Animal Farm

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Animal Farm
O Triunfo dos Porcos (PT)
A Revolução dos Bichos (BR)
Capa da primeira edição do livro
Autor(es) George Orwell
Idioma Inglês
País  Reino Unido
Género Sátira
Editora Secker and Warburg
Lançamento 17 de agosto de 1945
Páginas 112
ISBN 0-452-28424-4
Edição portuguesa
Tradução Maria Antunes; Madalena Esteves
Editora Europa-América, Perspectivas & Realidades, Círculo de Leitores
ISBN ISBN 972-1-03147-X

Animal Farm (A Revolução dos Bichos (título no Brasil) ou O Porco Triunfante/​O Triunfo dos Porcos/​A Quinta dos Ani­mais[1] (título em Portugal)) é um romance satírico do escritor inglês George Orwell, publicado no Reino Unido em 17 de agosto de 1945 e apontado pela revista americana Time entre os cem melhores da língua inglesa. A sátira feita pelo livro à União Soviética comunista obteve o 31º lugar na lista dos melhores romances do século XX organizada pela Modern Library List.[2]

O livro narra uma história de corrupção e traição e recorre a figuras de animais para retratar as fraquezas humanas e demolir o "paraíso comunista" proposto pela Rússia na época de Stalin. A revolta dos animais da quinta contra os humanos é liderada pelos porcos Bola-de-Neve (Snowball) e Napoleão (Napoleon). Os animais tentam criar uma sociedade utópica, porém Napoleão, seduzido pelo poder, afasta Bola-de-Neve e estabelece uma ditadura tão corrupta quanto a sociedade de humanos.[3]

Para o autor, um socialista democrático[4] e membro do Partido Trabalhista Independente por muitos anos, a obra é uma sátira à política stalinista que, segundo sua ótica, teria traído os princípios da Revolução Russa de 1917.

Enredo[editar | editar código-fonte]

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Sentindo chegar a sua hora, Major, um velho porco, reúne os animais da fazenda para partilhar um sonho: serem governados por eles próprios, os animais, sem a submissão e exploração do homem. Ensinou-lhes uma antiga canção, Bichos da Inglaterra (Beasts of England), que resume a filosofia do Animalismo, exaltando a igualdade entre eles e os tempos prósperos que estavam por vir, deixando os demais animais em êxtase com as possibilidades.

O idoso Major (vulgo Casca Grossa) faleceu três dias depois, tendo tomado a frente os astutos e jovens porcos Bola-de-Neve e Napoleão, que passaram a reunir-se clandestinamente a fim de traçar as estratégias da revolução. Certo dia, Sr. Jones, então proprietário da fazenda, descuidou-se com a alimentação dos animais, facto este que se tornou a gota de água para aqueles bichos. Sob o comando dos inteligentes e letrados porcos, os animais expulsaram os humanos da propriedade e passaram a chamar a Quinta Manor de Quinta dos Animais pt / Granja ou Fazenda dos Bichos br, e aprenderam os Sete Mandamentos, que, a princípio, ganhavam a seguinte forma:

Para os animais menos inteligentes, os porcos resumiram os mandamentos apenas na máxima "Quatro pernas bom, duas pernas mau" que passou a ser repetido constantemente pelas ovelhas. Após a primeira invasão dos humanos, na tentativa frustrada de retomar a fazenda, Bola-de-Neve luta com bravura, dedica todo o seu tempo ao aprimoramento da fazenda e da qualidade de vida de todos, mas, mesmo assim, Napoleão expulsa-o do território, alegando sérias acusações contra o antigo companheiro. Acusações estas que se prolongam durante toda história, mesmo após o desaparecimento de Bola-de-Neve, na tentativa de encobrir algo ou mesmo ter alguma explicação para dar aos animais sobre catástrofes, criando-se um mito em torno do porco que, a partir dali, é considerado um traidor.

Napoleão apodera-se da ideia de Bola-de-Neve de construir um moinho de vento para gerar energia (mesmo tendo feito duras críticas à imaginação do companheiro), e dá início à sua construção. Algum tempo depois, os porcos começam a negociar com os agricultores da região, recusando a existência de uma resolução de não contactar com os humanos, apontando essa ideia como mais uma invenção de Bola-de-Neve. Os porcos passam ainda a viver na antiga casa de Sr. Jones e começam a modificar os mandamentos que estavam na porta do celeiro:

O hino da Revolução é banido, já que a sociedade ideal descrita, segundo Napoleão, já teria sido atingida sob o seu comando. Napoleão é declarado líder por unanimidade. As condições de trabalho degradam-se, os animais sofrem um novo ataque humano e já não se lembram se na época em que estavam submissos ao Sr. Jones era mesmo pior, mas lembravam-se da liberdade proclamada, e eram sempre lembrados por sábios discursos suínos, principalmente os proferidos por Garganta, um porco com especial capacidade persuasiva. Napoleão, os outros porcos e os agricultores da vizinhança celebram, em conjunto, a produtividade da Quinta[5] dos Animais. Os outros animais trabalham arduamente em troca de míseras rações. Assiste-se assim a um escárnio grotesco da sociedade humana.

O slogan das ovelhas fora modificado ligeiramente, “Quatro pernas bom, duas pernas melhor!”, pois agora os porcos andavam sobre as duas patas traseiras. No final, os animais, ao olhar para dentro da casa antes pertencente a Jones e onde os porcos agora vivem em considerável luxo em relação aos demais animais, vêem Napoleão e outros suínos jogando carteado com Frederick e Pilkington, senhores das granjas vizinhas, e celebrando a prosperidade económica que os seus acordos proporcionam às suas quintas. Numa visão confusa, os animais já não conseguem distinguir os porcos dos homens.

Referências

  1. «Biografia de George Orwell». Estante de Livros. Consultado em 4 de novembro de 2010  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  2. 100 Best Novels - acessado em 20 de abril de 2014
  3. História Viva, 1, p.13. Editora Duetto. São Paulo.
  4. "Why I Write" (1936) (The Collected Essays, Journalism and Letters of George Orwell Volume 1 – An Age Like This 1945-1950 p.23 (Penguin))
  5. No Brasil, o termo "Quinta" é frequentemente traduzido como "Granja"

Ligações externas[editar | editar código-fonte]