Arnaldo Vieira de Carvalho

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Arnaldo Vieira de Carvalho
Nascimento 5 de janeiro de 1867
Campinas
Morte 5 de junho de 1920 (53 anos)
Campinas

Arnaldo Augusto Vieira de Carvalho (Campinas, 5 de janeiro de 1867 — Campinas, 5 de junho de 1920) foi um médico brasileiro, fundador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Biografia[editar | editar código-fonte]

Arnaldo Augusto Vieira de Carvalho foi o primeiro de seis filhos de Carolina Xavier Vieira de Carvalho (1841-1899) e de Joaquim José Vieira de Carvalho (1841-1899), ambos naturais de Santos, onde se casaram. Seu pai foi advogado destacado e teve vários cargos em administração pública. Foi vereador no município de Santos, deputado do Império quando morava em Campinas e vice-presidente da Província de São Paulo em 1887. Com a República foi senador estadual em 1891. Arnaldo, em suas memórias, deu destaque à importância de seu pai, que o indicou para médico da Hospedaria dos Imigrantes em 1889, bem como também influenciou sua inserção na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Quando Arnaldo Vieira de Carvalho estava recém chegado a São Paulo após formar-se médico na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, instalou-se a República. Nesse período o Estado de São Paulo estava bastante empenhado em implantar instituições que marcassem o desenvolvimento do Estado. Assim, foram estabelecidos o Serviço Sanitário, com o Laboratório Farmacêutico, Laboratório de Análises Químicas, Laboratório Bacteriológico e Instituto Vacinogênico. Este instituto teve Arnaldo como seu Diretor por vários anos, onde procurou implantar um caráter científico. Arnaldo Vieira de Carvalho, ainda estudante de Medicina, em suas férias já frequentava a Santa Casa de São Paulo, onde já tinha um aprendizado com o médico Pereira Barreto. Em 1895, tornou-se o primeiro Diretor Médico da Santa Casa de São Paulo, quando pode desenvolver todo um trabalho que já caracterizava um ambiente de ensino, ainda antes de ser fundada uma Faculdade de Medicina em São Paulo. Foi também um dos fundadores da Sociedade de Cultura Artística em 1912, tendo sido seu presidente entre 1912 e 1920. Foi um dos fundadores da Revista Annaes Paulistas de Medicina e Cirurgia em 1914. É mais conhecido por ter comandado a fundação da Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, que iniciou suas atividades em 1913. Sua morte súbita em 1920 foi um evento traumático para seus pares e para a cidade de São Paulo, que o reverenciou intensamente.[1]</ref> Diplomou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1888[2]. Foi diretor da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, primeiro diretor e catedrático da Clínica Ginecológica da então Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo e hoje Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, que dá nome a uma das principais avenidas paulistanas. Em sua homenagem, a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo é denominada a "Casa de Arnaldo" e a avenida onde está localizada recebeu o nome de "Doutor Arnaldo".

Destacou-se como diretor clínico da Santa Casa de São Paulo, pelas ampliações e reformas que promoveu em seus serviços assistenciais e, pela modelar organização que imprimiu à Faculdade de Medicina de São Paulo, que fundou e da qual foi primeiro diretor.

Participou com destaque da fundação da Sociedade de Medicina e Cirurgia e, da criação da Policlínica do Estado. Apoiou todos os problemas médico-sociais de seu tempo. Renovou os métodos cirúrgicos em São Paulo, introduzindo-lhes as mais recentes conquistas científicas, praticando, pela primeira vez, entre nós, a gastrectomia.

Segundo a historiadora Pietra Diwan, em seu livro "Raça Pura" (Ed. Contexto, 2007), foi um dos médicos mais entusiastas do movimento da eugenia, termo criado por Francis Galton (1822-1911), que a definiu como o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações, seja fisica ou mentalmente. Não se deve tomar o termo eugenia na acepção que a tornou mais conhecida, isto é, como uma política racista. A rigor, tratava-se, antes, de contribuir, pela higienismo e pelas campanhas de vacinação (lembremos a atuação de Arnaldo à frente do Instituto Vacinogênico), para o fortalecimento das populações diante da doença e das condições adversas de alimentação, moradia, clima, etc. Arnaldo participou dos quadros da Sociedade Eugênica de São Paulo, fundada em 1918, da qual também fez parte, entre outros expoentes da intelecutalidade nacional, o médico Francisco Franco da Rocha (1864-1933).

A referida Sociedade Eugênica, a primeira do gênero na América Latina, deve sua fundação ao empenho pessoal do médico e eugenista Renato Ferraz Kehl, figura emblemática no movimento eugênico brasileiro, responsável por lançar a ideia de uma entidade voltada ao estudo e divulgação da ciência eugênica, mobilizando, para tal, importantes intelectuais como o Dr. Arnaldo Vieira de Carvalho, prestigiado com a Presidência da entidade; a Sociedade Eugênica de São Paulo contava ainda com três presidentes honorários: os médicos, A. de Sousa Lima, Amancio de Carvalho e Belisário Penna.[3] 

Referências

  1. Arnaldo Vieira de Carvalho e a história da medicina paulista (1867-1920). Coleção Memória do Saber. Organizadoras Maria Amélia Mascarenhas Dantes e Márcia Regina Barros da Silva. Fundação Miguel de Cervantes, 1912.
  2. Vieira de Carvalho, Arnaldo, pag. 1753 - Grande Enciclopédia Universal - edição de 1980 - ed. Amazonas
  3. BONFIM, P. R. (2017). Educar, Higienizar e Regenerar: Uma História da Eugenia no Brasil. Jundiaí, SP: Paco Editorial. 118 páginas. ISBN 9788546206919. Consultado em 15 de fevereiro de 2017 
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