Anne Frank

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Anne Frank
Anne Frank fotografada em maio de 1942.
Nome completo Annelies Marie Frank
Nascimento 12 de junho de 1929
Frankfurt am Main
 República de Weimar
Morte fevereiro de 1945 (15 anos)
Bergen-Belsen
 Alemanha Nazi
Nacionalidade Alemã
Progenitores Mãe: Edith Frank
Pai: Otto Frank
Parentesco Margot Frank (irmã)
Buddy Elias (primo)
Principais trabalhos Diário de Anne Frank
Religião Judaísmo
Assinatura
Anne Frank signature.svg

Annelies Marie Frank (12 de junho de 1929fevereiro de 1945) foi uma adolescente alemã de origem judaica, vítima do Holocausto. Ela se tornou uma das figuras mais discutíveis do século XX após a publicação do Diário de Anne Frank (1947), cujo mesmo tem sido a base para várias peças de teatro e filmes ao longo dos anos. Nascida na cidade de Frankfurt am Main, na República de Weimar, ela viveu grande parte de sua vida em Amsterdã, capital dos Países Baixos, onde perdeu sua cidadania alemã. Sua fama póstuma deu-se graças aos documentos em que relata suas experiências enquanto vivia escondida num quarto oculto, ao longo da ocupação alemã nos Países Baixos, durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 1933, com a ascensão dos nazistas ao poder alemão, começaram a ocorrer manifestações antissemitas, o que fez com que a família de Frank, dentre muitas outras, temessem o que aconteceria com eles desde então. No ano seguinte, mudaram-se para Amsterdã, onde viveram uma vida normal por seis anos, sobrevivendo com as empresas do pai de Anne. Em 1940, quando os nazistas invadiram os Países Baixos, a população judaica foi perseguida e proibida de frequentar diversos locais. Dois anos depois, a família decidiu se esconder em cômodos secretos de um edifício comercial; dividindo-o com mais quatro pessoas. Próximo do fim da guerra, o grupo foi traído misteriosamente e transportados para campos de concentração. Anne e sua irmã, Margot Frank, foram levadas até o de Bergen-Belsen, onde morreram, provavelmente, de tifo epidêmico, num dia desconhecido de fevereiro de 1945.

Com o fim da guerra, o único sobrevivente foi o pai de Anne, Otto Frank, que retornou a Amsterdã e descobriu que o diário da filha havia sido salvo por Miep Gies, a mesma que o ajudou escondendo a família em um edifício. Após muito esforço, seu pai conseguiu publicar o diário, e, desde então, é um dos livros mais traduzidos do mundo. Foi lançado também um filme biográfico da adolescente, sob o título The Diary of Anne Frank (1959). Aclamado pela crítica, foi vencedor de três Oscars. O museu, Casa de Anne Frank, foi inaugurado em 3 de maio de 1960, e em 2013 e 2014 atraiu mais de 1.2 milhões de visitantes. Anne também foi imortalizada com uma estátua de cera no Museu Madame Tussauds, além de ter sido considerada pela revista Time um ícone do último século.

Infância[editar | editar código-fonte]

Anne Frank nasceu em Frankfurt am Main, na República de Weimar, no dia 12 de junho de 1929, a última filha do casal Otto Frank (1889-1980) e Edith Frank-Holländer (1900-45).[1] Sua irmã mais velha era Margot Frank (1926-45).[2] A família Frank eram judeus liberais, ou seja, não seguiam todos os costumes e tradições do judaísmo, vivendo numa comunidade de cidadãos judeus e de outras religiões.[3] A mãe de Anne era o membro mais devoto da família, enquanto seu pai era mais interessado em atividades acadêmicas e tinha uma extensa biblioteca.[4] Ambos incentivavam suas filhas a lerem desde muito cedo.[4]

O bloco de apartamento onde a família Frank morou entre os anos de 1934 à 1942.

Em 13 de março de 1933, a tranquilidade da família chegou ao fim. Foram realizadas eleições em Frankfurt para o conselho municipal, com o Partido Nazista de Adolf Hitler saindo vitorioso.[5] Manifestações antissemitas foram iniciadas de imediato, fazendo com que os Frank começassem a temer o que aconteceria a eles caso continuassem na Alemanha.[5] Mais tarde, naquele ano, Edith e as filhas foram para Aachen, morando com a avó materna das meninas, Rosa Holländer. Otto, entretanto, permaneceu em Frankfurt, mas depois de receber uma oferta para iniciar uma empresa em Amsterdã, ele se mudou para lá, organizando o negócio e providenciando acomodações para sua família.[6] Os Franks fazem parte do grupo de mais de 300 mil judeus que deixaram a Alemanha entre 1933 e 1939.[7]

Otto Frank iniciou um comércio em Amsterdã, chamado Opekta Works, que vendia extrato de frutas para fazer geleia.[8] Lá, ele também encontrou um apartamento no bairro de Rivierenbuurt, aos arredores de Amsterdã.[9] Em fevereiro de 1934, Edith e as filhas chegaram na cidade, e as duas foram matriculadas em escolas. Margot em uma pública e Anne em uma de método Montessori.[10] Margot tinha habilidades em aritmética, enquanto Anne mostrava aptidão para ler e escrever.[10] Mais tarde, sua amiga pessoal, Hanneli Goslar, lembrou que desde a infância Anne escrevia frequentemente, embora ela protegia seu trabalho e se recusava a discutir sobre o conteúdo de sua escrita.[11] As irmãs Frank tinham personalidades distintas; Margot era educada, reservada e estudiosa,[12] Anne era sincera, energética e extrovertida.[11]

Em 1938, Otto teve a oportunidade de abrir a sua segunda empresa, Pectacon, que comercializava ervas, sais e temperos usados para a produção de salsichas.[13] [14] Hermann van Pels era um dos empregados do negócio. Na Alemanha, ele morava em Osnabrück, onde atuava como açougueiro, mas teve que se mudar do país junto a sua família por ser judeu.[14] Em 1939, a avó das meninas foi morar com elas, permanecendo até sua morte em janeiro de 1942.[15]

