História do Clube Atlético Mineiro

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História[editar | editar código-fonte]

Rei de Minas Gerais[editar | editar código-fonte]

Time campeão estadual de 1915.

O Clube Atlético Mineiro foi fundado em 25 de março de 1908 por um grupo de estudantes de classe média em Belo Horizonte.[1] Quase um ano após seu surgimento o Atlético disputou sua primeira partida oficial: em 21 de março de 1909 venceu o Sport Club Foot-Ball por 3x0. O autor do primeiro gol foi Aníbal Machado, que anos mais tarde se transformaria em um dos grandes escritores da Literatura Brasileira por meio de sua obra principal: Viagem aos Seios de Duília.[2] Alguns anos se passaram até que em 1914 a Liga Mineira de Esportes realizou a primeira competição oficial em Minas Gerais: a Taça Bueno Brandão.[3] O torneio foi patrocinado pelo governador Júlio Bueno Brandão, o Atlético foi o campeão.[4][5] No ano seguinte, foi realizado o primeiro Campeonato Mineiro da história, também vencido pelo Atlético.[6] As duas grandes conquistas não significaram o prenúncio de uma hegemonia, pois foi o América Futebol Clube o dominador do futebol local por aqueles anos conquistando dez campeonatos estaduais consecutivos (1916 a 1925). Também Foi por essa época que Atlético e América passaram a protagonizar o Clássico das Multidões.

Para voltar a ser o protagonista do futebol mineiro, o Atlético reuniu uma grande equipe dirigida por Chico Neto, e posteriormente por Eugênio Medgyessy, e que contou com jogadores renomados como Carlos Brant,[7] Nariz,[8] Mário de Castro, Jairo e Said; sendo que os três últimos formaram uma das mais famosas linhas de ataque do período amador do futebol brasileiro: o Trio Maldito.[9][10] Foi com esse time que o Atlético conquistou os títulos do Campeonato Mineiro de 1926, 1927, 1931 e 1932. O clube passou a experimentar um crescimento dentro e fora de campo: em 30 de maio de 1929 o Atlético inaugurou o Estádio Antônio Carlos,[11] o primeiro estádio de Minas Gerais a possuir iluminação para jogos noturnos.[11] A iluminação foi inaugurada em 9 de agosto de 1930 e contou com a presença do presidente da FIFA, Jules Rimet.[11] Em 1 de setembro de 1930 o Atlético disputou a primeira partida internacional realizada em Minas Gerais.[12] O time mineiro derrotou por 3 a 1 o Vitória de Portugal, campeão do Campeonato de Setúbal nas temporadas de 1927/1928 e 1928/1929, e do Campeonato de Lisboa nas temporadas de 1923/1924 e 1926/1927.

No final da década de 1930 o Atlético —que tinha Kafunga,[13] Zezé Procópio[14] e Guará[15]— conquistou os títulos do Campeonato Mineiro de 1936, 1938 e 1939; os primeiros na fase profissional do futebol brasileiro.[16] Por esse tempo a rivalidade entre Atlético e Cruzeiro transformou-se no Clássico Mineiro. As décadas de 1940 e 1950 foram ainda mais gloriosas para o clube: em 20 anos o time conquistou 12 campeonatos —incluindo um pentacampeonato (1952 a 1956)— graças a craques como Murilo Silva,[17] Bigode,[18] Mexicano,[19] Barbatana,[20] Zé do Monte,[21] Alvinho,[22] Nívio Gabrich,[23] Vaguinho,[24] Carlyle,[25] Orlando,[26] Ubaldo Miranda, Paulo Valentim e Lucas Miranda,[27] entre muitos. As duas décadas seguintes não foram tão prósperas: de 1960 a 1978 o Atlético conquistou apenas os títulos do Campeonato Mineiro de 1962, 1963, 1970 e 1976; no time estiveram nomes como Veludo,[28] Mussula,[29] Marcial de Mello,[30] Djalma Dias,[31] Procópio Cardoso, Grapete, Vanderlei Paiva, Ronaldo, Buglê,[32] Buião,[33] Lola, Dadá Maravilha e Tião,[34] além de técnicos como Fleitas Solich.

