Apontador de lápis

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Se procura o peixe homónimo, veja Macroramphosus scolopax.
Um apontador simples em metal.

Um apontador de lápis (português brasileiro) ou apara-lápis (português europeu), também conhecido no Brasil como apontadora, em Portugal também como afiadeira, afia-lápis ou apenas afia, ou lapiseira em algumas regiões do Brasil, é um objeto cuja função é criar ou manter uma ponta afiada e funcional para um lápis. São usados tanto para lápis preto comuns quanto para lápis de cor. Um percentual significativo é feito para lápis de maior espessura (tipicamente doze milímetros de diâmetro) como os lápis de carpinteiro. Também existem modelos de duas espessuras, por exemplo, oito e doze milímetros. Os modelos mais simples e mais comuns tem cerca de dois centímetros e meio de comprimento, lâminas retas fixas e corpo de plástico ou metal. Alguns incluem repositórios para aparas, muitas vezes transparentes. No Brasil, os objetos sem reservatório são conhecidos como apontadores, e os com reservatório como apontadoras.

Um apontador de lápis a pilha. Observe a presença de apara de lápis no reservatório transparente.

Há duas variedades básicas de apontadores. Os mais simples tem lâminas retas e são utilizados girando o lápis enquanto ele é mantido firme junto à lâmina, enquanto que muitos modelos acionados por manivela ou motor elétrico tem lâminas curvas e em espiral que giram em torno do lápis.

Um típico apontador de escritório, operado por manivela.

Os objectos metálicos deste tipo podem ter duplo orifício e lâmina para distintas espessuras de lápis. Os que são cobertos de plástico têm diversas formas: redonda, hexagonal, de coração, de animais, elípticos, etc.

Para o usar, insere-se a extremidade do lápis no orifício e gira-se o lápis com uma mão enquanto o afiador/apontador fica fixo com a outra: a lâmina dentro do afiador corta paulatinamente a madeira do lápis, afiando assim a ponta. As aparas sairão imediatamente para o exterior, pelo que convém realizar esta operação colocando um recipiente para o lixo a não ser que o próprio afiador tenha reservatório.

Fixo de manivela[editar | editar código-fonte]

Encontra-se fixo num escritório e é de metal ou plástico. Inclui uma manivela como parte principal para accionar o instrumento e no seu interior contém uma ou duas lâminas cilíndricas que afiam o lápis. A cobertura destes instrumentos tem um depósito para as aparas do lápis, que necessita ser esvaziado periodicamente.

Para usá-lo, introduz-se o lápis na abertura com una distancia adequada com a que se deseja afiar o lápis e se começa a dar voltas à manivela no sentido horário; isto roda o sistema de lâminas cilíndricas colocadas dentro do mecanismo em certo ângulo.

Afiador eléctrico[editar | editar código-fonte]

Afiador/apontador eléctrico

Tem um motor eléctrico que gira lâminas que afiam o lápis. Para o accionar, simplesmente introduz-se o lápis no seu orifício, retirando-o quando se considera que o lápis ficou afiado. Funcionam com o mesmo principio que os fixos de manivela, mas as lâminas fazem-se rodar rapidamente por um motor eléctrico. Alguns destes são accionados por pilhas eléctricos.

Têm como vantagem a sua rapidez e comodidade de uso, mas falha quando não há corrente eléctrica e é muito mais caro que os dois anteriores. Também há uns de menor tamanho que funcionam com pilhas.

História[editar | editar código-fonte]

História[editar | editar código-fonte]

O desenvolvimento de apontadores de lápis começou na França. Em 1821, o Sr. C. A. Boucher (Paris) registrou a primeira patente do mundo para um apontador de lápis. Ele estava trabalhando com pantógrafos e aparentemente precisava de um dispositivo para afiar os lápis com precisão.[1][2] É improvável que dispositivos após sua patente tenham sido vendidos comercialmente. O matemático francês Bernard Lassimonne (Limoges) solicitou outra patente (patente francesa # 2444) em apontadores em 1828.[3] Aparelhos apontadores de lápis usando esta patente foram realmente produzidos e vendidos pela Binant, uma loja de acessórios de pintura em Paris.[2] Em 1833, na Inglaterra, a Cooper & Eckstein patenteou o chamado Styloxynon, um dispositivo simples que consiste em dois arquivos afiados colocados em ângulo reto em um pequeno bloco de jacarandá.[4][5]. Este é o mais antigo apontador de lápis que tem exemplos sobreviventes.

