Amor de Perdição

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Amor de Perdição
Autor(es) Camilo Castelo Branco
Idioma Portugal Portugal
Género Romance
Editora Livraria Moré
Formato 18 cm
Lançamento 1862
Páginas 249

Amor de Perdição é o título de uma novela do escritor português Camilo Castelo Branco, escrita em 1861[1] e publicada em 1862.[2] É considerada a obra principal do escritor, e uma das mais importantes durante a fase do Romantismo em Portugal. Retrata principalmente a história do amor proibido entre Simão Botelho e Teresa de Albuquerque.[3] Foi subtitulada pelo autor como Memórias Duma Família.[4]

História[editar | editar código-fonte]

Antiga Cadeia da Relação.

Escrita e primeira publicação[editar | editar código-fonte]

Quando a obra foi escrita, em 1861, Camilo Castelo Branco encontrava-se preso na Cadeia da Relação, no Porto, devido ao crime de adultério, que tinha praticado com Ana Plácido.[1]

A obra Amor de Perdição foi integralmente escrita durante um período de quinze dias, durante a estadia do autor na cadeia.[1] Enquanto esteve preso, também redigiu as obras O Romance de Um Homem Rico e parte de Doze Casamentos Felizes.[1]

A primeira edição do livro foi publicada em 1862, ano em que também editou as obras Memórias do Cárcere, Coisas Espantosas e Coração, Cabeça e Estômago.[5] Porém, o periódico Revolução de Setembro de 1 de Janeiro desse ano relatou que a obra já estava em circulação, pelo que terá sido ainda editada em 1861, embora a data oficial seja de 1862, data assinalada no rosto do livro.[4]

Em 1864, Camilo Castelo Branco escreveu a obra Amor de Salvação, que pretendia em parte funcionar em contraponto em relação ao livro Amor de Perdição.[4]

Reedições[editar | editar código-fonte]

Em 1983, o Real Gabinete Português de Leitura, na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil, e a casa portuense Lello & Irmão lançaram uma reedição da obra a partir do manuscrito original, dirigida pelo professor Maximiano de Carvalho e Silva, da Universidade Federal Fluminense, e Aníbal Pinto de Castro, da Universidade de Coimbra.[4] Em 1986, a Secretaria de Estado da Cultura publicou uma edição especial do livro, destinado aos portugueses emigrados pelo globo.[4]

Largo Amor de Perdição, na cidade do Porto.

Traduções e adaptações[editar | editar código-fonte]

Após a sua publicação, o Amor de Perdição depressa se tornou na obra mais conhecida do autor, tendo sido por diversas vezes traduzida, e adaptada ao teatro e cinema.[1]

Traduções[editar | editar código-fonte]

Tenor italiano Giuseppe Russitano interpretando a personagem de Simão Botelho, em 1907.

Adaptações[editar | editar código-fonte]

Teatro[editar | editar código-fonte]

Cinema[editar | editar código-fonte]

O livro foi seis vezes adaptado ao cinema, entre elas:

Televisão[editar | editar código-fonte]

Em 1965, a TV Cultura apresentou a sua versão do romance, em forma de telenovela, também chamada de Amor de perdição.

Juntamente com os romances Livro negro do Padre Dinis e Mistérios de Lisboa é a base da telenovela luso-brasileira Paixões proibidas.

Retrato de Camilo Castelo Branco, em 1873.

Análise[editar | editar código-fonte]

Narrador[editar | editar código-fonte]

O narrador apresenta-se em terceira pessoa, apenas identificando-se ao final do livro como sobrinho de Simão, filho de Manuel Botelho, irmão de Simão. Possui aspectos autobiográficos.

Influências[editar | editar código-fonte]

O título do livro foi escolhido em grande parte devido à própria situação ao autor.[1] Com efeito, parte do enredo espelha situações que Camilo Castelo Branco e Ana Plácido viveram, como uma relação amorosa infeliz, a recolha num convento, a pena de degredo, que o autor também esteve em risco de correr, e a atitude violenta que Simão teve contra a sociedade em geral, e contra o abuso dos poderes paternos.[1] Esta ligação entre Camilo Castelo Branco e Simão está bem patente em várias partes do livro, quando Simão escreve a Teresa suplicando-lhe que renegue ao seu amor, de forma a ser poder salvar.[1] Nestes momentos, Simão sai do seu carácter normal, tornando-se obviamente uma representação do autor.[1] Outra inspiração para a obra foram as experiências do seu tio paterno Simão António Botelho, e de Rita, que o acolhera como órfão na cidade de Vila Real.[1] Simão Botelho chegou ainda a ser deportado para a Índia, onde terá falecido.[1] Esta é uma das principais diferenças em relação à obra, uma vez que Simão morreu a bordo do navio, já a caminho da Índia.[1] Esta não foi a primeira vez que Camilo Castelo Branco se inspirou nas histórias da sua própria família, os Correias Botelhas, conhecidos como Brocas.[4] Com efeito, também tentou escrever um livro baseado no seu avô, Domingos José Correia Botelho, que não chegou a concluir,[1] e em 1853, uilizou pessoas da sua própria família como personagens.[4]