No entanto, de 1978 a 1989 o Atlético conquistou nada menos que 11 campeonatos em 14 anos —incluindo um hexacampeonato (1978 a 1983)— sendo comandado magnificamente por estrelas como João Leite, Vantuir, Luisinho, Nelinho, Toninho Cerezo, Elzo, Palhinha, Zenon, Renato Morungaba, Ângelo, Marcelo Oliveira, Paulo Isidoro, Ziza,[35] Éder Aleixo, Éverton Nogueira, Sérgio Araújo e Reinaldo.[36] Nas décadas de 1990 e 2000 o clube viveu momentos variados e conquistou apenas os títulos de 1991, 1995, 1999, 2000 e 2007; os destaques do período foram Carlos, Taffarel, Velloso, Cléber, Caçapa, Galván, Mancini, Paulo Roberto, Doriva, Gallo, Gilberto Silva, Robert, Belletti, Lincoln, Gérson, Euller, Renaldo, Marques e Guilherme; além de Diego Alves, Danilinho e Éder Luís, responsáveis pelo título de 2007.[37] Na presente década, o Atlético conquistou os títulos do Campeonato Mineiro de 2010, 2012, 2013 e 2015; tendo em seu time grandes estrelas como Victor, Bernard, , Diego Tardelli e Ronaldinho; além de técnicos de fama internacional como Vanderlei Luxemburgo.

De Minas Gerais para o Brasil[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Copa dos Campeões de 1937 (FBF)
Time campeão do Brasil em 1937.

Em 1937 a FBF reuniu os campeões estaduais de 1936 para uma competição de carácter oficial.[38] Ao todo foram seis equipes de cinco estados e duas regiões do Brasil: Distrito Federal, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, estados da Região Oriental;[39] e São Paulo, estado da Região Meridional.[39] Os participantes foram: Fluminense, campeão carioca de 1936; a Portuguesa, campeã paulista de 1936; o Atlético, campeão mineiro de 1936; o Rio Branco, campeão capixaba de 1936; o Aliança, campeão campista de 1936; e a Liga Sportiva da Marinha, equipe dirigida pelo famoso técnico Nicolas Ladanyi.

O Fluminense foi apontado pela mídia esportiva da época como o candidato absoluto ao título.[40] O Tricolor Carioca possuía um time extraordinário, formado por jogadores de muita categoria como Batatais, Carlos Brant, Preguinho, Russo, Romeu Pellicciari e Hércules, entre outras estrelas. Para muitos, esse foi o melhor time da história do Fluminense:[41] foi com esse esquadrão que o clube conquistou o Torneio Aberto de 1935 e o Campeonato Carioca de 1936, derrotando na final o Flamengo de Leônidas da Silva e Domingos da Guia. A imprensa também ressaltava que o principal rival do time carioca na briga pelo título seria o Atlético,[40] que também contava com jogadores de renome nacional como Kafunga,[42] Zezé Procópio,[43] Luiz Bazzoni[44] e Guará.[45]

Como era esperado por todos, Atlético e Fluminense protagonizaram a grande rivalidade do torneio. Na primeira rodada, os cariocas derrotaram os mineiros por 6x0 no Estádio das Laranjeiras; no returno, em partida realizada no Estádio de Lourdes, o Atlético vencia por 4x1 quando o Fluminense abandonou o jogo aos 18 minutos do segundo tempo.[46] Após seis rodadas o time mineiro conseguiu quatro vitórias, um empate e sofreu apenas uma derrota, sagrando-se campeão do torneio.[46] O título teve grande repercussão nacional,[40] e vários anos depois continuou sendo bastante valorizado. Um claro exemplo foi em 1971, quando o Atlético conquistou o título do Campeonato Brasileiro e diversos meios de comunicação ressaltaram que se tratava do segundo título nacional do clube.[47] Em 2010 — quando a CBF unificou os títulos da Taça Brasil, Robertão e Brasileirão — cogitou-se a inclusão do título de 1937.[48] No entanto, o próprio Atlético rejeitou a possibilidade.

Do Brasil para o Mundo[editar | editar código-fonte]

Bilheteria do Grünwalder Stadion em Munique (Alemanha): aqui começou a saga atleticana nos gramados europeus no inverno de 1950.

