André Furtado de Mendonça (capitão)

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Disambig grey.svg Nota: Se procura pelo sertanista brasileiro que combateu os escravos negros do Quilombo dos Palmares, veja André Furtado.
André Furtado de Mendonça
Retrato de André Furtado de Mendonça. In Ásia portuguesa de Manuel de Faria e Sousa. Lisboa 1675
Governador da Índia Flag of Portugal (1521).svg
Período 1609
Antecessor Aleixo de Meneses
Sucessor Rui Lourenço de Távora
Dados pessoais
Nascimento 1558
Morte 1 de abril de 1611 (53 anos)
Progenitores Mãe: D. Joana de Sousa
Pai: Afonso Furtado de Mendoça, comendador de Beja e Rio Maior

André Furtado de Mendonça (Lisboa, 15581 de Abril de 1611) foi governador da Índia (1609) e um dos mais destacados capitães do Estado da Índia onde viveu cerca de 30 anos.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

André Furtado de Mendonça terá nascido em Lisboa por volta do ano de 1558. Filho de Afonso Furtado, comendador de Borba e Rio Maior, da Ordem de Avis e de D. Joana Sousa. Aos 16 anos acompanhou D. Sebastião na sua primeira jornada a África e em 1576, apenas com 18 anos, embarca pela primeira vez para a Índia, a cargo do vice-rei Rui Lourenço de Távora, e acompanhado de 2 irmãos. Bem cedo se dedicou ao estudo das rotas, da meteorologia e oceanografia e da cartografia do Índico, assim como do armamento, conhecimentos que lhe permitiriam obter vantagem em combate, quer no mar quer em terra.

Naquela época era difícil ser-se soldado e em particular, sê-lo na Índia. Somente alguns capitães conseguem afastar do espírito a tentação de seguir o caminho fácil do enriquecimento e sucesso individual, sublimando, em si, os ideais de fidelidade à Pátria, ao Rei, a Deus e à Moral.

Curiosamente, é uma visão semelhante, com base na busca de glória através do serviço ao seu Rei e à Pátria, que vai orientar a vida do almirante Horácio Nelson, vitorioso de Trafalgar a 21 de Outubro de 1805.

Na sequência de vários sucessos em acções de guerra no mar, André Furtado de Mendonça evolui, em sete anos de simples soldado a capitão famoso, que comandava já outros capitães, apenas com a idade de 25 anos. Em 1581 entra em combate contra corsários malabares no rio Carapatão. Nos 2 anos seguintes distingue-se na luta contra o corsário Cunhale Marcar, vassalo do samorim de Calecute e grande inimigo dos portugueses. Em 1583 socorre a fortaleza de Barcelor. Tendo vindo a Lisboa requerer o despacho dos seus serviços regressa à Índia em 1588.

Em Outubro de 1591, o Vice-Rei da Índia, Matias de Albuquerque, eleva André Furtado de Mendonça a capitão-mor de uma armada e encarrega-o de fazer guerra ao Rajá de Jafanapatam em Ceilão, devido à ameaça que este constituía para as forças portuguesas na fortaleza de Manar. No caminho para Jafanapatam André Furtado derrotou a frota do pirata Cote Muça. Em Jafanapatam as forças navais e terrestres do Rajá foram destroçadas nos combates de 20 e 21 de Outubro, tendo o Rajá sido morto bem como algumas centenas dos seus fiéis, "por não deixar gente estranha e inimigos declarados do reino". Como consequência foi estabelecida a paz passando a ilha de Manar para o domínio português. Apesar disso o vice-rei viria a retirar-lhe o comando da armada, o que levou André Furtado de Mendonça a recolher-se em Goa onde se manteve vários anos sem cargos atribuídos.

Em 1599, feito capitão-mor do Malabar, é designado para o comando de uma armada de 37 navios e 2000 homens, com a missão de erradicar a pirataria que comprometia os interesses portugueses no Índico, a qual era liderada pelo corsário muçulmano Mohamed Marcar Cunhale. Este Cunhale, sobrinho do anterior, tornara-se independente do samorim e atacava com grande prejuízo os navios portugueses. A missão contra o corsário vai desenrolar-se desde Dezembro de 1599 até ao ataque final em princípio de Março de 1600 à fortaleza que servia de base às operações de pirataria na foz do rio Pudepatão.

