Ancilostomíase

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Ancilostomíase - Matador
É transmitido pelo contato da pele com solo infectado por fezes
Classificação e recursos externos
CID-10 B76.0
CID-9 126.9
MeSH D000724
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Ancilostomíase, Ancilostomose, Amarelão, Necatoríase, ou Doença do Jeca Tatu são doenças parasitárias infecciosas intestinais semelhantes causadas pelos nematodas relacionados Ancylostoma duodenale, Necator americanus, ou em menor grau por Ancylostoma ceylonicum, Ancylostoma braziliense e Ancylostoma caninum.

Causas[editar | editar código-fonte]

O Ancylostoma duodenale e o Necator americanus são espécies aparentadas de vermes parasitas nematelmintos, com corpos filiformes e fêmeas até um centímetro maiores que muitos, geralmente de 0,8 a 1,3 cm. As suas extremidades anteriores têm a forma de um gancho, especialmente nos Necator, e possuem boca armada com placas ou espinhos duros e bastante resistentes.

O Ancylostoma braziliense e Ancylostoma tubaeforme infectam felinos e humanos, o Ancylostoma caninum infecta canídeos e humanos e o Stenocephala uncinaria infecta tanto cães quanto gatos.

O Ancylostoma duodenale é encontrado na zona do Mediterrâneo, Índia, China e Japão; já o Necator americanus é típico das zonas tropicais de África, da Ásia e da América. O Ancylostoma braziliense é encontrado na América do sul e é mais popularmente conhecido como bicho-geográfico por "desenhar mapas" na planta do pé.[1]

Ciclo de vida do Ancilostoma[editar | editar código-fonte]

Os ovos têm 60 micrometros e são eliminados nas fezes humanas.[2] Na terra quente e úmida, os ovos eclodem, depois de terem incubado um ou dois dias[2], liberando larvas (em estágio L1), que sofrerão mudanças (ou eclises), até atingir a forma L3, denominada filarióide ou infectante. As larvas rabditóides (L1 e L2) levam por volta de uma semana para tornarem-se filarióide, a qual é capaz de viver por mais de um mês, procurando encontrar um hospedeiro humano. Se conseguirem, elas são capazes de penetrar na pele intacta, por exemplo através dos pés.[2] Dentro do organismo, invade os vasos linfáticos e sanguíneos e migram pelas veias para os pulmões, via coração.[2] Permanece nos alvéolos e depois migram (ou é tossida) pelos brônquios até à faringe, onde é deglutida inconscientemente para o esôfago. Após passar pelo estômago (a sua cutícula resistente permite-lhe suportar o ambiente ácido) passa ao duodeno (intestino). No intestino se fixa por meio de sua boca com ganchos.[2] É aí que se desenvolvem e acasalam as formas adultas, produzindo mais de 100.000.000 ovos por dia. É importante ressaltar que também ocorre infecção passiva por via oral. Nesse caso, a larva infectante é ingerida em água ou alimentos contaminados e percorre todo o trato gastrointestinal, até atingir o duodeno, habitat do parasita. Durante esse percurso, sofre as mudas necessárias à formação do verme adulto.Essa doença,é conhecida popularmente como amarelão,pode ser causada por dois vermes,o ancilóstomo e o necátor.

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Pessoas saudáveis e com alimentação rica em ferro podem não perceber os sintomas. As larvas de ancilostomídeos deixam uma sensação de picada no local onde entram, que fica inchada e vermelha, causando coceira por dias e as vezes reação alérgica. Os sintomas mais comuns da infecção são[2][3]:

Casos avançados podem envolver[4]:

Complicações[editar | editar código-fonte]

Em pessoas que não tem alimentação balanceada, principalmente crianças e idosos pode resultar em anemia por deficiência de ferro e baixos valores de proteínas no sangue. Nas crianças, o sangramento crônico pode provocar atraso de crescimento, insuficiência cardíaca e tumefacção generalizada dos tecidos. Nesses casos pode ser possível encontrar sangue nas fezes.[2]

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico é feito por exames de fezes, e em casos agudos a infestação pode ser detectada também por exame de sangue. Ambos são feitos através da observação, com auxílio de microscópio, pelos profissionais responsáveis.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Atualmente a maior parte dos casos graves se concentram nos países africanos, onde a risco de co-infecção com outros parasitas.

