Aquidabã

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Se procura o navio da Marinha brasileira, veja Couraçado Aquidabã. Se procura a estação de ônibus em Salvador, veja Estação Aquidabã.
Município de Aquidabã
"Terra do Abacaxi"
Bandeira de Aquidabã
Brasão de Aquidabã
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 4 de abril de 1882
Gentílico aquidabaense
Padroeiro(a) Senhora Sant'Ana
Prefeito(a) José Carlos dos Santos (PMDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Aquidabã
Localização de Aquidabã em Sergipe
Aquidabã está localizado em: Brasil
Aquidabã
Localização de Aquidabã no Brasil
10° 16' 52" S 37° 29' 40" O10° 16' 52" S 37° 29' 40" O
Unidade federativa  Sergipe
Mesorregião Agreste Sergipano IBGE/2008[1]
Microrregião Nossa Senhora das Dores IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Telha, Amparo de São Francisco, Canhoba, Itabi, Gracho Cardoso, Cumbe, Capela, Muribeca, Malhada dos Bois, Cedro de São João
Distância até a capital 98 km
Características geográficas
Área 370,2 km²
População 21,023 hab. est. IBGE/2013[2]
Densidade 53 68 hab/km² hab,/km²
Altitude 180 [3] m
Clima Tropical seco, sub-úmido transição para semi-árido [3]  BSh, As´
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,578 baixo PNUD/2010[4]
PIB R$ 63.877 mil IBGE/2005[5]
PIB per capita R$ 3,252 00 IBGE/2005[5]
Página oficial

Aquidabã é um município brasileiro no interior do estado de Sergipe. A cidade faz parte da mesorregião do Agreste Sergipano e da microrregião de Nossa Senhora das Dores. Sua população, segundo o censo de 2010, é de 20.066 habitantes, sendo o 23º município mais populoso do estado de Sergipe. Sua área mede 370,2 km².

História[editar | editar código-fonte]

Em 1590, Cristóvão de Barros doa por carta de sesmaria as terras do norte do estado a seu filho Antônio Cardoso de Barros. A região passou a ser ocupada por fazendas de gado, e foi criada uma estrada que cortava o sertão indo até o rio São Francisco. A povoação que viria a se tornar Aquidabã surgiu a partir de 1850 às margens desta estrada sertaneja. No local havia um cemitério onde estava erigida uma Cruz. O local fora então denominado de 'povoação do Cemitério'.

O povoado Cemitério passou a crescer e se desenvolver; em 1857 é criada a primeira escola pública de ensino primário. No local da Santa Cruz foi criada uma capela que passou a ter como padroeira Sant’Ana; assim em 11 de abril de 1872 por meio de resolução provincial criou-se o 'Distrito Cemitério de Sant’Ana', deixando de ser eclesiasticamente dependente de Santo Antônio do Propriá tendo como primeiro vigário o padre Benvindo Tita de Jesus.

Em 1877 uma lei Estadual passou a regulamentar o dia e o local da feira do distrito. Com a feira, o desenvolvimento chegou com força. Os habitantes de povoados vizinhos de Sítio do Meio (Muribeca), Tamanduá (Graccho Cardoso), Malhada dos Bois e Canhoba frequentavam o comércio do Distrito Cemitério de Sant’Ana.

Em 4 de abril de 1882 o distrito sobe à categoria de vila (desmembrado de Propriá e Capela) recebendo a denominação de 'Aquidabã', uma homenagem à vitória do Brasil na Guerra do Paraguai (o rio Aquidabã é afluente do rio Paraguai, e em suas margens foi travada em 1º de março de 1870 a batalha que pôs fim à Guerra do Paraguai). Curiosamente havia uma povoação vizinha, cuja rivalidade com o recém criado distrito de Aquidabã, lho imputou o nome de povoado Paraguai (hoje bairro Paraguai do município).

No entanto a vila de Aquidabã não foi oficialmente instalada na época. A Câmara de representantes locais não reconheceu a Proclamação da República, ficando a favor dos imperiais; despertando uma resposta por parte do Governo Estadual Sergipano que em 1898 decretou a intervenção de Aquidabã. A câmara é deposta, e Francisco Figueiredo é nomeado interventor, logo após cria-se o Conselho de Intendência composto por Antônio Inácio de Morais, Raimundo Ezequiel Henrique e Amaro Vieira dos Santos Maia.

Apesar de tudo, a localidade ganhava mais prosperidade com sua feira, que ganhou projeção em todo estado, atraindo pecuaristas e seus rebanhos para o comércio, um dos mais ricos da região; além do desenvolvimento da agricultura em suas terras férteis onde havia culturas de frutas, feijão, milho, mandioca, fumo e algodão.

