António Dias Lourenço

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

António Dias Lourenço (Vila Franca de Xira, 25 de março de 1915 - Lisboa 7 de agosto de 2010), foi um dos mais destacados dirigentes comunistas da história do Partido Comunista Português e protagonizou uma das mais audaciosas fugas das prisões fascistas ao evadir-se do Forte de Peniche em 1954. Faleceu com 95 anos de idade[1].

Biografia[editar | editar código-fonte]

Dias Lourenço nasceu em Vila Franca de Xira. A sua mãe era costureira e o seu pai ferreiro. Aderiu ao Partido Comunista Português com apenas 13 anos de idade[2], tendo passado a militante em 1932 com apenas 17 anos[1]. Em 1943 foi eleito para membro do Comité Central do PCP, posição que manteve até 1996[1].

Torneiro mecânico de profissão, trabalhou nas Oficinas Gerais de Aeronáutica, em Alverca do Ribatejo, chegando a trabalhar no avião de Gago Coutinho e Sacadura Cabral[2].

Foi preso político, pela primeira vez, em 1942 e protagonizou uma das mais audaciosas fugas da Prisão de Peniche em 1954[1]. Bom nadador, atirou-se ao oceano em pleno dezembro e combateu com sucesso o mar revolto até chegar a terra. Esta experiência levou-o a, num trabalho meticuloso e sigiloso que durou muitos meses, a organizar a famosa "fuga de Peniche", de Álvaro Cunhal e mais 10 membros do PCP[2].

Passou a integrar o Secretariado do PCP a partir de 1957, onde permaneceu até 1962, ano em que foi preso pela segunda vez, tendo passado um total de 17 anos nas cadeias fascistas como preso político[1].

Foi jornalista do jornal O Diabo[2] e responsável pelo jornal Avante! entre 1957 e 1962, e seu director desde a publicação do primeiro número legal em 17 de maio de 1974 até 1991[1].

Foi deputado entre 1975 e 1987 e fez parte da Assembleia Constituinte[1], tendo sido uma das pessoas que contribuiu para a elaboração da constituição portuguesa aprovada a seguir ao 25 de Abril[3].

Dias Lourenço dizia que o seu número de sorte e de azar era o 17 pois viveu 17 anos na clandestinidade, esteve preso 17 anos e dirigiu o jornal Avante! também por 17 anos[4], sendo que a primeira edição do Avante! livre e sobre a sua direcção foi a 17 de maio de 1974, tendo-se tornado oficialmente militante do PCP em 1932 aos 17 anos de idade[1].

Foi enterrado em 8 de agosto de 2010, no cemitério do Alto de São João, em Lisboa, tendo comparecido ao seu enterro cerca de 500 pessoas[3].

Obra editada[editar | editar código-fonte]

  • Vila Franca de Xira: Um Concelho no País: Contribuição para a História do Desenvolvimento Socioeconómico e do Movimento Político Cultural. Vila Franca de Xira: Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, 1995. 284 p.[5]
  • Alentejo, legenda e esperança. Lisboa: Caminho, 1997. 199 p. ISBN 972-21-1120-5
  • Saudades... Não Têm Conto! Cartas da prisão para o meu filho Tóino. Lisboa: Avante, 2004. 59 p. ISBN 972-550-304-X[6]

Referências

  1. a b c d e f g h «Faleceu António Dias Lourenço». Partido Comunista Português. 7 de agosto de 2010. Consultado em 8 de agosto de 2010 
  2. a b c d Ana Santiago (4 de abril de 2007). «António Dias Lourenço o filho do ferreiro que se tornou operário ainda menino». O Mirante. Consultado em 9 de agosto de 2010 
  3. a b «Centenas de pessoas na despedida a António Dias Lourenço». Radio Renascença. 8 de agosto de 2010. Consultado em 9 de agosto de 2010 
  4. Guilherme Pereira (18 de agosto de 2005). «Segurança- Dias Lourenço». setubalnarede.pt. Consultado em 9 de agosto de 2010 
  5. Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. «Catálogo» (PDF). Consultado em 21 de março de 2011. Ver pag. 6 
  6. «Saudades... Não Têm Conto! Cartas da prisão para o meu filho Tóino». Edições Avante. Consultado em 21 de março de 2011 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]