Nos anos 90, a OMS estima que mais de um bilhão de pessoas foram infectadas no mundo, porém menos da metade tiveram os sintomas. No Brasil entre 1920 e 1998 a prevalência caiu de 74% para 5,4 (rural) a 0,8% (urbana) da população conforme a urbanização aumentava e o uso de calçados se tornou cada vez mais comum. [5] No mundo cerca de 600 milhões de pessoas seguem infectadas, mas o número cai quase pela metade a cada década e os tratamentos estão cada vez mais eficientes. Milhares ainda morrem todos os anos em consequência da anemia ou de problemas cardíacos ou desidratação.[6][7]

Em algumas comunidades rurais de Minas Gerais e do Nordeste Brasileiro os índices de infecção em 2006 ainda eram de cerca de 62% da população. Foi imortalizado na literatura com o conto sobre o Jeca Tatu, de Monteiro Lobato, que estava anêmico por causa dessa doença.[8]

Prevenção[editar | editar código-fonte]

  • Utilizar calçados;
  • Evitar o contato com possível solo contaminado;
  • Asfaltar as ruas e fazer calçadas;
  • Bons hábitos de higiene e sanitários;
  • Alimentação saudável, rica em vegetais, legumes e frutas (para prevenir anemia);
  • Dar antiparasitário aos animais (apesar da infecção inter-espécies ser rara e mais leve).

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Medicamentos anti-helmínticos (drogas que matam os vermes parasitas), como albendazol e mebendazol, são as drogas de escolha para o tratamento de infecções por parasitas. O albendazol é o mais rápido e eficiente, tratando 70% já na primeira dose. As infecções são geralmente tratadas durante 3 dias. Os medicamentos recomendados são eficazes e parecem ter poucos efeitos secundários. Os suplementos de ferro e proteína também podem ser prescritos se a pessoa infectada tem anemia.[9]

No caso de grávidas em locais endêmicos é recomendado tomar um anti-parasitário logo no primeiro trimestre de gestação e complementar a dieta com suplementos de sais minerais e proteínas.[10]

Referências

  1. http://www.ufrgs.br/para-site/siteantigo/Imagensatlas/Animalia/Ancylostoma%20braziliense.htm
  2. a b c d e f g «Ancilostomíase». Manual Merck. Consultado em 23 jan 2013 
  3. http://www.healthline.com/health/hookworm
  4. http://emedicine.medscape.com/article/218805-clinical
  5. http://www.medigraphic.com/pdfs/patol/pt-1999/pt991c.pdf
  6. http://www.cdc.gov/parasites/hookworm/
  7. Bethony J, Brooker S, Albonico M, et al. (May 2006). "Soil-transmitted helminth infections: ascariasis, trichuriasis, and hookworm". Lancet 367 (9521): 1521–32. doi:10.1016/S0140-6736(06)68653-4. PMID 16679166.
  8. Verle P, Kongs A, De NV, et al. (October 2003). "Prevalence of intestinal parasitic infections in northern Vietnam". Trop. Med. Int. Health 8 (10): 961–4. doi:10.1046/j.1365-3156.2003.01123.x. PMID 14516309.
  9. http://www.cdc.gov/parasites/hookworm/treatment.html
  10. Bethony J, Brooker S, Albonico M, et al. (May 2006). "Soil-transmitted helminth infections: ascariasis, trichuriasis, and hookworm". Lancet 367 (9521): 1521–32. doi:10.1016/S0140-6736(06)68653-4. PMID 16679166.