Aristóbulo (irmão de Herodes Agripa I)

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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados de Aristóbulo, veja Aristóbulo.

Aristóbulo foi um irmão de Herodes Agripa I e de Herodias, ele era neto de Herodes, o Grande.

Família[editar | editar código-fonte]

Aristóbulo era filho de Aristóbulo e Berenice.[1] Seus pais, Aristóbulo e Berenice, eram primos, e tiveram três filhos, Herodes Agripa I, Herodes de Cálcis e Aristóbulo;[1] Herodias, citada como filha de Aristóbulo e irmã de Herodes Agripa I e de Aristóbulo,[1] provavelmente também era filha de Aristóbulo e Berenice.[Nota 1] Aristóbulo, pai deste Aristóbulo, era filho de Herodes, o Grande e Mariana, a neta de Hircano II.[1] Berenice era filha de Costóbaro e Salomé, irmã de Herodes.[1]

Aristóbulo casou-se com Iotapa, filha de Sampsigeramus II, rei de Emesa, com quem teve uma filha surda, Iotapa.[1]

Rivalidade com Herodes Agripa I[editar | editar código-fonte]

Pouco antes da morte de Herodes, o Grande, Herodes Agripa I foi viver em Roma, e tornou-se amigo de Druso, filho de Tibério, e Antônia, sua esposa, que admirava Berenice, mãe de Agripa, e queria que Agripa prosperasse.[2]

Após a morte de Berenice, Agripa dissipou sua fortuna, e, com a morte de Druso, Tibério não quis mais receber os amigos do seu filho.[2] Sem dinheiro, Agripa voltou para a Judeia, e pensou em se suicidar, mas foi dissuadido por sua esposa Cipros,[3] que escreveu a Herodias, irmã de Agripa e, no momento, casada com o tetrarca Herodes, pedindo ajuda.[3] O tetrarca, porém, o humilhou, e Agripa foi se encontrar com Flaco, que havia sido seu amigo em Roma, havia sido cônsul e agora era o governador romano da Síria.[3]

Aristóbulo também estava vivendo com Flaco, ele e seu irmão Herodes Agripa I eram rivais, mas Flaco conseguia se manter amigo de ambos.[4] Quando houve uma disputa entre Damasco e Sidon a respeito de fronteiras, a embaixada de Damasco, sabendo da amizade de Agripa com Flaco, corrompeu Agripa com uma grande soma, mas Aristóbulo soube disso, contou a Flaco, e este deixou de ser amigo de Agripa.[4] Nos eventos que se seguiram, Agripa voltou a Roma; ele se tornou amigo de Calígula,[4] e recebeu a tetrarquia de Herodes quando Calígula se tornou imperador.[5]

Participação no episódio da estátua de Calígula no templo de Jerusalém[editar | editar código-fonte]

Quando Calígula ordenou a Petrônio, governador romano da Síria, que invadisse a Judeia e colocasse uma estátua sua no templo de Jerusalém,[6] vários judeus ofereceram suas vidas a Petrônio, pois preferiam morrer a ver o templo de Jerusalém profanado.[7]

Aristóbulo, irmão do rei Agripa, com Heleias, o Grande, junto com vários judeus de famílias importantes, foram até Petrônio, explicando a aversão que os judeus tinham à presença da estátua; Petrônio, em parte por causa dos argumentos de Aristóbulo e dos outros, em parte por vontade mostrada pelos judeus, e por não querer massacrar dezenas de milhares de inocentes, resolveu enviar a carta para Calígula, que contava a determinação dos judeus.[7] Calígula acabou cedendo, por causa de um pedido de Agripa, mas ordenou a Petrônio que se suicidasse, por ter desobedecido sua ordem;[8] por providência divina, a carta condendo Petrônio se atrasou, e chegou depois da mensagem que falava da morte de Calígula.[9]

Notas e referências

Notas

  1. O texto de Flávio Josefo não menciona a mãe de Herodias, nem menciona outro casamento de Aristóbulo, o filho de Herodes.

Referências

  1. a b c d e f Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XVIII, Capítulo 5, Herodes, o Tetrarca, guerreia contra Aretas, rei da Arábia, e é derrotado por ele. Sobre a morte de João Batista. Como Vitélio foi a Jerusalém. Um relato de Agripa e os descendentes de Herodes, 4 [em linha]
  2. a b Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XVIII, Capítulo 6, Sobre a viagem do rei Agripa para Roma, para se encontrar com Tibério César; e como, depois de ser acusado por seu liberto, ele foi preso; e como ele foi libertado por Caio, depois da morte de Tibério, e foi feito rei da tetrarquia de Filipe, 1
  3. a b c Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XVIII, Capítulo 6.2
  4. a b c Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XVIII, Capítulo 6.3
  5. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XVIII, Capítulo 6.10
  6. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XVIII, Capítulo 8 Sobre a embaixada dos judeus a Caio; e como Caio enviou Petrônio da Síria para guerrear contra os judeus, a menos que eles recebessem sua estátua, 2
  7. a b Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XVIII, Capítulo 8.3
  8. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XVIII, Capítulo 8.8
  9. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XVIII, Capítulo 8.9