Antonio Teixeira Guerra

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Antonio Teixeira Guerra
Antonio Teixeira Guerra
Antonio Teixeira Guerra
Nascimento 9 de setembro de 1924
Rio de Janeiro
Morte 1 de outubro de 1968 (44 anos)
Rio de Janeiro
Residência Brasil
Nacionalidade  Brasileiro
Instituições Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro
Campo(s) Geografia
Tese "A Geografia e a Conservação dos Recursos Naturais do Brasil – Bases do Bem-Estar e da Segurança Nacional"

Antonio Teixeira Guerra foi um grande geógrafo brasileiro, nasceu em 9 de setembro de 1924, na cidade do Rio de Janeiro e faleceu no dia 1 de outubro de 1968, aos 44 anos de idade. Foi casado com Ignez Amélia Leal Teixeira Guerra, também geógrafa e dessa união tiveram sete filhos, dos quais o primogênito, Antonio Jose Teixeira Guerra, também viria a se tornar Geografo. O casal trabalhou durante muitos anos no IBGE, onde desenvolveram diversos projetos em conjunto, escreveram muitos artigos, e realizaram diversos trabalhos de campo.

Dados biográficos[editar | editar código-fonte]

Filho de pai português, comerciante e mãe italiana, Guerra sempre foi muito estudioso, tendo se formado em Geografia e História pela Faculdade Nacional de Filosofia, da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Fez o seu curso secundário no Colégio Independência, entre os anos de 1936 e 1940. Entrou para a Faculdade de Filosofia, da Universidade do Brasil, em 1942, onde se licenciou em Geografia e História em 1945. Nesse mesmo ano, entrou para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), então Conselho Nacional de Geografia. Em 1947, ganhou uma bolsa de estudos e foi para a França, onde fez vários cursos de especialização em Geografia, na Universidade de Paris, até o ano de 1949. Nesse ano, foi convidado para estagiar no Instituto Francês da África Negra, tendo percorrido o oeste africano e o sul do deserto do Saara, até a então Guiné Portuguesa. Voltou para o Brasil em 1949, onde se reintegrou ao Conselho Nacional de Geografia. A partir daí, lecionou na Universidade Federal Fluminense, Universidade do Estado da Guanabara e na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Participou dos Congressos Internacionais de Geografia, realizados em Lisboa (1949), Washington (1952), Rio de Janeiro (1956) e Estocolmo (1960). Tomou parte ativa em várias assembleias gerais da Associação de Geógrafos Brasileiros, de onde se tornou sócio em 1951. Foi professor, durante praticamente toda sua vida profissional, dos cursos de férias para Aperfeiçoamento de Professores do Ensino Secundário de Geografia, que eram organizados pelo então Conselho Nacional de Geografia. Em novembro de 1967, defendeu sua tese de livre-docente, na então Faculdade de Filosofia da Universidade do Estado da Guanabara, tendo sido aprovado brilhantemente com a tese intitulada “A Geografia e a Conservação dos Recursos Naturais do Brasil – Bases do Bem-Estar e da Segurança Nacional”. Quando faleceu em 1º de outubro de 1968, Guerra era Diretor de Divisão Cultural do Instituto Brasileiro de Geografia, da Fundação IBGE.

Ao longo de sua carreira profissional, Guerra publicou dezenas de artigos em periódicos nacionais e estrangeiros, e vários livros. Entre eles, destacam-se os trabalhos sobre os então territórios do Amapá, Acre e Rio Branco, o livro Recursos Naturais do Brasil (Conservacionismo), cuja segunda edição saiu após sua morte, em 1976, baseado na sua tese de livre docente. Seu filho mais velho, Antonio Jose Teixeira Guerra (o único que seguiu a carreira do pai) e sua mãe, Ignez Amélia Leal Teixeira Guerra, atualizaram essa edição. Sem dúvida nenhuma, sua mais consagrada publicação é o Dicionário Geológico-Geomorfológico, publicado pelo IBGE. Antonio Jose Teixeira Guerra, também geógrafo, atualizou e ampliou essa obra, que foi publicada, pela primeira vez pela Editora Bertrand Brasil, em 1997, sob o título de Novo Dicionário Geológico-Geomorfológico, encontrando-se atualmente na sua 11ª edição (2015).

Guerra conseguiu publicar muito e com qualidade, numa época em que não havia computadores, GPS, imagens de radar e de satélite e outros avanços tecnológicos que tanto facilitam e agilizam o trabalho de um pesquisador. O fato é que ele publicou muito: trabalhos de altíssima qualidade, de uma versatilidade incrível, até hoje consultados por geógrafos e outros profissionais que desejam obter informações sobre os antigos territórios federais, solos tropicais, variações de nível do mar, sambaquis, lateritas, aspectos geográficos da Amazônia, Cananéia, e Subsídios para a uma nova divisão política do Brasil, publicado em 1960, na Revista Brasileira de Geografia.

