Alpinismo Industrial

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Trabalhador em rappel a executar trabalhos de pintura na fachada de um edifício residencial em Lisboa
Lavagem dos vidros da fachada via alpinismo em Cape Town
Trabalhadores a fixar o material de alpinismo para iniciar a descida
Instalação de defensas num porto marítimo com ajuda de alpinistas industriais

Alpinismo Industrial (mais vulgarmente conhecido por rappel[1] ou acesso por corda[2]) é uma tecnologia de execução de trabalhos em altura em obras de construção civil, permitindo aos trabalhadores alcançar locais de difícil acesso, sem o recurso a estruturas de apoio e onde estruturas como andaimes, plataformas elevatórias ou bailéus têm o acesso muito limitado. É um método alternativo para a inspecção, manutenção e reparação de fachadas de edifícios e outras estruturas industriais e residenciais.

O local de trabalho do técnico alpinista é equipado por uma corda destinada a utilização profissional em zonas de difícil acesso, que lhe permite executar descidas e subidas e movimentar-se livremente, com equipamentos de fixação das cordas onde não existam locais que permitam a ancoragem das mesmas, arnês para garantir a segurança e o conforto do trabalhador, um sistema anti queda, que em caso de choque ou de aceleração súbita, trava a corda e pára o trabalhador, entre outros materiais de segurança e mobilidade como descensores, linhas de vida, capacetes, mosquetões, entre outros.[3]

O alpinismo industrial é requisitado em projectos onde os dispositivos de elevação, plataformas ou andaimes tornam-se impraticáveis por razões económicas, estruturais, dificuldades técnicas ou simplesmente devido à inacessibilidade do local.

As aplicações do alpinismo industrial são muito vastas, mas as mais comuns incluem a inspecção, manutenção, reabilitação e construção de edifícios, pontes e viadutos, barragens, turbinas eólicas, portos marítimos, embarcações, guindastes, estádios, silos e tanques industriais, torres de transmissão, estruturas metálicas, torres e chaminés industriais, edifícios e instalações industriais. Trabalhos como a limpeza, decapagem, pintura, soldagem, reparação, corte e manuseio de material pesado pode ser realizado por profissionais de acesso por cordas, usando procedimentos especificamente destinados para o efeito.[4]

Para que o técnico de construção possa obter especialização em alpinismo industrial, terá de passar por um programa de treino numa instituição profissional de acesso por corda. O programa de treino inclui uma preparação psicológica e profissional, aprendizagem dos procedimentos técnicos e de segurança[carece de fontes?]. Os técnicos de acesso por cordas são agrupados em três categorias, dependendo da sua experiência e nível de avaliação.[5]

Não é permitida a prática de alpinismo industrial a pessoas sem documento comprovativo da obtenção de formação adequada, aptidão médica e conhecimento dos procedimentos de segurança.

Em muitos países existem Organizações de Alpinismo Industrial (por exemplo: Rope Access Technicians (SPRAT)[6] nos EUA e Canadá, The Industrial Rope Trade Association (IRATA)[7] no Reino Unido, FISAT – DAS GÜTESIEGEL FÜR HÖHENZUGANG[8] na Alemanha), cuja missão é fornecer as medidas de segurança no trabalho de alpinistas industriais profissionais. A indústria utiliza a norma internacional ISO 22846[9], que estabelece os requisitos básicos para a realização de trabalhos de construção civil em altura sem recurso a estruturas de apoio.

História[editar | editar código-fonte]

Um exemplo clássico de inovação na indústria da construção e o surgimento do alpinismo industrial ocorreu durante a construção da barragem de Hoover[10] no início de 1930, onde a estabilização das paredes deterioradas do desfiladeiro era uma prioridade importante antes do início da construção.

As paredes do desfiladeiro deterioravam-se devido ao congelamento e descongelamento das águas acumuladas nas fissuras do desfiladeiro. Nesse caso, o trabalho foi realizado com sucesso por mineiros, conhecidos como "desincrustadores", acedendo às paredes do desfiladeiro utilizando uma única corda como um cabo de segurança, transportando o seu equipamento com eles. No entanto, devido aos equipamentos primitivos e o incumprimento de normas de segurança, houve um grande número de vítimas devido a quedas.

Em meados de 1970, um uso muito mais seguro do equipamento descendente e ascendente em cordas suspensas se tornou comum no desporto de espeleologia.

