Arganil

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Arganil
Brasão de Arganil Bandeira de Arganil

Localização de Arganil
Gentílico Arganilense
Área 332,84 km²
População 11 596 hab. (2014)
Densidade populacional 34,8  hab./km²
N.º de freguesias 14
Presidente da
câmara municipal
Luís Paulo Costa (PSD)
Fundação do município
(ou foral)
1114
Região (NUTS II) Centro (Região das Beiras)
Sub-região (NUTS III) Pinhal Interior Norte
Distrito Coimbra
Província Beira Litoral
Orago São Gens
Feriado municipal 7 de Setembro
(Nª Srª do Mont`Alto)
Código postal 3304
Sítio oficial www.cm-arganil.pt
Municípios de Portugal Flag of Portugal.svg

Arganil é uma vila portuguesa do distrito de Coimbra, na província da Beira Litoral, região do Centro (Região das Beiras) e sub-região do Pinhal Interior Norte, com cerca de 4 000 habitantes.

É sede de um município com 332,84 km² de área[1] e 12 145 habitantes (2011),[2][3] subdividido em 14 freguesias.[4] O município é limitado a norte pelos municípios de Penacova, Tábua e Oliveira do Hospital, a nordeste por Seia, a leste pela Covilhã, a sul por Pampilhosa da Serra e por Góis e a oeste por Vila Nova de Poiares.

A aldeia do xisto de Piódão.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Arganil significa pequeno campo “Arganil é palavra portuguesa antiga, diminutivo de Arga, significa pequeno campo, campinho. Arga é corrupção de agra, campina, do latim agro, campo.”[5]

História[editar | editar código-fonte]

Alguns autores mencionam que Arganil foi fundada pelos romanos, e outros citam os lusitanos. Na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira encontramos “A tradição diz ter sido Arganil cidade romana que se teria chamado Argos, querendo alguns autores que fosse a Aussasia dos antigos lusitanos. Que a vila existia no começo da monarquia lusitana é facto averiguado, pois no ano de 1160 da era de César foi ela doada à Sé de Coimbra pela rainha D. Tereza, mãe de D. Afonso Henriques existindo já no seu termo o Mosteiro de S. Pedro de Folques.” [6]

CARTA DE POVOAMENTO e FORAL - “No que concerne a Arganil, em 25 de Dezembro de 1114, o bispo D. Gonçalo[7] outorgou uma carta de povoamento aos habitantes desta povoação.”[8][9] [10]

"TERRAS DE PORTUGAL - ARGANIL -

Fica situada em um bonito vale junto a dois ribeiros do mesmo nome, que desaguam no Alva, acima do Sarzedo, onde tem uma elegante ponte de pedra, feita em 1850. Dista 60 Kilometros a E. Coimbra e 240 ao norte de Lisboa. A Vila é uma das mais importantes do Distrito de Coimbra e consta, pela tradição, à falta de outras indicações mais seguras, que foi fundada pelos Romanos, no ano de 150 D.C., os quais lhe deram o nome de Argos, e floresceu no período da dominação. Esta notícia, apesar de muito vaga, parece confirmar-se pelo aparecimento de várias moedas de ouro e prata, quando há dois séculos se procedeu a escavações para diversas obras.[11][12] Todavia, sustentam alguns escritores que seja a cidade Aussasia dos primeiros Lusitanos, fundada 550 anos A.C., mas esta versão é pouco autorizada.[13][14][15] Durante o Império Romano foi Argos uma cidade muito florescente. No ano 716 os Árabes a invadiram e arruinaram, reedificando-a depois, mas não tornou a atingir a sua antiga prosperidade.[nota 1][16][12]

Entretanto, o primeiro documento conhecido que se refere a Arganil, o da doação feita pela Rainha D. Teresa, Mãe de D. Afonso Henriques, da Vila á Sé de Coimbra, prova a sua existência anterior à Monarquia Portuguesa.[nota 2][nota 3] Apesar, porém, desta doação, nunca chegou a entrar na posse dela, ou porque tornasse ao poder dos árabes, ou porque a doadora mudasse de parecer.

