Anemia sideroblástica

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Anemia sideroblástica
Sideroblasto anelar tingido com azul da Prússia.
Classificação e recursos externos
CID-10 D64.0-D64.3
CID-9 285.0
OMIM 301310 206000 300751
DiseasesDB 12110
MeSH D000756

Anemia sideroblástica ou anemia refratária com sideroblastos em anel (do grego antigo, sídēros, ferro, e blastós, célula precursora) é uma anemia causada pela ineficiente produção de hemoglobina, apesar de uma dieta com ferro suficiente. Por não ser adequadamente usado para sintetizar hemoglobina, o ferro se acumula nas mitocôndrias ao redor do núcleo das células precursoras dos glóbulos vermelhos (eritroblastos) formando sideroblastos em anel. Pode ser genética ou parte de uma síndrome mielodisplástica. [1]

Causas[editar | editar código-fonte]

Hereditárias[editar | editar código-fonte]

Os tipos de anemia sideroblástica congênitas são:

  • Anemia sideroblástica ligada ao cromossomo X (ASLX): causada por mutações do gene do ácido delta-aminolevulínico sintetase 2 (ALAS2) específico para o eritróide. É a causa hereditária mais comum.[2]
  • Anemia sideroblástica autossômica recessiva: causada por mutações no gene SLC25A38, responsável pela produção de uma proteína de transporte mitocondrial de glicina, necessária para a síntese de heme. É a segunda anemia sideroblástica hereditária mais comum e produz uma anemia severa.[3]
  • Associada a Síndrome de Wolfram: A síndrome de Wolfram 1 é caracterizada por Diabetes Mellitus, atrofia óptica e surdez, que pode também ter diabetes insípida(tipo 1) ou não (tipo 2).

Adquiridas[editar | editar código-fonte]

Existem muitas possíveis causas adquiridas[4]:

Doenças da medula óssea

A anemia sideroblástica também pode ocorrer secundária a outras doenças da medula óssea, incluindo:

Fisiopatologia[editar | editar código-fonte]

Trata-se de uma anemia refratária com glóbulos vermelhos hipocrômicos (descolorados) no sangue periférico e aumento do ferro na medula óssea. Caracteriza-se pela presença de muitos sideroblastos em anel, na medula óssea. Esses eritroblastos anormais contêm numerosos grânulos de ferro arranjados ao redor do núcleo. Em eritroblastos normais existem poucos grânulos de ferro estão distribuídos aleatoriamente e mais ferro nas hemoglobinas. Por um consenso internacional, a anemia sideroblástica só pode ser diagnosticada apenas quando há 5 ou mais grânulos de ferro em anel.[6]

O processo de síntese do ferro é realizado dentro das mitocôndrias, assim qualquer defeito mitocondrial pode interferir no processo, levando a um déficit na sínteses de hemoglobina e um acúmulo do ferro na mitocôndria. O heme inibe a captação de ferro, mas como não se está produzindo muito heme, a célula continua a absorver mais e mais ferro sem ser inibida.

A anemia sideroblástica é classificada em diferentes tipos e o elo comum consiste em um defeito na síntese do heme. Nas formas hereditárias é caracterizada por marcante hipocromia e quadro hematológico micrótico. As mutações mais comuns ocorrem no gene da sintetase do ácido δ-aminolevulínico (ALA-S) que se situa no cromossomo X. O piridoxal-6-fosfato é uma coenzima da ALA-S. Outros tipos raros incluem defeitos mitocondriais tiamina-resposivas e outros defeitos autossômicos. A forma primária adquirida mais comum é um subtipo de mielodisplasia. Também é chamada de "anemia refratária com sideroblastos em anel".[7]

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Similar a outras anemias os sintomas comuns são[8]:

Se não tratada o acúmulo de ferro causa danos cardíacos, hepáticos e insuficiência renal.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Aspirado de medula óssea de uma anemia sideroblástica.

Deve-se suspeitar de anemia sideroblástica em pacientes com:

  • Sintomas de anemia moderada ou severa,
  • Níveis de saturação sérica de ferro elevados,
  • Nível de transferrina aumentada,
  • Hematócrito entre 20 e 30%,
  • Fatores de risco: síndromes malabsortivas, alcoolismo, histórico familiar de anemias, doenças da medula óssea, inflamações crônicas, exposição ocupacional a chumbo ou zinco, ...

