Arrogância fatal

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Arrogância fatal”, “erro fatal” ou “presunção fatal” (em inglês: Fatal conceit) é um conceito criado pelo economista e filósofo austríaco F. A. Hayek. Durante a Segunda Guerra Mundial e, após seu término, durante a Guerra Fria, estavam acontecendo calorosos debates políticos e econômicos entre pessoas que, de um lado, defendiam o capitalismo e, de outro, defendiam o socialismo. Sendo assim, o conceito de “arrogância fatal” foi elaborado nesse contexto como uma forma de criticar o socialismo, apontar suas falhas factuais e lógicas e refutar muitos dos argumentos colocados em debate pelos socialistas.

Com esse conceito, Hayek critica o mau uso da racionalidade ao se pensar a sociedade – a política, a economia, o direito, a cultura etc. –, principalmente quando se pretende, por meio desse uso da razão, conduzir centralizada e forçadamente a sociedade a algum caminho que for considerado o melhor por burocratas e políticos que comandam o aparelho do Estado. Nesse sentido, Hayek dispõe de outros importantíssimos conceitos utilizados por ele em outras obras, tais como o de conhecimento disperso[1] e o de ordem espontânea – e para entender a arrogância fatal devemos passar por eles, pois estão intimamente ligados.

Para Hayek, se o conhecimento é disperso, é impossível que ele seja completamente reunido, para que então se possa tomar alguma decisão racional, a qual afetará toda a sociedade. É nesse tipo de decisão racional baseada na crença arrogante de possuir todo o conhecimento necessário para aplicar mudanças sociais que acreditam os socialistas.

Da mesma forma, pela ordem espontânea, temos que as instituições, os costumes, a moral, a economia, a cultura e muitas outras coisas que temos na sociedade, surgiram sem que uma racionalidade centralizada comandasse todo o processo de forma top-down. A ordem complexa da civilização como a conhecemos – a qual chamamos, erroneamente, segundo Hayek, de capitalismo – deu-se espontaneamente, por meio da cooperação, e assim deve ser preservada.

O termo “arrogância fatal” ficou bastante conhecido a partir da publicação do último livro do austríaco, cujo título leva esse conceito. “The Fatal Conceit”, publicado pela primeira vez em 1988, tem como subtítulo “The Errors of Socialism” e foi traduzido para o português, no Brasil, primeiramente como Arrogância Fatal – Os erros do socialismo (1995) e, numa edição mais recente, como Os Erros Fatais do Socialismo – Por que a teoria não funciona na prática (2017). Na introdução, que traz a pergunta “o socialismo foi um erro?”, Hayek diz:

As reivindicações do socialismo não são conclusões morais derivadas das tradições que constituíram a ordem ampliada e tornaram a civilização possível. Antes, elas se empenham em derrubar essas tradições e trocá-las por um sistema moral planejado racionalmente, cuja atração depende do apelo instintivo das consequências que promete. Elas supõem que, uma vez que as pessoas foram capazes de gerar um sistema de regras coordenando seus esforços, elas devem ser capazes também de elaborar um sistema ainda melhor e mais gratificante. Mas se a espécie humana deve sua existência mesma a uma forma específica de conduta baseada em regras de eficácia comprovada, ela simplesmente não tem a opção de escolher outra apenas em prol da agradabilidade aparente dos seus efeitos imediatos visíveis. A disputa entre a ordem do mercado e o socialismo não é nada menos que uma questão de sobrevivência. Seguir a moralidade socialista destruiria grande parte da humanidade presente e empobreceria o resto.[2]

Sendo assim, fica claro que a arrogância da qual Hayek trata consiste justamente nessa crença socialista em utilizar a razão com fins de realizar uma “engenharia social”, acreditando que seu conhecimento (seja de um político, um burocrata, um intelectual, um militante, ou qualquer outro membro da sociedade) é suficiente para impor obrigações e restrições a toda a sociedade por meio do Estado.

No entanto, Hayek, em seu livro, chama a atenção para um ponto importante: ele não se coloca contra a razão, mas sim contra o uso incorreto da razão. Para ele, o uso correto da razão é aquele que “reconhece as próprias limitações e [...] enfrenta as implicações do espantoso fato, revelado pela economia e pela biologia, de que a ordem gerada sem desígnio pode superar de longe os planos que os homens tramam de maneira consciente”. Dessa forma, Hayek acredita que a razão pode sim aperfeiçoar normas e instituições sociais e morais, só não devemos cair no erro do racionalismo construtivista, o qual pauta o socialismo. Esse é outro conceito utilizado anteriormente por Hayek em outras obras, o qual designa “uma teoria da racionalidade ingênua e acrítica e uma metodologia obsoleta e anticientífica”.

Isso tudo permite Hayek concluir a introdução de seu livro da seguinte maneira:

Nossas tradições morais, assim como muitos outros aspectos da nossa cultura, desenvolveram‑se concomitantemente à razão, não como produto dela. Por mais surpreendente e paradoxal que possa parecer a alguns dizer isto, essas tradições morais excedem as capacidades da razão.[2]

Seções de Os Erros Fatais do Socialismo – Por que a teoria não funciona na prática (2017)[editar | editar código-fonte]

  • Introdução – o socialismo foi um erro?
  • 1. Entre o instinto e a razão
  • 2. As origens da liberdade, da propriedade e da justiça
  • 3. A evolução do mercado: comércio e civilização
  • 4. A revolta do instinto e da razão
  • 5. A presunção fatal
  • 6. O misterioso mundo do comércio e do dinheiro
  • 7. Nossa linguagem envenenada
  • 8. A ordem ampliada e o crescimento populacional
  • 9. A religião e os guardiões da tradição
  • Apêndices
    • A. "Natural" versus "artificial"
    • B. A complexidade dos problemas de interação humana
    • C. O tempo, a emergência e a reprodução de estruturas
    • D. Alienação, renegados e as reivindicações dos parasitas
    • E. O jogo, a escola das regras
    • F. Observações sobre a economia e a antropologia da população
    • G. A superstição e a preservação da tradição

Referências

  1. HAYEK, F. A. (setembro de 1945). «O uso do conhecimento na sociedade». The American Economic Review. Consultado em 25 de agosto de 2017. 
  2. a b HAYEK, F. A. (2017). Os erros fatais do socialismo: por que a teoria não funciona na prática (PDF). Barueri: Faro Editorial. 237 páginas. Consultado em 25 de agosto de 2017.