Ana Terra

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Ana Terra
Personagem fictícia de O Tempo e o Vento
Origem Sorocaba
Sexo feminino
Características Mulher de personalidade forte
Criado por Érico Veríssimo

Ana Terra é o nome de uma personagem que integra o primeiro volume da trilogia O Tempo e o Vento, obra-prima do escritor brasileiro Érico Veríssimo, protagonista do primeiro drama por que passa a família de pioneiros gaúchos na saga histórica e regionalista que se desenvolve onde hoje é o território do Rio Grande do Sul.

A obra costuma ser dividida em sete volumes, dos quais o primeiro, integrante portanto de O Continente, é intitulada justamente de Ana Terra, à qual segue-se Um Certo Capitão Rodrigo – ambas com unidade temática que permitiu-lhes a publicação em volumes separados pela então ainda gaúcha Editora Globo, em 1971 e 1970, respectivamente.[1]

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Sempre que me acontece alguma coisa importante, está ventando.
Ana Terra

Ana é filha de Henriqueta e Maneco Terra, pioneiro dono de uma estância no ermo dos pampas gaúchos. Eram moradores da cidade paulista de Sorocaba, que migraram para o Rio Grande - chamado de "Continente" - quando os estancieiros foram conquistando as terras aos índios e espanhois.[2]

A história de Ana começa quando ela já tem vinte e cinco anos e continuava solteira. Após uma passagem na estância do militar Major Rafael Pinto Bandeira, em 1777, a moça sonha com as palavras do herói gaúcho, que dissera que o país precisava de mulheres "bonitas e trabalhadoras", como ela.[2]

Ana Terra descobre, nas terras de seu pai, Maneco Terra, um índio ferido, de tez relativamente clara (Pedro Missioneiro). Olhado com desconfiança pelos Terra, o índio se recupera e acaba permanecendo na fazenda como uma espécie de agregado. Ana se apaixona por Pedro Missioneiro, quando a sua gravidez é descoberta, este é assassinado pelos irmãos da protagonista.

Ana tem um filho, que dá o nome do pai: Pedro Terra. Este é o gérmem da família que atravessará os séculos até as transformações vividas na metade do século XX, quando termina a obra.

A estância é atacada pelos castelhanos, na batalha todos os homens morrem e Ana é violentada pelos bandoleiros.

Análises[editar | editar código-fonte]

Ana Terra é paradigma dos fundadores da terra brasileira, no dizer de Ana Maria Machado. A autora realça a figura retratada da matriarca tecendo na roca, como aprendera com a mãe e veio a ensinar a neta Bibiana: o som da roca que assombraria as futuras gerações.[3]

Maria Aparecida Bergamaschi ressalta a percepção temporal da personagem, vivendo num "fim de mundo", onde os fatos da vida individual marcavam a passagem do tempo; em que mesmo os dias da semana eram fruto da memória das pessoas, e não do uso de relógios ou calendários: um tempo subjetivo que, mesmo tendo por base a natureza, não deixa de estar inserido num contexto coletivo e histórico.[4]

Os fatos históricos que marcaram a conquista do território riograndense por Portugal permeiam a saga familiar de Ana Terra, a começar pelo Tratado de Madri de 1750, que provocou a migração de paulistas. É assim que o personagem Pedro Missioneiro permite a menção às Missões e à Guerra Guaranítica, sendo ele próprio o exemplo da miscigenação que marcou a gênese do povo gaúcho, no gérmem gerado pelo ventre de Ana Terra.[5]

Ana Terra e Pedro Missioneiro, assim, são paradigmas das matrizes platinas e lusitanas do Rio Grande do Sul.[5]

Referências

  1. Tanara Mantovani Sfalcin (maio de 2002). «Entrelaçamento da História com a Literaturaem Ana Terra de Érico Veríssimo» (PDF). Consultado em 25 de março de 2010 
  2. a b Veríssimo, Érico. Globo, ed. Ana Terra. 1999 50ª ed. São Paulo: [s.n.] 142 páginas. ISBN 85-250-0504-5 
  3. Ana Maria Machado (Set./Dez. 2003). «O Tao da teia – sobre textos e têxteis». Scielo / Estudos avançados vol.17 no.49 São Paulo. Consultado em 25 de março de 2010  Verifique data em: |data= (ajuda)
  4. Maria Aparecida Bergamaschi (outubro de 2000). «O tempo histórico no ensino fundamental» (PDF). Consultado em 25 de março de 2010 
  5. a b Silva, Angelise Fagundes da (2008). [http://www.uff.br/feuffrevistaquerubimdfdfdfdfdfdf gf/images/arquivos/publicacoes/revista_querubim_7_v_1.pdf#page=54 «A Fonte: representação da história em O Continente»] Verifique valor |url= (ajuda) (PDF). Rio de Janeiro: UFF. Revista Querubim. Ano 4 Nº 07. ISSN 1809-3264 ISSN 1809-3264 Verifique |issn= (ajuda). Consultado em 28 de março de 2010  line feed character character in |url= at position 51 (ajuda)
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