Em maio de 1940, a Alemanha Nazi invadiu os Países Baixos, e o governo da ocupação começou a perseguir a população judaica, implementando leis restritivas e discriminatórias; o registro obrigatório e a segregação aconteceram logo em seguida.[16] Apesar das irmãs Frank serem excelentes alunas e possuírem muitos amigos nas escolas que frequentavam, elas foram proibidas de estudar nelas, tendo direito apenas a instituições próprias para judeus.[15] Em abril de 1941, como medidas para evitar que suas empresas fossem confiscadas por serem propriedades de judeus, Otto Frank transferiu suas ações, e as empresas foram liquidadas, com todos os ativos transferidos para Jan Gies, esposo de Miep Gies.[17] Os lucros dos negócios continuaram com pouca mudança, e apesar de ganhar uma renda mínima, era suficiente para os sustentar.[17]

Período narrado no diário[editar | editar código-fonte]

Antes de ir para o esconderijo[editar | editar código-fonte]

No seu aniversário de treze anos, Anne ganhou um livro de seu pai, cujo mesmo ela já havia mostrado interesse enquanto passava por uma vitrine.[18] Embora fosse um livro de autógrafos, com uma estampa vermelha e branca, além de um pequeno cadeado na parte da frente,[19] Frank decidiu que iria usá-lo como diário, e começou a escrever quase que imediatamente.[20] Apesar de suas primeiras escritas se relacionar aos aspectos mundanos de sua vida, ela também discute algumas mudanças no lugar onde morava, como a ocupação alemã nos Países Baixos.[21] Em 20 de junho de 1942, ela enumera muitas das restrições que haviam sido colocadas sobre a vida da população judaica neerlandesa, e também descreve sua tristeza com a morte de sua avó no início do ano.[22] Anne sonhava em se tornar atriz,[23] ela adorava assistir filmes, mas os judeus foram proibidos de ter acesso a salas de cinema a partir do dia 8 de janeiro de 1941.[24]

Em julho de 1942, Margot Frank recebeu um aviso de convocação do Escritório Central de Emigração Judaica, ordenando que ela se mudasse imediatamente para um campo de trabalho.[25] Otto Frank disse à sua família que eles iriam se esconder em quartos acima e atrás das instalações da Opekta, na Prinsengracht, numa rua junto a um dos canais de Amsterdã, onde alguns de seus colaboradores mais confiáveis iriam ajudá-los.[26] Pouco antes de entrar no esconderijo, Anne deu a sua amiga e vizinha, Toosje Kupers, um livro, um jogo de chá, além de uma lata cheia de bolas de gude para que ela cuidasse. De acordo com o que foi noticiado pela Associated Press, Anne disse à Toosje: "Estou preocupada com minhas bolas de gude, porque eu tenho medo que [elas] possam cair em mãos erradas. Você poderia mantê-las seguras para mim por um tempo?".[27]

Vida no Anexo Secreto[editar | editar código-fonte]

Reconstrução da estante que cobria a única entrada do Anexo Secreto, na Casa de Anne Frank, em Amsterdã.

Na manhã do dia 6 de julho de 1942, a família se mudou para seu esconderijo, o Anexo Secreto.[28] O apartamento da família foi deixado em um estado de desordem para criar a impressão de que eles haviam deixado o local de repente, e Otto Frank deixou um bilhete que sugeria que eles haviam ido para a Suíça.[29] A necessidade de sigilo forçou a família deixar para trás o gato de Anne, Moortje.[29] Como os judeus não eram autorizados a utilizar o transporte público, eles caminharam vários quilômetros de sua casa, com cada um deles vestindo diversas camadas de roupas, pois não ousavam em ser vistos com bagagens.[29] O Achterhuis (a palavra neerlandesa que denota a parte de trás de uma casa, ou seja, Anexo Secreto) era um espaço de três andares, com entrada a partir dos escritórios da Opekta.[30] Dois quartos pequenos, com um banheiro no primeiro andar, e acima uma grande sala, com uma outra pequena ao lado. A partir desta menor, havia uma escada que levava ao sótão. A porta do esconderijo foi coberta por uma estante para garantir que o lugar permanecesse desconhecido.[30]

Miep Gies, Victor Kugler, Johannes Kleiman e Bep Voskuijl foram os únicos empregados da Opekta que conheciam as pessoas no esconderijo.[31] O marido de Miep, Jan Gies, e o pai de Bep, Johannes Hendrik Voskuijl, eram responsáveis por ajudar na sobrevivência da família no Anexo Secreto.[32] Os ajudantes também colaboraram na ligação dos ocupantes do esconderijo com o mundo exterior, informando-os das notícias da guerra e os desenvolvimentos políticos.[32] Os ajudantes estavam conscientes de que, se capturados, eles poderiam enfrentar a pena de morte por abrigar judeus.[32]

Em 13 de julho de 1942, os Franks aceitaram abrigar com eles a família van Pels, e em novembro do mesmo ano Fritz Pfeffer, um dentista e amigo da família.[33] Anne escreveu em seu diário o prazer em ter novas pessoas para conversar, mas as tensões rapidamente se desenvolveram dentro do grupo, forçados a viver em tais condições confinados.[34] Depois de ter que passar a dividir o quarto com Pfeffer, ela o descreveu como "insuportável" e ressentia sua intrusão.[34] Ela também brigava constantemente com Auguste van Pels, a quem chamava de "tola".[34] Anne ainda considerava Hermann van Pels e Fritz Pfeffer como "egoístas", particularmente no que se diz respeito à quantidade de alimentos consumidos.[35] Algum tempo depois, ela iniciou um romance com Peter van Pels, de 16 anos, com quem deu seu primeiro beijo; mas sua paixão por ele começou a diminuir quando ela começou a questionar se seus sentimentos por ele eram genuínos.[36] De acordo com seu pai, Anne criou um vínculo com cada um dos ajudantes da família, ficando entusiasmada e impaciente para as visitas deles. Ele também observou que sua amizade mais próxima foi com Bep Voskuijl, pois "viviam sussurrando pelos cantos da casa".[37]

A jovem do diário[editar | editar código-fonte]

Na sua escrita, Frank examinou as relações com os membros de sua família, além das fortes diferenças de cada uma de suas personalidades. Ela se considerava mais próxima emocionalmente de seu pai, que depois comentou: "Eu tinha um melhor relacionamento com Anne do que com Margot, que estava mais ligada a sua mãe. A razão para isso pode ter sido porque Margot raramente mostrou seus sentimentos e não precisava de tanto apoio porque não sofria mudanças de humor, como Anne".[38] As irmãs Frank formaram um relacionamento mais próximo do que já havia existido entre elas antes de se esconderem, embora Anne as vezes expressar ciúmes de Margot, particularmente quando os membros da família a criticavam por sua falta de gentileza.[12] Quando Anne começou a amadurecer, as irmãs foram capazes de confiarem uma na outra. Em 12 de janeiro de 1944, ela escreveu no diário que "Margot estava muito mais agradável" e que estava se tornando uma "verdadeira amiga".[39]

A vista panorâmica do Anexo Secreto, onde agora é o museu Casa de Anne Frank, visto de Westerkerk, em 2004.