Em 1950 uma comissão formada sob a chancela da Federação Alemã (DFB) viajou ao Brasil para escolher um clube de futebol para realizar uma série de amistosos na Alemanha contra algumas das principais esquipes daquele país. O trauma do Maracanazo e a proximidade com a Segunda Guerra Mundial (em que Brasil e Alemanha estiveram em lados opostos) pode ter feito com que os clubes do Rio de Janeiro e de São Paulo —historicamente os centros futebolísticos do país— recusassem a participação nessa turnê abrindo espaço para um convite oficial ao Atlético, que por aquele tempo possuía um grande plantel dirigido pelo técnico Ricardo Díez e que contava com craques de renome como Kafunga,[49] Barbatana,[50] Zé do Monte,[51] Nívio Gabrich,[52] Alvinho,[53] Vaguinho[54] e Lucas Miranda.[55]

A delegação atleticana chegou em Frankfurt em 27 de outubro onde foi recebida pela mídia esportiva alemã com entusiasmo, uma vez que o time mineiro era o primeiro clube brasileiro a jogar naquele país.[56] O Atlético seguiu para Munique onde realizou sua primeira partida em solo europeu: o time brasileiro enfrentou o TSV 1860 München da Oberliga Süd, e venceu pelo placar de 4x3 diante de 35.000 espectadores no Grünwalder Stadion.[56] Hamburgo foi a segunda parada, onde jogou contra o Hamburger SV da Oberliga Nord, que tinha em seu time nomes como Fritz Laband e Josef Posipal: o jogo terminou 4x0 para o Atlético diante de 20.000 pessoas no Rothenbaum, foi a primeira vez que o time alemão perdeu em casa para uma equipe estrangeira.[56]

Apenas 24 horas depois do jogo em Hamburgo e o time viajou para Bremen para jogar no mesmo dia contra o Werder Bremen, e com a presença de 26.000 pessoas no Weserstadion o Atlético foi derrotado por 3x1.[56] Após uma semana de repouso, a equipe viajou para Gelsenkirchen para enfrentar o FC Schalke 04 de Bernhard Klodt, Hermann Eppenhoff e Paul Matzkowski, entre outros grandes jogadores. O jogo também marcou a despedida de Ernst Kuzorra e Fritz Szepan. Aos vinte minutos do primeiro tempo a partida foi paralisada para que essas duas lendas do futebol alemão fossem homenageadas pelos mais de 30.000 torcedores presentes no Glückauf-Kampfbahn.[57] Reiniciada a partida o Atlético venceu por 3x1.[56] O time partiu para Viena e enfrentou o Rapid Viena diante de 60.000 pessoas no Pfarrwiese, a partida terminou 3x0 a favor dos austríacos.[58] Cabe ressaltar que o clube vienense possuía a base da Seleção Austríaca, em outras palavras, um grande time com nomes como Walter Zeman, Gerhard Hanappi, Alfred Körner, Robert Körner, Robert Dienst, Erich Probst e Ernst Happel.

O Atlético ainda foi até o Protectorado de Sarre jogar contra o 1.FC Saarbrücken, base da Seleção do Sarre que jogou as Eliminatórias da Copa de 1954: a partida terminou 2x0 para o Atlético com uma grande atuação do goleiro rival, o lendário Erwin Strempel. O Atlético seguiu para Bruxelas onde encarou no Constant Vanden Stock Stadium o RSC Anderlecht do famoso goleador Joseph Mermans: vitória por 2x1. O clube retornou à Alemanha para enfrentar o Eintracht Braunschweig da Gauliga Süd no Eintracht-Stadion, a partida terminou empatada em 3x3.[56] Nesta etapa da excursão, os jogadores alvinegros já demonstravam sinais de desgaste físico devido as rigorosas condições climáticas. O próximo destino foi o Grão-Ducado de Luxemburgo, onde time mineiro jogou com o Union Luxemburgo, novo empate em 3x3. A turnê terminou em Paris com uma partida contra o Stade Français no Parc des Princes: vitória brasileira por 2x1.[59] Outros dois jogos que já estavam agendados foram desmarcados devido ao estado de saúde dos atletas: contra o Arsenal FC em Londres, e contra o Lille em Paris.[60]

De 1950 até o presente momento, o Atlético já realizou 26 excursões pelas Américas, Europa, África e Ásia.

