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Anemia de Fanconi

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Anemia de Fanconi
É uma doença autossômica recessiva e Crónica
Especialidadehematologia
Classificação e recursos externos
CID-10D61.0
CID-9284.0
OMIM227650
DiseasesDB4745
MedlinePlus000334
eMedicineped/3022
MeSHD005199
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A Anemia de Fanconi (AF) é uma doença genética que afeta crianças e adultos de todos os grupos étnicos. A doença foi nomeada pelo pediatra suíço que originalmente descreveu esta desordem, Guido Fanconi. Não deve ser confundida com a síndrome de Fanconi, uma desordem renal também nomeada por Fanconi.

A AF é caracterizada por estatura baixa, anomalias no esqueleto (rádio e cúbito), incidência aumentada de tumores sólidos e leucemias, insuficiência da medula óssea progressiva (anemia aplástica), alterações renais (rim em ferradura, rim pélvico agenesia de ureter) e susceptibilidade celular para os agentes que afetam as ligações cruzadas do DNA, tal como a mitomicina C.

Pelo menos 19 defeitos que causam AF foram descritos em diferentes genes: FANCA, FANCB, FANCC, FANCD1, FANCD2, FANCE, FANCF, FANCG, FANCI, FANCJ, FANCL, FANCM, FANCN, FANCO, FANCP, FANCQ, FANCR, FANCS, FANCT. FANCB está presente no cromossoma X, sendo portanto a única exceção descrita à doença ser autossómica recessiva.

Definição da doença

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A anemia de Fanconi (FA) é uma doença hereditária da reparação do ADN caracterizada por pancitopenia progressiva com falência da medula óssea, malformações congénitas variáveis e predisposição para tumores hematológicos ou sólidos.

Epidemiologia

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A anemia de Fanconi éa causa mais comum de falência da medula óssea hereditária. Tem frequência estimada de mais de 1/200 e uma prevalência à nascença de pelo menos 1/160,000. Em certas populações, a frequência de portadores é muito superior, devido a mutações fundadoras. Foram descritos mais de 2,000 casos.

Descrição clínica

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Os sinais clínicos mais comuns de anemia de Fanconi são causados pela pancitopénia verificada, incluindo dispneia, dor torácica, tonturas e fadiga. Adicionalmente, pode existir história de epistaxis, petéquias e sangramento excessivo em locais de lesão (causados pela trombocitopenia). O risco de infeções recorrentes aumenta proporcionalmente à gravidade da leucopenia.

Em 2/3 dos doentes, os primeiros sinais são malformações congénitas que envolvem o esqueleto, a pele (manchas café-aux-lait), os sistemas uro-genital, cardio-pulmonar, gastrointestinal e nervoso central. As anomalias dos membros são uni ou bilaterais, sendo no último caso frequentemente assimétricas. Anomalias minor podem estar presentes, como baixa estatura e peso (frequentemente secundária a deficiências hormonais), microcefalia e microftalmia. Anomalias da pigmentação da pele e hipoplasia da eminência tenar são frequentes. Quase 20% dos doentes têm malformações do ouvido com ou sem surdez. As malformações congénitas podem variar dentro de uma família.

Quando essas malformações não são proeminentes, o diagnóstico pode ser adiado até ao início da falência da medula óssea (BMF), que ocorre em média aos 7 anos. As anomalias hematológicas podem ocorrer numa idade mais jovem e, mais raramente, em adultos, com 90% dos doentes desenvolvendo BMF até aos 40 anos.

Os doentes podem desenvolver leucemia mielóide aguda, muitas vezes precedida de síndrome mielodisplásico. Existe predisposição a tumores sólidos da cabeça e pescoço ou regiões ano-genitais.

A fertilidade está quase totalmente comprometida nos homens, e está muito alterada em metade das mulheres. A gravidez é muitas vezes complicada.