Frank escrevia frequentemente de sua difícil relação com sua mãe, Edith Frank, além de sua ambivalência em relação a ela. Em 7 de novembro de 1942, Anne descreveu o "desprezo" que sentia por ela, além de concluir que não a sentia como mãe.[40] Mais tarde, depois de revisar as coisas que havia escrito em seu diário, ela se envergonhou de sua atitude dura, vindo a entender que suas diferenças com sua mãe eram apenas "mal-entendidos", culpando tanto ela como Edith por essa relação.[41] Com essa percepção, Anne começou a tratá-la com um grau de tolerância e respeito.[42]

As irmãs Frank esperavam voltar para a escola assim que elas fossem autorizadas, e continuaram com seus estudos mesmo durante a vida no esconderijo.[43] Margot fez um curso de taquigrafia por correspondência, usando o nome de Bep Voskuijl, e recebeu notas altas.[44] A maior parte do tempo de Anne foi gasto lendo e estudando, bem como escrevendo e editando seu diário regularmente.[44] Além de fornecer uma narrativa de eventos como eles ocorreram, ela escreveu sobre seus sentimentos, crenças e ambições, coisas que não poderia discutir com ninguém.[45] Quando sua confiança na escrita aumentou, durante seu amadurecimento, ela começou a escrever sobre assuntos mais abstratos, como sua crença em Deus e como ela definia a natureza humana.[45]

Em 5 de abril de 1944, em uma quarta-feira, Anne escreveu no seu diário que desejava se tornar uma jornalista:

Eu finalmente percebi que eu devo fazer o meu trabalho escolar para deixar de ser ignorante, para conseguir uma vida, para me tornar uma jornalista, porque é isso que eu quero! Eu sei que posso escrever [...] mas tenho que continuar percebendo se realmente tenho talento.

E se eu não tenho talento para escrever livros ou artigos de jornais, eu sempre posso escrever para mim mesma. Mas eu quero alcançar mais do que isso. Eu não posso imaginar vivendo como minha mãe ou a Sra. van Pels e todas as mulheres que fazem o seu trabalho e depois são esquecidas. Eu preciso ter algo além de um marido e filhos para me dedicar!

Eu quero ser útil ou trazer diversão para todas as pessoas, mesmo aqueles que eu nunca conheci. Eu quero continuar vivendo mesmo depois da minha morte! E é por isso que eu sou tão grata a Deus por ter me dado este presente que eu posso usar para me desenvolver e expressar tudo o que está dentro de mim.

Quando eu escrevo, eu posso me livrar de todos os meus cuidados, minha tristeza desaparece, meus espíritos são revividos! Mas, e isso é uma grande questão, eu nunca vou ser capaz de escrever algo grande, eu nunca vou me tornar uma jornalista ou escritora?
Anne Frank[46]

Prisão[editar | editar código-fonte]

Reconstrução parcial do quartel do campo de concentração de Westerbork, onde a família Frank foi alojada de agosto à setembro de 1944.

Na manhã de 4 de agosto de 1944, seguindo uma dica de um informante que nunca foi identificado, o Anexo Secreto foi atacado por um grupo da polícia uniformizada alemã, liderado por SS-Oberscharführer Karl Silberbauer do serviço de inteligência Sicherheitsdienst.[47] Os Franks, van Pelses e Pfeffer foram levados para a sede da RSHA onde foram interrogados e detidos durante a noite.[48] No dia seguinte, eles foram transferidos para uma casa de detenção, a Huis van Bewaring, uma prisão superlotada na Weteringschans.[49] Dois dias depois, eles foram transportados até o campo de concentração de Westerbork, onde já haviam mais de 100 mil judeus, principalmente neerlandeses e alemães.[50] Depois de terem sido presos por viverem clandestinamente, eles eram considerados criminosos e lá foram enviados para o quartel de punição para trabalho forçado.[51]

Em seu livro descrevendo a traição sofrida em sua própria família e a transportação para Auschwitz, a autora Eva Schloss, cuja mãe Elfriede Geiringer casou-se com Otto Frank após a guerra, narra o julgamento da colaboradora nazista Miep Braams.

Braams era a namorada de um trabalhador neerlandês chamado Jannes Haan, e ela deveria estar ajudando-o a proteger os judeus. Enquanto a guerra progredia, Haan começou a suspeitar que sua namorada era realmente uma agente dupla para os nazistas; uma enorme quantidade de famílias judaicas que lhe foram confiadas estavam desaparecendo sem deixar vestígios [...] Quando ele descobriu que Braams estava o traindo com a Gestapo, ele foi executado. Mais tarde, foi estimado que Miep Braams foi a responsável por trair até duzentas famílias judaicas, incluindo a nossa [Schlosses e Franks].
Eva Schloss[52]

Victor Kugler e Johannes Kleiman foram presos e encarcerados no campo penal para inimigos do regime nazista, em Amersfoort.[53] Kleiman foi libertado depois de sete semanas, mas Kugler foi transferido a diversos campos de trabalho até o fim da guerra.[54] Miep Gies e Bep Voskuijl foram interrogadas e ameaçadas por policiais de segurança alemã, mas não foram detidas.[55] Elas voltaram para o Anexo Secreto no dia seguinte, onde encontraram os papéis de Anne espalhados pelo chão, e resolveram guarda-los junto a álbuns de fotografias da família, decidindo entregar tudo a Anne após o término da guerra.[56] Em 7 de agosto de 1944, Gies tentou facilitar a libertação dos prisioneiros, confrontando Silberbauer e oferecendo-lhe dinheiro, mas ele se recusou.[57]

Após o fim da guerra, Otto Frank e Kleiman enviaram uma carta para a polícia expressando o desejo de que o traidor do esconderijo fosse descoberto.[58] Pessoalmente, Otto pensava que o empregado do depósito, Willem van Maaren, teria sido o traidor; ele era um tipo de "curioso desconfiado", além de ter feito armadilhas no armazém na intenção de descobrir algo.[59] Entretanto, nenhuma prova concreta foi descoberta a seu respeito.[60] Em 2015, um livro escrito pelo jornalista Jeroen de Bruyn e o filho mais novo de Bep Voskuijl, Joop van Wijk, alega que Nelly Voskuijl, a irmã mais nova de sua mãe, pode ter traído a família Frank.[61] Os autores encontraram evidencias que comprovavam que Nelly era uma colaboradora nazista, com Silberbauer alegando que a voz que o informou do esconderijo era de uma "jovem mulher".[61] A mesma morreu em 2001.[61]

Deportação e morte[editar | editar código-fonte]

Memorial de Anne e Margot, no local onde era localizado o campo de Bergen-Belsen, juntamente com flores e fotografias como tributo.

