Apateísmo

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Apateísmo é uma contração das palavras apatia e teísmo/ateísmo, também conhecido como ateísmo apático ou ateísmo pragmático, e caracteriza-se pela total apatia ou indiferença em relação à existência de deus(es). Por não caracterizar uma opinião religiosa, mas uma abstenção do debate religioso e da preocupação religiosa, o termo pode ser aplicado tanto a um teísta quanto a um ateísta. Em outras palavras, um apateísta é alguém que não considera a questão da existência nem inexistência de deuses nem significativa nem relevante para a sua vida.

O apateísta normalmente considera que milhares de anos de debates não têm provado a existência ou inexistência de um ou mais deuses. Assim ele conclui que, ainda que exista algum tipo de divindade, ela não se parece manifestar no destino dos seres humanos, o que torna o assunto desinteressante.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Ao longo da tradição teísta, o apateísmo foi associado à insuficiência moral, à ignorância deliberada e à impiedade. Para as religiões, comportar-se de modo indiferente à alegada existência de Deus equivaleria a um abandono do dever moral, em favor de uma vida hedonista. De acordo com o filósofo francês católico Étienne Borne, "o ateísmo prático não é a negação da existência de Deus, mas a ação totalmente desvinculada Dele; é um mal moral, que se constitui não na invalidação das leis morais, mas na completa rebelião a elas."[2]

Na História recente (2000 em diante), o ateísmo pragmático tem sido visto sob uma luz mais positiva. O jornalista Jonathan Rauch acredita que "o apateísmo pode ser comemorado como nada menos que um grande avanço civilizacional. A religião, como os incontáveis ​​atos de violência em nome de Deus tem ressaltado, continua a ser a mais polêmica e volátil das forças sociais (...) o apateísmo, portanto, não deve ser assumido como a representação de um decúbito preguiçoso... É exatamente o oposto: ele é o produto de um esforço cultural para domar a mentalidade religiosa e muitas vezes um esforço pessoal igualmente determinado para dominar as paixões espirituais. Não é um lapso. É uma conquista."[3]

Subcorrentes[editar | editar código-fonte]

Ausência de motivação religiosa[editar | editar código-fonte]

Esse argumento afirma que a moral está presente na sociedade humana, sem qualquer relação necessária com religiões. A existência ou não de um deus não tem nenhum efeito sobre as ações dos seres humanos e pode inclusive causar mais sofrimento do que benefícios. Apateístas até reconhecem que a religião pode fornecer um "conforto" para muitas pessoas ao redor do mundo, mas afirmam que a religião é desnecessária para a orientação moral.

Exclusão ativa[editar | editar código-fonte]

É a sustentação de que a religião tem sido a causa de guerras e disputas culturais por milhares de anos e, por conseguinte, é uma questão muito relevante no seio das sociedades. Visto isso, e uma vez que a existência de um deus ou de deuses nunca poderá ser comprovada ou refutada, a sociedade, a cultura e a ciência podem e devem avançar sem interferência religiosa em atividades intelectuais e ações concretas. Incluir a religião nos diálogos e nas ações pode gerar resultados de qualidade inferior, devido ao inerente fracionamento entre as culturas que as religiões causam.

Indiferentismo[editar | editar código-fonte]

A indiferença, ou (indiferentismo) é "a crença de que não há evidências de que uma religião ou filosofia possa ser superior a outra."[4] O termo indiferentismo, neste contexto, foi popularizado por Immanuel Kant em sua "Crítica da Razão Pura".[5] Para Kant, o indiferentismo representa uma forma extrema de ceticismo, sustentado pela ausência de motivos racionais para se aceitar qualquer posição filosófica.[6]

A Igreja Católica atribui indiferentismo a todas as filosofias ateístas, materialistas, panteístas e agnósticas, bem como ao pluralismo religioso defendido por Jean-Jacques Rousseau.[7]

Citação apateísta famosa[editar | editar código-fonte]

O filósofo francês Denis Diderot, quando acusado de ser ateu, respondeu que simplesmente não se importava com a possibilidade de Deus existir ou não. Em resposta ao deísta Voltaire, escreveu:[8] "É muito importante não confundir cicuta com salsinha, mas acreditar ou não acreditar em Deus não é de todo importante."

Referências

  1. Ontario Consultants on Religious Tolerance: Apatheism: "Does God exist? I don't know & I don't really care"
  2. Borne, Étienne (1961). Atheism. [S.l.]: New York: Hawthorn Books. ISBN 0-415-04727-7 
  3. Rauch, Jonathan, Let It Be: Three Cheers for Apatheism, The Atlantic Monthly, May 2003
  4. http://www.merriam-webster.com/dictionary/indifferentism
  5. Rees, D.A. (1954) "Kant, Bayle and Indifferentism," The Philosophical Review, 63(4)
  6. Rees, D.A. (1954) "Kant, Bayle and Indifferentism," The Philosophical Review, 63(4)
  7. Fox, J. (1910) "Religious Indifferentism," The Catholic Encyclopedia.
  8. Herrick, Jim (1985). Against the Faith. London: Glover & Blair. 75 páginas. ISBN 0-906681-09-X