O certo é que em 1219 era Senhorio da Vila, Afonso Pires de Arganil, o mesmo que trouxe as cabeças dos Mártires de Marrocos para a Igreja de Santa Cruz, de Coimbra.[17][nota 4][nota 5] Reinava D. Afonso IV (o Bravo), quando por transacção com D. Senhorinha neta de Afonso Pires, e os administradores da fazenda régia, Arganil entrou no número das vilas de senhorio da corôa, sendo dada pelo mesmo soberano, no ano de 1392, em dote a sua neta infanta D. Maria, filha de D. Pedro I e de sua primeira mulher, a Infanta D. Constança, quando aquela foi casar com D. Fernando de Aragão.[nota 6] Falecendo esta Princesa sem sucessão, reverteu outra vez para a corôa, e foi doada em 1423 por D. João I a Martim Vasques da Cunha, que a trocou à Sé de Coimbra pela vila de e couto de Belmonte e seu termo, e pelo couto de S. Romão, vindo por esta forma a tornar-se propriedade da mitra conimbricence.

Possui foral novo que lhe foi dado em Lisboa, por El-Rei D. Manuel, a 12 de Setembro de 1514.[18][19] As gentes de Pombeiro e Celavisa pagavam antigamente a Arganil certo fôro, mas se compravam aqui qualquer propriedade eram isentas de sisa. Aos Bispos de Coimbra competia pôr ali ouvidores, que conheciam das apelações de vinte e duas vilas, coutos do bispo-conde, que tinham também o direito de nomear o Juíz Ordinário, três Vereadores, um Procurador de Concelho, Escrivão de Camara, Juiz dos Órfãos, etc.

Em Arganil houve um Convento de Crúsios, fundado por D. Vermudo Paes e sua mulher D. Elvira Draiz, por doação de 13 de junho de 1086, e um século depois, estando muito arruinado, foram os frades mudados para o da Mata de Folques, Convento que D. Sancho I veio a contar em 1204.[20][nota 7] Aos priores deste mosteiro deu D. Afonso V, ao fazer condes de Arganil os bispos de Coimbra, o título de “Condes da vila de Alvares e senhores da vila de Fajão”. O Convento conservou os Senhorios destas duas Vilas até 1834, tendo nelas jurisdições, pondo alcaides, recebendo Jugadas, etc., etc. Um dos privilégios que gozavam os Priores de Folques era o de receberem da Câmara de Alvares um tanto dinheiro para o jantar, todas as vezes que ali comparecessem. Este Convento (depois de tornado comendatário, sendo o ultimo usufruidor, Luis Carneiro em tempo de D. Sebastião) foi incorporado em 1595 nos apanágios da Sé de Coimbra.[nota 8][21]

Um dos Concelhos do Reino que mais sofreu com a Invasão Francesa, foi o de Arganil. De uma lista oficial, publicada depois da expulsão das hostes de Junot e Masséna, se vê que só nesta vila e seu termo roubaram, nos meses de Fevereiro e Março de 1811, 5.769$240 réis em dinheiro; 9.874$000 réis em diferentes objectos de ouro e prata; roupas de seda, lã e linho, na importância de 18.633$800 réis; vasos de prata, turíbulos, castiçais, cruzes e alfaias, só da Igreja de Arganil, na importância de 13.944$000 réis; as pratas das Secarias, no valor de 2.400$000 réis; de trigo, centeio, cevada, feijão e milho, que estragaram, 30.607 alqueires; azeite e aguardente, vinagre e vinho, 3.523 almudes e 1.398 alqueires; de carne de porco e banha, 584 arrobas; 314 cabeças de gado grosso; 10.642 de gado miúdo; 7 cavalos e 4 éguas; 191 porcos; 2.254 galinhas; 612 colmeias e 53 alqueires de mel. Destruiram e cortaram 3.302 oliveiras, 422 castanheiros, 1.478 carros de pinheiros; incendiaram um templo e 13 casas particulares; mataram 3 eclesiásticos, 23 seculares e 7 mulheres; ultrajaram e aprisionaram 96.[22]

Os bispos de Coimbra possuíam na vila um bom palácio com uma capela de três naves, fundado no seculo XIV, por D. Fernando Rodrigues Redondo e sua mulher D. Senhorinha Afonso. Gozavam do título de Condes de Arganil os Bispos de Coimbra, por mercê d’El-Rei D. Afonso V, passada em 1472 a favor do Bispo D. João Galvão e de seus sucessores no bispado.

