Arara-azul-grande

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Arara Azul no Pantanal.jpg
Estado de conservação
Espécie vulnerável
Vulnerável (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Subfilo: Vertebrata
Classe: Aves
Ordem: Psittaciformes
Família: Psittacidae
Género: Anodorhynchus
Espécie: A. hyacinthinus
Nome binomial
Anodorhynchus hyacinthinus
(Latham, 1790)
Distribuição geográfica
Hyacinth area.png

A arara-azul-grande (nome científico: Anodorhynchus hyacinthinus)[2][3] é a maior representante da família Psittacidae.[4] Das quatro espécies de araras-azuis tipicamente sul-americanas — a arara-azul-de lear (Anodorhynchus leari), a arara-azul-pequena (Anodorhynchus glaucus) e a ararinha-azul (Cyanopsitta spixiii) —, a arara-azul-grande é a maior representante.[5][6] São encontradas na Bolívia, no Paraguai e no Brasil em três regiões: Amazônia, Gerais e Pantanal.[6]

Mede cerca de 98 cm de comprimento, podendo chegar até 114 cm de comprimento, e pesa até dois quilos.[7] Apresenta plumagem azul cobalto com pele nua amarela em torno dos olhos e fita da mesma cor na base da mandíbula. Seu bico parece maior que o próprio crânio. Devido a essas características, são alvo do tráfico, onde são exportadas para diversos países e acabam integradas a zoológicos, parques de diversão ou até mesmo coleções particulares de aves.[5]

Sua alimentação, enquanto viver livremente, consiste basicamente dos frutos das palmeiras disponíveis no local, sendo principalmente da castanha-do-acuri (Scheelea phalerata), do urucuri (Attalea phalerata) e do coco-de-espinho (Acrocomia aculeata).[1][7][6]

Costumam viver em bando, sendo consideradas aves sociais. São consideradas animais monogâmicos, devido a viverem com um mesmo parceiro durante toda a sua vida, sendo fiéis aos locais de alimentação e reprodução — utilizam este último várias vezes. O casal divide todas as tarefas em relação aos cuidados com os ninhos e os filhotes, só se separando após a morte de um dos indivíduos, onde não costumam se juntar a um novo parceiro e continuar a se reproduzir.[7][4]

Já foi considerada uma espécie ameaçada, tal como a arara-azul-de-lear (Anodorhychuns leari) e a arara-azul-pequena (Anodorhychuns glaucus), mas em 2014 foi retirada da lista brasileira de animais em extinção.[7][1] No entanto, de acordo com a IUCN, é considerada uma espécie vulnerável.[4]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A arara-azul-grande também é conhecida como arara-preta, araraúna, arara hiacinta, arara-jacinto, araruna ou simplesmente arara-azul.[6]

"Arara" é oriundo do tupi a'rara. "Jacinto" é uma referência à flor homônima, também de coloração azul. "Araraúna" e "araruna" são oriundos do tupi a'rara una, que significa "arara preta".[3] O termo anodorhynchus faz referência ao bico sem dentes de maxila sem entalhe e hyacininthinus é dado devido a cor azul predominante.[6]

Descrição[editar | editar código-fonte]

Casal de araras-azuis no Pantanal

A arara-azul-grande é uma ave de grande porte, podendo chegar a 1 metro de comprimento — medindo da ponta do bico à ponta da cauda — e 1,20 metro de envergadura, sendo mundialmente a maior espécie da família Psittacidae. Seu peso varia de 1,7 kg quando filhote a 1,3 kg quando adulto. Possui predominância do azul cobalto em suas penas, em degradê da cabeça para a cauda, sendo a parte debaixo das asas e cauda em preto. Além disso, apresenta um amarelo intenso nas pálpebras, ao redor dos olhos e na pele em torno da mandíbula. Seu potente bico é preto, grande e curvado e a sua língua apresenta a cor preta com faixa amarela nas laterais.[6][8] As espécies da ordem da qual as araras-azuis-grandes pertencem são caracterizadas por um bico curvado para baixo, o crânio arredondado, a mandíbula larga, os pés com dois dedos para frente e dois dedos para trás e, principalmente, a plumagem com cores intensas.[9]

Habitat e distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

Habitam regiões tropicais, como regiões abertas no Brasil, Paraguai e Bolívia. No Brasil, são basicamente encontradas em três regiões: Amazônia (estados do Amazonas e do Pará), Gerais ou Brasil Central (estados da Bahia, Goiás, Maranhão, Piauí, Tocantins) e Pantanal (estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul).[6][8]

