Alternativa para a Alemanha

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Alternativa para a Alemanha
Alternative für Deutschland
Líder Frauke Petry
Fundação 6 de fevereiro de 2013
Sede Schillstraße 9-10
10785 Berlin
 Alemanha
Ideologia Nacionalismo alemão
Conservadorismo
Conservadorismo social
Liberalismo económico
Anti-imigração
Eurocepticismo
Espectro político Direita a Extrema-direita
Ala jovem Junge Alternative für Deutschland
Membros 21 203 (Novembro 2014)[1]
Grupo no Parlamento Europeu Europa da Liberdade e da Democracia Directa
Europa das Nações e das Liberdades
Bundestag
94 / 709
Parlamento Europeu
2 / 96
Parlamentos Regionais
170 / 1 821
Cores Azul e Vermelho
Página oficial
www.alternativefuer.de
Konrad Adam, Frauke Petry e Bernd Lucke na convenção do partido federal em 14 de abril 2013
Cartaz eleitoral da AFD para as eleições federais alemãs de 2013. Ele diz: Vamos ter a coragem de dizer a verdade (para enfrentar as verdades) / Os gregos sofrem / Os alemães pagam / Os bancos colectam. / www.alternativefuer.de

Alternativa para a Alemanha (em alemão: Alternative für Deutschland, sigla AfD), é um partido político alemão populista de direita, fundado em Fevereiro de 2013. Fundadores do partido são Bernd Lucke, professor de Economia da Universidade de Hamburgo,[2] o ex-jornalista da FAZ, Konrad Adam e um ex-político da CDU, Alexander Gauland.[3] O congresso de fundação do novo partido na cena política alemã com 1 500 membros foi lançado oficialmente em 14 de Abril 2013, em Berlim.[4] Em 4 de julho 2015, Frauke Petry foi eleita com 60% dos votos como única chefe do partido num congresso da AfD em Essen.[5]

Fundação

A Alternativa para a Alemanha foi fundada nos inícios de 2013 por um grupo de professores universitários de economia e de direito e líderes empresariais alemães anti-Euro, para contestar o envolvimento do país no socorro à zona do euro. O partido quer que a zona do euro seja dissolvida e Alemanha retorne a uma moeda nacional ou entre numa união monetária menor.[3]

História

A liderança do partido é composta por um grupo de conhecidos eurocéticos. O mais destacado defensor da agremiação é Hans-Olaf Henkel, ex-executivo-chefe da IBM Europa e ex-presidente da mais importante Associação Federal da Indústria Alemã. Entre outros nomes que apoiam o partido estão Wilhelm Hankel, Karl Albrecht Schachschneider e Joachim Starbatty, economistas que compartilham a co-autoria de livros defendendo a extinção do euro. Os três formalizaram uma queixa junto ao Tribunal Constitucional da Alemanha em 2010, dizendo que o apoio da Alemanha ao socorro da Grécia, um membro do grupo de países que adoptou o euro, desrespeitou a Constituição e a cláusula de não socorro inscrita no tratado da união monetária. O tribunal pronunciou-se contra eles em 2011.[6]

A sigla quer uma alteração dos tratados da união monetária da UE, a fim de permitir que países deixem a zona do euro.[7] Empréstimos adicionais alemãs para o fundo de estabilidade da zona do euro devem ser bloqueados para forçar outros países europeus a aceitar essa alteração dos tratados, defende o partido.[6]

O partido vê-se como antieuro, mas pró-Europa e pró-UE. O argumento central do partido é que o euro é uma moeda falida, que ameaça a integração europeia por países empobrecendo com economias pouco competitivas, enquanto arruinando financeiramente países com economias competitivas. O partido é apoiado por centenas de economistas bem conhecidas da Alemanha. De acordo com pesquisas de opinião, cerca de um quarto do eleitorado alemão pode considerar votação para um partido que defende uma saída alemão da zona do euro.[8]

O novo partido tem actualmente 21 203 membros (Novembro 2014)[1] e a prioridade da nova força política é criar novas pequenas federações a nível estadual em todo o país,[9] para eleger os seus líderes e candidatos para as eleições de Setembro 2013.[10] O partido assenta em duas linhas: a de que os empréstimos aprovados pelo Parlamento alemão aos países em dificuldades são ilegais (visão também de um grupo de economistas que tem desafiado as medidas no Tribunal Constitucional Federal da Alemanha e que apoia o novo partido); e a de que o euro, em vez de unir a Europa, está a dividi-la.

