Asilo de Madalena

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Um asilo de Madalena na Irlanda, no início do século 20

Os asilos de Madalena eram instituições que existiram entre o século XVIII e o final do século XX e eram ostensivamente chamadas de casas de "mulheres perdidas". Estes locais operaram por toda a Europa e América do Norte durante grande parte do século XIX e até o final do século XX e abrigavam mulheres com deficiência física e mental, rebeldes, mães solteiras e suas filhas, vítimas de estupro e aquelas que se acreditava possuir caráter duvidoso como as prostitutas.[1] O primeiro asilo foi fundado em 1765 por Arabella Denny na capital da Irlanda, Dublin, na Leeson Street. A instituição recebeu o nome inspirado em Santa Maria Madalena, que segundo a compreensão católica, se arrependeu de seus pecados e se tornou uma das mais fiéis seguidoras de Jesus Cristo.

Inicialmente, a missão dos asilos era reabilitar as mulheres de volta à sociedade, mas no início do século XX, as casas se tornaram punitivas e parecidas com uma prisão. Na maioria dos asilos, as internas eram obrigadas a realizar intensos trabalhos físicos, incluindo trabalhos na lavanderia e de costura. Elas suportaram um regime diário que incluía longos períodos de oração e silêncio forçado.[2]

Na Irlanda, tais asilos eram conhecidos como lavanderias de Madalena. Estima-se que 30 mil mulheres passaram por essas instituições apenas naquele país.[3] O último asilo de Madalena, em Waterford, encerrou suas atividades em 25 de setembro de 1996.[4]

Em 2011, a comissão da ONU contra tortura solicitou ao governo irlandês que instaurasse inquérito para investigar as denuncias de maus-tratos. Em fevereiro de 2013, o primeiro-ministro Enda Kenny apresentou desculpas, em nome do governo irlandês, às milhares de mulheres que foram internadas e forçadas a trabalhar nestas instituições. O relatório confirma que o governo irlandês foi conivente com o trabalho escravo e foi responsável pelo envio de ao menos 1/4 das mulheres às lavanderias.[3][5]

O filme The Magdalene Sisters de 2002 é inspirado na rotina das mulheres que viviam nestas instituições.[3]

Referências

  1. «Primeiro-ministro irlandês lamenta trabalho forçado de mulheres em lavandarias de conventos». Sic Notícias. 5 de fevereiro de 2013. Consultado em 11 fevereiro de 2013. 
  2. «Ireland finally admits state collusion in Magdalene Laundry system». The Guardian (em inglês). 5 de fevereiro de 2013. Consultado em 11 fevereiro de 2013. 
  3. a b c «Mais de 30 mil mulheres podem ter sofrido abuso em internatos católicos». Globo News. 5 de fevereiro de 2013. Consultado em 10 fevereiro de 2013. 
  4. «Por baixo dos panos/». Jornal do Brasil. 5 de fevereiro de 2013. Consultado em 10 fevereiro de 2013. 
  5. «Governo irlandês admite culpa do Estado em casos de escravidão em conventos». Globo News. 5 de fevereiro de 2013. Consultado em 11 fevereiro de 2013.