Andreas Sigismund Marggraf
| Andreas Sigismund Marggraf | |
|---|---|
| Nascimento | 3 de março de 1709 |
| Morte | 3 de agosto de 1782 (73 anos) |
| Nacionalidade | |
| Carreira científica | |
| Campo(s) | Química |
Andreas Sigismund Marggraf (Berlim, 3 de março de 1709 - 7 de agosto de 1782) foi um químico alemão e pioneiro da química analítica em Berlim, que era então a capital de Brandemburgo, um importante principado do Sacro Império Romano-Germânico. Ele isolou o elemento zinco em 1746 por aquecimento de calamina. Embora ele não foi o primeiro a fazê-lo, é creditado a Marggraf a descrição do processo e estabelecimento da teoria básica. Em 1747, Marggraf anunciou a descoberta de açúcar na beterraba e inventou um método usando álcool para extraí-lo.[1]Seu aluno Franz Achard mais tarde desenvolveu um método industrial econômico para extrair o açúcar em sua forma pura.
Vida
[editar | editar código]Andreas Sigismund Marggraf era filho do farmacêutico Henning Christian Marggraf [de] (1680–1754), que possuía uma farmácia em Berlim e lecionava no Collegium Medico-Chirurgicum (escola médico/cirúrgica). Marggraf teve contato cedo com os negócios farmacêutico e médico e começou a estudar na escola de medicina em 1725. Estudou com Caspar Neumann em Berlim, visitou farmácias em outras cidades, incluindo Frankfurt am Main e Estrasburgo, e assistiu a palestras na Universidade de Halle. Ele trabalhou na farmácia do pai e concentrou seu trabalho em química. Na vida posterior, ajudou a reorganizar a Societät der Wissenschaften na Akademie der Wissenschaften (Academia Prussiana de Ciências) e tornou-se diretor da seção de física em 1760.[2] Em 1774, sofreu um derrame e continuou trabalhando nos laboratórios da Akademie até sua aposentadoria em 1781.[3]
Trabalho científico
[editar | editar código]Marggraf introduziu vários métodos novos na química experimental. Ele usou métodos de precipitação para análise, como a reação do azul da Prússia para a detecção de ferro.[4] O principal trabalho de Marggraf em química inorgânica incluiu a produção aprimorada de fósforo a partir da urina[5] e a detecção de metais alcalinos em cinzas de plantas e sua identificação pelo teste de chama.[6] Antes de seu trabalho de 1762, (al)químicos não distinguiam sistematicamente entre sais de potássio e de sódio.[7]
Sua extração de açúcar da beterraba, que até então só estava disponível a partir da cana-de-açúcar, foi o ponto de partida para a indústria açucareira na Europa,[8] e para a indústria açucareira moderna no mundo.[9] Embora Marggraf tenha reconhecido o impacto econômico de sua descoberta, ele não a perseguiu. O aluno de Marggraf, Franz Achard, completou o trabalho e desenvolveu um método econômico de extração de açúcar da beterraba sacarina. Outros alunos de Marggraf incluíram Johann Gottlob Lehmann, Franz Carl Achard e provavelmente Valentin Rose, o Velho e Martin Heinrich Klaproth. Ele foi o primeiro a isolar a glicose de passas em 1747.[10][11]
Isolamento do zinco
[editar | editar código]Marggraf isolou o zinco em 1746 aquecendo uma mistura de calamina e carbono em um recipiente fechado sem cobre. Ele não sabia que o mesmo processo havia sido desenvolvido (e patenteado) por William Champion na Inglaterra por volta de 1738–1740 e por Anton von Swab na Suécia por volta de 1742. No entanto, Marggraf descreveu o processo com muitos detalhes e estabeleceu sua teoria básica, pela qual é frequentemente creditado pelo isolamento do zinco.[12][13][14] Este procedimento tornou-se comercialmente viável em 1752.[15]
Referências
- ↑ Glauber, Thurneisser e outros. Tecnologia química e química fina, conceitos não tão novos assim. Química Nova, v. 23, n.5, p. 709–713, 2000 Artigo em português
- ↑ Chisholm 1911.
- ↑ Engel, Michael, ed. (1990). «Marggraf, Andreas Sigismund». Neue Deutsche Biographie (NDB) (em alemão). 16. 1990. Berlim: Duncker & Humblot. pp. 165–167.