Uma época remota houve que as lides da guerra não repugnava a dignidade de sacerdote. Muitos prelados e outros eclesiásticos, movidos pelos nobres sentimentos da independência da pátria, juntavam ao carácter sacerdotal o de guerreiros intrépidos. Conserva-nos a história alevantados exemplos de muitos que, sobrepondo as vestes sacerdotais a armadura de cavaleiro, empunhando numa das mãos a cruz e na outra a lança, se arrojavam com audaciosa intrepidez no campo de batalhas, batendo-se pela fé e pela pátria. Briosa lição para os inimigos deste cobiçado Jardim da Europa e da nossa jovem República. Sucedia então com os eclesiásticos o mesmo que com as Igrejas. Quem atentar bem nos poucos edifícios religiosos que ainda nos restam da Idade Média, notará que o seu aspecto é meio guerreiro e meio eclesiástico, e que as paredes exteriores apresentam a forma de fortaleza, erguendo-se por entre as ameias a Cruz. Ao folhearmos as páginas da História Pátria, frequentes vezes se nos deparam brilhantes feitos de armas praticados por eclesiásticos nos campos da batalha. O arcebispo de Braga, D. Estêvão Soares da Silva, acompanhou D. Sancho II e prestou-lhe relevantes serviços nas suas conquistas e nos combates que este notável Monarca sustentou contra os mouros, e distinguiu-se principalmente na conquista de Elvas. No ano de 1336, invadindo os Castelhanos o norte de Portugal, ligam-se o arcebispo de Braga D. Gonçalo, o bispo do Porto e o mestre da ordem de Cristo, organizam corpos de tropas, saem ao encontro do inimigo, e com tanto esforço o combatem, que ele se vê forçado a fugir, com grande perda de gente e bagagem.[23] Na memorável batalha do Salado, no dia 28 de Outubro de 1340, obra prodígios de valor o arcebispo D. Gonçalo, combatendo ao lado d’El-Rei D. Afonso IV. O arcebispo de Braga, D. Lourenço, em 1385 pelejou com o maior denodo na gloriosa batalha de Aljubarrota; e a tal ponto se expôs, penetrando nas hostes inimigas, que recebeu no rosto uma formidável cutilada, cuja cicatriz ainda hoje se divisa na sua múmia conservada na Sé de Braga. E refere a história que este valioso prelado se desafrontara em continente, prostrando a seus pés, sem vida, o castelhano que descarregara a cutilada. No dia 28 de Agosto de 1437 aportou em Ceuta dirigindo-se á conquista de Tanger, uma armada em que ia o bispo de Évora, D. Alvaro d’Abreu, igualmente avesado a empunhar a lança, que tão bem escrevia nos seus pergaminhos teólogos com a pena de letrado, como a peito descoberto combatia com a espada nas batalhas. Na funestíssima batalha de Alcácer-Kibir, tomou parte e lá morreu, o bispo de Coimbra, D. Manuel de Meneses, que, com a lança, mostrou que ainda nas armas fez vantagem ás letras. Da mesma forma heróica acabou Aires da Silva, bispo do Porto. Finalmente, deixando muitos outros exemplos, o bispo de Coimbra, D. João Galvão, acompanhou El-Rei D. Afonso V na jornada de África de 1471, e não só lhe prestou grandes auxílios de fazenda, como o ajudou pessoalmente na conquista de Arzila e Tânger; e nesta ocasião – para nos servirmos das próprias expressões do autor da “Évora Gloriosa” – o bispo se mostrou tão pontífice como soldado.[24] Em paga de tais serviços, foi que El-Rei lhe deu, para ele e seus sucessores, o título de Conde de Arganil, título até ao dia de hoje usado pelos bispos desta diocese, que também já se assignaram, além daquele título, “Senhores de Côja e alcaides-móres de Avô”.[25]

Os castelos de Côja e Arganil foram doados á Sé de Coimbra pela Rainha D. Teresa e Conde D. Henrique, como consta do Livro Preto.[nota 9] Pelos tempos adiante, não sabemos a que título passou Arganil a outro senhorio, mas posteriormente voltou para o poder do bispo e cabido de Coimbra, pois que, segundo se vê do “Elucidario”, de Viterbo, no ano de 1394 confirmou El-Rei D. João I a permutação que o bispo e o cabido haviam feito com Martim Vasques da Cunha, dando aqueles os lugares de Belmonte e couto de S. Romão, e este a vila de Arganil e seus termos. Acrescenta o mesmo autor, “que naqueles lugares tinham uns e outros meio e misto imperio, padroados e direitos de padroado, frutos e proveitos, rendas e outros direitos”.[26] A preeminência de conde, inerente á sua dignidade, tem obrigado os bispos de Coimbra a apresentarem-se em ocasiões solenes com o fausto e ostentação próprias de grandes senhores.

