Ar (elemento)

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Símbolo alquimístico do Ar.

O elemento ar, junto com Fogo, Terra e Água, é um dos quatro elementos das cosmogonias tradicionais do Ocidente e do Oriente. Está presente em todas as religiões e seus rituais, na filosofia esotérica, na alquimia e na astrologia. É considerado "ativo e masculino", assim como o elemento fogo, em oposição a terra e a água, "passivos e femininos".[1]

O espírito da natureza do Ar é o silfo. No Zodíaco seus signos astrológicos são Libra, Aquário e Gêmeos.[2][3] É simbolizado na alquimia pelo triângulo com a ponta voltada para cima, cortado por um traço na horizontal.

Recepção moderna[editar | editar código-fonte]

A Ordem Hermética da Aurora Dourada, fundada em 1888, incorpora ar e outros elementos clássicos gregos em seus ensinamentos. [4] A arma elemental do ar é a adaga que deve ser pintada de amarelo com nomes mágicos e sigilos escritos em cima dela em violeta.[5] Cada um dos elementos tem vários seres espirituais associados. O arcanjo do ar é Rafael, o anjo é Chassã, o governante é Aral, o rei é Paralda, e os elementais do ar (seguindo Paracelso) são chamados de sílfides. [6] O ar é considerável e é referido ao ponto superior esquerdo do pentagrama no Ritual Invocador Supremo do Pentagrama. [7] Muitas dessas associações, desde então, espalharam-se por toda a comunidade ocultista.

Na Aurora Dourada e em muitos outros sistemas mágicos, cada elemento está associado a um dos pontos cardeais e é colocado sob os cuidados das Torres de Vigia. As Torres de Vigia derivam do sistema enoquiano de magia fundado por John Dee. Na Aurora Dourada, são representados pelas tábuas elementais enoquianas. [8] O ar está associado ao leste, o qual é guardado pela Primeira Sentinela. [9]

O ar é um dos cinco elementos que aparecem na maioria das tradições wiccanas e pagãs. A Wicca, em particular, foi influenciada pelo sistema de magia da Aurora Dourada e pelo misticismo de Aleister Crowley. [10]

Paralelos nas tradições não ocidentais[editar | editar código-fonte]

No hinduísmo, Vayu (sânscrito वायु), também conhecido como Vāta वात, Pavana पवन (significando Purificador), [11] ou Prāna, é uma divindade primária, que é o pai de Bhima e o pai espiritual de Hanuman. Como as palavras para o ar (Vāyu) ou vento (Pavana), é um dos Panchamahābhuta os "cinco grandes elementos" do hinduísmo.

O ar não é um dos cinco elementos clássicos chineses tradicionais. No entanto, acredita-se que o antigo conceito chinês de Qi ou chi esteja próximo do conceito de ar. Acredita-se que o Qi faça parte de todas as coisas vivas que existem, como uma espécie de "força vital" ou "energia espiritual". É freqüentemente traduzido como "fluxo de energia", ou, literalmente, como "ar" ou "respiração". (Por exemplo, tiānqì, literalmente "sopro do céu", é a palavra chinesa para "tempo"). O conceito de qi é muitas vezes reificado, no entanto, nenhuma evidência científica suporta sua existência.

O elemento ar também aparece como um conceito na filosofia budista que tem uma história antiga na China.

Alguns ocultistas modernos ocidentais equiparam o elemento clássico chinês do metal com o ar, [12] outros com a madeira devido à associação elemental do vento e da madeira no ba gua.

Enlil era o deus do ar na antiga Suméria. Shu era a divindade do ar no antigo Egito e o marido de Téfnis, deusa da umidade. Ele se tornou um emblema de força em virtude de seu papel na separação de Nut de Geb. Shu desempenhou uma função primordial nos Textos dos Sarcófagos, que eram feitiços destinados a ajudar o falecido a alcançar o reino da vida após a morte com segurança. No caminho para o céu, o espírito tinha de viajar através do ar como um feitiço indica: "Eu subi em Shu, eu ascendi nos raios de sol". [13]

Religião e filosofia[editar | editar código-fonte]

O ar é considerado um símbolo sagrado na maioria das religiões, incluindo o Hinduísmo, Cristianismo e Wicca.

Muitos rituais religiosos são realizados na presença de um símbolo deste elemento. Seja em forma de incenso, ou mesmo simplesmente representado por uma pena.

Segundo outras crenças, acredita-se que o ar tenha alguns poderes especiais. O ar é um dos "tatwas" (cinco elementos básicos da natureza). Na religião Wicca o ar é tido como um dos símbolos do Grande Deus, assim como o incenso e as penas.