Etiologia

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A FA é causada por mutações em genes envolvidos na reparação do ADN e na estabilidade genómica. Foram identificados 15 genes que representam 15 grupos de complementação. A variante mais comum, a anemia de Fanconi tipo A, resulta de uma mutação no FANCA.

Histopatologia

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O exame microscópico de uma biópsia de medula óssea revela hipoplasia e hipocelularidade. A hipocelularidade é frequentemente desproporcional às citopenias. A biópsia de medula óssea na infância pode apresentar celularidade normal.[1]

Métodos de diagnóstico

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Dada a elevada heterogeneidade genética, no fenótipo clínico, e no mecanismo patogénico da FA, o Gold Standard para diagnóstico baseia-se na avaliação de quebras cromossómicas induzidas por diepoxibutano (DEB) ou mitomicina C (MMC). Este teste está indicado em doents com pancitopenia grave, definida por:

  • contagem absoluta de neutrófilos <100/mL;
  • hemoglobina <10 g/dL;
  • reticulócitos <40.000/mL;
  • celularidade da medula óssea <25%;
  • contagem de plaquetas <50.000/mL;

A anemia de Fanconi deve ser investigada em doentes que apresentem sinais e sintomas de pancitopenia, com ou sem malformações características, e em doentes com histórico familiar de falência da medula óssea.[2]

Diagnóstico diferencial

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As manifestações clínicas sobrepõem-se a síndromes malformativos (Dubowitz, Seckel, Holt-Oram, Baller-Gerold, trombocitopenia - ausência de rádio, síndromes de quebras de Nijmegen, associação VACTERL, disqueratose congénita; ver estes termos) e o diagnóstico é frequentemente adiado até que o doente desenvolva BMF ou neoplasias malignas. A FA deve ser considerada no diagnóstico diferencial dos doentes jovens com BMF de etiologia desconhecida. Outras síndromes de predisposição para cancro (Bloom, Rothmund-Thomson ou Werner; ver estes termos) ou síndromes com pancitopenia (anemia de Diamond-Blackfan, pancitopenia imune, síndromes de Pearson ou Shwachman-Diamond; ver estes termos) devem ser consideradas.

Diagnóstico pré-natal

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O diagnóstico pré-natal é viável com a pesquisa de quebras cromossómicas induzidas por DEB ou pelo estudo molecular quando a mutação é conhecida.

Aconselhamento genético

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É geralmente uma doença autossómica recessiva mas pode ocorrer transmissão ligada ao X.

Gestão e tratamento

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O tratamento de suporte inclui transfusões de concentrado de eritrócitos (RBC) ou plaquetas desleucocitadas. O único tratamento curativo para as manifestações hematológicas é o transplante de células hematopoiéticas (TCTH). No entanto, esta abordagem aumenta o risco de tumores sólidos, que devem ser monitorizados. O tratamento sintomático inclui administração oral de androgénios, o que melhora a contagem de células sanguíneas nalguns doentes, em particular de RBC. A administração de fator de crescimento hematopoiético pode ser considerada depois de aspiração da medula óssea e biópsia, que deve ser realizada periodicamente durante o tratamento. Quando se desenvolvem doenças malignas, o tratamento é complicado pela maior sensibilidade à radiação e à quimioterapia.

Prognóstico

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A BMF e as neoplasias levam a um prognóstico mau, com uma esperança de vida reduzida, que foi melhorado pelo tratamento com HSCT e androgénios.


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  1. Bhandari, Jenish; Thada, Pawan K.; Killeen, Robert B.; Puckett, Yana (2026). «Fanconi Anemia». Treasure Island (FL): StatPearls Publishing. PMID 32644559. Cópia arquivada em 18 de novembro de 2025
  2. Auerbach, Arleen D. (31 de julho de 2009). «Fanconi anemia and its diagnosis». Mutation Research. 668 (1-2): 4–10. ISSN 0027-5107. PMC 2742943Acessível livremente. PMID 19622403. doi:10.1016/j.mrfmmm.2009.01.013. Cópia arquivada em 8 de agosto de 2026