Em 3 de setembro de 1944, um grupo de pessoas, incluindo a família Frank, foram deportados para o que seria o último trajeto de Westerbork para o campo de concentração de Auschwitz, uma viagem que durou três dias.[62] No mesmo trem estava Bloeme Evers-Emden, uma nativa de Amsterdã que tinha amizade com Anne e Margot numa escola judia, em 1941.[63] Bloeme diz ter visto as irmãs e sua mãe regularmente em Auschwitz,[63] e revelou suas lembranças sobre a família no campo de concentração nos documentários de televisão The Last Seven Months of Anne Frank (1988) dirigido por Willy Lindwer[64] e no Anne Frank Remembered (1995) da BBC.[65]

Após a chegada da família em Auschwitz, a Schutzstaffel forçaram os homens a se separarem das mulheres e crianças, e Otto Frank foi arrancado de sua família.[66] Aqueles que eram considerados capazes de trabalhar foram admitidos para o campo, enquanto os que eram considerados impróprios para executar os trabalhos foram imediatamente mortos.[66] Dos mil e dezenove passageiros do trem, 549 — incluindo todas as crianças menores de 15 anos — foram enviados diretamente para as câmaras de gás.[67] Anne, que já tinha completado 15 anos três meses antes, foi uma das pessoas mais jovens a ser poupada da morte.[68] Ela já estava ciente de que a maioria das pessoas que foram para a câmara estavam mortos, mas nunca teve certeza se os seus companheiros do Anexo Secreto tinham sobrevivido.[68] Ela pensou que o pai dela, na metade dos seus 50 anos, tinha sido morto após eles terem sido separados.[68]

Com as outras mulheres que não foram selecionadas para a morte, Anne foi obrigada a se despir e ser desinfetada, além de ter sua cabeça raspada, um número de identificação foi tatuado em seu braço.[67] Durante o dia, as mulheres foram usadas como mão de obra escrava e Frank foi forçada a transportar rochas e cavar rolos de grama; durante a noite, elas dormiam em barracas superlotadas.[69] Mais tarde, algumas testemunhas declararam que durante a permanência em Auschwitz, Anne se tornou uma menina triste e vivia chorando quando via crianças sendo levadas para câmaras de gás; outros relatam que mais frequentemente ela demonstrava força e coragem.[70] Sua personalidade confiante e desenvolta a permitiu que conseguisse obter pedaços de pães extras para sua mãe e irmã.[71] No campo, as doenças eram excessivas, e, em pouco tempo, a pele de Anne foi infectada pela sarna.[72] As irmãs Frank foram transferidas para uma enfermaria, que estava em um estado deplorável, com escuridão constante e infestada por ratos e camundongos.[73] A mãe delas decidiu parar de comer, passando pedaços de alimentos por um buraco que fez na parede da enfermaria.[70]

Em outubro de 1944, as Frank foram escolhidas para serem transferidas até o campo de trabalho de Liebau, na Alta Silésia.[65] Bloeme Evers-Emden também foi escolhida para estar nesse trem, mas Anne foi proibida de ir por ter contraído sarna, e sua mãe e irmã decediram ficar com ela.[65] Bloeme então partiu sem elas.[74] Em 28 de outubro do mesmo ano, as seleções de mulheres para serem transferidas até o campo de concentração de Bergen-Belsen foram iniciadas. Mais de oito mil mulheres, incluindo Anne, Margot e Auguste van Pels, foram transportadas.[75] Edith Frank não foi selecionada e ficou para trás, morrendo de fome logo em seguida.[76] Em Bergen-Belsen, Anne se encontrou brevemente com duas amigas, Hanneli Goslar e Nanette Blitz, que estavam confinadas em outra seção.[77] Goslar e Blitz sobreviveram à guerra, e mais tarde discutiram as conversas breves que teve com Anne através de uma cerca.[78] Blitz disse que Anne estava careca, magra e trêmula.[79] Goslar observou que Auguste ficou com as irmãs Frank, e que estava cuidando de Margot, que estava gravemente doente.[80] Anne disse a elas que acreditava que seus pais estavam mortos e por isso ela não queria mais viver.[81] Goslar disse que seus encontros com ela teve fim no final de janeiro ou início de fevereiro de 1945.[82]

Memorial de pedra na casa onde Anne morou com sua família de 1934 à 1935, em Aachen.

No início de 1945, uma epidemia de tifo se espalhou por todo o campo de Bergen-Belsen, matando mais de dezessete mil prisioneiros.[83] Outras doenças como febre tifóide também eram exaltantes.[84] Devido a essas condições, não é possível dizer o que causou a morte de Anne. Testemunhas declaram que Margot caiu de sua cama em seu estado debilitado e foi morta pelo impacto, enquanto sua irmã faleceu alguns dias depois.[85] As datas exatas das mortes de Anne e Margot não são reconhecidas. De acordo com uma pesquisa de 2015, elas podem ter morrido no início de fevereiro de 1945.[86] Algumas testemunhas lembram que as Franks exibiram sintomas de tifo a partir de 7 de fevereiro,[87] e de acordo com autoridades de saúde, vítimas de tifo que não se tratam podem morrer até 12 dias depois do início dos sintomas.[86] Após a libertação do campo pelo Exército Britânico, o local foi queimado em um esforço para impedir a propagação das doenças;[88] as irmãs foram enterradas em uma vala comum em um local desconhecido.[89] Depois da guerra, estimou-se que apenas cinco mil dos cento e sete mil judeus deportados dos Países Baixos sobreviveram.[90]

