Amaury Kruel

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Marechal do Exército Brasileiro Coat of arms of the Brazilian Army.svg
Amaury Kruel
Dados pessoais
Nascimento 11 de abril de 1901 Santa Maria
Morte 23 de agosto de 1996 (95 anos) Rio de Janeiro
Esposa
  • Cândida Cezimbra Kruel
  • Maria Helena Kruel
Vida militar
Força Exército
Anos de serviço 47 anos (1919-1966)
Hierarquia Marechal.gif Marechal
Comandos Exército Brasileiro
Batalhas Segunda Guerra Mundial

Amaury Kruel GCA (Santa Maria, 11 de abril de 1901Rio de Janeiro, 23 de agosto de 1996) foi um militar brasileiro com a patente de general-de-exército e que ao ir para a reserva foi promovido a marechal.[1]

Kruel participou ativamente do golpe de estado que instaurou a ditadura militar no Brasil em 1964. Ele era comandante do II Exército em São Paulo, e em 31 de março de 1964 recebeu um suborno de 1,2 milhões de dólares do então presidente da FIESP, Raphael de Souza Noschese, para trair[2][3] o presidente João Goulart. Ele utilizou os recursos para a compra de fazendas.[4][5][6]

Ele foi um dos responsáveis pelas violações de direitos humanos cometidas pela ditadura militar e apurados pela Comissão Nacional da Verdade.[7]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de José Carlos Kruel e de Ana Weber Kruel. Formado em 1921 na Escola Militar do Realengo, participou, em 1923, de manifestações em apoio à Revolução Federalista em Livramento. Em 1930 tomou parte, no Rio, da revolução que levou Getúlio Vargas no poder. Em 1931, ingressou no curso da Escola do Estado-Maior, concluindo-o em 1933. Entre 1936 e 1937 comandou a Polícia Municipal do Rio de Janeiro.[carece de fontes?]

Integrou a Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália, que lutou ao lado das forças aliadas na Segunda Guerra Mundial. Foi o chefe da 2a. Seção (Informações) da FEB. Segundo o Marechal Cordeiro de Farias, Kruel era muito amigo de Castello Branco, mas eles tiveram alguns desentendimentos durante a guerra.[8]

Em 1949, fez um curso especial de informações e foi responsável por um inquérito sobre atividades comunistas no Exército.[carece de fontes?]

Em fevereiro de 1954, foi um dos signatário do Manifesto dos Coronéis, documento que criticava a política econômica e protestava contra o aumento do salário mínimo em 100%, proposto pelo segundo governo Vargas. Entre 28 de abril e 25 de setembro de 1954, foi Comandante da Artilharia Divisionária da 1ª Divisão de Exército, no Rio de Janeiro.[9]

Foi chefe do Departamento Federal de Segurança Pública (DFSP) em 1957. A 17 de Maio de 1958 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Avis de Portugal.[10] Entre 1959 e 1961 foi assessor militar do Brasil na Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque.[carece de fontes?]

Entre 1961 e 1962, foi Chefe do Gabinete Militar da Presidência da República. Foi ministro da Guerra no governo João Goulart, de 14 de setembro de 1962 a 15 de junho de 1963. No final de 1963, assumiu o comando do II Exército, sediado em São Paulo.[carece de fontes?]

A adesão de Kruel ao Golpe de Estado que destituiu o presidente e instaurou o regime militar no Brasil só se deu praticamente no momento em que este foi deflagrado, no dia 31 de março de 1964. Mobilizou as tropas do II Exército para a sublevação militar e sítio ao estado da Guanabara. Afirma-se que, antes de aderir, teria proposto ao presidente Goulart que este dissolvesse o Comando Geral dos Trabalhadores (o CGT) e adotasse uma política dura com a esquerda. Somente teria apoiado o movimento militar diante da negativa do presidente.[carece de fontes?]

Em agosto de 1966, passou para a reserva e foi promovido a Marechal. Foi ainda deputado federal pela Guanabara entre 1967 e 1971, na legenda do oposicionista Movimento Democrático Brasileiro, criado após a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional número 2 de 1965 e a instalação do bipartidarismo.[carece de fontes?]

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 23 de agosto de 1996. Foi casado em primeiras núpcias com Cândida Cezimbra Kruel, com quem teve um filho. Contraiu novas núpcias com Maria Helena Kruel.[carece de fontes?]