Outra influência do livro foram as lendas e tradições da região entre Entre Douro e Minho, sobressaindo o diálogo onde Teresa de Albuquerque rejeitou o seu primo e pretendente Baltazar Coutinho, muito semelhante à Lenda do Trágio Juramento, documentada por Gentil Marques.[6]

Corrente literária[editar | editar código-fonte]

Apesar de não ser talvez o melhor livro de Camilo Castelo Branco, do ponto de vista da estrutura, é indubitavelmente o que foi escrito com mais paixão em toda a sua obra literária.[1] Ainda assim, é um ponto marcante na sua carreira, correspondendo à sua maturação artística.[1] Corresponde igualmente ao auge da segunda fase do romantismo português, ao combinar os temas românticos com os excessos da paixão entre os dois protagonistas, proibida por rivalidades entre as famílias, que acaba com o seu sacrifício.[3]

Estátua Amor de Perdição do escultor Francisco Simões, na cidade do Porto.

Enredo[editar | editar código-fonte]

O livro centra-se principalmente na relação amorosa entre Simão Botelho, de 17 anos, e Teresa de Albuquerque, com 15 anos.[1] Esta paixão encontrou a oposição da família de Teresa, uma vez que, apesar de ambos pertencerem a famílias de origem fidalga, Simão tinha uma maior afinidade para com as pessoas do povo, preferência que também era criticada pela sua irmã Rita, que o acusava de desprezar a sua linhagem.[1] Sobressai então o tema do amor impossível, que termina no sacrifício de ambos, sendo Teresa enclausurada num convento, enquanto que Simão é condenado ao degredo, falecendo no entanto a bordo do navio.[1]

Simão Botelho e Teresa de Albuquerque pertencem a famílias rivais: ele, filho de dezoito anos de idade de um juiz e ela, de 16 anos de idade, sendo filha única, de um amado, mas tiranizado nobilotto provincial. Eles estão perto e - por causa de disputas triviais - seus pais se odeiam. A história se passa em Coimbra, onde estudou o jovem, e Viseu, onde as famílias residem. O amor floresce quase involuntariamente e, uma vez que é detectado, ele é ferozmente contestado por ambos os pais. Para complicar o primo de Teresa, Baltasar intervém, visando à força obrigar Teresa a aceita-lo como marido sendo aceite e apoiado por sua família. A dedicação é total dos dois amantes mútuos intransigentes. Por Teresa recusar seu primo, é enviada para um convento, primeiro em Viseu e depois no Porto. Simão tenta ver a garota, mas é impedido pela família e agora também por seu primo. Exasperado de uma proibição injustificada e com medo de mais violência que poderia forçá-la a se casar com Baltazar, tira proveito de uma provocação na rua e mata-o. Ele se recusa a fugir e se entregar às autoridades. Não adiantaria para ele tentar se defender e então é condenado à forca. O pai acabou mudando sua decisão, empurrado por sua esposa e amigos. Ele pediu e obteve a aceitação de que a sentença passasse a ser comutada para dez anos de exílio nas Índias portuguesas. Simão é colocado a bordo do navio que está partindo para Goa. A partir do porto vê sua amada por trás das grades do convento. Ele percebe que ele está morrendo e ele recebe uma carta na qual Teresa declara que ele nunca conheceu a maioria, se não no céu. Ela morre consumida por infelicidade. Ele segue logo depois e é lançado ao mar. Também morre a sua jovem serva Mariana, que ama Simão desesperadamente, tendo-o tratado e seguido nos dias de prisão.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p q r CABRAL, 1981:5-8
  2. CAPELO et al, 1994:222
  3. a b «Literatura Portuguesa». Dicionário Ilustrado do Conhecimento Essencial 1.ª ed. Lisboa: Selecções do Reader's Digest, S. A. 1996. p. 48, 55. 604 páginas. ISBN 97-609-154-3 
  4. a b c d e f g h CABRAL, 1988:39-40
  5. WILLIAMS, Neville (1989). «1862». Cronologia Enciclopédica do Mundo Moderno. Volume 3 de 10. Lisboa: Círculo de Leitores. p. 11. 117 páginas 
  6. MARQUES, 1999:99

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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