamayo obteve a maior quantidade de votos, seguido pelo K2, o Cervino (Matterhorn), o Fitz Roy, o Mont Blanc, as Grandes Jorasses, o Siniolchu, o Machapuchare, o Ama Dablam e o Weisshorn.[14] Em datas mais recentes, diversas publicações têm mencionado o Alpamayo como uma das montanhas ou cumes mais belos do mundo. Essa avaliação tem aparecido tanto em mídias especializadas quanto em publicações institucionais e de promoção turística.[4][5][15][6]
Expedições de destaque
[editar | editar código]- 1957: primeira ascensão. Os alemães G. Hauser, B. Huhn, H. Widman e F. Knauss, que subiram pelo Norte, cruzaram a crista do cume e chegaram ao cume máximo a 5947 m a.n.m.[16]
- 1961: segunda ascensão. Os japoneses Y. Hamano, M. Inoguchi, N. Haburaki, T. Kondo, A. Murai e Y. Yoshikawa em 13 de agosto de 1962. Publicaram vários livros.
- 1966: primeira travessia filmada que uniu os dois cumes. Os britânicos, patrocinados pela BBC de Londres, D. Gray, D. Bathgate, R. Smith, S. Amatt e C. Burnell. Aconteceu em 8 de julho de 1966.
- 1966: abertura de rota na crista oriental. Os alemães P. Gessner, H. Schmidt, M. Steinbeis e J. Koch em 7 de agosto de 1966.
- 1975: abertura da rota Ferrari. Os italianos, pela parede sudoeste, Casimiro Ferrari, A. Liati, B. Borgonovo, A. Zoia Pino Negri e P. Castelnuovo em 23 de junho de 1975.
- 1976: primeira ascensão mexicana. Primeira expedição latino-americana no cume Norte por Nabor Castillo, Antonio Carmona e Vicente Hinojosa.
Rotas de escalada
[editar | editar código]O Alpamayo possui catorze rotas de ascensão por todas as suas faces, mas as mais praticadas e conhecidas são as três únicas da face sudoeste, já que exigem um alto nível técnico de escalada.
- Ferrari. Embora seja a rota mais curta e frequentada, é uma das mais perigosas por se encontrarem grandes seracs sobre quase todo o percurso. Foi aberta pelo alpinista italiano Casimiro Ferrari em 1975 e é a via mais longa da parede sudeste do Alpamayo (450 m, aproximadamente). Muitas pessoas, incluindo guias locais, chamam-na erroneamente de "Direta Francesa".
- Basco-Francesa. É a via opcional à Ferrari, quando esta apresenta demasiados seracs, e desde 2004 é a mais recomendável.
- Direta Francesa. É a rota mais longa e só é escalada ocasionalmente. Foi aberta por alpinistas estadunidenses e batizada em homenagem a dois franceses que morreram na tentativa de abrir a via dois dias antes. Esta rota não existe, já que esta canaleta é a via Ferrari, rota original de 1975. Os livros atuais de montanhismo já corrigiram esse erro.
Referências
[editar | editar código]- ↑ «Alpamayo, Peru». Peakbagger.com. 1 de novembro de 2004. Consultado em 18 de fevereiro de 2017
- 1 2 3 «Nevado Alpamayo: lo que debes tener en cuenta para realizar el viaje». elcomercio.pe. 23 de outubro de 2018. Consultado em 14 de agosto de 2021
- 1 2 Plasencia Sánchez, Edson. «Glaciares Andinos» (PDF). p. 45. Consultado em 21 de junho de 2012. Cópia arquivada (PDF) em 5 de novembro de 2012
- 1 2 «Trekking in Huaraz: The Best Treks in Cordillera Blanca, Huayhuash & Negra». Horizon Guides (em inglês). Consultado em 7 de abril de 2026.
considered one of the most beautiful peaks in the world.
- 1 2 «Hiking in Peru: 4 destinations for an unforgettable hike». Peru Travel (em inglês). 9 de maio de 2025. Consultado em 7 de abril de 2026.
Considered by many as one of the most beautiful mountains in the world
- 1 2 «Trek the High Andes of Peru». The Mountaineers (em inglês). Consultado em 7 de abril de 2026.
circling one of the most beautiful mountains in the world
- ↑ «Inventario nacional de Glaciares» (PDF). Consultado em 1 de julho de 2017. Cópia arquivada (PDF) em 16 de maio de 2017
- ↑ Francisco Carranza Romero em "MORIR ESCALANDO NEVADOS".
- ↑ «Quechua Names in the Northern Peruvian Andes and Their Meanings - AAC Publications - Search The American Alpine Journal and Accidents». publications.americanalpineclub.org. Consultado em 5 de abril de 2019
- ↑ «Nevado Alpamayo». ficha.sigmincetur.mincetur.gob.pe. Consultado em 5 de abril de 2019. Arquivado do original em 17 de fevereiro de 2019
- ↑ Levy, Michael (8 de julho de 2022). «Chasing The World's Most Beautiful Mountain». Climbing (em inglês). Consultado em 23 de junho de 2025
- ↑ Expeditions, Peru (27 de abril de 2023). «Get to know the snowy Alpamayo, the most beautiful mountain in the world | Peru Expeditions Tours». Peru Expeditions Tours (em inglês). Consultado em 23 de junho de 2025. Cópia arquivada em 23 de março de 2025
- ↑ Peru.info. «Alpamayo: "The Most Beautiful Mountain in the World"». Perú Info (em espanhol). Consultado em 23 de junho de 2025
- ↑ Arquivo do Museu Andino Peruano, fundado em 1972 - Escritório Regional de Cultura.
- ↑ «Peru solidifies its place as a global adventure paradise in 2026». Peru Travel (em inglês). 22 de janeiro de 2026. Consultado em 7 de abril de 2026.
widely regarded as one of the most beautiful peaks on Earth.
- ↑ Huaraz, Portal (2 de maio de 2024). «El Nevado Alpamayo: Tesoro de los Andes Peruanos - Portal Huaraz». Portal Huaraz (em espanhol). Consultado em 23 de junho de 2025. Cópia arquivada em 19 de maio de 2025