Otto Frank sobreviveu à Auschwitz.[91] Após o fim da guerra, ele voltou para Amsterdã, onde foi ajudado por Jan e Miep Gies enquanto tentava localizar sua família.[92] Ele soube da morte de sua esposa, Edith, em Auschwitz, mas manteve-se esperançoso em relação a sobrevivência de suas filhas.[91] Depois de várias semanas de busca, ele descobriu que Anne e Margot também haviam morrido.[93] Ele tentou localizar o destino dos amigos de suas filhas e soube que muitos foram assassinados. Sanne Ledermann, frequentemente mencionada no diário de Anne, tinha sido morta numa câmara de gás junto a seus pais; sua irmã Barbara, uma amiga próxima de Margot, foi a única sobrevivente.[93] Outros amigos de escola das irmãs Frank também sobreviveram, bem como os parentes da família de Otto e Edith Frank, que fugiram da Alemanha durante os anos 30, indo para a Suíça, Reino Unido e os Estados Unidos.[94]

Diário de Anne Frank[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Diário de Anne Frank

Publicação[editar | editar código-fonte]

Cópia das páginas do diário original no Centro de Anne Frank, localizado em Berlim, onde se empenha na luta contra ações antissemitas.

Em julho de 1945, depois da Cruz Vermelha confirmar a morte das irmãs Frank, Miep Gies deu à Otto Frank o diário e um maço de notas soltas que ela havia guardado para devolvê-los a Anne.[95] Otto comentou, mais tarde, que ele não tinha percebido que Anne estava mantendo um registro tão preciso e bem escrito no tempo em que viveram escondidos.[96] Em seu livro de memórias, ele descreveu o doloroso processo de ler o diário, reconhecendo os eventos descritos pela filha e recordando que ele já tinha ouvido alguns dos episódios mais divertidos lidos em voz alta por ela.[96] Ele também diz ter visto o lado mais privado de Anne em seções do diário que ela não falava para ninguém. "Para mim, foi uma revelação. Eu não tinha ideia da profundidade de seus pensamentos e sentimentos. Ela guardou tudo para si", completou Frank.[96] Movido pelo desejo que sua filha tinha em ser uma autora, ele começou a considerar em publicá-lo.[97]

O diário de Anne começou como uma expressão particular de seus pensamentos; ela escreveu diversas vezes que ela nunca iria permitir que alguém tivesse acesso a ele.[98] Ela candidamente descreveu toda a sua vida, sua família, seus companheiros, sua situação durante a Segunda Guerra Mundial, além de sua ambição em escrever uma ficção para ser publicada.[98] Em março de 1944, ela ouviu em uma transmissão de rádio por Gerrit Bolkestein — membro do governo neerlandês no exílio —, onde ele diz que quando a guerra terminasse, ele iria recolher provas escritas do povo neerlandês em relação à opressão que haviam sofrido durante a ocupação nazista e iria publicá-los.[99] Frank então decidiu submeter seu trabalho quando chegasse este momento, começando a editar a sua escrita, removendo algumas seções e reescrevendo outras, visando pelo momento de publicação.[99] Ela também criou pseudônimos para os membros do Anexo Secreto e seus ajudantes. A família van Pels se tornaram Hermann, Petronella e Peter van Daan, enquanto Fritz Pfeffer se tornou Albert Dussell.[100] Em sua versão editada, ela dirige cada uma das partes de seu diário à "Kitty", uma personagem fictícia da série de livros Joop ter Heul, escritos por Cissy van Marxveldt, que adorava ler.[101] Assim, Otto usou seu diário original, conhecido como "versão A", e sua versão editada, conhecida como "versão B", para produzir uma primeira versão para a publicação.[101] Além disso, ele removeu certas passagens, notadamente aquelas em que Anne é extremamente crítica em relação ao comportamento de seus pais (especialmente sua mãe), além das seções que discutiam a crescente sexualidade de sua filha.[102] Embora tivesse restaurado a verdadeira identidade de sua própria família, ele decidiu manter os pseudônimos dos outros companheiros de esconderijo.[102]

Otto Frank deu o diário para a historiadora Annie Romein-Verschoor, que tentou, sem sucesso, publicá-lo.[103] Ela decidiu entregá-lo a seu marido, Jan Romein, que escreveu um artigo sobre ele, intitulado "Kinderstem", publicado pelo jornal de Amsterdã, Het Parool, em 3 de abril de 1946.[104] No mesmo, ele escreve que o diário "gaguejou em uma voz de criança, incorporando toda a hediondez do fascismo, mais do que todas as provas juntas de Nuremberg".[105] Seu artigo atraiu atenção de diversas editoras, e o diário foi publicado nos Países Baixos como Het Achterhuis em 1947,[106] seguido por mais cinco edições em 1950.[107] A primeira vez que foi publicado na Alemanha e na França foi em 1950,[108] e depois de ser rejeitado por diversas editoras, foi publicado no Reino Unido e nos Estados Unidos em 1952.[108] O diário foi bem-sucedido nos países em que foi lançado, exceto no Reino Unido, onde falhou em atrair atenção do público.[108] Seu sucesso mais notável foi no Japão, onde foi recebido com aclamação da crítica e vendas estimadas em 100 mil unidades na primeira edição.[109] No país, Anne Frank é identificada como uma figura que representa a destruição da juventude durante a guerra.[109]

Um roteiro adaptado por Frances Goodrich e Albert Hackett do diário foi lançado como uma peça teatral em Nova Iorque, no dia 5 de outubro de 1955, cuja mesma venceu ao Prêmio Pulitzer.[110] Em 1959, um filme baseado no livro, The Diary of Anne Frank, foi recebido com aclamação da crítica e sucesso comercial, sendo vencedor de três Oscars.[111] A biógrafa Melissa Müller escreveu que a dramatização "contribuiu muito para a romantização e universalização da história de Anne".[112] Ao longo dos anos, a popularidade do diário cresceu, e em muitas escolas, particularmente nos Estados Unidos, foi incluído como parte da grade escolar a introdução da história de Frank para as novas gerações de leitores.[113] Em 1986, o Instituto Neerlandês de Documentação de Guerra publicou a "edição crítica" do diário. Nela, inclui comparações de todas as versões conhecidas, ambas editadas e inéditas. Além disso, inclui uma discussão afirmando a autenticação do diário, bem como informações históricas adicionais sobre a família e o próprio livro.[114]

