Analgésico

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Provavelmente o grupo de medicamentos mais consumidos do mundo.

Analgésico (do grego ἀν- [an-], sem, ἄλγος [álgos], dor) é um grupo diversificado de medicamentos que diminuem ou interrompem as vias de transmissão nervosa, reduzindo a percepção de dor (nocicepção). As drogas analgésicas incluem os antiinflamatórios não-esteróides (AINE), tais como os salicilatos, drogas narcóticas como a morfina e drogas sintéticas com propriedades narcóticas, como o tramadol e o demerol.

Tipos[editar | editar código-fonte]

Existem vários grupos de analgésicos [1]

  • Anti-inflamatórios não esteroides (AINES): Os mais usados atualmente, atuam inibindo as enzimas Ciclo-oxigenases (COX) responsáveis por respostas de inflamação, rubor e dor. Podem causar úlceras gástricas, insuficiência renal e hemorragia. Exemplos de AINES são: Aspirina, ibuprofeno, dipirona e diclofenaco. [2]
  • Paracetamol: Atua por inibição central da COX-3 e modulação da via serotoninérgica descendente. Possui pouco efeito anti-inflamatório, mas é tão eficiente quanto aspirina em tratar dores leves e moderadas. Possui menos efeitos colaterais que qualquer outro analgésico e pode ser usado por grávidas, lactantes e crianças.[3]
  • Inibidores da COX 2 B (COXIB): Inibe seletivamente apenas a enzima COX-2 e não o enzima COX-1, reduzindo assim os efeitos colaterais. Tão eficiente como analgésicos quanto a aspirina, mas com menos efeitos colaterais e sem efeitos seus cardioprotetores e antitrombóticos. Alguns foram retirados do mercado por aumentar o risco de trombose.[4]
  • Opioides: Morfina e seus derivados, atuam em receptores opioides específicos. Usados para dor moderada ou intensa que não responda a tratamento com AINES. Causam constipação, retenção urinária, sedação e vômito. Causam menos efeitos colaterais e reduzem mais a dor quando combinados com AINES. Geram tolerância, necessitando cada vez doses mais altas para inibir
  • Anticonvulsivantes: Gabapentina e seu derivado pregabalina são anticonvulsivantes que diminuem a dor antes e depois da cirurgia e limitam a longo prazo a hipersensibilidade induzida por ferimentos. Também reduzem os efeitos colaterais dos opiáceos como náuseas, vômitos e retenção urinária.
  • Antagonista de receptor NMDA: Inibem os receptores glutamatérgicos responsáveis por uma sensibilidade prolongada a dor. Também serve como anestésico. Seu principal representante é a Quetamina. Seus efeitos colaterais são sedação, confusão mental e alucinações.
  • Lidocaína: Inibidor dos canais de sódio, bloqueiam localmente o envio de sensação dolorosa. Também inibe o reflexo de tossir. Pode ser usado por via oral, gota, tópica, injetável e spray.[5]
  • Antidepressivos: Tanto os tricíclicos, como imipramina, quanto os ISRS, como fluoxetina, podem ser usados como coadjuvantes no tratamento da dor crônica.
  • Canabinoides: O THC da maconha e derivados de outras plantas atuam em receptores canabinoides inibindo a percepção de dor, mas são ilegais em muitos países.

Efeitos colaterais[editar | editar código-fonte]

Os analgésicos são medicamentos que podem causar dependência física e possivelmente levam à morte, se administrados em excesso. O uso abusivo também pode provocar efeitos colaterais, como hipertensão, gastrite e hepatite.[6]

Não é recomendado o uso dessas drogas por conta própria, assim como qualquer outro medicamento. Outras classes de drogas, que normalmente não são consideradas analgésicos, são usadas para tratar síndromes de dor neuropáticos. Estas incluem antidepressivos tricíclicos e anticonvulsantes.

No Brasil, a exposição dos analgésicos em gôndolas foi suspensa em 2010 pela Anvisa para tentar inibir a compulsividade dos consumidores e a automedicação.[6]

A aspirina pode inibir a produção das prostaglandinas, que protegem a mucosa gástrica e os rins, favorecendo hemorragias e úlceras gástricas.[6]

O paracetamol em doses maiores de 10mg pode causar hepatite medicamentosa.[6]

Muitos analgésicos contêm altas doses de cafeína. Por isso, a sua falta pode causar a "cefaleia de retirada" e, assim, é necessário acompanhamento médico para a retirada dessas drogas.[6]

Exemplos[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Thor Hallingbye, Jacob Martin e Christopher Viscomi. Acute Postoperative Pain Management in the Older Patient. Aging Health. 2011;7(6):813-828. http://www.medscape.com/viewarticle/756607_6
  2. Wolfe M, Lichtenstein D, Singh G. Gastrintestinal toxicity of nonsteroidal anti-inflammatory drugs. N. Engl. J. Med.340(24),1888–1889 (1999).
  3. Graham G, Scott K. Mechanism of action of paracetamol. Am. J. Ther.12,46–55 (2005).
  4. Lanza F, Simon T, Quan H et al. Selective inhibition of cyclooxygenase-2 (COX-2) with MK-0966 is associated with less gastroduodenal damage than aspirin or ibuprofen . Ali. Pharmaco. Ther.13,761–767 (1999).
  5. [Merriam-webster http://www.merriam-webster.com/dictionary/Lidocaine]
  6. a b c d e Botelho, Rachel. (27 de maio de 2010). Analgésico pode levar a "vício" psíquico. Folha de S.Paulo

Ver também[editar | editar código-fonte]

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