António Montês
| António Montês | |
|---|---|
| Nascimento | |
| Morte | 12 de setembro de 1967 (70 anos) |
| Nacionalidade | Portugal portuguesa |
| Cônjuge | Adelaide Paramos Montês |
| Ocupação | Jornalista, escritor e ferroviário |
| Prémios | Ordem Militar de Sant’Iago da Espada Ordem de Afonso X, o Sábio |
| Cargo | Director do Museu José Malhoa Administrador dos concelhos de Caldas da Rainha e Óbidos |
| Principais interesses | Arte, património e turismo |
António Montês CvSE (Nossa Senhora do Pópulo, Caldas da Rainha, 25 de dezembro de 1896 – São Sebastião da Pedreira, Lisboa, 12 de Setembro de 1967)[1] foi um jornalista e escritor português.
Biografia
[editar | editar código]Nascimento e formação
[editar | editar código]Nasceu na freguesia de Nossa Senhora do Pópulo, Caldas da Rainha, a 25 de dezembro de 1896, sendo filho do comerciante Paulino António Montês, natural de Rio Maior (freguesia de Fráguas), e de Gertrudes Lima Montês, doméstica, também natural das Caldas da Rainha (freguesia de Nossa Senhora do Pópulo).[2][3] Era irmão de João Montês e Paulino Montês.[4]
Frequentou os estudos secundários no Liceu Rodrigues Lobo, em Leiria,[4] entre 1909 e 1914, e os Preparatórios de Engenharia em Coimbra, entre 1914 - 1916.[3] Entre 1916 e 1917, ingressou na Escola de Guerra, no Curso de Infantaria.[3] Após a conclusão do curso, cumpriu o serviço militar em Lagos.
Carreira profissional
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Durante o período do Sidonismo, exerceu como administrador nos Concelhos de Caldas da Rainha e Óbidos,[1][3] e foi tesoureiro, chefe de expediente e subgerente da filial das Caldas da Rainha do Banco Industrial Português até 1925.[1][3]
A 4 de outubro de 1922, casou civilmente nas Caldas da Rainha com Júlia Adelaide Paramos, também natural das Caldas da Rainha.[2]
Entre 1926 e 1963, data em que passou à reforma, foi chefe de secção no Serviço de Via e Obras, secretário-geral, e chefe do Serviço de Turismo e Publicidade da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.[1][3] Notabilizou-se, enquanto chefe do Serviço de Turismo e Publicidade, por criar a iniciativa Comboios-Mistério e dinamizar os Expressos Populares, tendo popularizado o mote O Comboio Descobriu a Paisagem, que significou a expansão do turismo em Portugal graças ao transporte ferroviário.[5]
Importante dinamizador da cultura nas Caldas da Rainha, tendo sido responsável por vários projectos de promoção da localidade como estância termal; cumpriu funções como tesoureiro e vice-presidente da Associação Comercial e Industrial, em 1924, e membro das Comissões de Iniciativa, entre 1927 e 1929, e de Turismo, em 1932.[3] Foi igualmente um dos promotores da elevação da vila de Caldas da Rainha a cidade, em 1927, e da instalação dos monumentos, em homenagem a Rafael Bordalo Pinheiro, em 1927, José Malhoa, entre 1928 e 1955, e Rainha D. Leonor, em 1935.[3] Também dinamizou a Comissão Regional para a Homenagem ao Grande Pintor José Malhoa, em 1928, e foi responsável pela gestão do programa das Comemorações Centenárias de 1940, na Província da Estremadura.[3] Exerceu igualmente como director da Sociedade Nacional de Belas Artes, e foi sócio da Academia Nacional de Belas Artes.[4] Foi por sua iniciativa que se fizeram obras na Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, onde foi restaurada a traça primitiva.[4]
Foi um dos fundadores e o primeiro director do Museu Provincial José Malhoa, tendo sido diplomado com o Curso de Conservador de Museus em 1946.[3] Na Década de 1950, visitou vários museus de cerâmica na Europa Central, de forma a adquirir conhecimentos para a fundação de um museu deste tipo na localidade das Caldas da Rainha; no entanto, adoeceu gravemente na viagem de regresso, em 1958, tendo partido para a Suíça, junto com a sua esposa, para se restabelecer[6], tendo sido sujeito a uma operação cirúrgica no Canton Hospital de Zurique.[7] Cessou funções como director em 25 de Dezembro de 1966, ao atingir o limite de idade.[3]
