António Manuel Palma Ramalho

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António Ramalho
Presidente do Conselho de Administração da CP
Período 2004–2006
Antecessor Ernesto Martins de Brito
Sucessor Francisco Cardoso dos Reis
Partido Partido Social Democrata
Profissão Economista

António Manuel da Palma Ramalho (20 de Agosto de 1960) é um jurista e gestor português.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de Jaime da Silva Pinto Ramalho e de sua mulher Joana Teresa Borges da Palma.

É licenciado em Direito (1983) pela Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, tendo iniciado o seu percurso profissional no mercado de capitais em 1985. Entre 1993 e 2003 foi Administrador de diversas instituições financeiras (Banco Pinto & Sotto Mayor, Banco Totta & Açores e Crédito Predial Português, entre outras).

Em Janeiro de 2004 foi chamado para a RAVE, para ocupar o cargo de director financeiro, tendo sido convidado em Setembro do mesmo ano pelo Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações António Mexia para exercer o cargo de Presidente do Conselho de Administração CP. Desempenhou o cargo de Presidente da CP - Comboios de Portugal, EP entre 2004 e 2006.

O seu mandato à frente da CP ficou marcado por um clima de forte contestação social dentro da empresa, com trabalhadores e sindicatos do sector a criticar fortemente diversas decisões do Presidente. Outro marco foi a apresentação do polémico (e para alguns especialistas e quadros da empresa irrealista, já que assentava em pressupostos cujo cumprimento não dependia da CP) programa Líder 2010, com o qual António Ramalho pretendia, entre outras coisas, transformar a CP na melhor operadora ferroviária da península ibérica até 2010. O seu mandato também ficou marcado por alterações nos horários que resultaram com que os comboios da CP deixassem de funcionar tanto numa lógica de rede interligada entre si e passassem a circular mais numa lógica em que cada linha estava isolada uma da outra, o que levava à criação de mais transbordos. Assim, por exemplo, em Novembro de 2005 a CP anunciou que no mês seguinte ia acabar com os comboios entre Porto e Viana do Castelo e restringi-los ao troço entre Nine e Viana do Castelo.[1] Em Nine haveria transbordo para os comboios que circulavam entre Porto e Braga.[1] Também na mesma altura a CP anunciou alterações nos horários da Linha do Douro, que previa a extinção do Intercidades Porto–Régua e que mais comboios Regionais passassem a começar a sua marcha em Caíde (onde havia transbordo com os suburbanos Porto–Caíde) em vez de começarem diretamente na cidade do Porto.[1] Na altura, Caíde era o términus do troço eletrificado da Linha do Douro e a criação de um transbordo naquela estação rural inseriu-se numa lógica da CP de reforçar as receitas da CP Urbanos do Porto (o departamento da companhia que explorava os comboios suburbanos) em detrimento das receitas da CP Regional, evitando assim que houvesse comboios Regionais e Urbanos no troço entre Porto e Caíde.[1] Em Abril de 2006, foi divulgado que a CP ia extinguir os comboios rápidos Intercidades da Beira Alta (Lisboa–Guarda) e da Beira Baixa (Lisboa–Covilhã) e substituí-los parcialmente por Regionais entre Coimbra e Guarda e entre Entroncamento e Castelo Branco.[2] Se a medida tivesse avançado, na região Centro passariam a circular comboios rápidos somente na Linha do Norte e uma viagem entre a Covilhã e Lisboa obrigaria a pelo menos dois transbordos (em Castelo Branco e no Entroncamento).[3] A medida estava a ser preparada pelo próprio António Ramalho, mas contava com a oposição de grande parte da estrutura técnica da CP, para além de ter gerado duras críticas por parte das entidades locais das regiões afetadas.[4] Com efeito, a Governadora Civil de Castelo Branco e um deputado da Assembleia da República eleito pela Guarda contactaram o governo e divulgaram que o executivo não tinha autorizado a CP a fazer essas supressões.[4] Face à polémica, em 3 de Maio a CP divulgou um comunicado onde admitia que os Intercidades da Beira Alta e da Beira Baixa se iam manter.[5]

António Ramalho acabaria por pedir a demissão no verão de 2006, na sequência de um convite por parte da Unicre para assumir a presidência dessa mesma empresa.

Desde 2016, é Presidente do Novo Banco, onde aufere um ordenado de 23.542€00 por mês.

Casou com Maria do Rosário Valente Rebelo Pinto (18 de Setembro de 1960), Licenciada em Direito na Faculdade de Direito da Universidade Católica de Lisboa e Professora de Direito do Trabalho na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, irmã de Margarida Rebelo Pinto, prima-irmã de Catarina Wallenstein e de Pedro Granger, e sobrinha-11.ª-neta natural do 9.º Senhor e 1.º Conde de Unhão e do 1.º Conde de Vila Pouca de Aguiar, da qual tem duas filhas, Maria Inês Rebelo Pinto da Palma Ramalho (7 de Outubro de 1985) e Maria Leonor Rebelo Pinto da Palma Ramalho (4 de Abril de 1991).

Precedido por
Ernesto Martins de Brito
Presidente do Conselho de Administração da CP
20042006
Sucedido por
Francisco Cardoso dos Reis

Referências

  1. a b c d Cipriano, Carlos (16 de novembro de 2005). «CP acaba com comboio Intercidades para a Régua». Público. Consultado em 22 de junho de 2018 
  2. «... e explicações sobre a possível extinção dos Intercidades». Público. 12 de abril de 2006. Consultado em 22 de junho de 2018 
  3. Cipriano, Carlos (1 de maio de 2006). «CP acaba com comboios Intercidades de Lisboa para Guarda e Covilhã». Público. Consultado em 22 de junho de 2018 
  4. a b Ivêncio, Sandra; Brás, Gustavo (3 de maio de 2006). «Ideia de acabar com os comboios Intercidades é inaceitável». Público. Consultado em 22 de junho de 2018 
  5. «CP diz que não vão acabar os comboios directos das Beiras». Público. 3 de maio de 2006. Consultado em 22 de junho de 2018 
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