Animais impuros

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Animais impuros, segundo a definição dada pela Bíblia e segundo o Alcorão, são animais dos quais não se pode comer de sua carne nem tocar em seu cadáver, de forma que se alguém o fizer, se tornará impuro.

Animais considerados puros e impuros[editar | editar código-fonte]

A Bíblia cita todos os animais impuros no livro de Levítico (chamado por judeus de Vayikrá ou Vaicrá), no capítulo 11,1-46, em uma passagem bíblica onde Deus fala a Moisés e Aarão.[1]

Terrestres quadrúpedes[editar | editar código-fonte]

O porco é considerado um animal impuro no judaísmo, no islamismo e no cristianismo (Adventistas) por não ruminar

Entre os animais terrestres, são considerados puros todos aqueles que tem a unha fendida, casco dividido em dois e que ruminam.

Terrestres rastejantes[editar | editar código-fonte]

Entre os animais rastejantes, são considerados impuros a toupeira, o rato e as diferentes espécies de lagarto, a lagartixa, o crocodilo da terra e o camaleão.

Insetos[editar | editar código-fonte]

Entre os insetos, todos os que são alados e andam sobre quatro pés, são considerados impuros. No entanto, todos os insetos alados e com quatro pés, que possuem pernas sobre seus pés, para saltar sobre a terra, podem ser comidos (como os gafanhotos, por exemplo).

Aquáticos[editar | editar código-fonte]

Entre os animais aquaticos, são considerados puros todos que possuem barbatanas e escamas e vivem nos mares ou rios. Sendo todos os demais classificados como animais imundos e impuros.

O Conceito no Islamismo e no Judaísmo[editar | editar código-fonte]

Portal A Wikipédia possui o:
Portal do Islão

Em algumas religiões não cristãs, como o judaísmo e o islamismo, o conceito ainda existe e os seguidores destas religiões evitam se alimentar da carne de alguns animais, por os considerar impuros.[2]

Como referência para este conceito o Alcorão cita na 5ª Surata, versículo 3 o seguinte texto:

Cquote1.svg Estão-vos vedados: a carniça, o sangue, a carne de suíno e tudo o que tenha sido sacrificado com a invocação de outro nome que não seja o de Deus; os animais estrangulados, os vitimados a golpes, os mortos por causa de uma queda, ou chifrados, os abatidos por feras, salvo se conseguirdes sacrificá-los ritualmente; o (animal) que tenha sido sacrificado nos altares. Também vos está vedado fazer adivinhações com setas, porque isso é uma profanação. Hoje, os incrédulos desesperam por fazer-vos renunciar à vossa religião. Não os temais, pois, e temei a Mim! Hoje, completei a religião para vós; tenho-vos agraciado generosamente sem intenção de pecar, se vir compelido a (alimentar-se do vedado), saiba que Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo.[3] Cquote2.svg

O Conceito no Cristianismo[editar | editar código-fonte]

Portal A Wikipédia possui o
Portal do Cristianismo

Na maioria das religiões cristãs o conceito de animais impuros foi abolido. Uma das referências para este fato está no Novo Testamento da Bíblia, no Evangelho de Marcos, capítulo 7,1-8.[4]

Nesta passagem, os fariseus e alguns doutores da Lei se reúnem ao redor de Jesus e notam que os discípulos comem o pão com mãos impuras (por não ter as lavado antes). Por este motivo, os fariseus e os doutores da Lei questionam a Jesus o fato de seus discípulos não seguirem a tradição antiga. Jesus então os responde:

Cquote1.svg Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: 'Este povo honra-me com os lábios, mas o coração deles está longe de mim. Não adianta me prestarem culto, porque ensinam preceitos humanos'. Vós deixais o mandamento de Deus, e vos apegais à tradição dos homens. Cquote2.svg

Posteriormente a esta passagem, no Evangelho de Marcos, capítulo 7,14-23,[4] Jesus reúne a multidão e diz:

Cquote1.svg Ouvi-me vós todos e entendei: o que vem de fora e entra numa pessoa, não a torna impura; as coisas que saem de dentro da pessoa é que a tornam impura. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Cquote2.svg

Após este fato, Jesus entrou em casa e os discípulos perguntaram a Ele sobre esta parábola. Jesus então lhes disse:

Cquote1.svg Será que nem vocês entendem? Vocês não compreendem que nada do que vem de fora e entre numa pessoa pode torná-la impura, porque não entra em seu coração, mas em seu estômago, e vai para a privada? Cquote2.svg

Desta forma, muitas religiões cristãs consideram que Jesus classificou como puros todos os alimentos e continua:

Cquote1.svg O que sai do homem, isso é que o contamina. Pois é do interior, do coração dos homens, que procedem as más intenções, como a imoralidade, roubos, crimes, adultérios, cobiça, as maldades, malícia, a libertinagem, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a insensatez; todas essas coisas más saem de dentro da pessoa, e são elas que a tornam impura. Cquote2.svg

Apesar de Cristo estar claramente se referindo à impureza espiritual, e não a física (i.e. doenças e enfermidades), tal passagem é interpretada como uma mensagem de abandono à tradição de animais impuros.