Cornelis Suijk — ex-diretor do Instituto Anne Frank e presidente do Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos — anunciou em 1999 que ele possuia cinco páginas que haviam sido removidas por Otto Frank antes da publicação do diário. Suijk alegou que Frank deu essas páginas para ele pouco antes de sua morte, em 1980. Nas folhas arrancadas do diário continham observações críticas de Anne sobre o casamento forçado de seus pais e a falta de afeto que sentia por sua mãe.[115] Houve controvérsia quando Suijk reinvindicou direitos de publicação sobre as cinco páginas, tendo intenção de vendê-las para arrecadar dinheiro para sua fundação. O Instituto Neerlandês de Documentação de Guerra, o proprietário formal do manuscrito, exigiu que as páginas fossem entregues. Em 2000, o Ministério da Educação, Cultura e Ciência dos Países Baixos concordou em doar cerca de 300 mil dólares para a fundação de Suijk, e as páginas foram devolvidas em 2001. Desde então, elas foram incluídas em suas novas edições.[116]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Nelson Mandela (esquerda) e John F. Kennedy (direita) nomearam o diário como um grande incentivo para lutar contra o preconceito e reconheceram seu impacto sobre a humanidade ao longo dos anos.

Desde o seu lançamento, o diário tem sido elogiado por seus méritos literários. Comentando sobre o estilo da escrita de Anne Frank, o dramaturgo Meyer Levin a elogiou por "sustentar a tensão de um romance bem construído",[117] além de se mostrar impressionado com a qualidade de seu trabalho quando colaborou com Otto Frank em uma dramatização do diário após sua publicação.[117] Levin confessa que ficou obcecado pela história de Anne, explicando isso em sua autobiografia The Obsession.[118] O poeta John Berryman chamou o livro de "uma representação única, não apenas da adolescência, mas da conversão de uma criança em uma pessoa que se descreve de forma precisa, confiante e com uma impressionante honestidade".[119] Após o lançamento da primeira edição americana do diário, Eleanor Roosevelt o descreveu como "um dos comentários mais sábios e mais comoventes sobre a guerra e seu impacto sobre os seres humanos que já havia lido".[120] O então presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy discursou sobre Anne Frank em 1961, dizendo: "De todas as multidões que, ao longo da história, têm falado pela dignidade humana em tempos de grande sofrimento e perda, nenhuma voz é mais convincente do que a de Anne [Frank]".[121] No mesmo ano, o autor Ilya Ehrenburg a definiu como "uma voz que fala por seis milhões [de pessoas]. Não é uma voz de um sábio ou de um poeta, mas de uma menina comum".[122]

Como a estatura de Anne Frank, tanto como escritora e humanista tem crescido, ela tem sido discutida especificamente como um símbolo do Holocausto e, mais amplamente, como uma representante da perseguição.[123] Em 1994, quando recebeu o prêmio Elie Wiesel Humanitarian Award, a política Hillary Clinton falou ter lido o diário de Frank e comentou sobre o seu poder de "despertar-nos para a loucura da indiferença e do terrível pedágio que afeta os jovens", relacionando-o com os eventos até então atuais na Somália, Ruanda e Saravejo.[124] No mesmo ano, após receber um prêmio por seus trabalhos humanitários no Instituto Anne Frank, Nelson Mandela falou para uma multidão em Joanesburgo que ele tinha lido o diário de Anne enquanto estava na prisão, e que "tirou muito incentivo através dele".[125] Ele também comparou a luta contra o nazismo com a sua luta contra o apartheid, traçando um paralelo entre as duas filosofias. "Porque essas crenças são patentemente falsas, e porque elas foram, e sempre serão, desafiadas pelos gostos de [Anne Frank]. Estarão condenadas ao fracasso", completou Mandela.[125] De acordo com Václav Havel, "o legado de Anne está muito vivo e ele pode nos atender plenamente em relação às mudanças políticas e sociais que ocorrem".[126] Primo Levi sugeriu que Anne Frank é frequentemente identificada como a única representante dos milhões de pessoas que sofreram e morreram como ela, porque "uma única Anne nos move mais do que outras inumerosas pessoas que sofreram como ela, cujos rostos permaneceram nas sombras".[126] Em sua mensagem de fechamento da biografia de Anne, escrita por Melissa Müller, Miep Gies expressou um pensamento semelhante ao de Levi, onde disse: "Anne simboliza os seis milhões de vítimas do Holocausto [...] Anne não pode e não deve representar as muitas pessoas a quem os nazistas roubaram as vidas, mas seu destino nos ajuda a compreender a imensa perda que o mundo sofreu pelo Holocausto".[127]

Otto Frank passou o resto de sua vida como o guardião do legado de sua filha, dizendo: "É um papel estranho. Num relacionamento familiar comum, é o filho do pai famoso que tem a honra e o fardo de continuar sua tarefa. Em meu caso, o papel é inverso".[128] Ele lembrou em como seu editor explicou o motivo do diário ter sido amplamente lido; "Ele disse que é um livro que engloba tantas áreas da vida que cada leitor pode encontrar algo que o move pessoalmente", concluiu.[128] Simon Wiesenthal disse que o diário havia levantado uma consciência mais generalizada do Holocausto do que tinha sido alcançada pelos Julgamentos de Nuremberg, porque "as pessoas se identificaram com esta criança. Esse foi o impacto do Holocausto, era apenas uma família como a minha, como a sua".[129] Em junho de 1999, a revista Time publicou uma edição especial intitulada "Time 100: The Most Important People of the Century".[130] Anne Frank foi incluída na seção de "Heróis e Ícones", e o autor, Roger Rosenblatt, descreveu seu legado com o comentário: "As paixões do livro sugerem que todo mundo é dono de uma Anne Frank, que cresceu acima do Holocausto, do Judaísmo, da adolescência e até mesmo da bondade, tornando-se uma figura totêmica no mundo moderno. Ela tinha uma mente individual assolada pela máquina de destruição, insistindo no direito de viver, perguntas e esperança de um futuro nos seres humanos".[131] Ele também observa que, apesar de sua coragem e pragmatismo serem admiradas, sua capacidade de analisar a si mesma e a qualidade de sua escrita são os principais componentes de seu apelo: "A razão para sua imortalidade foi basicamente literária. Ela era extraordinariamente uma boa escritora, para qualquer idade, bem como a qualidade de seu trabalho que se parecia um resultado direto de uma disposição brutalmente honesta".[131]

Contestações de autenticidade[editar | editar código-fonte]

Otto Frank foi acusado de fraude, apontado como o verdadeiro autor do livro.