Na região da Amazônia (menor grupo), são encontradas nas bordas da floresta tropical úmida, floresta de galeria e matas secas em locais de várzea ricas em palmeiras, em áreas abertas e ao longo de rios.[9][8][6] Na região Gerais ou Brasil Central, são encontradas em áreas abertas a pastagem, nas veredas, associadas aos buritizais, no Cerrado, em áreas com secas temporárias, em chapadas e planaltos e nos vales dos paredões rochosos. Nesta região, seus ninhos encontram-se em ocos de palmeiras, árvores grandes com a copa em forma de guarda-chuva e/ou em falhas de paredões rochosos.[8][6] Na região do Pantanal (maior grupo), são encontradas em áreas abertas e nas matas que possuem palmeiras ou acurizais, enquanto seus ninhos localizam-se tanto na borda ou interior de cordilheiras e capões quanto em áreas abertas para o pasto.[9][6][8]

Dieta[editar | editar código-fonte]

Anodorhynchus hyacinthinus

Por viverem em grupos, também costumam comer em grupos como uma forma de proteção, sendo que sempre há um indivíduo de “vigia”, que há qualquer movimento ou barulho diferente, com seu grito faz com que todos saiam voando. Possuem uma alimentação especializada - que varia da disponibilidade de recursos da região em que se encontra -, mas de maneira geral, é baseada em sementes de palmeiras, que conseguem quebrar com facilidade devido ao bico, alimentando-se principalmente da castanha-do-acuri (Scheelea phalerata), do coco-de-espinho, macaúba ou bocaiúva (Acrocomia aculeata) e do urucuri (Attalea phalerata) . Na região do Pará, alimenta-se de inajá (Maximiliana regia), babaçu (Orbiguya martiana), tucumã (Astrocaryum sp) e gueroba (Syagrus oleracea). Nas regiões secas, alimenta-se de licuri(Syagrus coronata), catolé (Syagrus cearensis), piaçava (Attalea funifera), buriti (Mauritia vinifera), pidoba (Orbiguya eicherii) dentre outros.[6][9][8]

Comportamento[editar | editar código-fonte]

As araras costumam viver em grupos e constituem famílias, sendo consideradas aves sociais. Possuem certa fidelidade aos locais de alimentação e reprodução. Quando a formação do casal é estabelecida, é baseada na fidelidade até a morte de um dos dois, sendo que podem viver por aproximadamente 50 anos. Praticam o cuidado parental não só com os seus, mas com todos os filhotes do grupo — dividindo os cuidados, não abandonando seus ovos e sendo abertos a adoção de filhotes. Os jovens e os casais que ainda não possuem filhotes costumam se reunir em ambientes denominados dormitórios, que servem como proteção e como um ambiente de troca de informações. Estão entre as aves mais inteligentes, curiosas e carismáticas do grupo. São observadas voando na natureza, andando pelo chão, penduradas nos cachos de frutos das palmeiras ou em pousadas em galhos, executando preening — ato de um indivíduo coçar ou limpar as penas do outro — e brincando uns com os outros ou com galhos, flores e folhas. Devido aos processos de migrações em busca de alimentos, são consideradas importantes dispersoras de sementes, espalhando os frutos para longe da planta-mãe. As araras-azuis são consideradas escavadores secundários por aproveitarem as cavidades já abertas por outros seres, como o pica-pau, para formarem seus ninhos, aumentando este espaço e forrando-o com serragem. Por isso, também são dadas como engenheiras ambientais, devido a construírem estes locais que serão utilizados na reprodução edepois serão utilizados por outros indivíduos.[6][9][8]

Reprodução[editar | editar código-fonte]

A arara-azul-grande atinge a maturidade aos três anos e aproximadamente aos sete anos inicia sua própria família. Para a reprodução, costumam escolher os ninhos com características padronizadas, como o tamanho e a forma, mas de forma predominante escolhem árvores com destaque no quesito vegetação possuindo cavidades mais acessíveis. Geralmente se reproduzem de setembro a outubro e os cuidados com o filhote pode ir até fevereiro do ano seguinte. Faz a postura de um a quatro ovos, no qual, a fêmea cuida da incubação dos ovos - que dura cerca de 30 dias- e da proteção dos mesmos - devido a servirem de alimento para outros animais como a gralha (Cyanocorax sp), o gambá (Didelphis albiventris), a irara (Eira barbara), o tucano (Ramphastos toco), o carcará (Polyborus plancus), e o quati (Nasua nasua)-, e o macho fica responsável em alimentá-la. Após a eclosão do ovo, os filhotes nascem frágeis -sendo que, até os 45 dias de vida precisam de cuidados essenciais devido aos predadores, além de baratas e formigas-, e ficam cerca de três meses no ninho, sob o cuidado dos pais, até se aventurarem no primeiro voo. Na maioria das vezes, somente um filhote sobrevive sendo ele o mais saudável e forte. Até os 10 meses de vida, são alimentados pelos pais e estão em fase de aprendizagem em relação a o que e onde comer, onde dormir e a se defenderem de predadores. Após este período, já sabem se alimentarem sozinhos mas ainda continuam seguindo os pais até por 18 meses onde entram para bandos jovens, deixando os pais livres para se reproduzirem novamente.[6][10][7]