Trabalho escravo[editar | editar código-fonte]

Em 2014 os herdeiros de Kruel indenizaram uma pessoa mantida em condições análogas à escravidão nas décadas de 1950 e 1960 em uma fazenda de cacau de Kruel localizada no município de Linhares, no estado do Espírito Santo. O processo se arrastou por mais de cinquenta anos.[6]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Biografia na página do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC)
  2. Gallas, Luciano. «Regime militar: A trajetória da mentira». www.ihuonline.unisinos.br. Consultado em 8 de setembro de 2018 
  3. «Ditadura militar | Notícias». noticias.cvrs.fiocruz.br. Consultado em 8 de setembro de 2018. Cópia arquivada em 16 de abril de 2016. O comandante do II Exército em São Paulo, general Amauri Kruel pediu ao presidente que rompesse com a esquerda. Queria a demissão de Abelardo Jurema do ministério da Justiça e de Darcy Ribeiro da chefia do gabinete Civil e colocasse o CGT na ilegalidade. Jango negou o pedido. “Se essas são as suas condições, eu não as examino. Prefiro ficar com as minhas origens. O senhor que fique com as suas convicções. Ponha as tropas na rua e traia abertamente”. Em um novo contato telefônico, Kruel insiste na proposta mas Jango mantém a negativa. 
  4. «O financiamento da repressão». Verdade Aberta. Consultado em 7 de setembro de 2018. Em depoimento a Comissão Municipal da Verdade de São Paulo o coronel reformado Erimá Pinheiro Moreira relatou que o então presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP), Raphael de Souza Noschese, ofereceu US$1,2 milhão (1 milhão e duzentos mil dólares) ao general Amaury Kruel (comandante do II Exército) para que apoiasse o golpe militar. Em seu depoimento, o coronel Erimá contou que cedeu as instalações de um laboratório de análises clínicas, em sua propriedade, para uma reunião entre Raphael Noschese e Amaury Kruel, ocorrida no dia 31 de março de 1964. Segundo o coronel, três homens acompanharam o encontro, sendo que os três levavam maletas que estavam cheias de dinheiro. 
  5. Gilberto Natalini (27 de fevereiro de 2014), Coronel Erimá relata a Gilberto Natalini que general Kruel recebeu propina para apoiar golpe militar, consultado em 7 de setembro de 2018 
  6. a b «Vítima de trabalho escravo recebe indenização após 50 anos – InPACTO». www.inpacto.org.br. 2014. Cópia arquivada em 7 de setembro de 2018 
  7. «Veja a lista dos 377 responsáveis por crimes na ditadura». Terra. Cópia arquivada em 4 de julho de 2018 
  8. CAMARGO, Aspásia; Diálogo com Cordeiro de Farias: Meio Século de Combate, Biblioteca do Exército, 2001; página 293.
  9. «Galeria de Antigos Comandantes». Site da AD/1. 26 de maio de 2017. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  10. «Cidadãos Estrangeiros Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Amaury Kruel". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 2 de abril de 2016 
  11. a b Tosta, Wilson (2011). «Série revela ação dos EUA no golpe de 64 - Política - Estadão». O Estado de S.Paulo. Cópia arquivada em 10 de novembro de 2016. Um desses detalhes será a revelação de que, diferentemente do que se acreditava, a reaproximação entre Castelo Branco e o comandante do II Exército, general Amaury Kruel, não se deu às vésperas do golpe, mas bem antes - e em articulação do embaixador Lincoln Gordon, por meio do adido militar dos EUA, coronel Vernon Walters.
    O oficial conseguiu que o marechal Costa e Silva promovesse um jantar em sua casa, no Rio, em janeiro de 1964, para que Castello e Kruel, rompidos desde a Segunda Guerra Mundial, na Itália, se reaproximassem. "Um telegrama do Gordon diz que o adido militar o informa disso", conta Tavares.
     


Precedido por
Osvaldo de Araújo Motta
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17º Comandante da AD/1

1954 — 1954
Sucedido por
Joaquim J. Alves Bastos
Precedido por
Ernesto Geisel
Chefe do Gabinete Militar
1961 — 1962
Sucedido por
Albino Silva
Precedido por
Nélson de Melo
Ministro da Guerra
1962 – 1963
Sucedido por
Jair Dantas Ribeiro


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