Arctictis binturong

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaUrso-gato-asiático
Binturong in Overloon.jpg
Estado de conservação
Espécie vulnerável
Vulnerável [[Categoria::Espécies vulneráveis]] (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Viverridae
Subfamília: Paradoxurinae
Género: Arctictis
Temminck, 1824
Espécie: A. binturong
Nome binomial
Arctictis binturong
(Raffles, 1821)
Distribuição geográfica
Binturong area.png

O urso-gato-asiático (Arctictis binturong), também conhecido como binturong ou de forma aportuguesada binturongue,[2] é uma espécie de mamífero da família Viverridae nativa do Sul e no Sudeste Asiático. É onívoro e alimenta-se principalmente de frutas, mas também de outros vegetais e pequenos animais como roedores, insetos, peixes e aves. O significado do nome binturong foi perdido devido à extinção do dialecto local.[3] Seu nome científico Arctictis vem do grego arktos (urso) + iktis (marta-de-garganta-amarela).[4]

É um animal difícil de ser encontrado na natureza, e atualmente encontra-se na Lista Vermelha da IUCN como vulnerável devido a uma tendência de declínio populacional estimado em 30% desde meados de 1980.[1]

Características[editar | editar código-fonte]

Binturongue usando sua cauda para mover-se por troncos no Zoológico de Singapura, 2006

É um animal noturno e arborícola, e dorme em troncos. Sua cauda possui fortes musculos na base e uma ponta flexível, tornando-o uma das duas espécies de carnívoro - a outra sendo o jupará - a ter cauda preênsil. A qual ele usa como um quinto braço para escalar e se mover pela copa das árvores.[5] Jovens binturongs são capazes de se pendurar usando somente sua cauda, mas adultos são muito pesados e precisam usar uma ou duas patas para ter uma maior firmeza.[3] São cobertos por uma pelagem grossa, de cor preta ou marrom escuro, com pontas acizentadas. Suas orelhas redondas e curvadas que são cobertas por longos tufos de cabelo que crescem acima das mesmas. Possui olhos pequenos, com um tom marrom avermelhado, e suas pupilas são verticais - anatomia comum em seres de hábitos noturnos.[3][6]

Chega a medir de 60 a 96 cm de comprimento e sua cauda atinge dos 55 aos 90 cm. Pesa entre 9 a 14 kg embora haja registo de indivíduos que chegam aos 22 kg. As fêmeas são cerca de 20% maiores e mais pesadas que os machos.[6] Seus fortes pés, garras semirretráteis e cauda preênsil os permitem ser excelentes escaladores. Também são capazes de nadar e mergulhar bem, e frequentemente vão para a água se refrescar.[6]

Apesar de ser visto solitário na natureza, pequenos grupos não são incomuns e são formados por um casal e seus filhotes. E assim como na sociedade mangusta, a fêmea é o adulto dominante.[6] Em cativeiro os binturongues vivem juntos e se comunicam utilizando de várias técnicas, como vocalização e movendo suas caudas, mostrando que são uma espécie relativamente social.[7]

Ambos os sexos possuem glândulas odoríferas na genitália que produz um odor semelhante ao da pipoca, devido a presença de 2-acetil-1-pirrolina, ou 2AP, em sua urina, o mesmo composto presente em certos alimentos quando em altas temperaturas, como na pipoca durante o processo de estouro, cozimento do arroz e torradas recém-assadas.[8]

Distribuição e habitat[editar | editar código-fonte]

O binturong pode ser encontrado nas florestas tropicais ao longo do Sudeste Asiático em Laos, Tailândia, Camboja, Myanmar, Malásia e Vietnã, nas ilhas de Calimantã, Sumatra e Java na Indonésia e Palauã nas Filipinas, na província de Iunã na China, e até em regiões da Índia, Butão e Bangladesh no Sul Asiático,[1] um espécime foi coletado no arquipélago de Sulu por Jacques Bernard Hombron e Honoré Jacquintot durante a expedição do navio francês Astrolabe, mas não se sabe se a espécie ainda se encontra na região.[9]

