Antão José Maria de Almada

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Antão José Maria de Almada
Nascimento 1801
Açores
Morte 1834 (33 anos)
Santarém
Ocupação Ajudante-de-campo e Mestre-sala da Casa Real

D. Antão José Maria de Almada (18011834), recebeu oficialmente o título de 2.º conde de Almada, com apenas 4 anos de idade incompletos, mesmo antes da morte de seu pai, por Decreto de 15[1] ou de 20 de Agosto de 1805.[2] Para seu vigoroso pai, a morte prematura da sua mulher e mãe desta criança, associando-se a isso uma política governativa que levou à transferência da corte portuguesa para o Brasil e da restante no Reino "pró francesa", com a qual lealmente discordava abertamente e que inclusive lhe chegou a mover alguma momentânea perseguição por isso, foi o bastante para que se refugiasse numa depressão e numa angustia demente profunda, que o fez abster-se de tudo, tomando o rei a seu cargo.

Na sua época, D. Antão foi sempre visto como o 14.º representante de conde de Avranches em França (Abranches em Portugal).

Era comendador da Ordem de Cristo e, em 30 de Abril de 1826, Par do Reino,[3] de que prestou juramento e tomou posse na respectiva câmara a 23 de Novembro do mesmo ano.[4]

Foi dos primeiros alunos do Real Colégio Militar, com o n.º 94, admitido em 1815 até 1817.[5] Obteve o curso de bacharelato em Matemática da Academia Real da Marinha[6] e tendo ascendido ao posto de capitão de cavalaria.[7] Há informação que tinha sido segundo tenente na Brigada Real da Marinha do rei Miguel I, além de seu ajudante de ordens (ajudante-de-campo).[8][9] Recebendo dele a "medalha de ouro" a 27 de Maio de 1823.[10]

"Acompanhou sempre o senhor D. Miguel, sendo sempre o primeiro a aparecer em sua defesa, tomando parte muito activa na guerra que se desencadeou.[11]"

Exerceu o cargo de mestre-sala da Casa Real, com carta de ofício passado em 29 de Dezembro de 1818.[12] Constando esse direito definido pelo "Congresso", com a presença do rei, em 1 de Outubro de 1822, para ser editado em portaria no dia seguinte como consta.[13] Mais tarde foi assegurado pelo próprio juramento da Carta Constitucional, no artigo 5.º, datado de 26 de Julho de 1826, durante o governo de Maria II de Portugal.[14] Em 9 de Setembro de 1833 já não se encontra a viver no seu Palácio do Rossio em Lisboa, perto da côrte onde poderia exercer convenientemente esta função, e aparece aos olhos da governação liberal como "rebelde"[15]

Foi provedor da Real Irmandade da Santa Cruz e Passos da Graça (ano 1823-1824)[16] e alcaide-mor ou comendador de Proença-a-Velha..

Teve igualmente o senhorio dos Lagares d´El-Rei e de Pombalinho. Assim como, através dos bens da família de sua mulher, o morgadio do "Paço Velho em Guimarães" e as comendas de S. Pedro de Fins de Ferreira (Paços de Ferreira),[17] de S. Miguel de Vila Franca,[18] de Santa Maria de Airães,[19] de São Vicente de Vimioso[20][21] e de Vila de Ferreira (Zêzere) com sua alcaidaria[22][23][24] como de sua alcaidaria em 29 de Janeiro de 1822.[25]

Dados genealógicos[editar | editar código-fonte]

Antão José Maria de Almada, 2.º conde de Almada nasceu na noite de 22 de Novembro de 1801, nos Açores quando seu pai superintendia essa Capitania.[26] Ao serviço "Real[27]" morreu em 5 de Abril de 1834, de tifo, em Santarém.[28]

Filho de: Lourenço José Boaventura de Almada, 1.º Conde de Almada, 12º conde de Abranches, senhor dos Lagares d´El-Rei, 11º senhor de Pombalinho e de Maria Bárbara Lobo da Silveira Quaresma, filha de Fernando José Lobo da Silveira Quaresma, 2º marquês de Alvito.

Casou, em 30 Março de 1818, na freguesia de S.ta Isabel, em Lisboa, com: Maria Francisca de Abreu Pereira Cirne Peixoto,[29] senhora da então Vila Nova de Lanheses com sede na sua quinta Paço de Lanheses, nascida a 10 de Outubro de 1801.