Igualmente técnicas e equipamentos melhorados foram utilizados mais uma vez na indústria da construção, desta vez em França, para a estabilização e contenção dos riscos de queda de rochedos de um penhasco acima de uma igreja.

No início de 1980, as possibilidades e vantagens de utilizar o alpinismo com as técnicas e equipamentos de espeleologia foram reconhecidas, aperfeiçoadas, e o método tornou-se mais amplamente usado na indústria da construção na Europa, conduzindo à criação da profissão atualmente conhecida como Rope Access, ou seja, acesso por corda – o Alpinismo Industrial.

Em meados da década de 1990, foram novamente feitos aperfeiçoamentos, e o Alpinismo Industrial começou a crescer nos Estados Unidos e no resto do mundo.

Vantagens[editar | editar código-fonte]

Em comparação com os métodos tradicionais de acesso, a natureza leve e flexível do Alpinismo Industrial proporciona muitas vantagens, como:

  1. Custo-benefício - o acesso por corda é um método económico, porque não inclui a montagem e/ou desmontagem de andaimes, por sua vez poupa tempo e necessita de menor quantidade de mão-de-obra;
  2. Eficiente e rápido - sistemas de acesso por corda são instalados e desmontados rapidamente. Menos tempo em montagens e desmontagens significa menos tempo de inatividade e mais tempo em obra. O equipamento de alpinismo permite ao técnico alcançar as áreas mais confinadas e inacessíveis de qualquer edifício ou estrutura;
  3. Segurança – segundo um estudo realizado pela IRATA sobre o número de lesões ocorridas em multiplas indústrias, técnicos alpinistas formados são os profissionais que correm o menor risco de ferimento, acidente ou qualquer perigo no local de trabalho, encontrando-se no fim da tabela de número de lesões e ferimentos, abaixo de todas as categorias;[11]
  4. Solução ideal - no caso de uma altitude muito elevada (torres de transmissão, aerogeradores), ou estruturas sobre a água (pontes, barragens, viadutos) - alpinismo industrial é a opção mais prática e vantajosa para a pintura e restauro das mesmas;
  5. Produtividade - os trabalhos de reparação realizados pelos alpinistas industriais, não implicam a interrupção dos processos de produção da indústria, independentemente da complexidade das obras a realizar;
  6. Facilidade de acesso – acesso fácil e rápido às estruturas com o mínimo de equipamentos necessários. Não possui limitações em altura e chega facilmente a zonas de acesso limitado;
  7. Montagem - rapidez de instalação e desocupação dos locais de obra. O Sistema de Alpinismo Industrial pode ser montado e desmontado rapidamente, maximizando a produtividade;
  8. Discrição e comodidade - mínimo de perturbação das áreas adjacentes ao local de trabalho – o acesso às estruturas é feito independentemente das condições do local, como escavações ou edifícios e estruturas adjacentes, passagens estreitas, pontes ou viadutos, plataformas sobre as águas, etc.;
  9. Flexibilidade e versatilidade – devido à rapidez e flexibilidade do sistema, mobilização e desmobilização do projeto é minimizado, reduzindo assim os custos e prazos de entrega de obra;
  10. Inspeção “In loco” – o acesso por corda permite inspecções tácteis muito próximas do local e em prazos bastante mais curtos que outras formas de acesso;
  11. Impacto visual – alpinismo industrial tem um menor impacto visual em estruturas e edifícios. Este aspeto é especialmente relevante em trabalhos com monumentos e estruturas históricas. Igualmente o acesso por corda reduz significativamente o risco de danos de acabamento da fachada ou estrutura.

Referências

  1. Boletim câmara municipal de lisboa municipal - 2.º Suplemento a o boletim municipal n.º1079 – p.13 Boletim PDF]
  2. [1], IRATA International’s rope access system
  3. Industrial Rope Access, Best Practices & Industry Standards, Jan Holan
  4. [2], Where rope access is used
  5. [3], IRATA TRAINING & CERTIFICATION SCHEME
  6. [4], The Society of Professional Rope Access Technicians (SPRAT)
  7. [5], Industrial Rope Access Trade Association
  8. [6], FISAT – DAS GÜTESIEGEL FÜR HÖHENZUGANG
  9. [7], ISO 22846-1:2003 Personal equipment for protection against falls -- Rope access systems -- Part 1: Fundamental principles for a system of work
  10. [8], Building of the Hoover Dam in the 1930s
  11. [ http://www.irata.org/default.php?cmd=215&doc_id=4992 WASA 2014] PDF]