Armindo Monteiro

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Armindo Rodrigues de Sttau Monteiro GOCGCCGCIC (Vila Velha de Rodão, Vila Velha de Ródão, 16 de Dezembro de 1896Loures, 15 de Outubro de 1955), mais conhecido por Armindo Monteiro, foi um professor universitário, empresário, diplomata e político que exerceu importantes funções durante o regime do Estado Novo, incluindo as de Ministro das Colónias, de Ministro dos Negócios Estrangeiros e de embaixador de Portugal em Londres durante a fase inicial da Segunda Guerra Mundial.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Armindo Monteiro nasceu em Vila Velha de Ródão, filho de Arménio da Costa de Sttau Monteiro e de sua esposa Rosária Maria Rodrigues da Silva. Naquela vila fez os seus estudos elementares. Concluídos os estudos secundários, formou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, estreando-se cedo nas lides jornalísticas através da colaboração em diversos periódicos. Obteve uma especialização académica em Finanças Públicas, passando a manter, com alguma regularidade, entre 1919 e 1928, uma página financeira no Diário de Notícias.

Na política militou nas forças partidárias da fase crepuscular da Primeira República Portuguesa. Esteve entre os republicanos conservadores que apoiaram a Revolução Nacional o que conduziu naturalmente a uma colaboração com o governo da Ditadura Nacional como vogal da comissão liquidatária da dívida de guerra portuguesa à Grã-Bretanha.

A sua colaboração com o governo da ditadura e a fama que granjeara como especialista em Finanças Públicas levou a que Armindo Monteiro tivesse um importante papel na política portuguesa durante a fase de estruturação do Estado Novo, que o tornou nalguns períodos figura central, rivalizando com António de Oliveira Salazar durante a fase mais incipiente da ditadura militar (1928) que resultou do Golpe de 28 de Maio de 1926. A 21 de Dezembro de 1928 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Cristo.[1]

Depois de uma aparente tentativa de em 1928 assumir as funções de Ministro das Finanças, entre 1929 e 1943, foi sucessivamente Subsecretário de Estado das Finanças (a convite do então Ministro Oliveira Salazar), Ministro das Colónias (1931-1935), tendo sido elevado a 19 de Novembro de 1931 a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo e agraciado a 21 de Abril de 1932 com a Grã-Cruz da Ordem do Império Colonial,[2] Ministro dos Negócios Estrangeiros (1935-1936) e embaixador de Portugal em Londres na fase inicial da Segunda Guerra Mundial (1937-1943). Passou assim por algumas das posições governamentais mais sensíveis, já que a questão do equilíbrio das finanças públicas, a questão colonial e a política externa tiveram naquele período uma importância decisiva no processo de consolidação do regime corporativista do que viria a ser o Estado Novo salazarista.

Armindo Monteiro era conhecido pelas suas convicções anglófilas e por ser cosmopolita e dinâmico, o que levou a que fosse visto como uma possível alternativa a Salazar no caso da oposição democrática tomar o poder em Portugal. Com o objectivo de o afastar de Lisboa, dadas as divergências entre ambos, António de Oliveira Salazar nomeou-o embaixador de Portugal no Reino Unido. Aí, durante a fase inicial da Segunda Guerra Mundial, Armindo Monteiro procurou, a partir de Londres, levar Salazar a imprimir uma acção mais pró-Aliada no quadro da neutralidade portuguesa. As suas discordâncias em relação à posição a adoptar por Portugal face pretensão britânica de adquirir bases nos Açores (a crise dos Açores) levou a que Salazar optasse pela sua substituição naquele posto diplomático.

Aquela substituição, e o consequente terminar da colaboração directa com o governo de Oliveira Salazar, foi o culminar do progressivo afastamento do pensamento de Armindo Monteiro face a Salazar, bem patente em episódios como o envolvimento na Segunda Guerra Ítalo-Etíope, a adesão de Portugal ao Comité de Não-Intervenção, o debate em torno da revisão dos tratados de Aliança Luso-Britânica e as divergências tácticas com no decurso da Segunda Guerra Mundial, com destaque para a crise dos Açores.

A partir de 1943, e até ao seu falecimento em 1955, Armindo Monteiro retoma as lides universitárias e empresariais, embora mantendo alguma actividade política como membro da Câmara Corporativa e do Conselho de Estado, onde foram relevantes as suas posições nos debates sobre política colonial.

Na vertente empresarial assume papel de grande nos círculos empresariais directamente ligados à exploração do império colonial, particularmente na administração da então Refinaria Colonial, em Alcântara (Lisboa),[3] pertença da Sena Sugar Estates, de Moçambique, empresa a que Armindo Monteiro esteve ligado de 1943 até falecer.

Armindo Monteiro deixou uma apreciável obra publicada, com relevo para a sua colaboração com o Diário de Notícias, e um acervo de manuais, discursos e ensaios sobre política e administração.

Armindo Monteiro foi pai de Luís de Sttau Monteiro, intelectual, escritor e destacado membro da oposição democrática ao regime do Estado Novo.

Notas

  • Pedro Aires de Oliveira, Armindo Monteiro: uma biografia política. Dissertação de mestrado em História dos séculos XIX e XX (secção do século XX), apresentada à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, 1998.
  • Pedro de Oliveira, Fernando Rosas, Júlia Leitão Barros (editores), Armindo Monteiro e Oliveira Salazar: Correspondência política 1926-1955. Lisboa: Editorial Estampa, 1996 (ISBN 9789723311822).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]