Antidepressivo tetracíclico

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Os tetracíclicos possuem quatro ciclos de carbono.

Antidepressivos tetracíclicos (ADTC) são medicamentos usados no tratamento de transtornos do espectro depressivo que foram introduzidas pela primeira vez na década de 1970. Muito similares aos antidepressivos tricíclicos.Geralmente os antidepressivos tetracíclicos sao menos perigosos em overdose que os Antidepressivo tricíclicos. Atualmente são usados como terceira opção, quando os inibidores da recapturação da serotonina ou/e noradrenalina (ISRS e ISRN) não serviram.

Possui efeito analgésico e pode causar sedação. Recomenda-se não dirigir após tomar o medicamento enquanto durar a sonolência. Potencializa os efeitos indesejáveis do álcool.

Mecanismo de ação[editar | editar código-fonte]

Inibem a recaptação pelos transportadores de serotonina, dopamina e noradrenalina (monoaminas) na membrana pré-sináptica, resultando em uma liberação mais prolongada desses neurotransmissores na fenda sináptica. Também atuam como antagonistas ou agonistas inversos dos receptores: 5-HT1A, 5-HT2A (serotoninérgicos), α1, α2 (alfa adrenérgicos), D2 (dopaminérgico), H1 (histaminérgico) e mACh (muscarínico). [1] Seu amplo espectro de ação pode ser útil antes do diagnóstico, mas resulta em um amplo número de efeitos colaterais. Assim é esperado que após avaliação psiquiátrica seja escolhido um medicamento mais específico, que atue apenas nos receptores-problema.

Marcas comerciais[editar | editar código-fonte]

Efeitos colaterais[editar | editar código-fonte]

Como inibe os receptores muscarínicos pode produz sintomas anticolinérgicos, tais como: ansiedade, agitação, desorientação, disartria, comprometimento da memória, alucinações, mioclonias, convulsões, taquicardia, arritmias, dilação das pupilas, elevação da temperatura corporal, constipação intestinal e retenção urinária.[2]

Parar de usar bruscamente pode causar uma síndrome de abstinência nas primeiras 48 horas após a suspensão. A abstinência pode ser associada a upregulation colinérgico e gera mal-estar, náuseas, vômitos, diarreia, ansiedade, irritabilidade, insônia, sonhos vívidos, movimentos parkinsonianos e/ou acatisia.[2]

Superdosagem[editar | editar código-fonte]

A overdose é caracterizada por confusão, convulsões, alterações de concentração, sonolência grave, dilação das pupilas, alteração da frequência cardíaca, febre, alucinações, inquietação ou agitação, respiração rápida ou difícil, cansaço, fraqueza intensa e vômitos. O tratamento da intoxicação consiste em diminuição da absorção (lavagem gástrica), aumento da eliminação (administração de pasta de carvão ativado seguida de estimulação catártica), e tratamento específico das intercorrências cardiopulmonares.[2]

Gravidez e lactância[editar | editar código-fonte]

Não há registros de causar má-formação em estudos com animais, sendo assim categoria B. Deve-se interromper seu uso apenas nas últimas duas semanas antes do parto. Pode ser usado por lactantes.

Referências

  1. Brunton, Laurence (2011). Goodman & Gilman's The Pharmacological Basis of Therapeutics 12th Edition. China: McGraw-Hill. pp. 406–410. ISBN 978-0-07-162442-8.
  2. a b c MORENO, Ricardo Alberto; MORENO, Doris Hupfeld e SOARES, Márcia Britto de Macedo. Psicofarmacologia de antidepressivos. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 1999, vol.21, suppl.1 [cited 2015-07-13], pp. 24-40 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44461999000500006&lng=en&nrm=iso>. ISSN 1809-452X. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44461999000500006.