Um clube, duas seleções[editar | editar código-fonte]

No final da década de 1960 o Atlético protagonizou duas grandes façanhas. Em 18 de dezembro de 1968 o time mineiro representou a Seleção Brasileira em um amistoso contra a Seleção Iugoslava.[61] Os Azuis viviam uma década dourada, e naquele mesmo ano haviam alcançado o vice-campeonato da Eurocopa. O técnico Rajko Mitić escalou para o jogo um grande time: Ivan Ćurković, Andjelko Tesan, Miroslav (Rudolf Belin), Rajko Aleksiv e Dujković; Blagoje Paunović, Nenad Bjeković (Dragan Holcer), Spasovski e Vahidin Musemić (Ilija Katić); Jovan Aćimović (Fikret Mujkić) e Josip Bukal. O Atlético saiu perdendo por 2x0, com gols de Bukal (5') e Bjeković (8'); mas empurrado pelos quase 40 mil torcedores presentes no Mineirão o time buscou o empate e a virada com gols de Vaguinho (32'), Amaury Horta (45') e Ronaldo (53').

No ano seguinte o Atlético representou a Seleção Mineira contra ninguém menos que a Seleção Brasileira. A partida ocorreu no dia 03 de setembro de 1969. O técnico João Saldanha escalou para o jogo: Félix, Carlos Alberto, Djalma Dias, Joel e Rildo (Everaldo); Wilson Piazza, Gérson (Rivelino), Pelé e Jairzinho; Tostão (Zé Maria) e Edu (Paulo Cézar Caju), time considerado o melhor da história pela World Soccer.[62] A Seleção vinha de finalizar com brilhantismo sua campanha nas Eliminatórias da Copa de 1970, quando ganhou todos os jogos que disputou. No entanto, diante de mais de 70 mil atleticanos no Mineirão foi derrotada pelo Atlético com gols de Amaury Horta (42') e Dadá Maravilha (65'), Pelé impedido fez o gol da Canarinha (50'). Um ano depois, a mesma Seleção se consagraria tricampeã mundial no México.[63]

Um clube de Série A[editar | editar código-fonte]

Dadá Maravilha: herói do título de 1971.

Em dezembro de 2010 a CBF anunciou a unificação dos títulos nacionais: a Taça Brasil, o Robertão e o Brasileirão passaram a ter o status de Série A.[64] O Atlético foi o primeiro clube mineiro a disputar a Série A, e desde então transformou-se em um dos clubes mais importantes na história da competição:[65] é um dos recordistas de participações (53 presenças),[65] partidas disputadas (1.306 jogos),[65] vitórias (552 triunfos)[65] e gols marcados (1.888 tentos).[65] O clube esteve presente nas edições da Taça Brasil de 1959, 1963, 1964 e 1967 quando conquistou os títulos simbólicos da Taça Brasil Sudeste Central em 1959, 1963, 1964 e 1967 e a Taça Brasil Zona Sul em 1964. Também jogou todas as edições do Torneio Roberto Gomes Pedrosa/Taça de Prata: 1967, 1968, 1969 e 1970; nesta última edição chegou às semifinais. A partir de 1971, passou a jogar o Campeonato Brasileiro tal como se conhece hoje: foi o campeão da primeira edição em 1971; vice em 1977, 1980, 1999, 2012 e 2015; sendo que em 17 ocasiões finalizou entre os quatro melhores colocados.[65]