Sua população na natureza vem sendo ameaçada pela expansão agrícola, levando ao desmatamento e degradação de seu habitat, a caça por sua carne, seu uso em medicinas tradicionais e comercialização no tráfico de animais. Assim como as civetas, muitos binturongs são capturados e mantidos em más condições em fazendas para a produção de café civeta (kopi luwak), resultando num aumento de mortalidade.[9]

Binturongs são seres arborícolas e vivem quase exclusivamente nas copas de árvores altas em florestas tropicais densas e fechadas, portanto, requerem vegetação densa no chão e nas árvores para sobreviver.[10]

Comportamento animal[editar | editar código-fonte]

Binturongs são animais normalmente noturnos, movendo-se lentamente por sua casa nas árvores procurando por frutas, de dia costumam dormir em galhos no alto das copas, tomando banho de sol, não são animais muito agéis e também devido ao seu peso eles precisam descer das copas para mudar de árvore. Eles cuidam de sua pelagem de maneira semelhante aos gatos, lambendo e mordiscando seus pelos, e afiam suas garras arranhando troncos.[3]

Existem registros de ataques por tigres e dholes, porém não são considerados seus predadores, portanto, além dos humanos, os binturongs não possuem predadores naturais.

A dieta de um binturongue consiste primariamente de frutas

Dieta[editar | editar código-fonte]

Apesar de serem da ordem carnívora, a dieta do binturong é quase exclusivamente frugívora, portanto se alimentam principalmente de frutas, especialmente de figos, mas também se alimentam de outras frutas e vegetais, pequenos mamíferos, pássaros e peixes. Além disso são oportunistas e comem carniças, ovos, folhas e brotos, e podem caçar caso tenham a oportunidade.[5] Durante a noite, podem sair para caçar pequenos animais como roedores, pássaros e invertebrados, perseguindo sua presa de forma semelhante a um gato. Devido a sua habilidade em nado e mergulho, os binturongues também podem caçar peixes durante seus banhos.[6]

Jovem binturongue mantido como animal de estimação por Orang Asli em Taman Negara, Malásia

O binturong é uma espécie-chave em seu ecossistema, por ser o principal agente dispersor da figueira-estranguladora, pois, ao ingerir sua semente, o seu organismo consegue remover a camada mais grossa da semente sem destruí-la através da zoocoria.[11]

Em cativeiro se alimentam de misturas compostas por frutas, como banana, melão cantaloupe, maçã, pêssego e kiwi, rações de gato ou cachorro, e suplemento mineral.[12][13]

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Acredita-se que o binturong não tenha um período de acasalamento fixo, porém parecem apresentar maior instância entre Fevereiro e Abril e depois entre Julho e Novembro.[6] Por ser um dos poucos mamíferos capazes de diapausa embrionária, que permite a fêmea escolher as condições favoráveis para o parto, o acasalamento pode ocorrer a qualquer período do ano.[10][3]

O ciclo estral do binturong é de 81 dias, e após o período de gestação, que dura cerca de 3 meses, a binturong fêmea desce das árvores e se esconde em folhagem densa, fora da vista de predadores e protegendo a si e seus filhotes de sol e chuva.[6] A ninhada é de um a três filhotes, apesar de terem registros de até seis.[10]

Os filhotes nascem com os olhos fechados e do tamanho aproximado de um punho humano. Durante os primeiros dias de vida eles se mantém escondidos na pelagem densa de sua mãe, se alimentando exclusivamente de seu leite. Após de cerca de 2 meses ocorre a desmama e os filhotes, já com uma pelagem grossa e do tamanho de um gato doméstico, começam a sair para explorar e procurar seu próprio alimento.[3] A espécie atinge a maturidade adulta após um ano. Na natureza, acredita-se que binturongs vivem cerca de 20 anos, porém podem chegar até 25 anos ou mais anos em cativeiro.[6]

Taxonomia e subespécies[editar | editar código-fonte]

Paradoxurus albifrons. Alfred Duvaucel. 1822

Em 1901, Emilé Oustalet, ao revisar as espécies de diferentes origens, sugeriu que houvesse somente uma espécie de binturongue, e que a coloração variava por idade. Em 1933, Reginald Innes Pocock identificou quatro subespécies.[9]

O nome genérico Arctictis foi proposto por Conraad Jacob Temminck em 1824. Ao longo dos séculos 19 e 20 foram descritas nove subespécies de binturongues.