- ↑ Marggraf, Andreas Sigismund (1751). «Examen chymique de l'eau» [Exame químico da água]. Berlim: Haude & Spener. Histoire de l'Académie Royale des Sciences et Belles-Lettres (em francês): 131–157; esp. pp. 152–153
- ↑ Marggraf, Andrea Sigismundus (1743). «Nonnullae novae metodi Phosphorum solidum tam ex urina facilius conficiendi, quam etiam eundem prontissime et purissime ex phlogisto et singolari quodam ex urina separato sale componendi» [Alguns novos métodos para preparar facilmente fósforo sólido a partir da urina, e para fazer o mesmo [isto é, fósforo] tão rápida e puramente quanto possível a partir do flogisto e de um sal particular extraído da urina]. Miscellanea Berolinensia ad incrementum scientiarum, ex scriptis Societati Regiae Scientiarum exhibitis (em latim). 7: 324–344
- Reimpresso (em parte) em alemão como Marggraf, Andreas Sigismund (1785). von Crell, Lorenz Florenz Friedrich, ed. «Verschiedene neue Arten, den Harnphosphorus leichter zu verfertigen, und ihn sehr geschwind aus Phlogiston und einem besondern Harnsalze zusammenzusetzen» [Vários novos métodos para produzir fósforo mais facilmente a partir da urina, e para fazê-lo muito rapidamente a partir do flogisto e de um sal especial da urina]. Neues Chemisches Archiv (em alemão). 3: 300–303O novo método de Marggraf para produzir fósforo era adicionar cloreto de chumbo (Hornbley ou "chumbo córneo", isto é, fosgenita) à urina concentrada. O fosfato de chumbo então precipitava. O precipitado era filtrado e enxaguado, e então misturado com carbono e aquecido em uma retorta. O fósforo então se formava na retorta e sublimava no receptor da retorta.
- ↑ Marggraf, Andreas Sigismund (1762). «XXV. Dissertation: Preuves qui démontrent que la partie alcaline séparée du sel de cuisine, est un sel alcali véritable, & non une terre alcaline» [XXV. Dissertação: Provas que demonstram que a parte alcalina separada do sal de cozinha é um verdadeiro sal alcalino e não uma terra alcalina]. Opuscules Chymiques de M. Margraf (em francês). 2. Paris, França: Philippe Vincent. pp. 375–420; esp. p. 386 Marggraf descreve as características distintivas do nitrato de sódio e do nitrato de potássio, incluindo a cor das chamas quando esses sais queimam:
La flamme du premier est jaune; celle du second, bleuâtre.
A chama do primeiro [nitrato de sódio] é amarela; a do segundo [nitrato de potássio], azulada.
- ↑ Mellor, Joseph William (1922). Supplement to Mellor's Comprehensive Treatise on Inorganic and Theoretical Chemistry: suppl. 3. K, Rb, Cs, Fr (em inglês). [S.l.]: Longmans, Green and Company
- ↑ Larousse Gastronomique. [S.l.]: Éditions Larousse. 13 outubro 2009. 1152 páginas. ISBN 9780600620426
- ↑ «Andreas Sigismund Marggraf | German chemist». Encyclopædia Britannica (em inglês). Consultado em 29 março 2020
- ↑ Friedrich, Christoph. «Begründer der Zuckerindustrie». Pharmazeutische Zeitung (em alemão). Consultado em 12 de janeiro de 2010
- ↑ Wolff, G. (1953). «Franz Karl Achard, 1753–1821; a contribution of the cultural history of sugar». Medizinische Monatsschrift. 7 (4): 253–54. PMID 13086516
- ↑ Gray, Leon (2005). Zinc. [S.l.]: Marshall Cavendish. p. 9. ISBN 0-7614-1922-5
- ↑ Habashi, Fathi. «Discovering the 8th Metal» (PDF). International Zinc Association (IZA). Consultado em 13 de dezembro de 2008. Cópia arquivada (PDF) em 9 dezembro 2008
- ↑ Weeks, Mary Elvira (2003) [facsimile of 1933 ed.]. «III. Some Eighteenth-Century Metals». The Discovery of the Elements. Easton, Pennsylvania: Journal of Chemical Education. p. 21. ISBN 0-7661-3872-0
- ↑ Heiserman, David L. (1992). «Element 30: Zinc». Exploring Chemical Elements and their Compounds. Nova Iorque: TAB Books. p. 122. ISBN 0-8306-3018-X