…Mas a história, também dá lições, fez o 5 de outubro de 1910, em que o Exército, Marinha e Povo, fez mais um esforço heróico, em que provou que a terra portuguesa devia ser livre. Oxalá que muitos, que não conhecem esta linda terra de Portugal e os seus filhos da Comarca, se convençam que p’rá frente é que é o caminho. E Arganil, que é bastante rica, há-de ter ocasião própria, a sua prosperidade que teve na Idade Média.

Frei Luis de Sousa, enumerando os prelados portugueses que assistiram ao Concílio de Trento, diz do bispo de Coimbra: “Um D. João Soares, que com o título de Bispo de Coimbra, tinha também o de Conde de Arganil senhor da vila de Côja, por estes se houve obrigado a aparecer no Concilio com fausto de principe secular, o qual representou com esplendor e magnificência notável. E por isso se visse que fora isto força de estado, mais que de ânimo, passada a ocasião do Concílio se pôs a caminho a visitar os lugares santos de Jerusalém, recompensando com moderação de peregrino voluntário as superfluidades de senhor forçado”.[27] El-Rei D. Afonso V, declarando pela sua lei de 1480 a maneira e modo por que os privilegiados haviam de pagar as Jugadas das terras que lavrassem e não fossem suas, expressamente diz “que o primeiro Rei deste reino de gloriosa lembrança, por um especial título reservou as Jugadas para si e seus sucessores”. Pagava-se este tributo de cada junta de bois com que a terra jugadeira se lavrasse um moio de trigo ou milho. Também se chamava jugada ao tributo que pagavam certas terras de pão que nelas semeavam, e esse imposto era lançado por convenção dos colonos e direto senhorio. Todas as Jugadas variavam segundo as diferentes terras em que se pagavam. Havia jugadas de pão, vinho e linho, de que fala a Ordem, Liv. 11, tit.33. Na Jurisprudência antiga eram muito vulgares os termos Baraço e Cutelo, que correspondiam a Soga e Cochilo em Espanhol. Chamavam, pois, senhor de Baraço e Cutelo, ao que tinha em algum território todo o meio e misto Império ou todo o alto e baixo Imperio. O meio ou alto Imperio era o poder ou jurisdição, alto e supremo, para obrar tudo o que fosse benefício do povo e em particular interesse do imperante, especialmente do criminal, em que decidia sobre a vida ou membros dos vassalos, desterro ou confiscação de todos os bens; e por isso, se chamava senhor de Cutelo. Verdade é que não podia exorbitar das leis uma vez estabelecidas na sua Comarca ou respectivo território. O imperio Misto ou baixo, a que também chamavam jurisdição média, era um poder que se estendia a pena de sangue, e que ordinariamente versava tão somente nas causas cíveis. O magistrado recebia alguns emolumentos por ministrar justiça ás partes. Estes dois Impérios ou Poderes são os que hoje chamamos Cível e Criminal. O primeiro entendido pelo Baraço, estendia-se á prisão e sequestro das temporidades até condigna satisfação dos credores ou queixosos; o segundo, representado no Cutelo, estendia-se á mesma morte, natural ou civil.

Porém o tempo e a civilização mostraram aos nossos Soberanos que o direito da vida e da morte se não devia alienar da corôa, sendo a Saúde e Indemnidade do Povo a Lei Suprema.[26] E por isso foram cortando estas jurisdições, reduzindo-as a mais estreitos limites, até que caducaram completamente." J. Costa Neves[28] [29]


A Santa Casa da Misericórdia de Arganil, existindo já antes como Confraria de Nossa Senhora da Conceição, sita na Colegiada de S. Gens da Vila, foi legitimada por provisão Régia aos 06 de Junho de 1647, em reinado de D. João IV. "A primeira eleição de oficiais que se fez na dita casa para nela servirem foi no ano de 1651".[30] Desde sempre com dedicação e ao serviço dos necessitados e população Arganilense.[31]
Em 1758, na vila não constava Hospital algum, tendo 172 vizinhos, contando quatrocentas e oito pessoas.[32]

A Vila de Arganil, onde até então existia um Ouvidor eleito, foi elevada a Comarca pela Rainha D. Maria I, no Palácio de Nossa Senhora da Ajuda, aos 07 de Janeiro de 1792. O Alvará seria publicado e registado na Chancelaria Mor da Corte aos 10 de Março de 1792.[33]