Também foi crítico e conferencista na área da arte, tanto em Portugal como no estrangeiro,[4] jornalista, e estudioso de arte, património e turismo, tendo participado assiduamente em vários jornais e revistas, destacando-se os seus artigos na Gazeta dos Caminhos de Ferro e na revista Viagem.[5] Integrou a redacção do periódico Gazeta das Caldas, aquando da sua fundação, em 1925[3], e dirigiu e contribuiu no Boletim da CP durante oito anos.[1][5] No estrangeiro, foi correspondente da Real Academia de San Fernando, em Madrid, e da Academia de Belas Artes de Santa Isabel da Hungria, em Sevilha.[4]
Falecimento
[editar | editar código]Faleceu vítima de trombose cerebral em 12 de Setembro de 1967, na sua residência na Rua Rodrigo da Fonseca, n.º 127, 4.º direito, freguesia de São Sebastião da Pedreira, em Lisboa, aos 70 anos.[4] O funeral realizou-se no dia seguinte, tendo o corpo passado pelo Museu José Malhoa e pela Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, e sido depositado no jazigo da família, no cemitério das Caldas da Rainha.[8][1]
Homenagens
[editar | editar código]António Montês recebeu várias condecorações, tanto nacionais como estrangeiras.[4]
Oficial da Ordem Militar de Cristo de Portugal (5 de outubro de 1935)
Oficial da Ordem da Instrução Pública de Portugal (15 de janeiro de 1945)
Comendador da Ordem da Instrução Pública de Portugal (4 de maio de 1954)
Cavaleiro da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada de Portugal (1 de maio de 1956)
Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada de Portugal (8 de janeiro de 1960)
Comendador da Ordem de Benemerência de Portugal (24 de junho de 1967)[9]
Em 1952, recebeu a comenda da Ordem de Afonso X, O Sábio, do Ministro de Educação de Espanha.[10]
Referências
- ↑ a b c d e f «António Montês» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 80 (1915). 1 de Outubro de 1967. p. 240. Consultado em 23 de Maio de 2019
- ↑ a b «Livro de registo de batismos da paróquia de Nossa Senhora do Pópulo - Caldas da Rainha (1897)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Distrital de Leiria. p. 6 e 6v, assento 15
- ↑ a b c d e f g h i j k l «António Montês». Museu José Malhoa. Novembro 2007. Consultado em 16 de Fevereiro de 2010[ligação inativa]
- ↑ a b c d e f g h «Necrologia». Diário de Lisboa. Ano 47 (16069). Lisboa: Renascença Gráfica. 12 de Setembro de 1967. p. 2. Consultado em 23 de Maio de 2019
- ↑ a b c «António Montez» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 76 (1823). 1 de Dezembro de 1963. p. 341. Consultado em 23 de Maio de 2019
- ↑ «António Montês» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 71 (1696). 16 de Agosto de 1958. p. 371. Consultado em 23 de Maio de 2019
- ↑ «António Montês» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 65 (1549). 1 de Julho de 1952. p. 153. Consultado em 23 de Maio de 2019
- ↑ «Livro de registo de óbitos da 3.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (1967-08-10 - 1967-11-28)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. fls. 375v, assento 664
- ↑ «Entidades Nacionais Agraciadas com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "António Montez". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 15 de janeiro de 2026
- ↑ «Os nossos colaboradores: António Montês» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 65 (1547). 1 de Junho de 1952. p. 126. Consultado em 23 de Maio de 2019
Ligações externas
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- Nascidos em 1896
- Mortos em 1967
- Jornalistas de Portugal
- Escritores de Portugal
- Ferroviários de Portugal
- Naturais de Caldas da Rainha
- Cavaleiros da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada
- Oficiais da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada
- Oficiais da Ordem Militar de Cristo
- Oficiais da Ordem da Instrução Pública
- Comendadores da Ordem da Instrução Pública
- Comendadores da Ordem do Mérito