Somada a estas duas passagens, tem-se uma no livro de Atos dos Apóstolos, quando Pedro tem uma visão de toda sorte de animais, inclusive impuros, descendo do céu sobre um grande pano (como um tapete) e uma voz que dizia: "Mata e come", ao que Pedro respondia: "Nunca comi coisa alguma impura." Tendo isso ocorrido três vezes seguidas. Apesar de o significado prioritário desta mensagem ter sido com relação aos judeus e os gentios (como fica evidenciado na continuação da narração da história) e, em segundo lugar, que não devemos nos apegar tanto às tradições (no caso, judaicas), muitos ainda consideram possível estabelecer-se a interpretação de que Deus, mais uma vez, estava a abolir a definição de "animais impuros".

A última passagem bíblica do Novo Testamento que ensina contra a definição de animais puros e animais impuros consta numa das cartas de Paulo (Coríntios), onde este ensina que a definição de "puro" e "impuro" não deve ser levado a sério salvo ocasiões em que isso possa levar algum irmão a cair na fé - tal ensinamento também é passado com relação ao comer comidas sacrificadas a ídolos.

O Conceito para cristãos adventistas do sétimo dia[editar | editar código-fonte]

Os Adventistas alegam que não há abolição do conceito de animais impuros. Cristo teria cumprido, ao morrer, as leis relacionadas com os sacrifícios e festas judaicas, a lei cerimonial, uma vez que sua morte era simbolizada por todas estas cerimônias. Entretanto a lei relacionada à impureza dos alimentos não seria um símbolo redentivo, mas regras de higiene preocupadas em garantir boa saúde aos seus seguidores. Assim como os Dez Mandamentos em Êxodo 20.

Como sitado acima o texto de marcos capítulo 7,14-23 os doutores da Lei se reúnem em volta de JESUS para interrogá-lo em relação ao COMER COM AS MÃO SUJAS, e em nem um momento da passagem deste capítulo, e até mesmo da Bíblia inteira, Jesus diz tornar os animais impuros em animais puros...

Assim como em Atos 10:1-48, Pedro estava acampado em Jope e estava ele com fome quando teve esta visão, logo após ter a visão aparece-lhe três homens enviados por um centurião de Cesaréia, que teve a visita de um anjo de Deus em sua casa, e ordenou-lhe que chama-se a Simeão Pedro.Pedro então foi e chegando achou muitos que ali se haviam ajuntado. E disse-lhes: Vós bem sabeis que não é lícito a um homem judeu ajuntar-se ou chegar-se a estrangeiros; mas Deus mostrou-me que a nenhum homem chame comum ou imundo.

'"Ou seja meus amigos leitores Deus com aquela visão estava dizendo a Simão Pedro que não ha homens impuros e puros todos somos iguais :)"

Já no livro de Atos dos Apóstolos, quando Pedro tem uma Visão de todos os animais inclusive os impuros, e Deus o ordenando comer estes animais se refere a

Uma vez que a Igreja Adventista considera ser o corpo o templo do Espírito Santo, conforme I Coríntios 6:19, e que a saúde física é essencial para uma adoração aceitável à Deus, mantém sua interpretação de que os animais citados em Levíticos 11 devem ser evitados, entre outras orientações alimentares.

As passagens bíblicas do Evangelho de Marcos, capítulos 7,1-8 e 7,14-23, segundo os adventistas, apenas podem ser interpretadas da forma como usualmente são, se retiradas de seu contexto.

O Conceito no Hinduísmo e no Jainismo[editar | editar código-fonte]

Hindu realiza oração em frente a duas vacas

O hinduísmo e o jainismo não possuem o conceito de "animais impuros". Pelo contrário, eles sustentam que todos os seres vivos têm uma alma e devem ser respeitados. Como consequência, o consumo de alguns animais são proibidos, mas isso ocorre por uma questão de respeito e não pelo conceito de "animal impuro".

Hinduístas evitam a carne de vaca. Até mesmo o abate de vacas é proibido por lei na maior parte da Índia. Algumas seitas proíbem completamente o abate de animais. Jainistas esperam que se abstenham de prejudicar os seres vivos, tanto quanto possível, incluindo as plantas, o que implica o vegetarianismo estrito e a proibição de alimentos vegetais (como raízes) pois exigem a morte da planta.

O Conceito no Movimento Rastafári[editar | editar código-fonte]

Muitos Rastafar-I acreditam que os porcos são impuros e, desta maneira, mantêm uma dieta conhecida como I-tal. O rastafarianismo, assim como religiões como o islamismo, o judaísmo e o cristianismo ortodoxo etíope, proíbe o consumo de carne de porco. Alguns rastafáris também evitam comer frutos do mar porque eles, assim como os porcos, são necrófagos. A maioria dos rastas também evita o consumo de qualquer carne vermelha, e muitos não comem peixes ou peixes que tenham mais de 30 centímetros. Muitos são estritamente vegetarianos.[5]

Referências

  1. Levítico Capítulo 11 - Bíblia On-line. Acessado em 15 de Agosto de 2009.
  2. Islamismo. Acessado em 15 de Agosto de 2009.
  3. AL MÁIDA (A mesa servida) - 5ª Surata - Alcorão On-line, Cultura Brasil. Acessado em 07 de Março de 2010.
  4. a b Marcos Capítulo 7 - Bíblia On-line. Acessado em 15 de Agosto de 2009.
  5. Wood, A., Logan, J. and Rose, J., Movement and Change: Movement and Change, Nelson Thornes, 1997. ISBN 0174370679, 9780174370673