Entre 15 e 28 de Agosto de 1810, Arganil interviu com a sua Milícia, sob o comando do Coronel William Cox, na defesa da Terceira invasão francesa de Portugal por Masséna. O Coronel Inglês William Cox, ostentava o posto de Brigadeiro Lusitano, assistido por outros 5 oficiais Britânicos. As suas tropas eram compostas pelo 24º Regimento de Infantaria (R.I. 24 de Bragança) da linha Portuguesa e pelas Milícias de Arganil, Trancoso e Viseu, que somavam um total de 4000 infantes, com o 11º esquadrão de cavalaria e 400 artilheiros. Defrontaram as tropas francesas no Cerco de Almeida. Os acontecimentos dos dias 27 e 28 de Agosto viriam a ser extremamente duros para o Exército Anglo-Luso, sob o comando do General Wellington. Devido a uma enorme explosão em que parte de Almeida literalmente desapareceu numa cratera, o Coronel William Cox sofreu a perda de 500 homens e artilharia sem os quais não era possível resistir aos ataques de Masséna. As restantes tropas de Wellington haviam recuado na defesa de outras regiões e asseguravam outros pontos estratégicos, ainda decorrentes do anterior Combate do Côa. O Coronel Cox, isolado, com as tropas desmoralizadas, sem mantimentos e munições para mais do que 1-2 dias de resistência, ver-se-ia obrigado à rendição. A vitória de Wellington e do Exército Anglo-Luso ocorreriam nas sequentes Batalha do Buçaco , Combate de Redinha e Combate do Sabugal, infligindo grandes perdas no exército de Mássena, que iniciou a retirada a 3 de Abril de 1811.[34][35]

Aos 07 de Junho de 1870 e por testamento, a Senhora Condessa das Canas - D. Maria Isabel de Melo Freire de Bulhões - determinou que a sua casa Nobre, e propriedades, se transformassem em Hospital para os pobres da sua terra natal. Apelidada de "Mãe dos Pobres", encontra-se homenageada em Monumento no Jardim do Hospital. [36]

O Concelho de Arganil foi bastante sacrificado na 1ª Guerra Mundial, num total de 260 Arganilenses mobilizados para o teatro de guerra.[37] Em sessão da Comissão Administrativa do Concelho, foi comemorada a Batalha de La Lys onde estiveram soldados Arganilenses, aos 09 de Abril de 1919.[38]


Arganil tem História diversa, como a História não poderia deixar de ser. Raízes de uma Vila muito antiga, e não faltando à expressão do autor Pinho Leal - Esta Vila é Antiquíssima -, que se embrenha escrita e descrita na História deste nosso Portugal.[5] Dos tempos de conquistas, descobrimentos, criação de infraestruturas... da religião, mosteiros e santos de que se compunham o nome das Terras.[39] E é interessante na região, a predominância do São Pedro, a pedra basilar de um bem maior. Da geografia, geologia, no centro de um País que se expandiu e nos legou a própria História. Das gentes que fizeram parte dessa História construindo, fazendo, entre ajudando com solidariedade, e da nobreza de tais actos.
De grandes escritores como Miguel Torga. De legados aos pobres como pela Condessa das Canas, apelidada de "Mãe dos Pobres", aos médicos de profissão que honravam a medicina com actos altruístas e que eram apelidados de "Pai dos Pobres" - Fernando Valle. Apelidos de honra e valor humanitários dos que aqui ficam descritos, e muitos mais que aqui não são lembrados, de uma População e Personalidades que na sua bondade, actos nobres e humanitários, são característica raíz desta terra chamada Arganil.

Pertence ao bispado e distrito administrativo de Coimbra. Arganilense é o nome atribuído aos habitantes de Arganil e tem como feriado municipal o 7 de Setembro, festa de Nossa Senhora do Mont'Alto. O seu santo padroeiro é São Gens.

População[editar | editar código-fonte]

Número de habitantes[40]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
18 806 20 662 21 449 21 232 22 004 21 417 18 343 22 002 21 736 19 237 15 747 15 507 13 926 13 623 12 145

(Obs.: Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste concelho à data em que os censos se realizaram.)

