Antão de Almada, 12.º conde de Avranches

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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados de Antão de Almada, veja Antão de Almada (desambiguação).
Antão de Almada, 12.º conde de Avranches
Nome completo Antão de Almada
Nascimento 1718
Condeixa-a-nova
Morte 1797 (79 anos)
Lisboa
Ocupação Capitão-general dos Açores, Mestre-sala da Casa Real e Deputado

Antão de Almada (19 de abril de 171826 de janeiro de 1797), 9º senhor de Pombalinho e 14.º senhor dos Lagares d´El-Rei, foi mestre-sala da Casa Real e administrador em algumas colónias portuguesas, entre outros importantes cargos. Ao casar com a sua sobrinha direita, filha única de seu irmão primogénito, foi igualmente Conde de Almada. Dando assim continuidade à representação da varonia da família Almada[1].

Obteve o estatuto de moço fidalgo por alvará de 21 de Junho de 1734 e de fidalgo escudeiro em 1 de Novembro do mesmo ano[2].

Foi capitão-de-cavalos no Regimento do Cais[3].

Terá ainda exercido os cargos de deputado da Junta dos Três Estados e fez parte do Conselho Real por carta de El-ei José I de 22 de Agosto de 1766[4] e nomeado em 1750 alcaide-mor e comendador de Proença-a-Velha.

Foi o primeiro a presidir a Capitania Geral dos Açores, com o título de Presidente da Junta da Administração e Arrecadação da Real Fazenda e Governador e Capitão-General das Ilhas dos Açores, na sequência do alvará de 2 de Agosto de 1766. Desembarcou na cidade de Angra a 28 de Setembro de 1766 e tomou posse a 7 de Outubro daquele ano. Governou até 1774, desconhecendo-se o dia de sua partida para Lisboa.

Passado meio século ainda se dizia de Antão, que: "houve-se el-rei por mui bem servido dele, honrando-o e engrandecendo-o por isso, como quem se tinha portado no cargo com toda a dignidade e ciência. Viveu com fausto de sua pessoa e família, servido de carruagens, formosas bestas, pajens e criados. Era muito afável, cortesão e esmoler: sobretudo muito delicado, no ouvir as partes atencioso e justiceiro; por extremo amigo de se não intrometer em jurisdição alheia; e como vinha em uma época de reformas, nem por isso ostentou a força de sua autoridade; nem mesmo consta lhe fosse necessário empregar meios violentos para obter os fins propostos. Tanto era o respeito que se lhe tributava que ainda hoje o seu nome é venerado nestas ilhas, e pronunciado com verdadeiro acatamento.[5]"

Terá sido ele que deu inicio à remodelação do edifício que hoje é conhecido por Palácio dos Capitães-Generais, em Angra do Heroísmo, para instalar os seus serviços e aposentos.

A sua preocupação no apoio social e honestidade deveria ser elevada pois em 15 de março de 1759, em Lisboa, terá passado um recibo como escrivão da Mesa dos Enjeitados[6], e o vemos a exercer a função de visitador da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, em 2 de Julho de 1757, assim como, o de mordomo dos presos da Casa dos Vinte e Quatro para a mesma santa casa, em 27 de Junho de 1758. Como curiosidade, já em 22 de Agosto de 1785, é um dos 12 irmãos da referida última instituição que foram escolhidos para assistir à primeira extracção da lotaria que se iniciava no dia 1 de Setembro de 1785[7].

Dados genealógicos[editar | editar código-fonte]

Antão de Almada (12º conde de Avranches, 14º senhor de Lagares d´El-Rei), nascido a 19 de Abril de 1718 em Condeixa-a-Nova, no palácio da sua família paterna. Foi baptizado no mesmo local e ano, no dia 25 de Abril, tendo como padrinho o 1º conde do Rio Grande.

