Arracão

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Disambig grey.svg Nota: Para a cidade filipina, veja Arakan (Filipinas).
Estado de Rakhine
pahkuing pranynai
  Subdivisão  
Bandeira de Estado de Rakhine pahkuing pranynai
Bandeira
Localização de Estado de Rakhine pahkuing pranynai
Capital Sittwe (ou Akyab)
Região Costa Oeste
Distritos 8
Fundação 1974
Área
- Total 36,778 km²
População (01/07/2000 (est.))
 - Total 2,744,000
    • Densidade 0,1 hab./km²
- Etnia arracanês, Birmanês, Chin
- Religião Budismo, Islão

O Estado do Arracão[1] (que o regime birmanês actual chama Rakhine) é uma subdivisão administrativa da Birmânia. Situado na costa ocidental do país, faz fronteira com o estado Chin ao norte, as divisões de Magway, Bago e Ayeyarwady no este, o Golfo de Bengala a oeste e o Bangladesh no nordeste. A sua capital é Sittwe (antiga Akyab).

A zona costeira é salpicada de ilhas, as mais importantes sendo Cheduba, Ramree e Shahpura. Aí encontram-se vulcões de lama.

O clima é muito quente e insalubre. O país produz arroz e madeira de construção. Produz ouro, prata, e hidrocarburos, particularemente offshore.

O estado estende-se entre as latitudes 17°30' e 21°30' norte e as longitudes 92°10' e 94°50' leste. A sua superfície é de 36 762 km². A sua população em 1985 era estimada a 2 698 000. Os principais grupos étnicos que o povoam são os Arracaneses e os Rohingya. Encontram-se também os Mro, Khami ou Khumi, os Kaman, os Dienet e os Marmagri. A maioria da população é budista, mas os Rohingya são muçulmanos.

A serra do Arracão, em birmanês Arakan Yoma, que fica no oeste da Birmânia e no este da Índia, e culmina a 3 063 m com o pico Victoria, separa o estado do Arracão do resto da Birmânia.

História[editar | editar código-fonte]

As tradições falam de capitais reais existentes em 3000 a.C.

A mais antiga traça escrita conhecida do Arracão é a inscrição dita de Anacandra, datada de 729 depois de J. C., que conta que o rei Dvancandra ( 370-425 depois de J. C. ) "construíu a cidade com muralha e fosso". Esta cidade é a actual Dhanyawadi, que revelou esculpturas de estilo Gupta (uma dinastia que reinou no norte da Índia do meio do século III até 535) e que se pode datar do século V antes de Cristo

Na aldeia de Wethali ou Vesali, pesquisas arqueológicas efetuadas nos anos de 1980 descobriram várias construções de tijolo, e objetos em pedra e em bronze. O sítio arqueológico deve datar de um período entre os séculos VI e X.

Um terceiro sítio, Mrauk-U, data de um período entre os séculos XV e XVIII. Aí encontram-se vestígios de fortificações nas colinas. Narrações dizem que no século XVI o Rei Minbin abriu os diques dos reservatórios de água da cidade para repelir os invasores birmaneses (o Rei Tabinshwehti, que reinava no Pegú, atacou a vila em 1546-1547)

A armada birmanesa do rei Bodawpaya apoderou-se de Mrauk U em 2 de janeiro de 1785, acabando com o reino de Arracão, como entidade independente. A região foi posteriormente conquistada pelos ingleses durante a primeira guerra anglo-birmanesa, em 1824.

Dinastia de Arracão[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Dinastia de Arracão

População[editar | editar código-fonte]

A população do estado do Arracão contava dois milhões de habitantes no século passado. Mas a guerra contra os birmaneses e a emigração reduziram este número para cerca de 730 000 (2001).

A língua arracanesa faz parte do grupo dito "lolo-birmanês" do ramo tibeto-birmanês das línguas sino-tibetanas.

Os arracaneses são adeptos do budismo theravada mas continuam a praticar uma religião tradicional.

Economia[editar | editar código-fonte]

O Arracão e suas águas contêm reservas de hidrocarbonetos, prospetados, por várias companhias internacionais. Em dezembro de 2008, um consórcio dirigido pela companhia sul-coreana Daewoo concluiu um acordo com o regime birmanês para a exploração do gás offshore de Shwe. Um gasoduto será construído desde a costa até o Yunnan, para exportação do gás natural para a China. Esse gasoduto atravessaria zonas muito povoadas da divisão de Magway, o que, visto a experiência do projeto de gasoduto de Yadana, (na divisão de Tanintharyi) dará origem infelizmente a grandes deslocações de população.[2]

Também está prevista a construção de um porto de águas profundas, que permitiria à China receber petróleo do Médio Oriente sem passar pelo estreito de Malaca.

Referências gerais[editar | editar código-fonte]

  • Hudson, Bob, "Ancient geography and recent archaelogy: Dhanyawadi, Vesali and Mrauk-u", "The Forgotten Kingdom of Arakan" History Workshop, Bangkok, 2005.

Distritos[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Fernandes, Ivo Xavier (1941). Topónimos e Gentílicos. I. Porto: Editora Educação Nacional, Lda. 
  2. Time International, 30 de mrço de 2009

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]