Sendo esta filha única e herdeira de:

Tiveram oito filhos
  • D. Lourenço José Maria de Almada Cirne Peixoto, 3º conde de Almada casado com D. Maria Rita Machado de Castelo-Branco Mendonça e Vasconcelos.
  • D. Maria José de Almada, nasc. 30 de Setembro de 1819 e m. a 8 de Março de 1835.[34]
  • D. Maria Carlota de Almada, nasc. a 17 de Abril de 1821 [35] e m. com 5 anos de idade.[36]
  • D. Maria Bárbara de Almada, nasc. a 14 de Dezembro de 1822 e m. a 13 de Março de 1852.[37]
  • D. Maria da Conceição, nasc. 22 de Dezembro de 1823.[38]
  • D. Sebastião de Almada, m. m.
  • D. Maria Violante de Almada, nasc. a 22 de Dezembro de 1823.[39]
  • D. Maria Vitória de Almada, nasc. a 27 de Junho de 1830[40] e m. em 20 de Agosto de 1918, moça do Coro do Real Mosteiro da Encarnação de Lisboa,[41] admitida em 28 de Março de 1855.[42]
  • D. Antão José de Almada, nasc. a 9 de Maio de 1831 e m. em Viana do Castelo a 1 de Maio de 1858, e casado com Júlia Angelina de Melo Teixeira, a 1 de Maio de 1858,[43] que nasc. a 10 de Novembro de 1838 e m. em 1907, filha de João Lopes Teixeira de Melo, capitão de Caçadores do exército realista, e de sua mulher D. Joaquina de Souza.[44] Tiveram as filhas:
    • D. Maria Francisca, nasc. a 30 de Março de 1859,[45] sem geração.
    • D. Maria Joaquina, nasc. 25 de Setembro de 1860.[46]
    • D. Maria Barbara, nasc. a 15 de Março de 1866[47] e m. 23 de Junho de 1883,[48] em Viana do Castelo, sem geração.[49]
    • D. Maria José,[50] nasceu a 5 de Agosto de 1875 e faleceu em 10 de Maio de 1876.[51]

