André de Resende

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André de Resende
Nascimento 1500
Évora
Morte 9 de dezembro de 1573 (73 anos)
Évora
Cidadania Portugal
Ocupação arqueólogo, humanismo, teólogo, antropólogo, escritor
Religião Igreja Católica

André de Resende (Évora, por volta de 15009 de dezembro de 1573) foi um frade dominicano, um intelectual, um teólogo, um arqueólogo, um especialista da Grécia e da Roma antiga, em suma um grande pensador humanista português. Foi também mestre de Dom Duarte.

Vida[editar | editar código-fonte]

André de Resende nasceu em Évora, por volta de 1500, na rua das Oliveiras. Filho de Pero Vaz de Resende e de Ângela Leonor de Góis, ficou órfão de pai muito cedo, em 1502. Em 1508, encontramo-lo a estudar gramática com Estevão Cacaleiro, tendo ingressado até aos dez anos no convento da Ordem de São Domingos de Évora.

Em 1533, sabemo-lo de novo em Portugal, no convento de São Domingos, em Évora, sendo então convidado para mestre do infante D. Duarte, o que aceitou, transferindo-se por essa altura da ordem dominicana para a situação de clérigo secular. Regia, simultaneamente, a cadeira de humanidades na Universidade de Lisboa, passando a lecionar, em 1537, na de Coimbra.

André de Resende foi, provavelmente, o pioneiro da arqueologia em Portugal, à qual se dedicou com zelo, devendo-se-lhe o primeiro estudo dos monumentos epigráficos da época romana em Portugal.

Teve uma profunda ação como ideólogo do Renascimento e como pedagogo divulgador dos estudos latinos e gregos, havendo deixado uma vasta produção literária, composta em latim e português. Órfão de pai, desde tenra idade, André de Resende cedo deixa a sua casa para seguir os estudos.

De 1513 a 1517 estuda em Alcalá de Henares, passando, no ano seguinte, ao Estudo de Salamanca, onde se doutorou, tendo como mestre de Grego, Latim e Retórica, o seu compatriota Aires Barbosa. Entre 1518 e 1526, vai até ao sul da França e demora-se por lá dois anos, repartidos entre Marselha e Aix, tendo recebido nesta última cidade as ordens de diácono. Em 1529 estava em Lovaina, entregue a uma grande atividade literária, que culminaria no Encomium urbis et academiae Lovaniensis e no Erasmi Encomium, vindo à luz em Basileia em 1531.

Provavelmente em 1530, frequenta a Universidade de Paris, onde, segundo o seu próprio testemunho, cursa as aulas de Grego, regidas por Nicolau Clenardo, que tinha conhecido em Lovaina e a quem havia de ir buscar a Salamanca, em Novembro de 1533, por incumbência de D. João III, para preceptor do infante D. Henrique, o futuro cardeal-rei.

Lovaina foi a cidade belga onde tomou contacto com as correntes humanistas, tornando-se amigo de personalidades próximas do grande pensador Erasmo.

Em 1531 passa a residir em casa do embaixador português junto da corte de Carlos V em Bruxelas, D. Pedro Mascarenhas, entrando assim no séquito do diplomata. Mas se já então os novos deveres cortesãos obrigam Resende à memória histórico-patriótica e ao poema de circunstância, como foi o Genethliacom Principis Lusitani, composto para celebrar o nascimento do infante D. Manuel, filho de D. João III e D. Catarina.

O seu itinerário coincide com o do embaixador, que ele acompanha por toda a parte. Em 1533 regressa definitivamente ao Reino, indo acolher-se ao seu convento de Évora e, depois, em casa própria onde regia uma escola pública que voluntariamente encerrou em 1555 quando o ensino foi entregue aos Jesuítas tendo então recolhido novamente ao seu Convento. Começa então o ciclo da sua atividade intelectual em Portugal. É a instâncias suas que Clenardo e Vaseu vêm reger em Portugal: o primeiro em Évora, em 1533, e o segundo no Estudo de Braga, em 1538. Vivamente interessado pela arqueologia romana, foi o primeiro a interessar-se pelos restos e antiqualhas encontradas, mas não o move ainda o espírito científico, não hesitando em falsificar inscrições epigráficas. Em vernáculo legou mais dois opúsculos históricos: A Santa Vida e Religiosa Conversação de Frei Pedro e a Vida do Infante D. Duarte, que ficou inédita até 1789, data em que por imcumbência da Academia das Ciências de Lisboa, a publicou o abade José Correia da Serra.

A sua ossada repousa na Sé de Évora. Morreu a 9 de dezembro de 1573.

Obras em português[editar | editar código-fonte]

  • Vida do Infante D. Duarte, Lisboa, 1789;
  • A Santa vida e religiosa conversão de Fr. Pedro;
  • História da Antiguidade da cidade de Évora;
  • Fala que Mestre André de Resende fez à Princesa D. Joana;
  • Fala que Mestre André de Resende fez a El-Rei D. Sebastião;

Obras em latim[editar | editar código-fonte]

  • Narration rerum gestarum in Índia a Lusitanis, Lovaina, 1530;
  • Encomium Urbis et Academiae Lovaniensis, Antuérpia, 1530.
  • Erasmi Encomium, Basileia, 1531;
  • Epistola de Vita Aulica, Lovaina, 1533;
  • Genethliacon Principis Lusitani ut in Gallia Belgica celebratam est a viro clarissimo D. Petro Mascaregna regia legato, Mense decembri, Bononiae, 1533;
  • Oratio pro Rostris pronuntiata in Olisiponensi Academia, clanedis Octobribus, Lisboa, 1534;
  • De verborum coniugatione commentarius, Lisboa, 1540;
  • Vincentius, Levita et Martyr, Lisboa, 1545;
  • Oratio habita Conimbricae in Gymnasio regio anniversario dedicationis eius die IV calend. Julii, Coimbra, 1551; (Oração de Andre de Resende Pronunciada No Colégio Das Artes em 1551 - http://books.google.pt/books?id=tHgDfhZdrxYC&printsec=frontcover#v=onepage&q&f=false)
  • In obitum D. Joannis III, Lusitanine regis, Conquestio, Lisboa, 1557;
  • Epistolae tres carmine, Lisboa, 1561;
  • Carmen Endecasyllabon ad Sebastianum Regem Serenissimum, Lisboa, 1567;
  • Ad manturandum adversus rebellis Mauros expeditionem cohartiatio, Évora, 1570;
  • Ad epistolam D. Ambrosii Moralis viri doctissimi, Responsio, Évora, 1575;
  • De Antiquitatibus Lusitaniae, Évora, 1593;

Toponímia[editar | editar código-fonte]

Em 1933 a Câmara Municipal de Lisboa homenageou o humanista dando o seu nome a uma rua na Calçada de Carriche.[1]

Atualmente há uma escola com o seu nome, localizada no bairro dos Álamos.

Referências