Morreu a 26 de Janeiro de 1797, tendo sido sepultado na capela da família na igreja do Convento da Graça, em Lisboa.[4]

Filho de: Luis José de Almada (10º conde de Avranches, 13º senhor dos Lagares d' El-Rei, e 8º senhor de Pombalinho) e de Violante de Portugal.

Casou: em 24 de Outubro de 1756,[8] com Violante Josefa de Almada Henriques (11ª condessa de Avranches e 10ª senhora de Pombalinho), que era sua sobrinha[9], nascida a 8 de Julho de 1722, filha herdeira do seu meio irmão mais velho Lourenço de Almada e de Maria da Penha da França de Mendonça, e neta de seu pai Luis José de Almada e da sua primeira mulher Francisca Josefa de Tavora.

Dessa união nasceram:

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. "assim continuou a varonia nessa antiquíssima e nobilíssima família, facto que, no espaço de tantos séculos, em poucas se dá" - Nobiliário de Alentem, por Visconde de Cortegaça, Comp. Imp. na Tipografia Gutenberg, Viana do Castelo, 1955, folha 177 verso
  2. Diccionario aristocratico contendo os alvarás dos foros de fidalgos de casa real que se achão registados nos livros das mercês, hoje pertencentes ao Archivo da Torre do Tombo, editado por Portugal Arquivo Nacional, em 1840, pág. 58
  3. «Genealogias das Famílias de Portugal», por Afonso Torres e continuada por Luís Vieira da Silva, capitulo dos Almadas, ano de 1694
  4. a b Affonso de Ornellas, «Os Almadas na História de Portugal», Lisboa, 1942, p. 25
  5. Francisco Ferreira Drummond, Anais da Ilha Terceira, Tomo III, Capítulo I
  6. Catálogo de documentos avulsos manuscritos referentes à Capitania da Paraíba existentes no Arquivo Histórico Ultramarino, AHU_CU_014, pág. 297
  7. Catálogo de Decretos, Avisos e Ordens (séc. XVI e XIX), Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Arquivo Histórico, 2011
  8. Innocencio Francisco da Silva, Apontamentos Biographicos Acerca de Luis Francisco de Assis Sanches de Baena (1707-1782) dados à luz e offerecidos a seu terceiro neto o ex.mo senhor Visconde de Sanches de Baena», Lisboa, nota da p.15
  9. Esta menina, aí pelos dezassete anos, amou seu primo Luís Francisco de Assis Sanches de Baena, alcaide-mor de Vila do Conde, capitão de cavalos, e uns gentilíssimos vinte e nove anos. Na casa dos Almadas, onde Luiz fora criado — porque sua mãe casara em segundas núpcias com Luiz José de Almada - havia um Antão, que se apaixonara por Violante, que era sua sobrinha. A menina esquivara-se ás caricias do tio, e deixou-se arrebatar nos braços do primo Luiz, quando uma ordem regia o desterrou para Moncorvo, a rogos de Antão de Almada. Os dous fugitivos esconderam-se e casaram em Zamora; mas aí mesmo os enviados do cioso tio a foram colher de sobressalto e a trouxeram a Portugal. Esteve a menina reclusa alguns anos em Marvila, com o propósito deprofessar, pois que a lei lhe anulara o casamento com o primo; não obstante, porém, a saudade do desterrado primo, ao fim de onze anos, aceitou seu tio para esposo, do mesmo passo que Luiz era banido e desnaturalizado para sempre.” Este enredo é explicado em «Noites de Insomnia Offerecidas a Quem Não Póde Dormir» por Camilo Castelo Branco, numa edição de 1884, e de facto existe a anulação do mesmo casamento sobe bula papal datado de 13 de Setembro de 1755 - Coleccion en latin y castellano de las bulas, constituciones, encyclicas, breves y decretos del Santísimo Padre... Benedicto XIV, hecha segun la auténtica edicion romana del Bulario del mismo pontífice, oficina de Antonio Espinosa, 1791, pág. 295

Ver também[editar | editar código-fonte]