Nas décadas de 1830 e 1840, alguns franceses, todos baseados em Paris, estavam engajados na construção de ferramentas simples de afiação de lápis, como François Joseph Lahausse.[6] Estes dispositivos foram parcialmente vendidos, mas sem significância supra-regional. Em 1847, o nobre francês Thierry des Estivaux inventou um simples apontador de lápis portátil em sua forma moderna reconhecível.[7][8] O primeiro apontador de lápis americano foi patenteado por Walter Kittredge Foster de Bangor, Maine em 1855.[9] Ele fundou uma empresa - a primeira empresa de apontadores de lápis do mundo - e produziu esses pequenos apontadores de lápis de mão em grande quantidade. Apenas alguns anos depois, os apontadores foram vendidos também na Europa como "apontadores de lápis americanos".[10][11]

No final do século XIX, especialmente nos Estados Unidos, os apontadores de lápis com vários mecanismos foram desenvolvidos e colocados no mercado. Esses dispositivos costumavam ser pesados e planejados para uso em escritórios. Exemplos são o Perfect Pencil Pointer (Goodell. Co.), o GEM Pencil Sharpener (da Gould & Cook Co.), o Planetary Pencil Sharpener (AB Dick Co.), todos dos EUA ou o Jupiter (Guhl & Harbeck Co.). da Alemanha.[12] No início do século 20, a empresa APSCO (Automatic Pencil Sharpener) foi fundada e lançou o Apontador de Lápis Automático dos Estados Unidos depois de 1907, que dominou neste ano. Mais tarde vendem máquinas com mecanismo de fresagem como modelos Climax, Dexter, Wizard, Chicago e Junior. A APSCO tornou-se nas próximas décadas o maior produtor de máquinas de afiação de lápis do mundo e, junto com algumas outras empresas dos EUA, dominou o mercado.

Referências

  1. Recueil de la Société polytechnique: ou Recueil industriel, manufacturier, agricole et commercial, de la salubrité publique... (em francês). [S.l.]: Société polytechnique. 1822. pp. 290–295 
  2. a b «History of pencil sharpeners and pointers -1850 Lassimone, Cooper/Eckstein, Lahausse (in english)». patent-infos.de. Consultado em 5 de março de 2019 
  3. commerce, France min du (1835). Description des machines et procédés spécifiés dans les brevets d'invention, publ. par C.P. Molard... (em francês). [S.l.: s.n.] pp. 583, 81–83 
  4. Repertory of patent inventions and other discoveries and improvements in arts, manufactures and agriculture (em inglês). [S.l.]: Macintosh. 1833. pp. 318–319 
  5. Mechanic's Magazine, Museum, Register, Journal & Gazette (em inglês). [S.l.]: Knight and Lacey. 1837 
  6. nationale, Société d'encouragement pour l'industrie (1834). Bulletin de la Société d'encouragement pour l'industrie nationale (em francês). [S.l.]: Société d'encouragement pour l'industrie nationale. pp. 406–407 
  7. Description des machines et procédés pour lesquels des brevets d'invention ont été pris sous le régime de la loi du 5 Juillet 1844: N.S. 9. 1873 (1876) (em francês). [S.l.]: L'Imprimerie Nationale. 1852. 260 páginas 
  8. Fennelly, Lawrence J.; Perry, Marianna A. (2018). «150 Things You Should Know about Security». Elsevier: 1–218. ISBN 9780128094853 
  9. «Small Pencil Sharpeners». www.officemuseum.com. Consultado em 5 de março de 2019 
  10. Neueste Nachrichten aus dem Gebiete der Politik: 1858 (em alemão). [S.l.]: Wolf. 1858 
  11. «Bleistiftspitzer von Foster, Strange/Darling (Bangor/USA) (em alemão)». patent-infos.de. Consultado em 5 de março de 2019 
  12. «Mechanical Pencil Sharpeners ~ 1884-1899 (em ingles)». www.officemuseum.com. Consultado em 6 de março de 2019 
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Apontadores