Após o diário se tornar amplamente conhecido, no final de 1950, várias acusações que questionam a sua veracidade e/ou o seu conteúdo foram aparecendo, com as primeiras críticas sendo publicadas na Suécia e Noruega.[132] Em 1957, Fria ord, uma revista sueca da organização neofascista, National League of Sweden, publicou um artigo do autor e crítico dinamarquês Harald Nielsen, que já havia escrito publicações antissemitas sobre o autor de origem judaica Georg Brandes.[133] Entre outras coisas, o artigo afirmava que o diário havia sido escrito pelo dramaturgo Meyer Levin.[134] No ano seguinte, durante um evento de divulgação do Diário de Anne Frank, em Viena, Simon Wiesenthal foi contestado por um grupo de manifestantes que afirmavam que Anne nunca existiu, além de o desafiar a provar sua existência encontrando o homem que a prendeu.[135] Wiesenthal, de fato, começou a procurar pelo paradeiro de Karl Silberbauer, encontrando-o apenas em 1963. Quando entrevistado, Silberbauer admitiu seu papel na prisão dos Franks, identificando Anne em uma fotografia como uma das pessoas que ele havia prendido.[135] Silberbauer também forneceu um relato completo sobre o evento, lembrando que havia esvaziado uma pasta cheia de papéis e os espalhado pelo chão. Sua declaração corroborou a versão dos acontecimentos que haviam sido anteriormente apresentados por testemunhas como Otto Frank.[135]

Entretanto, os opositores do diário continuaram a expressar suas opiniões de que não havia sido escrito por uma criança, e que era tudo uma farsa, acusando Otto de fraude.[136] Em 1959, ele tomou medidas legais em Lübeck contra Lothar Stielau, um professor e ex-membro da Juventude Hitlerista, que publicou em um jornal escolar uma matéria em que descreve o diário como "uma falsificação".[134] A denúncia foi estendida para incluir Heinrich Buddegerg, que escreveu uma carta de apoio à Stielau, que foi publicado também por um jornal local de Lübeck.[134] O tribunal examinou o diário em 1960 e autenticou o manuscrito como correspondentes às letras conhecidas por terem sido escritas por Anne Frank. Assim, declararam que o diário era verdadeiro.[134] Stielau desmentiu sua declaração anterior, e Otto Frank decidiu não levar o caso adiante.[134] Em 1976, ele voltou a tomar medidas legais, desta vez contra Heinz Roth, que espalhou panfletos em Frankfurt am Main — cidade natal de Anne — afirmando que o diário era falso.[134] O juiz determinou que se Roth voltasse a espalhar quaisquer outras declarações do tipo, ele estaria sujeito a uma multa de 500 mil marcos alemães, além de uma pena de prisão de seis meses.[134] Roth recorreu contra a decisão do tribunal, mas morreu um ano depois.[134] No mesmo ano, Otto Frank moveu uma ação contra Ernst Römer, que distribuiu um panfleto que chamava o diário de "best-seller mentiroso".[134] Quando um homem chamado Edgar Geiss distribuiu o mesmo panfleto no tribunal, também foi processado. Römer foi multado em 1.500 marcos alemães e Geiss a seis meses de prisão.[134] [137]

Em 1986, foi encomendado um estudo forense do diário, através do Ministério da Justiça dos Países Baixos. Eles examinaram a caligrafia contra exemplos conhecidos e descobriu que elas correspondiam.[138] Eles determinaram que o papel, a cola e a tinta usada no diário já estavam disponíveis durante o tempo de sua escrita. Assim, o livro foi considerado autêntico, e seus resultados foram publicados no que se tornou conhecida como a "Edição Crítica" do diário.[138] Mesmo assim, em 1991, os negadores do Holocausto, Siegfried Verbeke e Robert Faurisson produziram um livro intitulado The Diary of Anne Frank: A Critical Approach, em que revivia as alegações de que Otto Frank havia escrito o diário.[139] Supostas novas provas, bem como várias contradições no diário, incluindo o estilo de prosa e sua escrita manual não eram os de um adolescente, além de concluir que se esconder no Anexo Secreto teria sido impossível.[139] Em dezembro de 1993, a Casa de Anne Frank, em Amsterdã, entrou com uma ação civil para proibir a distribuição do livro. Cinco anos depois, o Tribunal Distrital de Amsterdã decidiu em favor dos reclamantes, proibindo assim qualquer nova negação de autenticidade do diário, impondo uma multa de 25 mil florins neerlandeses por cada violação.[140]

Controvérsias sobre a versão integral[editar | editar código-fonte]

Uma edição integral do trabalho de Anne Frank foi publicado em 1995.[141] Nesta versão incluía uma descrição da própria Anne com a exploração de seus órgãos genitais, além da sua perplexidade em relação ao sexo e o parto, cujas partes haviam sido anteriormente removidas por Otto Frank.[142] Quando uma mulher chamada Gail Horalek, de Northville, Michigan, ficou sabendo que a classe da sétima série de sua filha estava usando esta edição do diário, ela apresentou uma queixa ao distrito escolar pedindo que uma versão editada fosse imediatamente utilizada.[143] Horalek, que descreveu as partes do livro como "pornográficas", disse que a escola deveria ter obtido a aprovação prévia dos pais antes de estudar tal versão do livro.[143] Em 2010, os professores de uma escola em Culpeper County, na Virgínia, pararam de estudar a versão integral do livro após queixas semelhantes serem apresentadas.[144] Tais atitudes foram criticadas por Emer O'Toole do The Guardian, observando que "nós [ainda] vivemos em uma sociedade em que as jovens são ensinadas a terem vergonha das mudanças que seus corpos sofrem na puberdade, forçando-as a serem secretas e até mesmo fingir que ela não existe".[142]

Legado[editar | editar código-fonte]

Estátua de cera de Anne Frank, no Museu Madame Tussauds, em Amsterdã.

