Apodanthaceae

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Como ler uma caixa taxonómicaApodanthaceae
Apodanthaceae spp vMH377.jpg

Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: Angiospermae
Clado: Eudicotyledoneae
Ordem: incertae sedis
Família: Apodanthaceae
Géneros

Apodanthaceae é uma família de plantas, que compreende 22 a 30 espécies herbáceas endoparasíticas.

Vivem nos ramos ou raízes dos seus hospedeiros (como filamentos semelhantes ao micélio dos fungos), emergindo apenas para florir.

As únicas folhas presentes são várias brácteas na base de cada flor. As plantas não executam qualquer fotossíntese, isto é, são holoparasitas.[1]

Estão distribuídas em três géneros: Pilostyles, Apodanthes e Berlinianche.[2]

Tentativas para determinar a relações da família produziram resultados incertos.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Apodanthaceae ("apodes"= sem pé" e "anthos"= flor) essa etimologia reflete a falta a falta de um sistema vegetativo tradicional, ou seja , não existem órgãos tradicionais como raiz, caule e folhas, mas somente um sistema endofítico, semelhante a um micílio, completamente embebido nos tecidos dos hospedeiros (Amaral 2007).

Descrição[editar | editar código-fonte]

São ervas aclorófiladas, holoparasitas, afilas, com estrutura vegetativa filamentosa, semelhante ás hifas de certos fungos, localizada na parte interna da planta hospedeira, assim apenas as flores ficam expostas, essas flores são solitárias, vistosas, actinomorfas, unissexuadas, as tépalas são dispostas em três verticilos (2+4+4 ou 3+6+6); estames 5-numerosos, unidos entre tubo; ovário ínfero, 4-5-carpelar, uniocular, placentação pariental, pluriovulação. Fruto baga.

Distribução[editar | editar código-fonte]

A família Apodanthacaea possui três gêneros: Apodanthes poit. com quatro espécies na América tropical, Berlinianche (Harms) Vattimo-Gil, com duas espécies na Africa tropical e Pilostyles Guill, com aproximadamente vinte espécies na América, Sudoeste Asiático e Sudoeste Australiano (Blarer et al. 2004, Kuijt 1969, Vattimo 1971, Vattimo 1972). No Brasil encontramos nove espécies, onde seis delas são endemicas e todas pertencem a dois gêneros, o Apodanthes, encontrada ao Norte (Amazonas), Centro-oeste (Mato Grosso) e Sudeste (Minas Gerais, Rio de Janeiro) e Pilostyles Guill, com representantes no Norte (Amazonas), Nordeste (Bahia, Piauí), Centro-oeste (Distrito Federal, Goiás), Sudeste (Minas Gerais) e Sul (Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina).

Adaptações evolutivas[editar | editar código-fonte]

As adaptações da família Apodanthaceae estão ligadas ao seu modo de vida, parasitismo, tais como redução do corpo vegetativo, perda de ccloroplastos e consequentimente perda da capacidade fotossintética (Stewart & Press 1990, Nickrent et al. 1998).

Reprodução[editar | editar código-fonte]

A biologia dessa família de certa forma ainda é um mistério, as hipóteses lançadas sobre o agente polinizador de Pilostyles variam desde dípteros e abelhas (Vattimo 1971), borboletas e moscas (Croat 1978) até mesmo por formigas do gênero Messo em Pilostyles trurberi A. Gray. segundo o autor, a floração do parasita e de sua hospedeira, Psorothamnas emoryi (A. Gray) Rydb., ao mesmo tempo, enquanto as formigas buscam as flores da hopedeira. Quanto a dispersão as hipóteses são muito variadas, porém a maioria acredita se tratar de zoocoria e endozoocoria por aves, pequenos roedores e até chimpanzés (Kuijt 1969, Vattimo 1971, Boumam 1994).

História[editar | editar código-fonte]

Acredita-se que o parasitismo é uma característica que evoluiu doze vezes entre as angiospermas ( berkman et al. 2007, Westwood at al. 2010). Essas modificações evoluiram apenas no clado das Magnolídeas e das eudicotiledôneas.

Importância econômica[editar | editar código-fonte]

As plantas parasitas causam grandes problemas econômicos em todo mundo, em média 30 Gêneros de angiospermas tem alguma relação de de parasitismo com plantas cultivados por humanos, como o milho e outros cereais. Apesar da dificuldade em avaliar o impacto econômico dessas plantas, sabemos que é altíssimo: estima-se, somente para Arceuthobium, uma perda anual em bilhões de dólares em plantações nos Estados Unidos e Canadá (Nickrent 2002. Como os métodos convencionais, herbicidas, não são bem sucedidos no controle de tais plantas, os investimentos então voltados para para o desenvolvimento de métodos efetivos de controle, como criação de variedades resistentes e no estudo do ciclo de vida dessas parasitas. Porém as holoparasitas têm recebido relativamente pouca atenção.

Gêneros[editar | editar código-fonte]

Apodanthes (possui representantes no brasil) Pilostyles (possui representantes no brasil) Berlinianche

Referências[editar | editar código-fonte]

</ref>[3] http://www.mobot.org/MOBOT/Research/APweb/welcome.html http://floradobrasil.jbrj.gov.br/jabot/listaBrasil/ConsultaPublicaUC/BemVindoConsultaPublicaConsultar.do http://www.periodicos.capes.gov.br/ http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41132/tde-10122010-105707/pt-br.php

  1. Apodanthaceae: Family Description, Parasitic Plant Connection website, accessed 2009-12-31
  2. Albert Blarer, Daniel L. Nickrent, and Peter K. Endress. 2004. "Comparative floral structure and systematics in Apodanthaceae (Rafflesiales)". Plant Systematics and Evolution 245(1-2):119-142.
  3. Apodanthaceae at Parasitic Plant Connection website