Em 1994 foram reunidos, por seu filho Antonio Jose Teixeira Guerra, em um só livro, 13 trabalhos de Antonio Teixeira Guerra, na maioria esgotados e até hoje motivo de consulta por parte de uma gama variada de pesquisadores e de pessoas que se interessam pela obra de Guerra. Trata-se do Coletânea de Textos Geográficos (Bertrand Brasil) que presta uma homenagem a Guerra, reunindo em um só livro trabalhos que já se constituem em obras clássicas.

A seguir o prefácio do livro Coletânea de Textos Geográficos, feito por Orlando Valverde, outro famoso geógrafo do IBGE, que foi amigo e contemporâneo de trabalho de Guerra e prestou sua última homenagem, através desse prefácio, que ajuda a ilustrar a carreira do ilustre geógrafo.

"Por volta de 1941, chegou ao Brasil o geógrafo francês Francis Ruellan. Sem condições de retornar ao seu país, permaneceu no Rio de Janeiro, onde foi contratado para dar cursos de Geografia Física na Faculdade Nacional de Filosofia e para orientar pesquisas de geografia, como consultor técnico, no Conselho Nacional de Geografia, do IBGE.

Ruellan era um geomorfólogo, com doutorado pela Sorbonne e discípulo de E. De Martonne. Logo, ele empolgou os alunos com suas preleções e sua ênfase nos trabalhos de campo. E quem não ficaria fascinado com a Geomorfologia clássica, num país como Brasil, onde somente geólogos saídos da Escola de Minas de Ouro Preto pontificavam sobre as ciências da Terra? Assim acontecera, décadas antes, na Alemanha, com Albrecht Penck; nos Estados Unidos, com William Morris Davis; e, na própria França, com Emmanuel De Martonne.

Naquela época, o esforço de guerra afetava o Brasil pela busca de materiais estratégicos. Por isso, geólogos e geógrafos prestavam bons serviços, revelando as potencialidades desse país imenso, de dimensões continentais. A partir de então, foram incentivadas as explorações de cristal de rocha, berilo, mica, ferro e manganês, assim como couros, carne, algodão, café, etc.

Nesse contexto, deu-se a formação de Antônio Teixeira Guerra, e ele manteve durante sua vida profissional de geógrafo essa característica de pioneiro.

Ele se empenhou em trabalhos de campo nos longínquos territórios federais da Amazônia: Acre, Rondônia (então chamado Guaporé), Roraima (ex-Rio Branco) e Amapá. A primeira referência na literatura científica à ocorrência de argila do tipo montemorilonita no primeiro dos citados territórios da época – argila típica de solos de regiões temperadas – encontra-se no livro de A.T. Guerra O Território Federal do Acre, editado pelo CNG, na coleção Biblioteca Geográfica Brasileira.

Tal como aconteceu com os demais geógrafos brasileiros iniciados pela Geomorfologia, Guerra compreendeu que era preciso arrebanhar a maior quantidade possível de informações sobre aquelas terras tão desconhecidas e pouco acessíveis.

Assim, nas suas longas andanças, ele abordou problemas relativos à formação de lateritas e aos sambaquis como sobre habitação rural, geopolítica, produção, etc.

Curiosamente, foi na árdua pesquisa de campo no Planalto Central, em 1947, chefiada pelo prof. Ruellan, tratando do problema da mudança da capital da República, que se iniciou o namoro que resultaria, mais tarde, no casamento entre Antonio Guerra e Ignez Leal; a mesma excursão, aliás, em que começou também o romance entre outros dois geógrafos que se tornaram depois bastante conhecidos: Walter Egler e Eugenia Gonçalves.

O amor pela ciência que abraçara impregnou toda aquela geração. Moças e rapazes não possuíam muita vaidade. Guerra, de uma feita, repetiu, sem conhecer, uma atitude cômica, passada, anos antes, com o geógrafo André Cailleux, no XVIII Congresso Internacional de Geografia, no Rio de Janeiro. Ele só trouxera roupa cáqui, de campo, em sua bagagem (naquele tempo não se usava jeans), causando risos e embaraços à delegação francesa. Pois Guerra, que também não se preocupava com elegância, encomendou, de uma só vez, três calças e paletós cáquis, para uso diário no serviço.

Em uma das últimas vezes que o encontrei, critiquei suavemente sua maneira compulsiva de trabalhar. Estava ele em seu gabinete de diretor da Divisão de Geografia, do CNG, tomando um lanche, que Ignez regularmente lhe levava. Tinha em frente uma xícara de café com leite e, ao lado, uma garrafa térmica; escrevia num papel, enquanto mordia um sanduíche.

Por que essa pressa? Naquele momento, eu não poderia, de modo algum, compreender, mas, se não fora aquele afã de trabalhar, Guerra não poderia ter deixado a vasta obra que produziu. Cursos, administração, conferências foram, sem nenhum desdouro, apenas subprodutos da larga experiência direta, por ele adquirida, em sua vida tão breve."
Orlando Valverde, Coletânea de Textos Geográficos, 1994

Livros[editar | editar código-fonte]

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