Argumento do sonho

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O argumento do sonho é um argumento cético que postula que o ato de sonhar providencia evidência preliminar de que somos incapazes de distinguir o sonho das experiências sensoriais que temos quando em vigília, sugerindo que nossas vivências não passam de impressões dos sentidos, não havendo nenhuma substancial diferença entre o sentir e o imaginar sentir ou o sonhar estar sentindo. Sendo assim, fica impossível decidir, entre os mundos possíveis (vigília ou em sono), qual é o real e o falso, o que de fato vemos e ouvimos. Trata-se, assim, de uma decisão arbitrária. Dito de outra maneira, partindo do critério de tomar como falso o que for tratado como provável, se de fato é provável que estamos acordados neste instante, e não podemos afirmar categoricamente, pois em algum momento já afirmamos estarmos acordados em meio a um sonho (um pesadelo, por exemplo), a distinção entre o sono e a vigília é improvável. Assim, os sentidos através dos quais confiamos para distinguir realidade de ilusão não devem ser plenamente confiáveis, e como tal, qualquer estado que dependa dos sentidos devem ser, no mínimo, cuidadosamente examinados e testados com rigor para determinar se algo é de fato "real".

"Zhuangzi que teria acabado de sonhar que era uma borboleta, ou se era uma borboleta que teria começado a sonhar que era Zhuangzi?"

Enquanto as pessoas sonham, normalmente não se apercebem que o estão a fazer (se se apercebem, é chamado de sonho lúcido). Este facto levou filósofos a supor se não estaremos num estado de sonho constante em vez de numa realidade acordada. Em filosofia ocidental, esta questão foi referido por Platão, na sua obra Teeteto (158b-d), e também na Metafísica de Aristóteles. Tendo recebido um grande atenção por parte de René Descartes, na sua obra Meditationes de prima philosophia, o argumento do sonho tornou-se uma das hipóteses do cepticismo mais proeminentes.

Na filosofia oriental, este tipo de argumento é mais conhecido como Zhuangzi sonhou que era uma borboleta (莊周夢蝶 Zhuāngzhōu mèng dié): uma noite, Zhuangzi sonhou que era uma borboleta a voar alegremente. Depois de acordar, ele questionou se poderia determinar se era Zhuangzi que teria acabado de sonhar que era uma borboleta, ou se era uma borboleta que teria começado a sonhar que era Zhuangzi.

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