Desde a publicação do diário, Anne Frank tem sido apontada como um símbolo universal contra a intolerância, além de ter dado um "rosto" aos milhões de pessoas que morreram no Holocausto.[145] [146] Em 3 de maio de 1957, um grupo de cidadãos, incluindo Otto Frank, estabeleceram a Instituição Anne Frank, em um esforço para resgatar o edifício Prinsengracht da demolição e torná-lo acessível ao público.[147] A Casa de Anne Frank foi aberta em 3 de maio de 1960; ela é composta pelo armazém e os escritórios da Opekta e o Anexo Secreto, todos sem mobília para que os visitantes pudessem andar pelos cômodos.[148] Algumas relíquias pessoais dos antigos ocupantes permaneceram, como fotografias de estrelas de cinema colados por Anne Frank em uma parede, uma outra parede em que Otto marcava o crescimento de suas filhas, além de um mapa em outro lado, onde gravou o avanço das Forças Aliadas da Segunda Guerra Mundial, todos agora protegidos por folhas de acrílico.[149] A partir do cômodo pequeno, que foi o quarto de Peter van Pels, uma passarela liga o edifício aos de seus vizinhos, que foram comprados pela Instituição.[149] Estes outros edifícios são usados para abrigar o diário, bem com exposições rotativas sobre os aspectos crônicos do Holocausto e exemplos da intolerância racial no mundo.[150] Em 2014, se tornou uma das principais atrações turísticas de Amsterdã, recebendo mais de 1 milhão visitantes.[151] Desde então, o museu oferece exposições que já viajaram para 32 países na Europa, Ásia, América do Sul e do Norte.[152]

Em 1963, Otto Frank e sua segunda esposa, Elfriede Geiringer, configuraram a Fundação Anne Frank como uma instituição de caridade, com sede em Basileia, na Suíça. A Instituição arrecada dinheiro para doar à causas que "consideram dignas".[153] Após a sua morte, Otto quis que os direitos autorais do diário fossem inteiramente entregues a instituição, pedindo que em cada ano, apenas 80 mil francos suíços fossem distribuídos entre seus herdeiros.[154] A Fundação também fornece financiamentos para o tratamento médico dos Justos entre as Nações, numa base anual.[155] Além disso, ela tem como objetivo educar os jovens contra o racismo, e emprestou alguns dos papéis de Anne Frank para o Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos, usados em uma exposição de 2003.[156] Seu arrecadamento anual também traçou esforços para uma contribuição à nível global, apoiando projetos na Alemanha, Israel, Índia, Suíça e Reino Unido.[155] Em 1997, o Centro de Educação Anne Frank foi inaugurado na cidade de Frankfurt am Main, onde a família Frank viveu até 1934.[157] O Centro é apontado como "um lugar onde jovens e adultos podem aprender sobre a história Nazista e discutir sua relevância até os dias de hoje".[157]

O apartamento em Marwedeplein, onde a família Frank viveu de 1933 até 1942, permaneceu como local privado até a década de 2000. Depois de ter sido o foco de um documentário de televisão, o edifício foi visto em um estado grave de degradação, sendo comprado por uma corporação de habitação neerlandesa.[158] Com a ajuda de fotografias tiradas pela família, bem como as descrições em folhas escritas por Anne Frank, o apartamento foi restaurado a sua aparência dos anos 30.[158] Teresien da Silva, membro da Casa de Anne Frank e prima da própria, junto com outro primo, Buddy Elias, contribuíram para o projeto de restauração, sendo inaugurado em 2005.[158] Em junho de 2007, Buddy doou cerca de 25 mil documentos de sua família para o museu.[159] Entre eles, fotografias da família de Frank tiradas na Alemanha e nos Países Baixos, bem como a carta que Otto Frank enviou para sua mãe em 1945, informando-a que sua esposa Edith Frank e as filhas haviam sido mortas em campos de concentração nazista.[159]

Estátua de Anne Frank do lado de fora da igreja de Westerkerk, em Amsterdã.

Em novembro de 2007, a árvore de Anne Frank — que depois foi infectada por um fungo que afeta todo o seu tronco — estava programada para ser cortada, evitando que ela caisse sobre os edifícios próximos.[160] A árvore mostrou ser importante para Anne, chegando a ser mencionada em seu diário, que diz "enquanto ela existir, eu não posso ser infeliz".[161] O economista Arnold Heertje foi contrário a decisão de derrubá-la, argumentando que "não era uma árvore qualquer", e sim "a árvore de Anne Frank, que está ligada à perseguição dos judeus".[162] Um grupo de conservacionistas chegou a começar um processo civil para proibir a derrubada do castanheiro-da-índia, que recebeu a atenção da mídia internacional.[163] Um tribunal neerlandês ordenou que as autoridades da cidade e os conservacionistas chegassem a uma solução a respeito.[164] As duas partes fizeram uma construção de aço, que iria prolongar a vida da árvore por mais de 15 anos.[162] Entretanto, três anos depois, em 23 de agosto de 2010, os ventos fortes derrubaram a árvore.[165] Onze mudas da árvore foram distribuídas em museus, escolas, parques e centros para que plantassem e se tornasse uma lembrança do Holocausto, projeto liderado pelo Centro de Anne Frank nos Estados Unidos.[166] Entre os diversos locais em que foi plantado se destaca o Liberty Park, em Manhattan, que homenageia vítimas dos Ataques de 11 de setembro.[167]

Ao longo dos anos, vários filmes sobre Anne Frank foram aparecendo. Sua vida e a sua escrita inspiraram um grupo diversificado de artistas e comentaristas sociais a fazerem referência a ela na literatura, música popular, televisão e outros meios de comunicação. Entre os mais conhecidos, está o bailado The Anne Frank Ballet de Adam Darius,[168] e o coral Annelies, estreado em 2005.[169] O único filme em que a adolescente realmente aparece é de 1941, um filme mudo gravado por seu vizinho recém-casado.[170] Nele, Anne é vista inclinando-se para fora de uma janela do segundo andar em uma tentativa de visualizar melhor o noivo e a noiva. O casal, que sobreviveu à guerra, deu o filme de presente para a Casa de Anne Frank.[170]

Em 1999, a revista Time nomeou Anne Frank como um dos heróis e ícones do século XX, destacando que "com o diário mantido em um sótão secreto, ela enfrentou os nazistas e emprestou a voz lancinante para a luta pela dignidade humana".[131] O romantista Philip Roth a descreve como "a filhinha perdida" de Franz Kafka.[171] Uma estátua de cera dela foi lançada no Museu Madame Tussauds, em 2012.[172] Em 1995, um asteroide foi nomeado 5535 Annefrank em sua homenagem, depois de ter sido descoberto em 1942.[173]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

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