Referências

  1. a b c Widmann, P.; De Leon, J.; Duckworth, J.W. (2008). Arctictis binturong (em Inglês). IUCN 2014. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2014 . . Página visitada em 1 de dezembro de 2014..
  2. «10 curiosidades sobre o bichinho que tem cheiro de pipoca com manteiga». MegaCurioso - As curiosidades mais interessantes estão aqui. 20 de abril de 2019. Consultado em 5 de abril de 2021 
  3. a b c d e f «Binturong | San Diego Zoo Animals & Plants». animals.sandiegozoo.org. Consultado em 5 de abril de 2021 
  4. The encyclopaedic dictionary : a new and original work of reference to the words in the English language, with a full account of their origin, meaning, pronunciation, and use, with numerous illustrations. University of California Libraries. [S.l.]: London : Cassell. 1902 
  5. a b Schleif, Molly. «Arctictis binturong (binturong)». Animal Diversity Web (em inglês). Consultado em 5 de abril de 2021 
  6. a b c d e f g h «Binturong Animal Facts | Arctictis binturong». AZ Animals (em inglês). Consultado em 5 de abril de 2021 
  7. «Binturong». Animal Experiences At Wingham Wildlife Park In Kent (em inglês). Consultado em 5 de abril de 2021 
  8. «Binturongs Smell Like Hot, Buttery Popcorn — Now We Know Why». HowStuffWorks (em inglês). 18 de abril de 2016. Consultado em 5 de abril de 2021 
  9. a b c Veron, A. P. Fernandez, Debruille, Bourgeois, Geraldine, Desamarie, Agathe, Aude (Janeiro de 2020). «Genetic diversity and structure of the binturong Arctictis binturong (Carnivora: Viverridae) - status of the elusive Palawan binturong and implications for conservation». Zoological Journal of the Linnean Society. Consultado em 6 de Abril de 2021 
  10. a b c Oldham, Cydni (27 de fevereiro de 2017). «Binturong - Description, Habitat, Image, Diet, and Interesting Facts». Animals Network (em inglês). Consultado em 5 de abril de 2021 
  11. Swain, Karen (16 de novembro de 2015). «Binturongs: Pivotal Personalities in Rainforest Conservation». NC Museum of Natural Sciences Education Blog (em inglês). Consultado em 5 de abril de 2021 
  12. Wemmer, Murtaugh, Chris, James (Maio de 1981). «Copulatory Behavior and Reproduction in the Binturong, Arctictis Binturong» (PDF). Consultado em 5 de Abril de 2021 
  13. Lambert, Joanna E.; Fellner, Vivek; McKenney, Erin; Hartstone-Rose, Adam (26 de agosto de 2014). «Binturong (Arctictis binturong) and Kinkajou (Potos flavus) Digestive Strategy: Implications for Interpreting Frugivory in Carnivora and Primates». PLoS ONE (8). ISSN 1932-6203. PMC 4144878Acessível livremente. PMID 25157614. doi:10.1371/journal.pone.0105415. Consultado em 5 de abril de 2021 
  14. a b c d e f g h i «Wayback Machine» (PDF). web.archive.org. 12 de maio de 2013. Consultado em 5 de abril de 2021 
  15. «Histoire naturelle des mammifères : avec des figures originales, coloriées, dessinées d'aprèsdes animaux vivans : Geoffroy Saint-Hilaire, Etienne, 1772-1844 : Free Download, Borrow, and Streaming : Internet Archive». Internet Archive (em inglês). Consultado em 5 de abril de 2021 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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