Apocalípticos e Integrados

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Apocalípticos e Integrados
Autor(es) Umberto Eco
Lançamento 1965
Edição portuguesa
Tradução Helena Gubernatis
Editora Difel
Lançamento 1991
Páginas 428
ISBN 972-29-0050-1
Edição brasileira
Tradução Pérola de Carvalho
Editora Editora Perspectiva
Páginas 386
ISBN 8527301571

Apocalípticos e Integrados (no original Apocalittici e integrati) é uma das principais obras do semiótico italiano Umberto Eco na qual ele reúne uma série de ensaios a respeito da questão da cultura de massas na era tecnológica. No Brasil, foi lançado pela editora Perspectiva dentro da coleção Debates, mais precisamente no volume 19.

O Mito do Super-homem[editar | editar código-fonte]

O capítulo chamado O Mito do Super-Homem trata o processo de identificação do herói com os leitores, através da análise semiótica. Trata-se de uma versão controversa do herói dos quadrinhos sob a análise crítica do escritor italiano Umberto Eco. O autor mostra as diversas facetas do homem de aço e as leituras possíveis sobre a obra de Jerome Siegel.

Super Eco[editar | editar código-fonte]

O perfil do fã do Super-Homem, o comportamento e a influência exercida pelo desenho no leitor ou telespectador é mostrada sob o olhar semiótico de Eco, que subjuga o sujeito receptor da mensagem à condição de fantoche dominado pela propaganda do poderio e força americana ilustrada na imagem super-herói. Pela imagem de invencibilidade personificada em Clark Kent, que se assemelha ao cidadão comum pelo desejo de ascensão, impotente para vencer suas frustrações, mas que tem embaixo das humildes vestes, o brasão em forma de S e a capa vermelha do Homem que voa, dobra aço, consegue parar um trem com o corpo, corre na velocidade da luz e têm o corpo fechado. Poderes enfim, que se configuram nas aspirações de ascensão social do cidadão, de vitórias, aplacadas, maquiadas e saciadas junto às batalhas vencidas pelo ídolo, episódio após episódio. Sem maiores dificuldades, nem muita paciência, nem planos a longo prazo, ou problemas que não se resolvam no mesmo dia. O Super-homem não deixa nada para amanhã, tudo se resolve em tempo presente. Baseado no que lhe impelem as aspirações de status, de nível social, desejando ser algo formado pela mídia, inconscientemente integrado a sua mentalidade subjetivamente, o sujeitos se esquece, perde a identidade.

Isso se especifica bem usando o herói como modelo de heterodireção: sua figura se insere na mente de seus telespectadores da mesma maneira que as apelações publicitárias. A subjetividade, nesse caso, se configura enquanto o “super” também é homem, ou seja, super-homem: é “super”, mas é homem. Ele se identifica com a população quando se humaniza, porque é como eles, se parece com eles, com defeitos e impotências, e reflete seus desejos, também, de poder e ufania. Seus poderes e seu cotidiano sugerem um modo de vida, um tempo presente de vitórias predeterminadas, sempre, sem problemas, sem preocupações, sem planos, sem projetos, sem futuro e sem passado. E a população deseja isso: deixar de ser Clark pra ser Super-Homem. Deixar de ser medíocre para ser um ícone, um destaque entre os demais. Deixar de ser esnobado para ser desejado (como Lois Lane, que esnoba Clark, mas ama o Super-Homem), ou seja, como o Super-Homem, um símbolo de idealização, realização e fantasia.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]