Número de habitantes por Grupo Etário[41]
1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
0-14 Anos 6 950 7 212 6 837 6 549 6 115 5 841 5 139 3 935 3 188 2 452 1 886 1 350
15-24 Anos 3 522 3 468 3 356 3 465 3 483 3 348 2 835 2 025 2 237 1 677 1 659 1 172
25-64 Anos 8 625 8 754 8 882 8 676 8 951 9 274 8 573 7 230 6 970 6 442 6 529 5 991
= ou > 65 Anos 1 413 1 648 1 767 1 964 2 046 2 374 2 690 2 740 3 112 3 355 3 549 3 632
> Id. desconh 6 69 56 37 20

(Obs: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no concelho à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente)

Freguesias[editar | editar código-fonte]

Freguesias do concelho de Arganil.

O municipio de Arganil está dividido em 14 freguesias:

Património[editar | editar código-fonte]

Equipamentos[editar | editar código-fonte]

Turismo[editar | editar código-fonte]

Geminações[editar | editar código-fonte]

O concelho de Arganil é geminado com as seguintes cidades:[43]

Notas

  1. Alguns autores referem Aussasia, outros referem Aufragia. Brás Garcia de Mascarenhas no seu Viriato Trágico (en:Viriato_Trágico_(poem)) evidencia um local chamado Aufragia que se referirá a Arganil. O livro do Padre Diogo do Rosário é aqui referenciado por conter a História de Santa Quitéria, sendo a referencia ao local Aufragia algo vaga. A mais antiga referência a Santa Quitéria e Aufragia, entre tantos autores, será o de Jorge Cardoso em meados do Século XVII. Santa Quitéria é uma Santa venerada em Felgueiras e em Pombeiro da Beira(Arganil), sendo o Santuário(Felgueiras) e Capela(Pombeiro da Beira) datados do séc.XVII.- Garcia de Mascarenhas,1816,pag=120 - Rosário, 1870, pag327 - Cardoso, 1665, pagina 369
    À cidade de Argos, os mouros "ter-lhe-ão chamado Arganil". - Carvalho da Costa, 1708, pag45 – Faria e Sousa, 1677, pag32-
  2. Decorria o ano de 1160 da era de César que corresponde ao ano de 1122 da era de Cristo. A data de fundação da Monarquia Portuguesa é de 1143 da era de Cristo, sendo a doação portanto,anterior à mesma fundação.Existe a referência a uma anterior doação da Vila ao Conde D. Fernando. - Carvalho da Costa, 1708, pag. 45 – Brandão, 3ª parte, 1632, pag.158folha71
  3. O autor referir-se-à ao primeiro documento conhecido, constante do " Arquivo Real". Porém encontra-se no Livro Preto da Sé de Coimbra -folha 255- datado de 25 de Dezembro de 1114, um documento de relevante importância, na posse da "Mitra e Cabido Conimbricense".(– NunesFranklyn, 1816, página 67 -) Tal como se pode ler no Arquivo Nacional da Torre do Tombo "As primeiras cartas de foral, eram, fundamentalmente, contratos agrários com o objectivo de povoamento, pelo que muitos forais se encontram na base da formação de núcleos populacionais autónomos. As cartas de foral eram concedidas pelo Rei ou por um senhor, laico ou eclesiástico, a uma terra, estabelecendo as normas a seguir pelos habitantes entre si e em relação à entidade outorgante. Trata-se, na realidade, de uma carta de privilégio, e não existem grandes diferenças entre as concedidas pelo rei e as outorgadas pelos senhores, particulares ou eclesiásticos".(Arquivo Nacional da Torre do Tombo, ref. PT/TT/FRS, Colecção de Forais)
  4. Os fidalgos tomavam os apelidos das mesmas terras de que eram Senhores. -Carvalho da Costa, 1708, pag46 – “Nobiliarquia Portuguesa - fol.18” -
  5. No ano de 1220, o Cavaleiro Afonso Pires de Arganil trouxe as cinco cabeças dos Santos Mártires(Missionários Franciscanos)de Marrocos a Santa Cruz de Coimbra, por ordem do Infante D. Pedro Sanches de Portugal. Assistiu à chegada, Fernando, o futuro Santo António de Lisboa.. Os eventos ocorridos tornar-se-íam a "Lenda dos Santos Mártires", baseada em factos relatados com um misticismo próprio ao tempo em que ocorreram. - w:pt:Mosteiro_de_Santa_Cruz - Conde D. Pedro, "Nobiliário", tít. 36 – Lavanha, 1640, pag. 195 – Brandão, "Monarquia Lusitana" 4ªparte , 1632, pag. 79folha33, 217folha102 e seg.