No dia 2 de Março de 1600, o contingente português, com André Furtado Mendonça à frente das tropas, numa demonstração de coragem e de capacidade de liderança ao mais alto nível, assaltou a fortaleza esmagando completamente as suas defesas. A fortaleza foi arrasada e a povoação e mesquitas incendiadas. Ao entrar na fortaleza ofereceu ao samorim, em nome do vice-rei tudo o que nela havia, excepto a artilharia, que foi dividida em partes iguais. Desta vitória dos portugueses resultou, não apenas a eliminação do mais poderoso corsário do Índico, como também a submissão do Samorim de Calecute ao Vice-Rei, o que reforçou a autoridade portuguesa na Índia.

Entre 1601 e 1603 comandou a Armada do Sul que afastou os holandeses de Amboíno e Sunda.

Capitão de Malaca[editar | editar código-fonte]

Em Abril de 1606, encontrando-se André Furtado Mendonça à frente da capitania de Malaca, desde 1603, foi aquela praça sitiada por uma armada holandesa com 11 naus sob o comando do Almirante holandês Matelieff, juntamente com navios dos reinos locais, totalizando 14000 homens embarcados. A desproporção dos meios era total, tendo em conta que o efectivo português seria da ordem de pouco mais de uma centena e meia de homens em armas. A resistência ao cerco imposto, em condições muitíssimo difíceis, durou até ao dia 13 de Agosto de 1606, altura em que os sitiantes receberam a notícia da aproximação da armada do Vice-Rei da Índia D. Martim Afonso de Castro e demandaram outras paragens, com perdas superiores a 250 homens.

Governador da Índia[editar | editar código-fonte]

O novo vice-rei D. João Pereira Forjaz, 5° conde da feira, nomeado pelo rei de Portugal, que vinha na Armada de 29 de Março de 1608, falecendo na viagem, foi André Furtado Mendonça que assumiu a partir de Maio de 1609, as funções de governador da Índia, antes que chegasse o novo vice-rei Rui Lourenço de Távora que partiu de Lisboa na armada de 25 de Outubro de 1608. Quando este chegou e antes de o substituir, depois de André Furtado ter apenas governado 3 meses, teve estas palavras : « Muito me pesa de ter vindo neste tempo à Índia com este cargo : pois com isso se atalha o muito que um tal capitão e Governador havia de obrar neste império com seu valor pelas armas, com sua prudencia para o governo, com sua fortuna para os acasos». Disse também de Furtado Mendonça um seu sucessor, D. Miguel de Noronha: “Foi o mais temido pelos inimigos e aceite pelo povo Vice-Rei que houve na Índia”[1]. A sua governação da Índia portuguesa, apenas por alguns meses, conseguiu inverter a tendência de desgoverno que se vinha acentuando anteriormente.

Em 1610, entregou o governo da Índia ao Vice-Rei Rui Lourenço de Távora e embarcou para Portugal para se avistar com o Rei Filipe II, à época Rei de Portugal, que o mandara chamar. O Capitão-mor da Armada era D. Manuel de Meneses, e Furtado de Mendonça que se encontrava já doente quando embarcou, ia na nau Penha de França de Ambrósio de Pina. Veio a falecer a 1 de Abril de 1611, quando a nau que o transportava se encontrava a cerca de 270 léguas da ilha de Ascensão naufragou. A 5 de Julho decorreu o cortejo fúnebre que levou o corpo para a igreja da Graça onde ficou sepultado ao lado de outro dos heróis da Índia, Afonso de Albuquerque.

Sem mulher e sem filhos, viveu para o serviço da Pátria. Com total dedicação, não obtendo quaisquer vantagens materiais da sua missão de 33 anos de serviço na Índia, dizia ele que foi servir para a Índia e não comerciar. Entre outros feitos, eliminou a pirataria que aniquilava o comércio português, apaziguou ou submeteu os reinos indígenas que se rebelavam contra os portugueses, liderou a resistência ao cerco de Malaca imposto pelos holandeses com uma guarnição muito reduzida, culminando a sua estadia na Índia portuguesa com o exercício da governação daquelas possessões, constituindo um exemplo da liderança lusa sob a qual foi edificado o império português no Mundo.

Notas

  1. Ásia portuguesa, de Manuel de Faria e Sousa, parte III, p. 187

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • R. C. Boxer e Frazão de Vasconcelos, André Furtado de Mendonça, Agência-Geral do Ultramar, 1955

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]


Precedido por
Aleixo de Meneses
Governador da Índia Portuguesa
1609
Sucedido por
Rui Lourenço de Távora (neto)


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