Nas religiões neopagãs, como é o caso do Druidismo, da Wicca e da Asatrú também existe a crença na existência de cinco elementos constituintes do Universo, sendo eles: o Fogo, a Água, o Ar, a Terra e Akasha (a manifestação da energia divina).

No Paganismo[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Paganismo

O ar corresponde ao tattwa Waju, e é simbolizado pelo círculo azul.

Embora, segundo a crença pagã , o princípio do ar tenha sido o terceiro elemento a se formar do Akasha, este é um elemento intermediário entre o princípio do fogo e o da água.

Responsável pelo equilíbrio (neutralização) entre os efeitos passivo e ativo do fogo e da água. Como um intermediário, o princípio do ar herda do fogo o calor, e da água a umidade. Essas características conferem ao princípio aéreo, também, duas polaridades: a positiva (de doação da vida) e a negativa (exterminadora).

Elementais do Ar[editar | editar código-fonte]

Elemental é o nome esotérico dado aos espíritos existentes na natureza, também conhecidos como seres mitológicos. Dentre os elementais do ar que, segundo a crença pagã, seriam capazes de controlar o Ar e o representar, estão os silfos, as sílfides, as fadas, os elfos, a harpia. Em algumas crenças, os anjos também são considerados seres do Ar.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Juan Eduardo Cirlot, Diccionario de Símbolos, p. 60.
  2. «Qual o elemento do meu signo e o que isso significa?». Terra. 5 de julho de 2004 
  3. «Fuego, Tierra, Aire y Agua: ¿cómo influyen los 4 elementos del zodíaco en nuestra personalidad?». La Nacion. 16 de julho de 2018 
  4. Israel Regardie, The Golden Dawn, pp. 154–65.
  5. Regardie, Golden Dawn, p.322; Kraig, Modern Magick, pp. 149–53.
  6. Regardie, Golden Dawn, p. 80.
  7. Regardie, Golden Dawn, pp. 280–286; Kraig, Modern Magick, pp. 206–209.
  8. Doreen Valiente, The Rebirth of Witchcraft, p. 64.
  9. Regardie, Golden Dawn, p. 631.
  10. Hutton, pp. 216–23; Valiente, Witchcraft for Tomorrow, p. 17.
  11. The Book of Hindu Imagery: Gods, Manifestations and Their Meaning By Eva Rudy Jansen p. 68
  12. Donald Michael Kraig, Modern Magick, p. 115.
  13. Bob Brier, Ancient Egyptian Magic, p.128.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Revilla, Federico (1990). Diccionario de Iconografía. Madrid: Ediciones Cátedra. ISBN 84-376-0929-1 
  • Cirlot, Juan Eduardo (1991). Diccionario de Símbolos. Barcelona: Editorial Labor. ISBN 9788433535047 
  • Barnes, Jonathan. Early Greek Philosophy. London: Penguin, 1987.
  • Brier, Bob. Ancient Egyptian Magic. New York: Quill, 1980.
  • Guthrie, W. K. C. A History of Greek Philosophy. 6 volumes. Cambridge: Cambridge University Press, 1962–81.
  • Cunningham, Scott. Earth, Air, Fire and Water: More Techniques of Natural Magic.
  • Hutton, Ronald. Triumph of the Moon: A History of Modern Pagan Witchcraft. Oxford: Oxford University Press, 1999, 2001.
  • Kraig, Donald Michael. Modern Magick: Eleven Lessons in the High Magickal Arts. St. Paul: Llewellyn, 1994.
  • Lloyd, G. E. R. Aristotle: The Growth and Structure of His Thought. Cambridge: Cambridge University Press, 1968.
  • Plato. Timaeus and Critias. Translated by Desmond Lee. Revised edition. London: Penguin, 1977.
  • Regardie, Israel. The Golden Dawn. 6th edition. St. Paul: Llewellyn, 1990.
  • Schiebinger, Londa. The Mind Has No Sex? Women in the Origins of Modern Science. Cambridge: Harvard University Press, 1989.
  • Starhawk. The Spiral Dance: A Rebirth of the Ancient Religion of the Great Goddess. 3rd edition. 1999.
  • Valiente, Doreen. Witchcraft for Tomorrow. Custer, Wash.: Phoenix Publishing, 1978.
  • Valiente, Doreen. The Rebirth of Witchcraft. Custer, Wash.: Phoenix Publishing, 1989.
  • Vlastos, Gregory. Plato’s Universe. Seattle: University of Washington Press, 1975.