  6. D. Senhorinha Afonso foi casada com D. Fernando Rodrigues Redondo, o qual fez os Paços do Concelho, a Capela de S. Pedro de Arganil constituida por três naves (inicialmente para nela fazer jazigo para si e sua mulher), e deixou á sua esposa e aos dois fidalgos Fernão Lopes e Francisco Nunes, testamento, para que se construisse a Igreja de Arganil. Na Igreja de S. Pedro, constava em um dos lados, a Estátua de S. Nicolau, e no outro São Martinho.(Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Memórias Paroquiais 1722/1832,Dicionário geográfico de Portugal, Tomo 4, A 4, 72 Arganil 1758/1758,m0236) Não faltando à vontade do defunto marido D. Fernando Rodrigues Redondo, a Igreja de Arganil foi construida. Encontram-se sepultados na Capela de S. Pedro anexa à Igreja de São Nicolau em Santarém
    D. Senhorinha Afonso era irmã de João, Lourenço, Payo, D. Velasquida, D. Inês Pires (c.c. Martim Afonso de Melo) e de D. Constança Pires casada segunda vez com Fernão Gonçalves da Cunha. Filhos de D. Pedro Afonso de Arganil de Çamora e de D. Estevainha Pais de Valadares.
    Este D. Pedro Afonso tinha como irmãs D. Maria Afonso e D. Marinha Afonso (casada com D. João de Aboim), filhos de Afonso Pires de Arganil e D. Velasquida de Çamora.
    D Fernando Rodrigues Redondo era irmão de Rodrigo Anes Redondo, o qual residia em Santarém, onde D. Senhorinha Afonso se encontra viúva em 1333. Em 1371 conseguiu a doação por El Rei D. Afonso IV da Igreja de São Nicolau em Santarém, que trocou por direitos, rendas e padroado da Igreja de Arganil.
    D. Fernando Rodrigues Redondo e Rodrigo Anes Redondo eram netos de "PedreAnes" Redondo.
    O Padre António Carvalho da Costa, adverte, que o Conde D. Pedro no seu "Nobiliário" tit.40, se terá equivocado ao chamar D. "Marinha" á D. Senhorinha Afonso casada com D. Fernando Rodrigues Redondo. Equivocado, talvez por D. Marinha ser sua tia, a qual fora casada com D. João de Aboim. - Carvalho da Costa, 1708, pag46 e 47. - "Nobiliário" tit.36 - Lavanha, 1640, pag. 195 -
  7. "Existem referências ao Mosteiro de São Pedro de Arganil desde 1086, data do testamento de Vermudo Pelágio e de Elvira Draíz, sua mulher, que deixaram ao prior de Arganil, D. Goldrofe, e aos seus clérigos religiosos, umas herdades no lugar de Folques. A existência da igreja está documentada para 1155. Entre 1160 e 1164, tornou-se crúzio. Cerca de 1190, o Mosteiro foi transferido para a mata de Folques mas a designação de São Pedro de Arganil permaneceu pelo menos até ao séc. XIV". Em 1708, o autor Carvalho da Costa refere o Mosteiro com designação “…Colégio novo dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho..."e que "…junto deste lugar que dista uma légoa de Arganil, passa uma ribeira onde há minas de oiro, e já em algumas ocasiões se tirou muito por ordem d'El Rey."- Arquivo Digital da Torre do Tombo, Digitarq ref.PT/TT/MSPF – Carvalho da Costa, 1708, pag49.
    São Goldrofe seria alvo de Processo de Beatificação e Canonização, em 1758-1791, e os seus feitos em vida, obras e milagres, podem ser lidos no livro "Chronica de Ordem de Conegos Regrantes do Patriarcha S. Agostino 2º vol. - SMaria,Padre D. Nicolao,1668, pag.159-161 - Digitarq ref.PT/TT/MSPF/L002 -
  8. Luís Carneiro era capitão e governador da Ilha do Príncipe. Aos 08 de Abril de 1566, "por Sentença a favor da coroa" largou a posse do mosteiro de São Pedro de Folques. - Arquivo Nacional Torre do Tombo PT/TT/GAV/10/11/23 -
  9. "Liber inventarius cartarum sive testamentorum", mas é conhecido por "Livro Preto" da Sé de Coimbra: Importante códice medieval que inclui uma série de diplomas que narram um conjunto de acontecimentos que tiveram lugar na região de Coimbra e no centro de Portugal, para além dos territórios dependentes daquela cidade. - Referência Digitarq PT/TT/CSC/L06 -

