American Gothic (pintura)

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'American Gothic'
Autor Grant Wood
Data 1930
Técnica Pintura a óleo
Dimensões 74.3  × 62.4 
Localização Art Institute of Chicago

American Gothic é uma pintura de Grant Wood da coleção do Art Institute of Chicago. A inspiração de Wood veio de uma casa desenhada em estilo gótico rural com uma distinta janela superior[1] e uma decisão de pintar junto a casa com "o tipo de pessoa que eu imaginava viver naquela casa."[nota 1][2] A pintura mostra um fazendeiro ao lado de sua filha solteirona.[3] A mulher está vestida com um avental em estilo colonial americano e o homem segura uma forquilha.

Criação da obra[editar | editar código-fonte]

Em Agosto de 1930, Grant Wood, um pintor americano com formação na escola europeia, passeava por Eldon, no estado do Iowa, na companhia de um pintor local, John Sharp, procurando inspiração. Foi então que reparou na Dibble House, uma pequena casa branca construída em estilo revivalista gótico. Segundo um dos biógrafos do pintor, Wood achou a casa "uma forma de pretensiosismo emprestado e um absurdo estrutural, ao colocar uma janela em estilo gótico numa humilde e frágil casa de madeira".

Após obter autorização dos proprietários, a família Jones, Wood executou prontamente um esboço a óleo sobre cartão da vista frontal da casa. O esboço, inspirado nas catedrais góticas que o pintor visitara na Europa, acentuava as características arquitectónicas da casa original, exibindo um telhado mais inclinado e uma janela mais comprida com um arco ogival mais pronunciado.

Grant Wood era um grande apreciador da cultura e tradições da região centro-oeste dos Estados Unidos, e decidiu pintar a Dibble House juntamente com “o tipo de pessoas que eu imaginei que vivessem nesta casa”. Recrutou a irmã Nan (1899–1990) para servir de modelo feminino, vestindo-a com um avental de padrão colonial, evocando a arte tradicional americana do século XIX, e o seu dentista pessoal , o Dr. Byron McKeeby (1867–1950), para o modelo masculino. Tal como na pintura da casa, ambos os modelos foram pintados em sessões separadas.

Nan, talvez embaraçada por ser representada como a mulher de um homem com o dobro da sua idade, disse que o irmão idealizou o casal como um pai e uma filha, em vez de um marido e mulher, algo que o próprio Grant Wood confirmou "A cerimoniosa senhora que o acompanha é a sua filha adulta" escreveu ele numa carta a uma das suas admiradoras, a Sra. Nellie Sudduth.

Nota-se uma profunda influência da pintura flamenga, muito apreciada pelo pintor, no estilo altamente detalhado e polido do quadro, e na rígida frontalidade das duas figuras.

Os elementos da pintura acentuam a verticalidade associada à arquitectura gótica. A forquilha de três pontas repete-se na costura do macacão, na estrutura da face do homem e na janela gótica da casa.

Nos vasos do alpendre da casa, estão plantadas espadas-de-são-jorge e begónias, e do lado esquerdo da composição por detrás das árvores, podemos observar o pináculo da torre de uma igreja.

Recepção junto da critíca e opinião pública[editar | editar código-fonte]

Wood concorreu com a obra a uma competição do Art Institute de Chicago. Um dos júris alcunhou o quadro de os "amantes cómicos", mas um mecenas do museu persuadiu os jurados a atribuir a medalha de bronze ao quadro e a quantia de 300 dólares em prémio monetário. O mecenas persuadiu ainda o Instituto a comprar a pintura que ainda hoje permanece no espólio da instituição.

A imagem rapidamente começou a ser reproduzida em jornais, primeiro no Chicago Evening Post e depois em Nova Iorque, Boston, Kansas City, e Indianápolis.

Wood recebeu no entanto uma reacção negativa quando a imagem foi finalmente publicada no Gazette Cedar Rapids. Os habitantes do Iowa ficaram furiosos por terem sido representados como uns "caquéticos, sombrios e puritanos religiosos ". Wood declarou em sua defesa, que não pintara uma caricatura dos habitantes do Iowa, mas uma representação do seu apreço, afirmando: "Eu tive que ir a França para apreciar o Iowa. "

Os críticos de arte com opiniões favoráveis do quadro, como Gertrude Stein e Christopher Morley, também partiram do pressuposto que a pintura pretendia ser uma sátira ao dia-a-dia das pequenas cidades rurais da América.

Uma outra interpretação do quadro, encara-o como um " retrato de luto antiquado... as cortinas penduradas nas janelas do piso de cima e no piso de baixo, que estão fechadas a meio do dia, são um sinal de luto na América vitoriana. A mulher usa um vestido preto por baixo do avental, e desvia o olhar como se estivesse a conter as lágrimas. Podemos imaginar que a mulher sofre pelo homem que está ao seu lado..." Wood tinha apenas 10 anos quando o pai morreu, vivendo os anos seguintes por cima de uma garagem reservada a carros fúnebres," por isso era morte que ele tinha em mente.

Notas

  1. Tradução livre de the kind of people I fancied should live in that house.

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Steven Biel (2005). American Gothic: A Life of America's Most Famous Painting. [S.l.]: W. W. Norton & Company. ISBN 0-393-05912-X 
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