Para ser o campeão brasileiro de 1971 o Atlético teve que desbancar o favoritismo de times como o Santos de Pelé, o Corinthians de Rivelino, o Botafogo de Jairzinho e o São Paulo de Gérson; onde os dois últimos foram derrotados pelo time no triangular final da competição. O plantel campeão tinha nomes como Renato, Humberto Monteiro, Grapete, Vantuir, Oldair, Humberto Ramos, Vanderlei, Ronaldo, Lola, Dadá Maravilha (artilheiro da competição com 15 gols), Tião, Careca, Romeu Cambalhota e Ângelo, além do técnico Telê Santana. No entanto, anos mais tarde o Atlético reuniria um time ainda mais brilhante que o de 1971: nomes como João Leite, Luisinho, Toninho Cerezo, Palhinha, Ângelo, Marcelo Oliveira, Paulo Isidoro, Ziza,[66] Éder Aleixo e Reinaldo —considerado por muitos como o melhor jogador da história do Atlético[67]— foram os responsáveis por levar o time às finais do Brasileirão de 1977 e 1980. Infelizmente, essa geração de grandes craques foi derrotada pelo São Paulo FC e pelo CR Flamengo em finais bastante polêmicas.[68] A final de 1980 é considerada até hoje a Final de Todos os Tempos,[69] onde se gerou uma grande rivalidade entre Atlético e Flamengo.[70][71][72][73]

Depois de muitos anos, o Atlético —liderado por Cláudio Caçapa, Mancini, Alexandre Gallo, Belletti, Marques e Guilherme (artilheiro com 28 gols) —chegou à final do Brasileirão de 1999 sendo derrotado pelo SC Corinthians em jogos marcados pelo equilíbrio entre as duas equipes. A partir de 2003, a Série A passou a ser disputada no sistema de pontos corridos. Desde então, o Atlético alcançou o segundo lugar, e consequentemente o vice-campeonato, em duas ocasiões: em 2012 —com um time recheado de estrelas como Victor, Bernard, e Ronaldinho— e em 2015 —com nomes como Jemerson, Rafael Carioca, Jesús Dátolo e Lucas Pratto, entre outros.

Sucessos pelo continente[editar | editar código-fonte]

As primeiras participações do Atlético em competições internacionais oficiais ocorreram nas edições da Copa Libertadores da América de 1972 —quando o time, liderado por Ladislao Mazurkiewicz, foi eliminado ainda na primeira fase— e de 1978 —quando chegou até a fase semifinal e foi eliminado em um grupo que tinha a CA River Plate e CA Boca Juniors. Em 1981 foi eliminado em uma partida extra contra o CR Flamengo que ficou marcada pela polêmica arbitragem de José Roberto Wright.[74][75]

Foi tão somente nos anos 1990 que o Atlético conquistaria seus primeiros títulos internacionais oficiais. Em 1992 o time conquistou a primeira edição da Copa Conmebol (uma das precursoras da atual Copa Sul-Americana),[76][77][78][79][80] que foi uma competição criada pela CONMEBOL para ser o equivalente regional da Copa da UEFA. O time campeão era composto por jogadores como João Leite, Paulo Roberto Prestes, Sérgio Araújo e Aílton Delfino, entre outros; e teve que superar equipes como Fluminense FC, Júnior da Colômbia, El Nacional do Equador e na final o Club Olimpia do Paraguai. Sete anos depois, o Atlético —dirigido pelo técnico Emerson Leão e com Cláudio Taffarel, Dedê, Lincoln, Marques e Valdir Bigode como principais estrelas— conquistou seu segundo título da Copa Conmebol derrotando a times como Portuguesa de Desportos, América da Colômbia, Universitario do Perú e o CA Lanús da Argentina. Com o título de 1997 o Atlético tornou-se recordista da competição.[81]

Neste período, o Atlético foi também vice-campeão da Copa Ouro de 1993, da Copa Conmebol de 1995 e da Copa Master da Conmebol de 1996.

Crise, rebaixamento e ressurgimento[editar | editar código-fonte]

Diego Alves: destaque do time em 2006.

Depois de disputar a Copa Libertadores e a Copa Mercosul, ambos no ano de 2000, com relativo destaque[82][83] o Atlético desempenhou um ótimo papel no Brasileirão de 2001 —quando Velloso, Cicinho, Gilberto Silva, Valdo, Marques e Guilherme levaram o time até a semifinal. Porém, a partir daí o Atlético passou a conviver com altos e baixos. Depois de fazer campeonatos regulares nos anos de 2002 e 2003 o time fez péssimas apresentações nos anos 2004 e 2005, sendo que nesta última edição foi rebaixado por primeira e única vez em sua historia. A recuperação foi rápida e o time voltou à Série A na primeira tentativa, conquistando o título de campeão da Série B no ano seguinte, graças a nomes como Diego Alves, Éder Luís e Danilinho.

