Argumento de Wilt Chamberlain

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Em filosofia política, o argumento de Wilt Chamberlain, proposto por Robert Nozick em seu livro Anarquia, Estado e Utopia, de 1974,[1] pretende demonstrar que uma distribuição de riqueza não pode ser considerada injusta, mas que esse julgamento depende da forma de apropriação da riqueza pelos indivíduos.

Resumo do argumento[editar | editar código-fonte]

Cenário[editar | editar código-fonte]

Digamos que uma distribuição igualitária exista em determinada sociedade. Agora suponhamos que Wilt Chamberlain é um grande jogador de basquete e que muitas pessoas estão dispostas a lhe dar dinheiro para vê-lo jogar. Depois do jogo, Wilt Chamberlain possui muito mais dinheiro do que qualquer outra pessoa da sociedade.

Essa desigualdade é injusta?

Premissas[editar | editar código-fonte]

  • Premissa 1: Uma sociedade é justa se e somente se a distribuição de riqueza nessa sociedade tenha uma certa distribuição igualitária D1.
  • P2: Quando as pessoas transferem livremente suas propriedades para outras pessoas elas alteram a distribuição D1 para uma nova distribuição D2.
  • P3: Não é injusto que pessoas transfiram suas propriedades para outras pessoas.
  • P4: Qualquer distribuição que resultar de uma distribuição justa por meio de etapas não-injustas é justa em si.

Conclusões[editar | editar código-fonte]

  • Conclusão 1, segundo P2: Se as pessoas começarem de uma distribuição justa como presumivelmente é D1 e então livremente transferirem suas propriedades para Wilt Chamberlain, então a distribuição na sociedade vai ser alterada para uma nova distribuição D2.
  • C2, segundo P3 e P4: Se as pessoas começarem de uma distribuição justa como presumivelmente é D1 e então livremente transferirem suas propriedades para Wilt Chamberlain, então o resultado da distribuição será justo.
  • C3, segundo C1 e C2: D2 é justo.
  • C4, segundo P1 e C1: D2 é injusto.
  • C5, segundo C3 e C4: P1 é falso.

Referências

  1. Robert Nozick, “Anarquia, Estado e Utopia” (1974).