Referências

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  2. INE (2012). Censos 2011 Resultados Definitivos – Região Centro. Lisboa: Instituto Nacional de Estatística. p. 101. ISBN 978-989-25-0184-0. ISSN 0872-6493. Consultado em 27 de julho de 2013. 
  3. INE (2012). «Quadros de apuramento por freguesia» (XLSX-ZIP). Censos 2011 (resultados definitivos). Tabelas anexas à publicação oficial; informação no separador "Q101_CENTRO". Instituto Nacional de Estatística. Consultado em 27 de julho de 2013. 
  4. Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013.
  5. a b Pinho Leal 1873, p. 238-o.
  6. Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa: Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, [19-]. Vol.III. P. 186-187
  7. Bispo de Coimbra - D. Gonçalo Pais (1109 - †1127)
  8. BARROS, Patrícia Cláudia Nascimento de Sousa – Uma visão de Arganil através dos seus forais. Arganil: Câmara Municipal, 1998. P. 29
  9. A.N.T.T. - Cabido da Sé de Coimbra 0906/1646, Livro Preto da Sé de Coimbra,m0514 -Folha255 e verso-
  10. A.N.T.T. - Cabido da Sé de Coimbra 0906/1646, Livro Preto da Sé de Coimbra,m0581 índice
  11. Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Memórias Paroquiais 1722/1832,Dicionário geográfico de Portugal, Tomo 4, A 4, 72 Arganil 1758/1758-m0236
  12. a b Carvalho da Costa 1708, p. 45.
  13. Garcia de Mascarenhas 1816, p. 120.
  14. Rosário 1870, p. 327.
  15. Cardoso 1665, p. 369.
  16. Faria e Sousa 1677, p. 32.
  17. Ribadaneira, M.Rev.Pe. Pedro de (1674). Flos Sanctorum. Historia das vidas e obras insignes dos Santos. [S.l.]: Lisboa, António Craesbeeck de Mello, Impressor de Sua Alteza. p. 180 
  18. Digitarq - Arq. Dig. Torre do Tombo - Minutas para os Forais - Ref.PT/TT/CC/1/1/000002
  19. Digitarq - Arq. Dig. Torre do Tombo - Foral de Arganil 1514-09-12/1516-09-14 - Ref: PT/TT/FRS/08
  20. Testamento de Elvira Draiz - Arquivo Nacional Torre do Tombo ref:PT/TT/MSPF/M001/09
  21. Pinho Leal 1873, p. 238 n-o.
  22. Soares 1870, p. 291.
  23. Guerra entre Portugal e Castela-1336 a 1339
  24. Fonseca 1728, p. 323.
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  26. a b Viterbo 1798, p. 342.
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  30. Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Memórias Paroquiais 1722/1832,Dicionário geográfico de Portugal, Tomo 4, A 4, 72 Arganil 1758/1758, m0234
  31. Jornal "A Comarca de Arganil" - 12 de Junho de 1980 – n.º8062 – 1ª página
  32. Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Memórias Paroquiais 1722/1832,Dicionário geográfico de Portugal, Tomo 4, A 4, 72 Arganil 1758/1758-m0229
  33. Infantado 1800, p. 14.
  34. López, Juan Priego (1981). Guerra de la Independencia: 1808-1814, Volume 4. [S.l.]: Madrid. p. 221 
  35. Oman, Sir Charles Chadwick (1908). A History of the Peninsular War, volume III. [S.l.]: Oxford - Canadian Libraries EBook #55231 
  36. Jornal "A Comarca de Arganil" - 28 de Agosto de 1924 – n.º1213 – 1ª página
  37. Arquivo Histórico Militar https://arqhist.exercito.pt/ Código e referências:PT/AHM/DIV/1/35A/./../.....
  38. Jornal "A Comarca de Arganil", Artigo: "Os dias 09 e 10 de Abril de 1918", 10 de Abril de 1919, n.º938 – 2ª página
  39. Carvalho da Costa 1708, p. 49.
  40. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
  41. INE - http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros
  42. Senna Martinez, J.C.; Dias Luz, A.M. (1983). «O Megalitismo da bacia do Alva: primeira contribuição para um modelo socioeconómico». O Arqueologo Português, série IV, I. Lisboa: Edição do Museu Nacional de Arqueologia e Etnologia. p. 103-118 
  43. http://www.anmp.pt/anmp/pro/mun1/gem101l0.php?cod_ent=M3300

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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