De 2008 a 2010, na obsessão de conquistar um título de grande expressão, a direção atleticana investiu exageradamente em contrações de peso. Foram contratados neste período goleiros como Aranha, Fábio Costa e Fabián Carini; defensores como Jayro Campos, Cáceres, Pedro Benítez, Réver, César Prates e Júnior; meio-campistas como Corrêa, Ricardinho, Petković, Daniel Carvalho, Diego Souza e Édison Méndez; e atacantes como Alfredo Castillo, Diego Tardelli e Wason Rentería; e ainda técnicos badalados como Vanderlei Luxemburgo. Em 26 de março de 2008 o Atlético celebrou o seu centenário. Dentro de campo, o time teve um péssimo desempenho.

Mesmo com tantos reforços e contratações caras o Atlético foi muito mal nas principais competições que disputou entre 2010 e 2011 como o Brasileirão, Copa do Brasil e Copa Sul-Americana; talvez o único consolo foi que o time pela primeira vez chegou à instância internacional da Sul-Americana na edição de 2010, sendo eliminado nas quartas-de-finais. Ironicamente, a virada na historia recente do clube ocorreria depois de um fato trágico. A equipe alvinegra foi humilhada por seu rival na última rodada do Brasileirão de 2011, quando saiu de campo derrotado por 6x1 na Arena do Jacaré.[84]

Veio o ano de 2012 e a diretoria do clube passou a conviver com muita pressão dos torcedores. Foi dentro desse contexto que o clube começou a reunir um time que todo torcedor brasileiro passaria a saber de cor: Victor; Marcos Rocha, Réver, Leonardo Silva e Júnior César; Pierre e Ronaldinho Gaúcho; Danilinho, e Bernard; técnico Cuca. Com esse grande time, o Atlético se tornou um favorito natural ao título de campeão brasileiro. Infelizmente, mesmo depois de liderar várias rodadas e conquistar grandes vitórias, o time ficou com o vice-campeonato. Por ter perdido o título o clube passou a conviver com o estigma de Cavalo Paraguaio.[85]

Classificado para a Copa Libertadores de 2013 a diretoria manteve a mesma base do ano anterior e contratou alguns jogadores experientes como Gilberto Silva, além de promover a volta do grande ídolo Diego Tardelli.[86] O time teve um excelente desempenho em campo terminando a primeira fase como o melhor time do torneio.[86] Nas quartas-de-finais o Atlético eliminou o São Paulo FC com um placar agregado de 6x2.[86] Depois do grande duelo contra os paulistas o time mineiro eliminou o Club Tijuana[86] e o Newell's[86] com bastante sofrimento. Na finalíssima contra o Club Olimpia do Paraguai o Atlético conseguiu o título ao vencer os rivais nos pênaltis.[87] A alegria só não foi maior porque a equipe não teve a mesma atuação na Copa do Mundo da FIFA no Marrocos no fim daquele ano quando teve que se conformar apenas com o 3º lugar.

Veio 2014 e o Atlético ratificou sua posição de campeão sul-americano, conquistando a Recopa contra o CA Lanús, campeão no ano anterior. Ainda em 2014, o clube finalmente pagaria uma “dívida” com sua historia na Copa do Brasil. Disputada desde 1989, o Atlético é o recordista de participações, com 23 presenças;[88] é o quarto time com mais partidas disputadas, 140;[88] é o quinto com maior número de vitórias, 72;[88] é o terceiro time que mais marcou gols, 290;[88] além de manter a maior goleada da competição, 11x0 contra o Caiçara na edição de 91. Mesmo com tantas estatísticas favoráveis, o clube jamais havia conquistado o título de campeão. Porém, a historia mudou na competição de 2014; numa campanha emocionante o time eliminou Palmeiras,[89] Corinthians[90] e Flamengo,[91] e na grande final venceu seu clássico rival para ficar com a taça.[92]

Referências

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