A partir de finais de 2014, a AfD começou a dividir-se em duas facções internas: uma, centrada em Bernd Lucke, mais centrada nas questões económicas e na crítica ao Euro e, outra, liderada por Frauke Petry, com um discurso próximo da direita populista e nacionalista, atacando a Imigração e alinhada com o PEGIDA.[11][12]

Em Julho de 2015, no congresso da AfD realizado em Essen, Frauke Petry foi eleita líder do partido, conquistando 68% dos votos dos membros do partido.[13] Esta vitória de Frauke Petry confirmou a viragem do partido para a direita, tornando-se, em muito, alinhado com os partidos de direita populista que têm ganho popularidade na Europa nos últimos anos.[14]

Com a crise migratória na Europa a afectar, em especial, a Alemanha, a AfD tem subido a pique em popularidade, beneficiando do seu tom crítico em relação à política migratória de Angela Merkel e a sua crítica feroz ao Islão, religião maioritária dos refugiados.[15][16] A AfD, graças a este discurso, tem captado eleitores e ,tornando-se, segundo as sondagens, o terceiro maior partido da Alemanha.[17][18]

Esta subida de popularidade da AfD foi confirmada nas eleições estaduais de Março de 2016, realizadas em Baden-Württemberg, Renânia-Palatinado e Saxônia-Anhalt.[19] O partido obteve resultados espectaculares conquistando, em todos os três Estados, mais de 10% dos votos, com especial destaque para Saxônia-Anhalt, onde ficou em segundo lugar, com 24% dos votos[20][21][22]

A AfD continuou a obter resultados espectaculares, como foi o caso das estaduais em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, região de origem da chanceler Angela Merkel, onde o partido, pela primeira vez, ultrapassou os democratas-cristãos da CDU, conquistando 20,8% dos votos, ficando em segundo lugar, atrás do Partido Social-Democrata.[23]

Na conferência do partido em Abril de 2017, Frauke Petry anunciou que não iria ser a cabeça-de-lista do partido para as eleições federais de 2017. Este anúncio surgiu após uma crescente divisão interna enquanto o apoio do partido caiu, nas sondagens, de 15% no verão de 2016 para 7%, pouco antes da conferência.[24] Björn Höcke, da extrema-direita da partido e Petry, estavam, ambos, a tentarem expulsarem-se do partido e, a decisão de Petry foi parcialmente vista como um passo para evitar uma votação na conferência sobre a questão da sua posição no partido.[25][26] O partido escolheu Alexander Gauland, da ala conservadora que trabalhou como advogado e foi ex-membro da CDU,[27] para liderar o partido nas eleições. Gauland apoiou a manutenção de Höcke no partido. Juntamente com Gauland, Alice Weidel, que é mais vista como moderada e com ligações às grandes empresas, foi eleita como sua companheira para as eleições.[28] O partido aprovou uma plataforma que, de acordo com o Wall Street Journal: "exorta a Alemanha a fechar as suas fronteiras aos requerentes de asilo, acabar com as sanções contra a Rússia e sair da UE se Berlim não conseguir recuperar a soberania nacional de Bruxelas, bem como alterar a constituição do país para permitir que as pessoas nascidas de pais não alemães tenham sua cidadania alemã revogada se cometerem crimes graves ".[29]

Objectivos

  • A supressão do euro e substituição com moedas nacionais.
  • Pronunciada contra o "resgate do euro" (Euro-Rettungsschirm) que custou biliões.
  • Alteração dos tratados europeus, a fim de permitir que cada Estado deixe o euro.
  • Propósito de "desburocratização da União Europeia" pelo retorno de competições nacionais.
  • Restabelecimento do Estado de direito (sem novas violações dos critérios de Maastricht)
  • Exigência de que o custo do resgate não seja suportado pelos contribuintes.

Resultados eleitorais

Eleições legislativas

Data Líder M. Uninominal M. Proporcional Deputados +/- Status
CI. Votos % +/- CI. Votos % +/-
2013 Bernd Lucke 8.º 810 915
1,9 / 100,0
7.º 2 056 985
4,7 / 100,0
0 / 631
Extra-parlamentar
2017 Alice Weidel 3.º 5 316 095
11,5 / 100,0
Aumento9,6 3.º 5 877 094
12,6 / 100,0
Aumento7,9
94 / 709
Aumento94 Oposição

Eleições europeias

Data CI. Votos % Deputados
2014 5.º 2 065 162
7,0 / 100,0
7 / 96

Eleições estaduais

Os resultados apresentados serão os das últimas eleições:

