Aquêmenes

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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados de Aquémenes, veja Aquémenes (desambiguação).
Achaemenes
Persa antigo: Haxāmaniš
Antepassado lendário da Dinastia Aquemênida
Reinado 680? – c. 675 a.C.
Nascimento c. 705 a.C.
  Pérsia
Morte c. 675 a.C.
  Pérsia
Filho(s) Teispes

Aquêmenes (português brasileiro) ou Aquémenes (português europeu) (em grego antigo: Ἀχαιμένης, do persa antigo, Haxāmaniš) é o ancestral, possivelmente mitológico, dos reis persas da dinastia aquemênida.[1]

Quando criança, Aquêmenes foi alimentado e protegido por uma águia, assim como Gilgamesh.[1]

Na Inscrição de Behistun, gravada por Dario I, ele foi o pai de Teispes, pai de Ariaramnes, pai de Arsames, pai de Histaspes, pai de Dario I.[2]

Muitos estudiosos acreditam que ele era um governante de Parsumash, um estado vassalo do Império Medo, e que ele liderou um ataque contra o rei assírio Senaqueribe em c. 681 a.C..[3]

Nome[editar | editar código-fonte]

O nome em última análise vem do persa antigo Haxāmaniš (𐏃𐎧𐎠𐎶𐎴𐎡𐏁), como encontrado junto com o elamita 𒄩𒀝𒋡𒉽𒉡𒆜 (Ha-ak-ka-man-nu-iš) e acadiano 𒀀𒄩𒈠𒉌𒅖𒀪 (A-ḫa-ma-ni-iš-ʾ) na inscrição trilíngue Inscrição de Behistun de Dario I, que pode ser traduzido como "amistoso por natureza", "aquele que tem a mente amiga”. O nome foi helenizado (em grego: Ἀχαιμένης (Achaiménēs), e latinizado (em latim: Achaemenes), de onde passou para as línguas modernas.[4]

História[editar | editar código-fonte]

Na Inscrição de Behistun (c. 490 a.C.), Dario I (522 – 486 a.C.) retrata Aquêmenes como o pai de Teispes, ancestral de Ciro II (Ciro, o Grande) e Dario I.[5] Na metade do século V a.C, o historiador grego Heródoto de Halicarnasso (484 – 425 a.C.) em sua obra Historia (7.11) também assinala a mesma história, na qual Aquêmenes encabeça a genealogia dos reis da Pérsia".

Além dessas breves menções ao seu nome, nada se sabe mais sobre ele de fato, devido à falta de fontes históricas mais precisas sobre Aquêmenes, se duvida de seu reinado e da sua existência. Assim, Aquêmenes pode ter asido apenas um personagem lendário (ou semi-lendário), não histórico.[5][6] O historiador sírio Nicolau de Damasco (século I a.C.) chama-o herói de quem os Aquemênidas descendem. Os escritores gregos da Antiguidade preservam várias lendas em torno da figura:[7] no final do século IV a.C., na obra Alcibíades (120e), Platão (c. 428 – 328 a.C.) retrata Aquêmenes como o herói-fundador dos persas, da mesma forma que os gregos descendem de Héracles, e que tanto Aquêmenes como Hércules eram filhos de Perseu, filho de Zeus. Isto é geralmente considerado como uma co-identificação de Aquêmenes com Perses (ou seja, o filho do herói grego Perseus e da rainha etíope Andrômeda) que na mitologia grega foi retratado como o ancestral dos "persas". Outra versão mostra Aquêmenes como filho de Egeu. No século III, Eliano (De nat. anim. 12.21) diz que Aquêmenes foi criado por uma águia.[8]

Também pode ser que a alegação de descendente de Aquêmenes na Inscrição de Behistun tenha sido invenção de Dario I, a fim de justificar a sua tomada do trono assassinando o impostor Bardiya (conhecido como o falso Smerdis). Ciro II não menciona absolutamente nenhum Aquêmenes na detalhada genealogia dada no Cilindro de Ciro.[5] Enquanto o patronímico haxāmanišiya—"[do clã de] Aquêmenes"—aparecem em uma inscrição em Pasárgada atribuída a Ciro II, "no momento não se pode decidir com certeza se esses textos foram escritos durante o reinado de Ciro II ou após sua morte, por ordem de Dario I."[5][9] Como tal, Aquêmenes poderia ser uma criação retrógrada de Dario, o Grande,[10] feita a fim de legitimar uma relação dinástica com Ciro, o Grande. Dario certamente tinha muito a ganhar ao ter um ancestral em comum com Ciro e a ele mesmo (no entanto, Teispes já era um deles), e pode ter sentido a necessidade de uma conexão mais forte do que a fornecida pelo subsequente casamento com a filha de Ciro, Atossa.

Em todo caso, de Dario I em diante, Aquêmenes foi creditado como o fundador da dinastia Aquemênida. Nada mais, no entanto, é registrado de sua vida ou ações.

Referências

  1. a b Donald A. Mackenzie, Myths of Babylonia and Assyria, Capítulo XX, The Last Days of Assyria and Babylonia
  2. Inscrição de Behistun, Coluna 1, 2.(1.3-6), [ler on-line]
  3. «Achaemenes | Persian ruler of Parsumash». Encyclopædia Britannica (em inglês). Consultado em 25 de fevereiro de 2018. 
  4. Schmitt, Rüdiger (1983), «Achaemenid dynasty», Encyclopædia Iranica, vol. I, fasc. 4, Costa Mesa: Mazda, pp. 414–426 .
  5. a b c d Dandamayev, M. A. (1983), «Achaemenes», Encyclopædia Iranica, vol. I, fasc. 4, Costa Mesa: Mazda, p. 414 .
  6. Bourke, Stephen (ed.) The Middle East: The Cradle of Civilization Revealed p. 216
  7. Tavernier, Jan (2007), Iranica in the Achaemenid Period (ca. 550–330 B.C.): Linguistic Study of Old Iranian Proper Names and Loanwords, Attested in Non-Iranian Texts, ISBN 90-429-1833-0, Peeters .
  8. Wikisource-logo.svg Vários autores (1911). «Achaemenes». In: Chisholm, Hugh. Encyclopædia Britannica. A Dictionary of Arts, Sciences, Literature, and General information (em inglês) 11.ª ed. Encyclopædia Britannica, Inc. (atualmente em domínio público) 
  9. Bruce Lincoln. Religion, empire, and torture: the case of Achaemenian Persia, 2007, University of Chicago Press, Page 4–5
  10. Jamie Stokes (2009). Encyclopedia of the Peoples of Africa and the Middle East, Volume 1. [S.l.]: Infobase Publishing. pp. 2–3. ISBN 978-0-8160-7158-6 
Aquêmenes
Nascimento: século VIII a.C.?? Morte: século VII a.C.??
Precedido por:
nenhum
Rei da Pérsia Sucedido por:
Teispes