Visualizar sideroblastos em anel em um aspirado de medula óssea tingido com azul da prússia define o diagnóstico dessa doença. O volume corpuscular médio (MCV) é dimórfico, geralmente com células normais e diminuídas quando a causa é congênita e normal e aumentado quando a causa é adquirida. A cor dos glóbulos vermelhos é normal ou hipocrômica.[9]

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

As formas hereditárias geralmente são diagnosticáveis antes dos 30 anos e mais comuns em homens. Já as adquiridas são mais comuns em idosos e afetam ambos sexos com a mesma frequência.[10]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Em alguns pacientes, particularmente com o tipo hereditário, há resposta ao tratamento com piridoxina(vitamina B6). É possível ocorrer deficiências de folato, podendo ser tentado o tratamento com ácido fólico. Em muitos casos graves, no entanto, as transfusões repetidas de sangue são o único meio para manter uma concentração satisfatórias de hemoglobina, e a sobrecarga transfusional de ferro torna-se um problema importante, exigindo quelação a cada 20-25 bolsas de sangue transfusionadas. O transplante de medula óssea pode ser considerado em casos graves.[11]

A eritropoietina recombinante (EPO-R) e factor estimulante das colônias de granulócitos (GCSF) reduz os sintomas e pode aumentar a sobrevivência. eritropoetina, podem ser tentados na forma adquirida primária.[12]

O uso de ciclosporina teve boa resposta terapêutica em 62% dos pacientes com síndrome mielodisplásica.[13]

Referências

  1. Sideroblastic Anemias: Anemias Caused by Deficient Erythropoiesis at Merck Manual of Diagnosis and Therapy Professional Edition
  2. Aivado M, Gattermann N, Rong A, et al. (2006). "X-linked sideroblastic anemia associated with a novel ALAS2 mutation and unfortunate skewed X-chromosome inactivation patterns". Blood Cells Mol. Dis. 37 (1): 40–5. doi:10.1016/j.bcmd.2006.04.003. PMID 16735131.
  3. Camaschella C (September 2008). "Recent advances in the understanding of inherited sideroblastic anaemia". Br. J. Haematol. 143 (1): 27–38. doi:10.1111/j.1365-2141.2008.07290.x. PMID 18637800
  4. Mir MA et al; Sideroblastic Anemias, Medscape, Nov 2015
  5. Forman, W.B. (1990). "Zinc abuse: an unsuspected cause of sideroblastic anemia". West J Med. 152: 190–2. PMC 1002314Freely accessible. PMID 2400417.
  6. Mufti, GJ; Bennett, JM; Goasguen, J; Bain, BJ; Baumann, I; Brunning, R; Cazzola, M; Fenaux, P; Germing, U; Hellström-Lindberg, E; Jinnai, I; Manabe, A; Matsuda, A; Niemeyer, CM; Sanz, G; Tomonaga, M; Vallespi, T; Yoshimi, A; International Working Group on Morphology of Myelodysplastic, Syndrome (Nov 2008). "Diagnosis and classification of myelodysplastic syndrome: International Working Group on Morphology of myelodysplastic syndrome (IWGM-MDS) consensus proposals for the definition and enumeration of myeloblasts and ring sideroblasts.". Haematologica. 93 (11): 1712–7. doi:10.3324/haematol.13405. PMID 18838480.
  7. Fundamentos em Hematologia; A V. Hoffbrand, J. E. Pettit, P. A. H. Moss; Artmed; 4º edição 2004.
  8. https://rarediseases.org/rare-diseases/anemias-sideroblastic/
  9. Cazzola M, Invernizzi R; Ring sideroblasts and sideroblastic anemias. Haematologica. 2011 Jun;96(6):789-92.
  10. https://rarediseases.org/rare-diseases/anemias-sideroblastic/
  11. Dr Huw Thomas, Dr Laurence Knox e Dr John Cox. (2016) Sideroblastic Anaemia. http://patient.info/doctor/sideroblastic-anaemia#ref-12
  12. Newman K, Maness-Harris L, El-Hemaidi I, et al; Revisiting use of growth factors in myelodysplastic syndromes. Asian Pac J Cancer Prev. 2012;13(4):1081-91.
  13. Chen S, Jiang B, Da W, et al; Treatment of myelodysplastic syndrome with cyclosporin A. Int J Hematol. 2007 Jan;85(1):11-7.