Na década de 30 o Governador Eronildes de Carvalho foi grande impulsionador do progresso local, construindo estradas e muitas outras obras; servindo-se de Aquidabã como ponto de apoio nos planos de emancipação de sua terra natal Canhoba de Propriá. Em 8 de outubro de 1935, no seu governo, Aquidabã deixa de ser vila e passa a município. Seu primeiro prefeito eleito foi Acelino José da Costa.[6] [7]

Passagens de Lampião[editar | editar código-fonte]

Segundo histórias populares Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião visitou a cidade duas vezes. No primeiro momento apenas foi conhecer o local; mas em 1936 invadiu, saqueou e cometeu atrocidades. Teria se hospedado na casa de um coiteiro (indivíduo que fornecia proteção aos cangaceiros) no povoado Cruz Grande e invadido a sede municipal pela manhã com um bando de 50 homens.

A cidade estava quase deserta pois souberam de sua chegada; o delegado e homens importantes da região haviam fugido. O bando se dirigiu ao centro da cidade onde estavam os armazéns de algodão, as casas comerciais e as residências dos mais ricos; Lampião jogava moedas às crianças para conquistá-las. Em frente a um armazém teriam matado a punhaladas um homem louco; o cangaceiro Zé Baiano teria marcado a ferro quente as nádegas de algumas moças, outras foram estupradas pelo bando; teriam ameaçado um casal com filho recém-nascido, além de cortarem a orelhas de dois irmãos que recolhiam as moedas jogadas às crianças. O bando afinal deixou a cidade, mas alguns moradores armados os seguiram e travaram um pequeno tiroteio com os cangaceiros retardatários, aonde Gustavo Guimarães(cidadão aquidabaense de família tradicional do município) acertou um tiro e matou um deles.[7]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Parte de seu território encontra-se dentro do polígono das secas, com temperaturas médias anuais de 25,1°C e precipitação média de chuvas de 897,8 mm/ano. Seu relevo apresenta colinas e tabuleiros nos rios, e os solos são férteis de consistência argilosa. A vegetação do município varia da Capoeira, Caatinga, Campos Limpos e Sujos. Aquidabã encontra-se em duas bacias hidrográfica: a do Japaratuba e a do São Francisco, seus principais afluentes na região são o rio Poção e o riacho Jacaré.[3]

Economia[editar | editar código-fonte]

As receitas municipais vêm principalmente da pecuária de bovinos, suínos e ovinos e avicultura de galináceos. A produção agrícola é principalmente de mandioca, milho,leite, abacaxi e feijão. Há uma progressão no comércio da região, enquanto que a indústria regional se mantém em declínio.[3]

Esporte[editar | editar código-fonte]

O município conta com duas praças esportivas, conta com Ginásio de Esportes José Carlos dos Santos, que tem capacidade para 4.000 pessoas e é sede de tradicionais equipes do futsal aquidabaense e sergipano, são elas, S.C.Corinthians Aquidabaense, São Paulo Aquidabaense F.C, S.E.A.Palmeirasbã, São Raimundo F.C. e Moto Táxi F.C, o município também é sede da Associação Esportiva Força Jovem Aquidabã, clube de futebol profissional fundado em 2006 e que disputa a Série A2 do Campeonato Sergipano desde a edição de 2008.[8] A equipe manda seus jogos na outra praça esportiva do município que é o Estádio Manoel Joaquim Porto, que tem capacidade para 2.000 pessoas.[9]

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008. 
  2. «Estimativa Populacional 2013» (PDF). Estimativa Populacional 2013. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 4 de outubro de 2013. Consultado em 4 de outubro de 2013. 
  3. a b c d Projeto Cadastro da Infra-Estrutura Hídrica do Nordeste, Diagnóstico do Município de Aquidabã, 2002.
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 26 de agosto de 2013. 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2002-2005» (PDF). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 19 de dezembro de 2007. Consultado em 11 de outubro de 2008. 
  6. Acervo Biblioteca IBGE, Acervo documentação territorial: Aquidabã.
  7. a b CINFORM - História dos Municípios. Edição Histórica. Globo Cochrone. 2002
  8. «Clubes profissionais». Federação Sergipana de Futebol. Consultado em 21 de julho de 2011. 
  9. CBF (15 de setembro de 2009). «CNEF - Cadastro Nacional de Estádios de Futebol» (PDF). Consultado em 10 de novembro de 2009.