Referências

  1. Albano da Silveira Pinto, Resenha das famílias titulares Grandes de Portugal, Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva, Lisboa, 1883. Pág. 36.
  2. O 2.º conde de Almada, Os Nossos arquivos, Revista da Associação dos Antigos alunos do Colégio Militar, p. 27
  3. Gazeta de Lisboa, Edições 152-307, pág. 650
  4. Albano da Silveira Pinto, Resenha das famílias titulares Grandes de Portugal, Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva, Lisboa, 1883. Pág. 36.
  5. «Meninos da Luz - Quem é Quem II», Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar, Lisboa, 2008, pág. 448.
  6. O 2.º conde de Almada, Os Nossos arquivos, Revista da Associação dos Antigos alunos do Colégio Militar, p. 26, 27 e 34
  7. Albano da Silveira Pinto, Resenha das famílias titulares Grandes de Portugal, Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva, Lisboa, 1883. Pág. 36.
  8. Miguel Vaz de Almada, Album Legitimista, n.º 27, 3.º Anno, Lisboa, 1888.
  9. Marquês de Ávila e Bolama, "Nova Carta Chorografica de Portugal", composto e impresso na Imprensa Lucas, Lisboa, 1914, pág. 438
  10. Gazeta de Lisboa, Edições 132-309, pág. 1191
  11. Affonso de Ornellas, «Os Almadas na História de Portugal», Lisboa, 1942, p. 27
  12. (D.) Antão José de Almada, Registo Geral de Mercês, D.João VI, liv.21, fl.204v, ANTT
  13. Diário do governo, Edições 1-76, pág. 1752
  14. Gazeta de Lisboa, Edições 152-307, num. 171, pág. 686
  15. Gazeta de Lisboa, Parte 2, Edições 1-135, pág.s 213 e 582
  16. Senhor dos Passos da Graça, Lista de Provedores
  17. Alvará. Comenda de S. Pedro Fins de Ferreira da Ordem de Cristo, ANTT
  18. [Alvará. Administração, por um ano, da Comenda de S. Miguel de Vila Franca da Ordem de Cristo, 5 de Novembro de 1821, ANTT]
  19. Gazeta de Lisboa, Edições 1-152, pág. 194
  20. (D.) Antão José de Almada, Registo Geral de Mercês, D.João VI, liv.14, fl.110v, ANTT
  21. (D.) Antão José de Almada, Registo Geral de Mercês, D.João VI, liv.14, fl.111, ANTT
  22. Registo Geral de Mercês de D. José I, liv. 7, f. 395, ANTT
  23. A Vila e Concelho de Ferreira do Zêzere, O Arqueólogo Português, vol: XX, nº 217, pág. 30, nota: Provedoria de Tomar
  24. Freguesia de Ferreira do Zêzere, História
  25. Diario das Cortes Geraes e Extraordinarias da Nação Portugueza, Portugal Cortes Geraes e Extraordinarias, Volume 6, 1822, pág. 184.
  26. Francisco Ferreira Drummond, Anais da Ilha Terceira, Tomo III, Capítulo V
  27. Affonso de Ornellas, «Os Almadas na História de Portugal», Lisboa, 1942, p. 27
  28. D. Miguel Vaz de Almada, Album Legitimista, n.º 27, 3.º Anno, Lisboa, 1888.
  29. registo paroquial, na Torre do Tombo, livro 11-C folha 171 v, AATT
  30. Ordenanças de Lanheses
  31. Albano da Silveira Pinto, Resenha das famílias titulares Grandes de Portugal, Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva, Lisboa, 1883. Pág. 36.
  32. Soveral, Manuel abranches de, «Sangue Real», 1998, e seu verbete «Maria José de Lencastre César de Menezes» na roglo, visitado em 14/12/2012
  33. Filha única e herdeira de Sebastião Correia de Sá, moço fidalgo com exercício na Casa Real; Tenente General do Exército; Governador das armas do Partido do Porto, e de sua mulher Clara Joana de Amorim Pereira de Brito, senhora dos Morgados de Fontão, Agrédo, e Rua Escura (Porto), como herdeira de Lourenço Manoel de Amorim Pereira, senhor dos ditos morgados; alcaide-mór de Monção; comendador de Airães na Ordem de Cristo; sargento-mór de Campanha; Fidalgo da Casa Real, casado com Luiza Josefa d'Abreu Pereira, senhora do Morgado da Rua Escura, no Porto - Albano da Silveira Pinto, Resenha das famílias titulares Grandes de Portugal, Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva, Lisboa, 1883. Pág. 36.
  34. Albano da Silveira Pinto, Resenha das famílias titulares Grandes de Portugal, Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva, Lisboa, 1883. Pág. 36.
  35. Albano da Silveira Pinto, Resenha das famílias titulares Grandes de Portugal, Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva, Lisboa, 1883. Pág. 36.
  36. Nobiliário no Arquivo Almada
  37. Albano da Silveira Pinto, Resenha das famílias titulares Grandes de Portugal, Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva, Lisboa, 1883. Pág. 36.
  38. Últimas Gerações Entre-Douro e Minho, por José de Sousa Machado, Tipografia de «Paz», Braga, 1931, tomo I, pág. 15
  39. Albano da Silveira Pinto, Resenha das famílias titulares Grandes de Portugal, Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva, Lisboa, 1883. Pág. 36.
  40. Albano da Silveira Pinto, Resenha das famílias titulares Grandes de Portugal, Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva, Lisboa, 1883. Pág. 36.
  41. Últimas Gerações Entre-Douro e Minho, por José de Sousa Machado, Tipografia de «Paz», Braga, 1931, tomo I, pág. 15
  42. Arquivo da Casa Almada
  43. Albano da Silveira Pinto, Resenha das famílias titulares Grandes de Portugal, Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva, Lisboa, 1883. Pág. 36.
  44. Últimas Gerações Entre-Douro e Minho, por José de Sousa Machado, Tipografia de «Paz», Braga, 1931, tomo I, pág. 15
  45. Albano da Silveira Pinto, Resenha das famílias titulares Grandes de Portugal, Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva, Lisboa, 1883. Pág. 36.
  46. Últimas Gerações Entre-Douro e Minho, por José de Sousa Machado, Tipografia de «Paz», Braga, 1931, tomo I, pág. 15
  47. Albano da Silveira Pinto, Resenha das famílias titulares Grandes de Portugal, Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva, Lisboa, 1883. Pág. 36.
  48. Últimas Gerações Entre-Douro e Minho, por José de Sousa Machado, Tipografia de «Paz», Braga, 1931, tomo I, pág. 15
  49. Nobiliário no Arquivo Almada
  50. Últimas Gerações Entre-Douro e Minho, por José de Sousa Machado, Tipografia de «Paz», Braga, 1931, tomo I, pág. 15
  51. Nobiliário no Arquivo Almada

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Fernando Santos e Rodrigo Faria de Castro, 2ª Edição, Braga, 1993, vol. I, pg. 223.

Outras fontes genealógicas[editar | editar código-fonte]

  • verbete «D. Antão José Maria de Almada» na roglo, visitado em 14/12/2012.

Controvérsia[editar | editar código-fonte]

Segundo alguns, também foi conde de Avranches ou Abranches, tal como tinham sido seus antepassados, apesar de representar a varonia Vaz de Almada e Abranches e o respectivo título nobiliárquico.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Lourenço José Boaventura de Almada
Brasão d´armas de conde de Almada e Abranches
Conde de Almada

1805 - 1834
Sucedido por
Lourenço José Maria de Almada Cirne Peixoto