Arturo Issel

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Arturo Issel
Nascimento 11 de abril de 1842
Gênova, Itália
Morte 27 de novembro de 1922 (80 anos)
Gênova, Itália
Nacionalidade italiano
Ocupação arqueólogo, geólogo, malacólogo e paleontólogo

Arturo Issel (Gênova, 11 de abril de 1842 — Gênova, 27 de novembro de 1922) foi um arqueólogo, geólogo, malacólogo e paleontólogo italiano. Era uma figura recorrente no contexto acadêmico de sua cidade natal, assumindo as cadeiras de mineralogia e geologia por quase duas décadas. Entre sua vasta contribuição, destaca-se as explorações nas cavernas Arene Candide e Għar Dalam, as expedições à África Oriental e os estudos sobre as oscilações do solo.

Ficou conhecido por definir pela primeira vez o estágio Tirreno em 1914 e também por seu trabalho na codificação de informações dentro da antropologia e etnologia, pelo qual ele ainda é lembrado

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de Raffaele e Elisa Sonsino, Issel nasceu na cidade de Gênova em 11 de abril de 1842. Ele completou seus estudos no ensino secundário em sua cidade natal e depois frequentou a Universidade de Pisa, pela qual se graduou com uma medalha de ouro, em 1862. Quatro anos depois, Issel ocupou as cadeiras de mineralogia e geologia em Gênova, tornando-se professor definitivo uma década depois e mantendo tal posição até 1891, ano em que deixou a cadeira de mineralogia para ficar somente com a de geologia.[1]

Em 1873 casou-se com Bettina Ascoli, filha do glotologista Graziadio Ascoli, com quem teve dois filhos.[1]

Explorações das cavernas Arene Candide e Għar Dalam[editar | editar código-fonte]

Em 1864 Issel publicou um breve relato sobre a visita à caverna Arene Candide, um importante sítio arqueológico que mais tarde propiciaria uma extensa quantidade de evidências do paleolítico ao período Bizantino.[2] Este foi o primeiro registro literário que mencionou o local e também marcou o início dos estudos de Issel sobre paleoetnologia da região de Ligúria, resultando numa produção científica, dirigida a numerosas áreas, tais como: geofísica, geologia, geomorfologia, malacologia, mineralogia, paleontologia, vulcanologia e zoologia.[1]

Segundo Nicoletta Morello, escritora da enciclopédica italiana Treccani, o interesse de Issel pela paleoetnologia surgiu da motivação pelo questionamento da antiguidade da espécie humana, levantado na Europa cerca de duas décadas antes. Naquela ocasião, apesar de artefatos conhecidos, as interpretações dos fósseis humanos em processo de descoberta, como o Homem de Neandertal, eram incertas e contestadas.[1]

Caverna de Għar Dalam, local que Issel encontrou restos humanos pré-históricos.

Em 1865, quando procurava evidências do Homem de Neandertal em Malta, Issel explorou uma caverna que mais tarde seria denominada Għar Dalam e onde encontrou restos humanos pré-históricos e um osso de hipopótamo queimado.[3] Esta descoberta convenceu Jacques Boucher de Perthes porém gerou uma controvérsia sobre a autenticidade dos fósseis referentes e por implicações criacionistas.[1] No mesmo ano, publicou Della variabilità nella specie. Breve cenno sulla teoria di Darwin, uma obra impressa que abordou a teoria de Darwin e na qual Issel compartilhou criticamente suas afirmações, interpretando a direção evolutiva da seleção natural num sentido progressivo. Embora os dados não eram suficientes para uma conclusão definitiva, o autor alegou que uma espécie intermediária, considerando sua existência, deveria ter uma expansão geográfica limitada e vida curta pois a imigração de espécies já adaptadas impediria que os intermediários se adaptassem às condições locais. De acordo com Morello, o argumento evolucionário sempre se manteve presente na reflexão naturalista de Issel.[1]

Expedições à África Oriental e estudos das oscilações do solo[editar | editar código-fonte]

Carreira administrativa e legado[editar | editar código-fonte]

Issel atuou com numerosas sociedades e instituições científicas italianas e estrangeiras, desenvolvendo uma intensa atividade para a divulgação de estudos naturalísticos com a publicação de manuais científicos de instrução para mineralogistas, geólogos e paleontólogos, amadores e viajantes, propondo também para estes últimos a constituição, na Faculdade de Ciências, de uma "escola prática para viajantes", aprovada em 1890 pelo Ministério da Educação. Ele obteve vários prêmios, incluindo a homenagem aos Santos Maurizio e Lazzaro em 1906.[1] Ainda na área administrativa, presidiu as sociedades Geológica Italiana e História da Pátria de Ligúria, sendo que presidiu esta último até a data de seu falecimento.[4]

Diante de sua vasta contribuição acadêmica, ficou conhecido por definir pela primeira vez o estágio Tirreno em 1914 e também por seu trabalho na codificação de informações dentro da antropologia e etnologia, pelo qual ele ainda é lembrado.[5]

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]