Estado Data CI. Votos % Deputados Status
Baden-Württemberg 2016 3.º 809 311
15,1 / 100,0
23 / 143
Oposição
Berlim 2016 5.º 231 325
14,2 / 100,0
25 / 160
Oposição
Brandemburgo 2014 4.º 119 989
12,2 / 100,0
11 / 88
Oposição
Bremen 2015 6.º 64 368
5,5 / 100,0
5 / 83
Oposição
Hamburgo 2015 6.º 214 833
6,1 / 100,0
8 / 121
Oposição
Hesse 2013 6.º 126 906
4,1 / 100,0
0 / 110
Extra-parlamentar
Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental 2016 2.º 167 453
20,8 / 100,0
18 / 71
Oposição
Renânia do Norte-Vestfália 2017 4.º 626 756
7,4 / 100,0
16 / 199
Oposição
Renânia-Palatinado 2016 3.º 267 813
12,6 / 100,0
14 / 101
Oposição
Sarre 2017 4.º 32 971
6,2 / 100,0
3 / 51
Oposição
Saxônia 2014 4.º 159 547
9,7 / 100,0
14 / 126
Oposição
Saxônia-Anhalt 2016 2.º 271 832
24,2 / 100,0
24 / 87
Oposição
Schleswig-Holstein 2017 5.º 86 711
5,9 / 100,0
5 / 73
Oposição
Turíngia 2014 4.º 99 548
10,6 / 100,0
11 / 91
Oposição

Referências

  1. a b (em alemão) Die Volksparteien schrumpfen weiter, FAZ Online, 24 dezembro 2014
  2. "Cada país deve decidir em referendo saída do euro" DN Online, 7 de Fevereiro 2014
  3. a b Líderes contrários ao euro formam partido na Alemanha. gazetaonline.com.br. 17 de março 2013
  4. Novo partido alemão antieuro diz que moeda única divide a Europa. publico.pt. 15 de abril 2013
  5. (em alemão) Lucke-Rivalin Petry gewinnt Machtkampf bei der AfD. faz.de. Recuperado em 4 de julho 2015
  6. a b Economistas e empresários alemães formam partido antieuro. br.wsj.com. 20 de março de 2013
  7. Sigla alemã contrária ao euro pode entrar no Parlamento. paginapopular.com.br. 6 de abril 2013
  8. Sigla alemã contrária ao euro pode entrar no Parlamento. paginapopular.com.br. 6 de abril 2013
  9. Partido antieuro da Alemanha quer chegar ao Parlamento. jn.pt. 14 abril 2013
  10. Novo partido alemão quer fim da zona do euro. dw.com. 12 de março 2013
  11. «Personal, political differences plague AfD leadership | Germany | DW.COM | 05.01.2015». DW.COM. Consultado em 19 de março de 2016 
  12. «What next for Germany's Eurosceptic AfD party? - BBC News». BBC News (em inglês). Consultado em 19 de março de 2016 
  13. «Frauke Petry appointed AfD's new leader as German Eurosceptics turn to». The Independent (em inglês). Consultado em 19 de março de 2016 
  14. «Frauke Petry appointed AfD's new leader as German Eurosceptics turn to». The Independent (em inglês). Consultado em 19 de março de 2016 
  15. «Germany's nervous mainstream shifts rightward | Germany | DW.COM | 02.01.2016». DW.COM. Consultado em 19 de março de 2016 
  16. «Germany's right-wing anti-immigration party has surged to new high on the back of the refugee crisis». The Independent (em inglês). Consultado em 19 de março de 2016 
  17. «Germany's right-wing anti-immigration party has surged to new high on the back of the refugee crisis». The Independent (em inglês). Consultado em 19 de março de 2016 
  18. «Far-right party skyrockets to top 3 in German polls amid refugee crisis». RT International (em inglês). Consultado em 19 de março de 2016 
  19. «German state elections: Success for right-wing AfD, losses for Merkel's CDU | News | DW.COM | 13.03.2016». DW.COM. Consultado em 19 de março de 2016 
  20. «German state elections: Success for right-wing AfD, losses for Merkel's CDU | News | DW.COM | 13.03.2016». DW.COM. Consultado em 19 de março de 2016 
  21. «Anti-immigrant AfD makes huge gains in votes, Merkel suffers losses – early figures». RT International (em inglês). Consultado em 19 de março de 2016 
  22. «Merkel's Coalition Suffers Dramatic Setback at Hands of AfD in Regional Elections | MishTalk». Consultado em 19 de março de 2016 
  23. «Extrema-direita ultrapassa CDU de Merkel em eleições regionais na Alemanha». Consultado em 5 de setembro de 2016 
  24. «The rise and fall of the AfD» (em inglês) 
  25. «German far-Right leader stuns party by quitting chancellor race». The Telegraph (em inglês) 
  26. «Far-Right AfD party leader in Germany 'considers stepping down'». The Telegraph (em inglês) 
  27. GmbH, Frankfurter Allgemeine Zeitung (28 de fevereiro de 2015). «AfD-Vizechef im Porträt: Die drei Leben des Alexander Gauland». FAZ.NET. Consultado em 10 de setembro de 2017 
  28. Troianovski, Anton (23 de abril de 2017). «Head of Germany's Upstart Anti-Immigrant Party Pushed Aside». Wall Street Journal (em inglês). ISSN 0099-9660 
  29. Troianovski, Anton (23 de abril de 2017). «Head of Germany's Upstart Anti-Immigrant Party Pushed Aside». Wall Street Journal (em inglês). ISSN 0099-9660 

Ligações externas