Amílcar de Sousa

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Amílcar de Sousa (1917)

Amílcar Augusto de Queirós de Sousa (Alijó, Sanfins do Douro, Cheires, 1876 - Porto, 1940) foi um médico, escritor e autor Português.

Vida e obra[editar | editar código-fonte]

Filho dum abastado Viticultor Duriense, nasceu em Cheires, Sanfins do Douro, Alijó, e formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra em 1905, partindo depois para Paris, onde se consagrou ao estudo das doenças da nutrição.[1]

De regresso a Portugal, lançou-se numa intensa campanha em prol do Naturismo como a mais racional forma de viver, e do Vegetarianismo como alimentação sadia, indicada para combater e curar as doenças da nutrição.[1]

Foi um pioneiro do Vegetarianismo em Portugal. Fundou e dirigiu a revista mensal "O Vegetariano" e a Sociedade Vegetariana de Portugal, da qual foi o primeiro Presidente.[1] [2] a Sociedade Vegetariana de Portugal, fundada no Porto em 1911,[3]

Viajou na Europa e na América, em excursões de estudo que enriqueceram a sua larga bagagem de conhecimentos, na especialidade a que se devotou, e manteve contacto estreito com sumidades médicas de renome mundial.[1] Correspondeu-se com personalidades importantes da Ciência e da Medicina, como por exemplo o Naturalista Alemão Ernst Haeckel[4] , o médico estadunidense John Harvey Kellogg[5] , e o Médico Francês Paul Carton.[6] .

Na imprensa e no livro, pela palavra e pelo exemplo, proclamou o poder terapêutico das vitaminas, sob a forma de frutos e vegetais, comprovando-o com as curas obtidas na sua clínica, que exercia gratuitamente.[1]

Além de inúmeros artigos em revistas científicas e em jornais, Amílcar de Sousa foi autor de diversos livros sobre Saúde, e publicou os seguintes livros[1] :

  • O Naturismo, publicado em 1912, sendo o mais conhecido
  • A Saúde pelo Naturismo
  • A Cura da Prisão do Ventre
  • A Redenção
  • O Naturismo em Vinte Lições
  • Banhos de Sol
  • Arte de Viver, este último em 1934 e o único de sua autoria que não foi traduzido em Espanhol[1]

Traduziu do Francês e prefaciou o livro Vivamos de Frutos de Viaud-Bruant. Para além de diversos livros sobre saúde, alimentação natural, vegetarianismo e Naturismo, estreou-se na Literatura com uma novela, intitulada Redenção (1923; reeditada em 2011), onde os seus ideais de vida em contacto com a natureza estão bem presentes.

À data da sua morte tinha em preparação um volume sobre vitaminas que ficou incompleto.[1]

Nas crónicas que escreveu no mensário O Vegetariano não se debruçou apenas na área médica, mas também moral e social, escrevendo diversas críticas à Guerra (a propósito da Primeira Guerra Mundial que se desenrolava na época).

Desenvolveu algumas doutrinas de Higiene e Moral. Considerava Pitágoras o maior Filósofo de todos os tempos[7] , e via Jean-Jacques Rousseau como o melhor educador, uma vez que, no Emílio, ele valorizou a educação das crianças em contacto com a Natureza[8] .

Foi um tremendo adepto do pedestrianismo. Uma vez foi de Lisboa a Sines, quase o caminho todo a pé, e muitas vezes descalço.[9] Maria Feio (1870-1939) escreveu sobre ele: “Dispõe de uma resistência hercúlea. Caminha dezenas de quilómetros a pé sem a menor fadiga.”[10]

Foi também um activo defensor dos interesses da Viticultura Duriense, pugnando, em conferências e artigos na imprensa periódica, pela criação da Casa do Douro como um dos organismos necessários para garantir a alta qualidade do Vinho do Porto e promover a expansão do seu Comércio.[1]

Faleceu em 1940, no Porto.[1]

Algumas obras[editar | editar código-fonte]

  • Como se adquire energia, Tradução de obra de W. Gebhardt, Lisboa : A. M. Teixeira Porto : Emp. Litteraria e Typographica, 1905
  • Vinho sem alcool e pão integral: com uma apreciação medico-naturista / Pelo Dr. Amilar de Sousa, Porto : Sociedade Vegetariana de Portugal
  • O Naturismo, 2a edição revista e aumentada; 4a edição revista e aumentada, 1919.
  • Vivamos de Frutos, de Viaud-Bruant, Tradução prefaciada pelo Dr. Amílcar de Sousa, 3.ª edição, 1924.
  • Prefácio ao livro Moderna dietética, de Fernando Sá, Alcobaça, 1921 (2.ª ed.)
  • A saúde pelo naturismo, 2.ª edição, Lisboa : Emp. Literária Fluminense, 1923
  • Redenção: novela naturista, Porto, 1923; Nova edição: Afrontamento, 2011, ISBN 9789723611816
  • A Radiofonia e a Medicina, Lisboa : [s.n.], 1932
  • A arte de viver, Porto : Ed. da Sociedade Vegetariana de Portugal 1934
  • Banhos de Sol, (com prefácio de Samuel Maia), Porto : Livr. Civilização, 1937.

Livros traduzidos para espanhol[editar | editar código-fonte]

Muitos de seus livros foram traduzidos para o espanhol. Alguns foram:

  • El naturismo La Gutenberg. 1913. Valência.[11] [12]
  • La salud por el naturismo La Gutenberg. 1918. Valência[13]
  • Tesis médica naturista
  • La curación del estreñimiento
  • Catecismo naturista
  • El naturismo en veinte lecciones
  • Cómo detendremos la muerte? (com Capo, N.)
  • Tesis Medica Naturista. Sauch. 1976. Barcelona[14]
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Referências

  1. a b c d e f g h i j Vários. Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. [S.l.]: Editorial Enciclopédia, L.da. Volume 29 p. 761
  2. Vegetarianism in Portugal: a century of history European Vegetarian Union (em inglês)
  3. O Utopista portuense Ângelo Jorge: Subsídios para a sua biografia
  4. O Vegetariano: Mensário Naturista Ilustrado, III Volume, 1912, pp. 32 e 135
  5. O Vegetariano: Mensário Naturista Ilustrado, III Volume, 1912, p. 31
  6. O Vegetariano: Mensário Naturista Ilustrado, III Volume, 1912, p. 382
  7. Entrevista em A Capital, 11-1-1920
  8. O Vegetariano: Mensário Naturista Ilustrado X Volume, p. 179
  9. O Vegetariano, IV, pp. 188-192.
  10. Almanaque Vegetariano, 1918, pp. 116.
  11. Libros sobre Naturismo Sociedad Vegetariana Naturista de Valencia (em espanhol)
  12. Education, Physical Activities and Sport in a Historical Perspective (em espanhol)
  13. Catálogo Coletivo das Bibliotecas dos Arquivos Estatais e da Biblioteca do CIDA (em espanhol)
  14. Catálogo general de libros Antiguos (em espanhol)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]