Variação do grau de ameaça[editar | editar código-fonte]

Na década de 80, levantamentos realizados apontaram uma diminuição populacional estimada em 2500 indivíduos. Tal diminuição tinha/tem como fatores principais o tráfico de animais silvestres e a perda do habitat natural. A espécie foi registrada no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção e na Lista Vermelha da IUCN (International Union for Conservation of Nature, em português, União Internacional para Conservação da Natureza). Em 2014 a IUCN alterou seu status para vulnerável - que permanece até os dias de hoje - e houve a sua saída da Lista Vermelha do Brasil.[8] Também é listada no Apêndice 1 do CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção), no qual proíbe sua venda, onde tal espécie é tão popular para o comércio ilegal de aves.[11][6]

Em 2018, devido a realização de esforços para conservação da espécie –diminuindo a captura para fins como o tráfico – a arara-azul-grande saiu da lista de espécies ameaçadas de extinção presente no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção – 2018. No entanto, mesmo com sua saída da lista, e mesmo com aumento do números de indivíduos ainda está em situação preocupante devido a destruição de seu habitat natural, a baixa taxa de natalidade e -ainda presente- captura de ovos e filhotes destinados ao tráfico.[12][10]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b c BirdLife International (2016). Anodorhynchus hyacinthinus (em inglês). IUCN 2016. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2016 Versão e.T22685516A93077457. doi:10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T22685516A93077457.en Página visitada em 8 de outubro de 2019.
  2. «Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa». Academia Brasileira de Letras. Consultado em 6 de novembro de 2018 
  3. a b Ferreira, A. B. H. (1986). Novo Dicionário da Língua Portuguesa 2ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. pp. 155–156 
  4. a b c Silva, Grace (2015). «Aspectos da biologia reprodutiva da arara-azul» (PDF). Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", Instituto de Biociências de Botucatu. "Aspectos da biologia reprodutiva da arara-azul Anodorhynchus hyacinthinus (latham, 1790) no mosaico Carajás/PA" (2040400): 13, 17, 18. Consultado em 15 de dezembro de 2021 
  5. a b Fauna ameaçada de extinção (PDF). Rio de Janeiro: IBGE. 2001. p. 12. ISBN 85-240-0853-9 
  6. a b c d e f g h i j k l m n «A arara-azul – Instituto Arara Azul». Consultado em 22 de novembro de 2021 
  7. a b c d e DAMINELLI, Rebeca; SILVA, Sandro (2010). Casos de Sucesso Na Educação Ambiental: Casos de 1 a 10. Curitiba: IESDE Brasil. p. 95, 98. ISBN 9788576387756 
  8. a b c d e f g h ROSA, João Marcos (2016). Arara azul Carajás (PDF). Belo Horizonte: Nitro. pp. 15–17, 35–37. ISBN 978-85-62658-08-2 
  9. a b c d e «Arara-azul: características, habitat, alimentação». Biologia Net. Consultado em 22 de novembro de 2021 
  10. a b «Arara-azul». WWF. Consultado em 2 de abril de 2019 
  11. «Arara-azul-grande precisa de uma companheira». Scientific American Brasil. 25 de julho de 2011. Consultado em 27 de julho de 2011. Anodorhynchus hyacinthinus ainda são encontradas nas florestas em três áreas do Brasil e pequenas partes da Bolívia. São protegidas pelo Convention on International Trade in Endangered Species of Wild Fauna and Flora – CITES, que proíbe sua venda, embora essa espécie continue sendo popular no comércio ilegal de animais de estimação. 
  12. DRUMMOND, Gláucia (2018). Livro vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção - Volume 1 (PDF). Brasília: [s.n.] pp. 66 – 68. ISBN 978-85-61842-79-6 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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